O Caso Da Boemia
10 Capítulo 10 - O Castelo de Jeniffer
Notas iniciais
Hoje é aniversário da minha irmã, que está fazendo 4 anos.
Aproveitem o capítulo!
John Watson nunca viu Sherlock Holmes ficar preocupado com alguém, mas quando este viu sua filha, abraço-a com tanta força que ela quase se sufocou.
-Sophie você está bem? Está ferida? Com fome? Machucada? Com medo? Com sede? – Sherlock fez tantas perguntas que deixou a jovem confusa, mas ela decidiu responder todas as perguntas feitas pelo pai.
-Pai, eu estou bem, não estou ferida, estou com um pouco de fome, não estou machucada e estou com muita sede. Eu seria capaz de beber todo o rio Tâmisa, e, por favor, pare de me constranger. – respondeu a jovem um pouco envergonhada.
Holmes riu da cara da filha, porém algo o intrigava e não era a reação de Sophie.
-Por acaso você viu onde foi à explosão? – perguntou Holmes.
-Sim, foi na parte oeste do Vaticano. Eu vi Jeniffer e corri atrás dela, mas com toda essa gente, não consegui alcançá-la e o senhor já sabe o resto.
-Mas nós encontramos uma carta dela para Sophie. – disse Damian.
-E onde está a carta? – perguntou Watson.
-Está dentro do meu vestido. Eu ainda não a abri – falou pegando a carta e mostrando-a – Achei melhor abrir no hotel junto de você.
-Certo, então vamos voltar ao hotel.
***
Na carta estava escrito:
“Olá Sophie Isabelly Adler Holmes
Espero que tenha gostado do meu pequeno showzinho, cortesia do Depp e minha, é claro.
Mas não foi por isso que deixei a carta e sim para lhe dizer onde me encontrar novamente. Eu estarei em Barcelona, na minha Casa. Aguardar-lhe-ei ansiosamente, junto com uma pessoa muito especial. E caso você não saiba onde é minha Casa, pergunte ao D.H.Wolfe, afinal ele já esteve lá uma vez.
Até Breve.
Jeniffer Christine Porter.”
Sophie suspirou ao terminar de ler a carta e entregou-a a Sherlock Holmes para analisá-la junto com o Doutor John Watson.
-Por que ela sempre fala onde está? Porque ela quer que nós a encontremos? – perguntou John Watson.
-Porque ela quer que Sophie lute com ela. Mas a questão é: Porque ela quer muito duelar com você?
Novamente, Sophie subestimou as habilidades de seu pai e desta vez viu que teria que contar o porquê Jeniffer quer tanto esse duelo.
-Há cinco anos, nós fazíamos esgrima juntas, mas nós não éramos amigas e nem inimigas como agora. Enfim, nós éramos colegas e Jeniffer sabia usar muito bem um sabre. Ela era a melhor da minha turma. Aliás, a melhor da escola.
-Deixe-me adivinhar: um dia teve vários duelos e vocês duas tiveram que se enfrentar e você a derrotou. – falou Holmes.
Damian riu e todos olharam para ele.
-Derrotou? Sophie, literalmente, “nocauteou” Jeniffer na frente escola inteira. Foi incrível! Aliás, eu quero saber de uma coisa: como você derrotou a melhor esgrimista daquela escola?
Apesar de ser uma lembrança da qual gostava de se lembrar, Sophie começou a ficar envergonhada, mas decidiu contar como derrotou Jeniffer e também como descobriu seu maior dom: observação.
-Observando-a.
Sherlock e John entenderam o que ela quis dizer, exceto Damian.
-Como assim? Todo mundo estava observando ela.
Sophie revirou os olhos.
-Errado. Todo mundo estava olhando para ela. Eu estava observando como ela atacava, bloqueava, defendia, sua velocidade, seu estilo e jeito de luta. O que eu não sabia era que essa derrota seria sua, digamos, expulsão da família.
-Por quê? – indagou Watson.
-Por que todos os membros da Família Porter são excelentes em esgrima e nenhum nunca fora derrotado, até cinco anos atrás. – respondeu Damian.
-Mas isso não justifica matar um príncipe e explodir o Vaticano.
-Não justifica, mas pelo que percebo essa jovem faz de tudo para chamar a atenção de Sophie, não importa o que faça e nem quem machuque. É uma sede de vingança insaciável. E ainda tem a sua reintegração na família como uma heroína. Porém, tem algo que está intrigando-me, apesar de saber a resposta, eu quero ouvi-la da boca do Sr. Wolfe. Nessa nova carta ela diz sua nova localização: Barcelona. E caso Sophie não soubesse onde é sua casa, teríamos que perguntar a você. – falou Holmes.
