O Caçador Meio-sangue

1 Acampamento dos Semideuses


Notas iniciais
Repostando uma catástrofe de uns dois ou três anos atrás quando comecei a escrever esta fanfic. Jovens, eu lhes trago o "reboot" daquela fanfic que poucos leram e alguns até que gostaram, mas eu achei muito superficial, muito corrido, e por isto quero melhorar aquele estrago. https://www.youtube.com/watch?v=H-POzIrRh0c

"Você quer saber de uma coisa? Ser um semideus não é uma coisa boa. Cedo ou tarde vão tirar tudo de você, e quando você menos imaginar, quando a morte for tudo o que você buscar, não o deixarão partir". — Diário de Dante.

...

Dante poderia se dizer um cara solitário, embora havia conseguido finalmente algumas coisas só dele, como um aluguel fácil em um apartamento com um bom desconto pelo fato de estar em frente a um outdoor luminoso que pelas noites acabava de vez com seu sono. Não se importava muito em dormir, embora todas as vezes que se esforçava para manter-se acordado, nem a luz ou os energéticos o mantinham de olhos abertos. Não dormia uma noite, nas outras duas seguintes tinha os pesadelos frequentes e aleatórios de imagens distorcidas dizendo coisas tão distorcidas quanto, e às vezes parecia estar acordado, pois via as manchas de luz do painel do lado de fora, mas não acordava.

Abriu um fardo de refrigerante e bebeu uma das latas. Sempre tentava arrumar alguma coisa para fazer e ganhar uns trocados para pagar o apartamento, e de resto não tinha tempo para muitas coisas no mundo afora, e nem mesmo queria saber o que havia por lá após coisas estranhas que se passaram na infância, como homens altos, fortes e tapando os rostos com as abas dos chapéus, embora o brilho dos olhos estivessem bem visíveis... Ou melhor, do olho.

Tinha o costume de ler. Atividade barata, fácil e impedia que cenas como a primeira e última automutilação se repetisse.

Além de ler, desenhava o que encontrava nos poucos sonhos bons que via, e o principal e mais intrigante que havia em seu caderno era uma garota loira de olhos cinzentos e uma camisa laranja, outras vezes, a mesma garota com o rosto sob um capacete, e ainda com este, seus olhos eram bem destacados e cabelos em um rabo de cavalo como se fosse lutar e impedir os fios de emaranharem nas armas ou partes da armadura.

Escrevia também. Apenas era um diário em que dizia sobre seus sonhos, o que encontrava neles e como conseguia fugir dos pesadelos. Dizia sobre como era sua mãe, embora quase nunca a tinha visto, e quando a via, estava no meio de sombras — sendo quase como as próprias sombras. Seu mestre também aparecia naqueles textos e desenhos, sendo um homem velho, porém tivesse o vigor de um jovem e tão forte quanto. Cabelos brancos e compridos até os ombros, uma barba esbranquiçada curta e óculos com armação finas relevando a cicatriz no olho esquerdo. Um homem que o havia treinado em estilos de luta, em força, e tudo mais, pois dizia que sua mãe o queria bem e forte. Mas para quê?

Ninguém o visitaria, ninguém iria se importar com ele e gostava muito de usar isto a seu favor. Ser anônimo para o mundo.

Compreendia fácil qualquer coisa, embora sua dislexia e falta de atenção acabasse fazendo com que tivesse que ler mais para compreender, e com treino foi capaz de ler mais rápido e compreender melhor. Tinha um notebook simples, mas suficiente para algumas coisas. Encontrava criminosos procurados, e o primeiro lhe rendeu um pouco de dinheiro para aprimorar seu arsenal de armas tecnológicas com um computador bom para fazer uma coisa útil com sua inteligência, e agora ele tinha uma coisa a mais no apartamento. Nada de sofás ou televisões, apenas seu chão onde dormia com um colchão inflável e um cobertor para dias frios, um frigobar, alguns livros empilhados ao lado de estojos de lápis e canetas organizados como alguém com TOC que teria jogado Tetris a vida inteira e o computador.

