O Casamento da Minha Melhor Amiga

5 A ÚLTIMA CHAMADA PARA LONDRES


Notas iniciais
Olá, meus amores! Chegamos ao capítulo que muda tudo! Depois de anos de sentimentos reprimidos, oportunidades perdidas, planos desastrosos e uma quantidade absurda de teimosia, finalmente chegou a hora das escolhas. E algumas escolhas mudam completamente o rumo de uma vida. Obrigada por acompanharem essa jornada de amor, amizade, caos e segundas chances. Apertem os cintos porque estamos entrando na reta final da história de Edward e Bella. Boa leitura! ✈️💙

CAPÍTULO 5: A ÚLTIMA CHAMADA PARA LONDRES

POV BELLA

A porta da sacristia se fechou após a saída do Edward, e o som do baque da madeira pareceu esmagar o resto de oxigênio que ainda restava nos meus pulmões. O perfume dele, aquele cheiro marcante de chuva, loção pós-barba e hospital, ainda flutuava pelo ar, zombando da minha covardia.

Olhei para a minha mão. Ela estava vazia. As passagens para Londres não estavam mais ali. Ele tinha levado o meu futuro com ele.

— Bella... — a voz da Alice saiu em um sopro. Ela deu dois passos na minha direção, os olhos arregalados, a prancheta esquecida no chão. — O que foi isso? Que passagens eram aquelas? Meu Deus, Bells... o que aconteceu entre você e o Edward?

Eu me apoiei na borda da penteadeira vitoriana, sentindo o tecido pesado do vestido de noiva de renda francesa pesar como uma armadura de chumbo sobre o meu corpo. As lágrimas inundaram os meus olhos, descendo quentes e destruindo qualquer vestígio de maquiagem.

— Eu estive com ele ontem à noite, Alice — confessei, a minha voz saindo em um fio quebrado, trêmula de desespero. — Ele me tirou da boate. Nós fomos para o apartamento dele. E... e tudo o que nós escondemos por vinte anos veio à tona. Nós nos beijamos, Alice. E nós passamos a noite juntos. Foi a noite mais linda da minha vida... mas eu fugi de madrugada. Porque hoje é o dia do casamento! O Jacob está lá na frente! As famílias estão esperando! É tarde demais...

Alice deu um passo atrás, tapando a boca com as duas mãos. Os olhos dela se encheram de uma mistura de choque e uma clareza cortante. Ela olhou para a porta por onde o irmão tinha saído e depois voltou-se para mim, a voz subindo de tom, cheia de uma urgência indignada:

— E você vai mesmo casar com o Jacob sem amar ele, Bella?! Vai passar o resto da sua vida infeliz, fingindo um sorriso todas as manhãs, só porque não quis magoar os sentimentos dele no altar?! Bella, acorda! Se fosse o inverso, se o Jacob estivesse apaixonado por outra mulher na véspera do casamento, ele não ia pensar duas vezes antes de cancelar tudo e seguir a vida dele! Você está prestes a destruir três vidas em nome das aparências!

As palavras da Alice bateram na minha mente como marteladas. Você vai passar o resto da sua vida infeliz?

Antes que eu pudesse responder, a porta se abriu novamente e o cerimonialista acenou, indicando que a marcha nupcial estava prestes a começar. Minha mente entrou em um curto-circuito completo. Eu não conseguia pensar. Fui guiada para fora da sala como um robô, os meus dedos frios agarrando o braço do meu pai, Charlie, que me olhava com uma expressão cheia de uma dor silenciosa e expectativa.

Quando as portas principais da igreja se abriram, o som estrondoso do órgão preencheu o ambiente.

Eu dei o primeiro passo para dentro da nave da igreja, mas a minha cabeça estava uma confusão completa. Uma névoa cinzenta parecia turvar a minha visão. Olhei para frente e vi todas aquelas pessoas, os amigos da faculdade, os vizinhos de Forks, a minha mãe Renée chorando no primeiro banco... e o Jacob. O Jacob estava parado no altar, vestindo o terno cinza, sorrindo de orelha a orelha, exalando uma autoconfiança que me fez dar um passo em falso.