“Droga!”, pensou Damian.
Sophie pensou em algo que não havia parado para pensar antes.
-Espera. Jeniffer estava vigiando você quando nos vimos na Praça de St. James, em Londres. – disse a jovem observando o rapaz e sua reação. – E você sabia! Sabia que ela estava te vigiando e mandou seus espiões me vigiarem.
-Contatos.
-Eu não me importo de como os chama. São espiões do mesmo jeito. Mas isso não vem ao caso. Você sabia que ela estava te vigiando e a única maneira de ela chegar até mim era através de você. Ela deve ter-te sequestrado e te levou até sua casa em Barcelona. Ela deve ter te ameaçado e depois fizeram um acordo. Se você levasse Jeniffer até mim, ela nada faria com você.
Damian se viu encurralado e percebeu que não podia mais fugir e teria que contar o resto da verdade.
-Você já ouviu falar que todas as pessoas têm um ponto fraco? Não importa se a pessoa seja boa ou ruim, sempre tem um. E ela encontrou o meu. Eu tentei ameaçá-la e não deu certo e se eu não fizesse o que ela queria, ela iria matar uma pessoa importante para mim. – disse baixando o olhar. — Eu estava te vigiando não porque me importo com você, mas também por que ela mandou e eu sabia que você sairia de casa por causas das brigas com o Sr. Holmes e iria à Praça de St. James refletir.
Sophie não acreditava não que estava ouvindo daquele jovem.
“Eu não posso surtar e muito menos na frente dele! E nem chorar!”, pensou a jovem.
-Quem é você e o que fez com o Damian Henry Wolfe que eu conhecia? Que não deixava ninguém mandar em você, que sempre conseguia encontrar uma saída para qualquer problema, que fugiu de casa com 13 anos, que rouba objetos de grande valor de lugares que nem o mais habilidoso e experiente assaltante consegue? Onde está ele? Pois o rapaz que está na minha frente, não é ele.
“Onde está o garoto criminoso pelo qual me apaixonei?”, pensou a jovem sentindo seus olhos arderem.
Sherlock Holmes percebeu que Sophie iria surtar a qualquer momento.
“Não posso deixar Watson e esse rapaz vê-la desse jeito. Preciso fazer algo.”, pensou Holmes.
-Watson, já que o nosso próximo destino é Espanha, é melhor você ir com o Sr. Wolfe comprarem quatro passagens de trem que partam essa noite para Barcelona.
Watson levantou-se de sua cadeira, com Damian logo atrás, mas que não parava de olhar a morena dos olhos azuis, que não conseguia olhá-lo em seus olhos, o que deixou o jovem triste.
Quando a porta foi fechada, Sherlock fez um aceno com a mão, chamando a jovem para sentar-se ao seu lado. A jovem sentou-se e escorou a cabeça no ombro de Sherlock, que passou seu braço por cima do ombro de Sophie, com intuito de abraçá-la e segurou a mão de Sophie.
-Apesar de ser meu casaco favorito, eu não vou me importar se ele estiver um pouco molhado. – falou Holmes.
Sophie percebeu que não podia aguentar aquilo e deixou as lágrimas escorrerem, levando com elas a tristeza de saber que Damian nunca se importara realmente com ela, da explosão, da morte do príncipe, dos dias que brigou com seu pai, da morte de sua mãe..., tudo estava retornando de uma vez e indo embora de uma vez. Ficou grata por estar nos braços de seu pai, que fez com que o Doutor Watson e Damian saísse para comprarem as passagens.
-Obrigada. – disse com a voz embargada.
Holmes ficou feliz com a gratidão da filha.
-Você precisava disso.
***
Durante quase toda a viagem, Sophie conseguiu dormir tranquilamente, algo que não conseguia fazer desde que começara nas investigações. Ela estava com a cabeça apoiada no ombro de Sherlock, que não importou nem um instante, nem mesmo com seu casaco favorito molhado com as lágrimas de Sophie.
Watson estranhou, pois nunca vira Holmes ser tão amável e carinhoso, para quem era um detetive frio e calculista como ele.
-Holmes, a Sophie não parece bem.
Holmes olhou para o amigo e depois para a filha.
-E ela não está Watson. E depois do que o rapaz ao seu lado fez, isso acabou com ela.
Damian não estava dormindo quando Sherlock falou isso, mas nada falou.
-Não tem nada a dizer em sua defesa? – perguntou Holmes friamente.