Fechou o livro e o deixou onde havia tirado para não acabar com a ordem que havia deixado, amassou a lata de refrigerante e jogou nu saco plástico de um bolo cheio de sacos que levava à sua casa sempre que comprava alguma comida.

— Bom, vamos trabalhar. — Falou sozinho andando em direção ao computador. — Quem vamos pegar hoje? — O monitor iniciou e o mouse passou por ícones, e pegou então uma imagem de um suspeito procurado de Nova Iorque. — Samuel Gabe... Tem alguma coisa? — Na outra parte da tela que havia separado em dois, abriu-se outro programa que o conectava às câmeras da cidade. — Envolvido com a máfia, uh... — Rolou mais para baixo na lista. — Relacionado ao movimento do narcotráfico e ao tráfico humano. Mas por que ninguém ainda está atrás dele? Vai ver investigações policiais seriam mais difíceis do que parecem.

Olhou para a metade da tela com as câmeras da cidade e com alguns comandos passaram a vasculhar pelo homem.

— Tá bom, onde você está Sam. — Sussurrou de olhos fitos na tela passando imagens rápidas das pessoas que passavam pelas ruas.

Era uma cidade grande, mas gostava da ideia de que tinha sorte para as coisas. Já já iria comprar algumas coisas para o apartamento com o dinheiro que juntou de vários criminosos capturados e, feita a solicitação de não ser mencionado nem uma vez para sua segurança.

Uma câmera que era necessário, porém só pela sorte pura que pegaria o sujeito numa cidade grande daquelas.

Coçou os olhos sonolentos, apagou a tela do computador para usá-la de espelho. Suas olheiras não estavam tão ruins assim, mas mesmo assim decidiu arriscar a sorte de dormir por alguns minutos, e talvez o criminoso já estivesse fora da cidade. Deitou-se no colchão de cabeça sobre o travesseiro para tentar cair no sono.

— Dante, por favor! Venha logo, venha nos ajudar! — Uma garota, a mesma de seus outros sonhos suplicava com olhos marejados e toda machucada e suja. — Por favor, não temos mais tempo... — Uma risada maléfica surgiu atrás da garota, que arregalou os olhos e mal podia se mover, quanto mais terminar de falar. O sentimento de medo parecia ser, mesmo assim, menor que a dor de ter o peito trespassado por uma espada. Parecia ter perdido alguém importante ou uma parte de si ao vê-la assim. — D-Dante... — Gemeu.

Dante não soube o que fazer, não podia se mover e parecia não existir. Ajoelhado e sem reação além da tristeza inexplicável, apenas ouviu uma voz, desta vez atrás de suas costas. A voz de seu mestre: Silver Rayleigh.

— Com certeza não é o que você quer, garoto, mas você precisa sair daí. Está com medo, pois sabe bem do mal que existe no mundo. Mas decidiu ter medo e viver transformando este medo em covardia. Você é o único que pode impedir um massacre... Um holocausto feito por monstros. Desta vez não é um filho de qualquer deus, mas você. Chegou sua vez, filho de Atena.

— Cale a boca... — Conseguiu sussurrar. — E se eu não quiser fazer parte disso? E se toda esta merda não fizer sentido?

— Você já entrou nessa quando decidiu fazer o bem, é atraiu muito mal para si. Você sabe o que este cara que está procurando é, só não quer admitir que a lembra perfeitamente bem de que este é um... Ops, está na hora de você acordar, o sátiro chegou.

— Pera, que sátiro? — Perguntou, mas foi logo engolido por uma espécie de escuridão com sons de batidas cada vez mais altos até que finalmente acordou.

"Toc, toc, toc, toc", ecoou o som da porta.

— Vamos, abre logo! — Falou um rapaz nervoso do outro lado. — Não temos muito tempo, vai.