Meus olhos ignoraram o noivo. Eles escanearam desesperadamente o lado esquerdo do altar, o lugar reservado para os padrinhos.

Procurei pelo Edward. Procurei pelo cabelo acobreado desalinhado, pelos olhos verdes expressivos, pela postura elegante de paletó preto.

Nada. Ele não estava ali.

No lugar dele, vi apenas o Emmett parado ao lado da Rosalie, com uma expressão sombria e os braços cruzados, e o Jasper posicionado logo atrás da Alice, que me encarava com o rosto pálido de preocupação.

Foi naquele milésimo de segundo que o meu mundo desabou. Eu travei no meio do corredor.

Meus pés simplesmente colaram no tapete vermelho. Meu coração deu um solavanco violento e começou a bater a uma velocidade assustadora, parecendo martelar contra as minhas costelas. Minhas mãos começaram a suar frio dentro das luvas de renda, e o ar... o ar simplesmente desapareceu da igreja. Tentei puxar o oxigênio, mas meus pulmões pareciam bloqueados por uma parede de concreto. Eu estava tendo uma crise de pânico completa na frente de duzentas pessoas. O teto parecia estar desabando sobre mim.

Jacob deu dois passos para a frente no altar, o sorriso dele vacilando ao perceber a minha paralisação. Ele se inclinou na minha direção e, com os dentes cerrados para os convidados não perceberem, sussurrou com uma urgência irritada:

— Vamos, Bella... o que você está fazendo? Já estamos muito atrasados! Anda!

Olhei para o Jacob, mas o rosto dele parecia distante, borrado. Eu não conseguia respirar. Sentia que ia desmaiar a qualquer momento. Foi quando senti a mão firme do meu pai se soltar do meu braço e pousar suavemente nas minhas costas. Olhei para o Charlie de relance. Ele tinha um sorriso triste, mas os olhos dele transbordavam o amor mais puro do mundo.

— Bella... — Charlie sussurrou perto do meu ouvido, a voz dele sendo o único farol na minha escuridão. — Siga o seu coração, minha filha. Não faça isso com você mesma.

Aquelas palavras quebraram o feitiço do pânico. Olhei para todos os convidados na igreja, vi a falsidade daquela situação, e depois fixei meus olhos diretamente no Jacob. O ar voltou para os meus pulmões com uma força dolorosa.

— Eu sinto muito, Jake... — disse, a minha voz saindo trêmula, mas alta o suficiente para ecoar pelos primeiros bancos. — Mas eu não posso fazer isso.

No altar, Emmett descruzou os braços em um sobressalto e soltou uma comemoração efusiva, com os punhos para o ar:

— Isso, garota! Mandou bem!

Slap!

Rosalie desferiu um tapa estalado no braço do Emmett, lançando-lhe um olhar mortal que o fez murchar instantaneamente na frente do padre, embora ele ainda mantivesse um sorriso de vitória no canto dos lábios.

O rosto do Jacob perdeu toda a cor. O sorriso dele sumiu, substituído por uma expressão de pura humilhação e incredulidade.

— O quê? — Jacob deu mais um passo, a voz subindo de tom, assustando os convidados. — Mas, Bella? O que é que está acontecendo aqui?! Ficou maluca?!

— Eu sinto muito, Jacob... de verdade — repeti, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto enquanto eu dava os primeiros passos para trás, afastando-me do altar. — Mas eu não posso fazer isso... eu não posso casar com você. Eu não amo você do jeito que você merece.