-Eu vou levá-los até a casa de Jeniffer e não vou mais importunar Sophie. Depois do caso, eu vou embora e o senhor não precisará se preocupar mais comigo, pois irei sumir da vida dela. Tudo bem para o senhor?
-Está ótimo para mim.
***
Quando desembarcaram na estação, os quatro não perderam tempo, alugaram uma carruagem, e foram direto para a Casa de Jeniffer. Damian estava guiando a carruagem, com Sherlock Holmes ao seu lado, enquanto dentro dela estavam o Dr. Watson e Sophie, preparando suas armas.
A Casa de Jeniffer não era o que Sophie esperava, uma pequena casinha no meio do nada, e sim um enorme castelo, que lembrava muito o Palácio de Buckingham, só que um pouco menor. Os quatros pararam a carruagem perto de uma pequena montanha que ficava uns vinte metros de distância do castelo da Srta. Porter.
-Sophie você não disse ela morava em um castelo em Paris? – perguntou Watson.
-Doutor, eu disse que a Família Porter tinha um castelo perto de Paris e não que Jeniffer morava nele.
-Enfim, isso não vem ao caso e sim como entrar no castelo. E esse é um trabalho para o Sr. Wolfe. – disse Holmes.
Damian olhou para os três e depois olhou para o castelo e a paisagem a sua volta.
-Venham comigo e rápido.
Damian levou-os a uma pequena passagem do lado leste do castelo que era um túnel de cinco metros, segundo a suposição de Sophie. O túnel acabava em um alçapão, que dava direto em um corredor comprido de ambos os lados onde nas paredes estavam pendurados vários tipos de quadros e de vários artistas diferentes, na qual Sophie não conseguia se lembrar.
-Vamos nos separar em duplas. Eu e o Sr. Wolfe vamos por esse lado. – disse Holmes apontando para o lado esquerdo. – Watson e Sophie vão pelo direito. Encontramo-nos em meia hora do lado de fora, perto da montanha. – Todos concordaram.
Enquanto Sophie e Watson exploravam o lado direito do castelo, eles encontraram uma sala onde havia vários tipos de armas.
-Essa sala é da Jeniffer. Reconheço por causa daquilo. – disse Sophie apontando para o símbolo na parede: Uma flor tulipa vermelha e uma dama de espada.
Watson foi até uma mesa que estava com muitos papéis de exportação, importação, entregas e descarregamento de armamento de todo tipo, desde arcos e flechas até armas de fogo.
-É melhor levarmos tudo isso e sairmos daqui. – disse Watson.
Enquanto isso do outro lado, Holmes analisava cada parede que via, até que se deparou com uma porta, onde estava escrito prisioneiros.
-Nós vamos entrar aí dentro? – Perguntou Damian.
-Por acaso tem algum problema para você, rapaz? – indagou Holmes friamente, o que deixou Damian intrigado.
-Não tem nenhum problema senhor.
-Então você não vai se importar de ser o primeiro.
-Por que não vai o senhor?
Sherlock fez aquele olhar intimidador, deixando o jovem ainda mais intrigado e nervoso.
-Está bem Sr. Holmes, eu me importo com Sophie, mais do que o senhor pensa.
-Então por que disse que não se importava com ela?
-Por que ela não se importa comigo. Sophie é muito fria, mas eu gosto muito dela mesmo assim. Para falar a verdade, eu a amo e muito, desde a primeira vez em que a vi, eu me apaixonei perdidamente por ela. Eu sei que o que eu disse a deixou chateada. E também eu sou um criminoso e ela será uma detetive, não tem como nós ficarmos juntos e, além disso, ela não gosta de mim.
Holmes riu.
-E quem te disse que ela não gosta de você? – indagou, deixando o jovem confuso e Holmes percebeu o que estava fazendo e decidiu encerrar o assunto. – Enfim, isso não é o que nos interessa nesse momento. Vamos entrar.
A porta levava a um pequeno corredor e logo a frente uma pequena escada de cinco degraus, que dava em uma sala onde tinha seis celas para os prisioneiros, mas aos olhos de ambos, não tinha nenhum, porém Holmes decidiu observá-las de perto.
-Sr. Holmes parece que não tem prisioneiros.
-Nem tudo que está diante de nossos olhos é o que parece ser. Olhe direito.
De repente ouve-se uma voz. Uma mulher.
-Sherlock? É você? – perguntou a voz suave de uma mulher. Uma mulher que Sherlock Holmes jamais pensara que poderia escutar sua voz novamente.
Notas finais
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