Dante levantou-se sem conseguir pensar bem por um tempo e abriu a porta, ou então ela seria destruída. O pobre homem-bode ruivo tropeçou ao entrar no apartamento.

— Graças aos deuses! — Falou aliviado, porém ainda tremia. Olhou para Dante. — Vamos, temos que ir logo.

— Para onde?

— Acampamento Meio-sangue, oras. Para onde mais seria?

O jovem continuou em silêncio.

— Vou explicar resumindo tudo: você tem uma mãe ou pai que é um deus, você deve vir comigo para ficar mais seguro e finalmente receber proteção e algumas missões que podem te matar.

— É sempre assim? Os deuses são psicopatas que querem ver você morrer e outras coisas voltarem?

— É... Talvez. Como sabe dos monstros? Olha, não importa, temos que ir. — Apressou-se para ir à porta, mas parou ao ver que Dante não o seguiria. — O que foi? — Perguntou ao garoto parado.

— Se eles precisam de mais um escravo para se ferrar no nome deles, que se danem. Não vou ser mais uma peça de teatrinho. — Murmurou.

— Olha, cara, não me importo, mas venha comigo! Vamos! Tem monstros seguindo você, acabou mandando sinal demais para eles!

— Sei, mas não. Já estou bem, obrigado... — Por um segundo, uma visão passou por seus olhos. Uma visão da mesma garota pedindo socorro.

O sátiro magicamente estava em sua frente gritando e dizendo motivos para que ele o seguisse, mas não precisou falar mais nada. Dante franziu a sobrancelha e começou a andar.

— Vamos então! — Falou sem entender nada do que o sátiro acabara de dizer.

— Está bem então... — Falou Grover confuso pela repentina decisão, mas aliviado. — Me segue! — Correu para ir à frente dele.

Por todo o caminho era atencioso para quaisquer formas de perigo ou possíveis perigos. Ao pegarem as passagens, verificou antes se não estavam sendo seguidos, ao embarcarem no ônibus buscou ver se ninguém estava ali. Dante apenas agia naturalmente dormindo pelo trajeto inteiro.

— Vamos. — Grover balançou seu ombro ao chegarem próximo à parada. — É aqui.

O asfalto cheio de terra e mata ao redor com uma trilha a seguir.

— Vamos. — Disse.

— Vamos. — Concordou Dante seguindo o homem-bode pelo bosque.

O bosque aparentava escurecer aos poucos, e as árvores tornavam o cenário algo infinito, uma espécie de labirinto caso alguém dormisse ali e tentasse voltar. Todas as direções pareciam iguais em certos pontos em que paravam. O sátiro tinha alguma espécie de localização especial, ou algo assim.

— Por aqui. — Dizia após parar algumas vezes e olhar para os lados para ver onde iria. — Venha, vamos chegar rápido. — O puxou pela mão.

Grover olhou em volta como se tivesse se perdido, embora não o admitisse, suas pernas tremendo o denunciavam.

— Você tá bem?

— Fique aqui, eu vou subir esta árvore para ver onde o acampamento está. — E os cascos o deixaram sozinho. Como um montanhês, trotou com facilidade ao topo do pinheiro.

Dante sentia novas presenças. Como parte de seu treinamento, descobriu novas habilidades, como detectar energias, pressentir o perigo e prever ataques. Infelizmente nem todos os que podia sentir pareciam amigáveis, mas tentava buscar um que aparecia diante de sua vista como um borrão. Fechou os olhos e tentou focar em sua observação... Respiração pesada, pernas fortes que espalhavam terra ao pisar, punhos que bateram por acidente em uma árvore arrancando uma lasca...

— Então você tá assim por causa da sua mãe ter sido forçada a se apaixonar por um touro? — Não adiantava se esconder quando sentia a respiração em suas costas. — Vamos brincar de quem é mais forte? — Abriu os olhos que o encararam com um olhar nteligente e feroz. Não queria que o minotauro se intimidasse fácil.