Antes que ele pudesse segurar o meu braço ou que a minha mãe começasse a gritar no banco, eu girei o corpo, segurei a saia volumosa do vestido de noiva com as duas mãos e saí correndo em direção às portas principais da igreja. Deixei para trás os murmúrios chocados, o escândalo do ano em Forks e a mentira que quase destruiu a minha vida. Eu estava correndo atrás da minha única verdade.

POV EDWARD

O som do motor do Volvo era a única coisa que me impedia de desabar completamente enquanto eu dirigia pela rodovia interestadual em direção ao Aeroporto Internacional de Seattle-Tacoma. A chuva batia contra o para-brisa com uma violência poética.

No painel do carro, o meu celular começou a vibrar pela décima vez consecutiva. O nome do Emmett piscava na tela digital. Logo em seguida, entrou uma chamada em espera da Alice, seguida por uma do Carlisle.

Eu sabia o que aquelas ligações significavam. O casamento já devia ter começado, eles deviam estar me procurando para o banquete ou querendo me dar um sermão sobre ter abandonado a minha família na hora do altar. Eu não tinha estrutura psicológica para ouvir a voz de ninguém. Eu não queria confirmações de que a Bella agora era oficialmente a Sra. Black.

Estiquei a mão, peguei o aparelho e apertei o botão de desligar até que a tela ficasse completamente escura. Joguei o celular no banco do carona. Acabou. A minha história em Forks tinha chegado ao fim.

Olhei para o relógio digital no painel do carro enquanto estacionava na vaga de longo prazo do aeroporto. Eram exatas 15h00min.

A essa hora...— pensei, sentindo uma pontada física no estômago — ela já deve estar casada. O Jacob já deve ter colocado a aliança no dedo dela. Eles devem estar cortando o bolo, sorrindo para os fotógrafos, enquanto eu sou apenas uma lembrança incômoda que ela vai tentar esquecer.

Peguei a minha única mala de mão no porta-malas e caminhei em direção ao terminal de embarque internacional com os olhos fixos no chão, sentindo-me como um homem que estava indo cumprir uma sentença de exílio voluntário.

POV BELLA

Eu empurrei a porta da frente da minha casa em Forks com tanta força que ela bateu contra a parede. Eu estava ofegante, o coração ainda na garganta. Subi os degraus da escada correndo, tropeçando na cauda do vestido de noiva que agora estava suja de lama e chuva.

Entrei no meu quarto em um estado de puro desespero. Minhas mãos puxavam os botões e os zíperes do vestido nas minhas costas, mas eu não conseguia alcançá-los. Eu queria arrancar aquela seda branca do meu corpo como se ela estivesse pegando fogo.

— Deixa que eu ajudo com isso, Bells! — a voz estrondosa do Emmett ecoou atrás de mim.

Girei o corpo e vi Emmett e Jasper entrando pelo meu quarto. Eles não tinham ficado na igreja para a recepção; eles tinham vindo direto atrás de mim. Emmett se posicionou atrás de mim e, com uma delicidez surpreendente para o tamanho dele, abriu os fechos do vestido em segundos, deixando o tecido pesado desabar no chão.

— Onde está o passaporte, Bella? — Jasper perguntou com uma agilidade cirúrgica, já abrindo o meu guarda-roupa e puxando uma mochila de lona velha.

— Na... na segunda gaveta da escrivaninha! Junto com os meus documentos de identidade! — respondi, correndo até o armário para pegar uma calça jeans rasgada, uma camiseta velha do Elton John e um par de tênis.

Enquanto eu me vestia em tempo recorde, Emmett e Jasper operavam como uma equipe de resgate de elite. Emmett pegava punhados de roupas de frio do meu cabide e jogava dentro da mochila, sem se importar em dobrar, enquanto o Jasper conferia o meu passaporte e colocava uma carteira com dinheiro dentro do bolso lateral.

— O Edward comprou uma passagem para Londres para as 20h45min em Seattle — Jasper disse, olhando para o relógio. — O trânsito de sábado sob essa chuva vai ser um inferno. Nós temos menos de três horas para te colocar dentro daquele terminal de embarque. Emmett, pegue a mochila!