Os punhos pesados e enormes socaram o chão deixando-o entre seus punhos com metade do tamanho de Dante, pelo menos.

— Ei, você! — Gritou um jovem revestido por uma armadura. — Sai daí! Ele é forte demais para você!

O monstro começou a socá-lo freneticamente, mas Dante desviava sem ser arranhado e deu um chute em sua cabeça, que o fez voar e derrubou uma árvore sobre seu corpo.

— O minotauro nem mesmo é o monstro mais forte do mundo mitológico, posso acabar com ele agora, mas... Não seria interessante.

O monstro se colocou em pé e correu na direção de Dante. Avançava abaixado com os chifres preparados como lanças. Dante agarrou os dois se esforçando para não ser arrastado e pensando que, afinal, este fosse até um pouquinho forte. Os pedaços de ossos eram como lâminas que para Dante estavam cegas.

Colocou toda a força num empurrão para o chão, e a criatura tropeçou. Dante foi às costas do minotauro caído e novamente agarrou seus chifres e os girou para um lado torcendo e quebrando o pescoço do bicho maligno.

— O que houve? — Grover gritou descendo logo da árvore e olhando surpreso para Dante, o monstro e os campistas.

O minotauro se dissolvia e transformava-se aos poucos em pó, deixando somente a mancha ds sangue que saiu de sua boca.

Os campistas boquiabertos abriam caminho, e por ele, um centauro com peito humano e cabeça cobertos com armaduras, aljava com flechas de bronze celestial nas costas e o arco na mão.

— O que aconteceu aqui? — Estava tão surpreso quanto qualquer um dos outros.

Saltou de suas costas uma garota, que, por coincidência ou não, era a mesma de seus sonhos. Loira, bonita, olhos cinzentos e pele bronzeada.

— O que houve? Mataram o minotauro? Salvaram mais um novo semideus? — Examinou o novato e percebeu que ficou meio sem jeito sendo o centro das atenções.

— N-não, Annabeth. — Falou um campista e despertou a curiosidade de Dante. — Foi ele... — Apontou. — Ele estava sozinho, desarmado e acabou com ele em menos de um minuto.

— Ele? Impossível! Como poderia?

— É verdade. — Confirmou outras vozes emaranhadas e confusas como discussões.

Annabeth por outro lado via algo de familiar nele e queria pensar de onde havia visto. Lembrou-se de algumas coisas, coisas suficientes para tirar uma conclusão que, no momento seria precipitada, mas com sua mente daquele jeito, esperançosa, poderia finalmente ver com quem estavam lidando.

— Silêncio! — O centauro ordenou.

— Qual é o seu nome? — A loira perguntou olhando nos olhos do rapaz, cara a cara.

— Eu sou Dante... Dante Chase. — Respondeu.

A menina, aparentemente mais nova que ele ainda o olhava, mas desta vez com lágrimas nos olhos. Abraçou o rapaz e o apertou como se alguém pudesse separar os dois.

— Eu sou Annabeth Chase... — Falou.

Dante não viu outra opção além de retribuir o abraço de sua irmã recém apresentada e chorar também por enfim ter alguém, uma pessoa de sua família.

Quando Annabeth estava encarando seu rosto, é claro que ia ser para algo, ao menos era o que pensava. Ela já tinha visto uns quadros antigos de um bebê de no máximo dois anos; via seu pai às vezes, antes de pensar em fugir de casa, reclamar de ter sido incompetente, de dizer que não foi capaz de proteger seu primeiro filho, coisa que desejava não acontecer com Annabeth, seria presente e protetor. Tempo depois foi parar em um orfanato, e pelo que lembra não teve nenhuma família até agora.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Se quiserem não se esqueçam de comentar, acompanhar, etc., para não perder os próximos capítulos. Estou escrevendo no Wattpad também e ela está com mesmo nome lá. Abraços do tio e até mais. https://www.youtube.com/watch?v=AtHubsyGD8w