— Já está comigo! Vamos, noiva em fuga! — Emmett me pegou pelo braço, praticamente me içando do chão enquanto descíamos as escadas correndo.

Pulei no banco de trás do jipe do Emmett. Ele pisou no acelerador com tanta força que os pneus cantaram no cascalho úmido de Forks. A viagem até Seattle foi um borrão de velocidade, ultrapassagens arriscadas na rodovia e o Emmett buzinando para cada carro que ousava ficar na nossa frente.

Quando o jipe finalmente freou na área de desembarque do aeroporto de Seattle, o relógio marcava quase o horário limite, 19h55.

— Corre, Bella! O voo já está em procedimento de pré-embarque! — Jasper gritou, jogando a mochila nos meus ombros e me entregando o passaporte.

Eu não olhei para trás. Corri pelo saguão do aeroporto como se a minha vida dependesse de cada passo, e dependia. Passei pela segurança, mostrei o passaporte com as mãos trêmulas para os agentes federais, corri pelos portões de embarque internacionais, desviando das malas e das pessoas, sentindo as minhas pernas queimarem pelo esforço. Eu estava correndo contra o tempo para não deixar a minha vida inteira ir embora.

POV EDWARD

O interior da cabine da primeira classe do Boeing 777 estava imerso em uma calmaria artificial. O painel acima da minha cabeça indicava que o embarque já havia sido concluído, mas, por algum motivo técnico ou atraso de bagagem, o voo nada de fechar as portas decolar. Os comissários de bordo caminhavam de um lado para o outro de forma tranquila, oferecendo taças de espumante que eu recusei educadamente.

Eu estava sentado na poltrona 22B, o assento do corredor. Olhei para o lado, para a poltrona vazia 22A, a janela. O lugar que pertencia à Isabella Swan. Uma lágrima solitária escorreu pelo meu rosto, e eu a limpei rapidamente com as costas da mão, sentindo o peso do fracasso me esmagar.

Encostei a cabeça na divisória do assento, fechei os olhos e coloquei os meus fones de ouvido com cancelamento de ruído. Coloquei a primeira música que apareceu na minha playlist para tentar abafar os meus próprios pensamentos: "Wonderful", do Adam Lambert.

A introdução sutil da música começou a tocar nos meus ouvidos.

"So it would appear...I left my heart here..."

Fechei os olhos com mais força, deixando que a melodia me transportasse de volta para Forks. Minha mente foi inundada por um turbilhão de memórias em câmera lenta. Lembrei-me da Bella aos seis anos de idade, com os joelhos ralados, rindo enquanto tentava subir na nossa casa na árvore. Lembrei-me dela na adolescência, defendendo-me das piadas dos garotos da escola; lembrei-me dos olhares que trocávamos na mesa de jantar ao longo dos anos, olhares cheios de uma tensão que nenhum de nós tinha coragem de admitir.

E, finalmente, a imagem da noite anterior me atingiu: o calor da pele dela sob a luz do luar, os gemidos sufocados contra o meu pescoço, a entrega visceral e inesquecível da sua primeira vez nos meus lençóis cinzas. Uma noite perfeita. Uma noite maravilhosa que agora parecia uma tortura.

De repente, senti uma cutucada leve, hesitante, no meu ombro esquerdo.

Abri os olhos sobressaltado, achando que era uma comissária de bordo pedindo para ajustar o meu assento para a decolagem. Arranquei o fone de ouvido da orelha direita e virei o olhar.

Minha respiração parou por completo. Meu coração errou três batidas consecutivas. Eu simplesmente não conseguia acreditar no que a minha retina estava processando.

Parada no corredor do avião, arfante, com o cabelo castanho completamente desalinhado e úmido da chuva de Seattle, usando uma calça jeans simples e uma camiseta velha, estava a Bella. Ela segurava uma mochila de lona de qualquer jeito no ombro e exibia um sorriso tímido, os olhos castanhos brilhando com uma intensidade que eu nunca tinha visto antes.

— Com licença... — ela disse, a voz dela saindo um pouco rouca pela corrida, mas perfeitamente melodiosa. Ela apontou com o dedo trêmulo para o bilhete de embarque amassado na mão. — Acho que você está no meu lugar. O 22A é o meu assento...

Eu me levantei da poltrona em um movimento automático, o meu cérebro de médico entrando em pane total. Um sorriso enorme, incrédulo e desarmado começou a se abrir no meu rosto à medida que a realidade da presença dela me atingia.

— Bella? — perguntei, a minha voz saindo falha, confusa. Olhei para trás dela, como se esperasse ver uma comitiva. — O que você... cadê o Jacob? O casamento...

Bella soltou uma risada limpa, aquela risada contida e deliciosa que eu amava, balançando a cabeça negativamente.

— Eu não sei... — ela confessou, dando um passo para mais perto de mim, ignorando os poucos passageiros que nos olhavam. — Eu saí correndo da igreja no meio do altar e deixei todo mundo lá com a boca aberta. O Jacob deve estar me odiando com todas as forças dele agora, e a minha mãe provavelmente vai precisar de terapia... mas eu não ia passar o resto da minha vida casada com alguém que eu não amo, Edward.

Ela deu mais um passo, encurtando a distância entre nós na cabine. Os olhos dela se fixaram nos meus com uma entrega que reescreveu toda a minha existência.

— Quando eu entrei naquela igreja e vi todas aquelas pessoas lá, menos você... eu senti que estava morrendo, Edward. Eu tive uma crise de pânico no meio do corredor porque eu percebi que não existe um mundo onde Isabella Swan respire que não exista o Edward Cullen junto. Se você fosse embora para Londres sozinho hoje, tudo perderia a cor para mim. O mundo inteiro ficaria cinza. Eu não sei viver sem você, Edward. Eu não quero viver sem você.

Eu não esperei que ela dissesse mais nenhuma palavra.

Estiquei meus braços, agarrei a cintura dela com uma urgência desesperada e a puxei para o meu corpo. Minha boca encontrou a dela em um beijo apaixonado, profundo, selvagem e cheio de alívio. Nossas línguas se encontraram em um ritmo que dizia tudo o que as palavras não conseguiam expressar: você é minha, eu sou seu, finalmente acabou a espera. Bella largou a mochila no chão do avião e entrelaçou as mãos no meu pescoço, colando-se a mim enquanto os passageiros da primeira classe soltavam alguns aplausos contidos ao fundo.

Quando finalmente separamos as nossas bocas, ambos estávamos ofegantes e sorrindo como dois idiotas. Afastei uma mecha de cabelo do rosto dela, soltando uma risada baixa e rindo da situação.

— E a sua mala, Bella? — perguntei, olhando para o chão onde estava apenas a mochila de lona velha. — Você vai passar um ano na Europa com isso?

Bella soltou uma gargalhada alta, jogando a cabeça para trás.

— Eu não faço a menor ideia do que tem aí dentro! O Jasper e o Emmett que arrumaram tudo correndo na velocidade da luz enquanto eu me arrumava! Tenho quase certeza de que o Emmett colocou três casacos de moletom dele e nenhuma escova de dentes e nem calcinha...

Eu ri, sentindo uma onda de gratidão eterna pelos meus irmãos. Puxei o rosto dela de volta para o meu, depositando um beijo carinhoso na ponta do nariz dela e depois colando os nossos lábios novamente com suavidade.

— Eu amo você, Bella — sussurrei contra a boca dela, sentindo o calor da pele dela me inundar. — Muito mesmo. Mais do que a própria vida.

— Eu também amo muito você, Edward — ela respondeu, os olhos castanhos brilhando com todas as cores que o nosso futuro em Londres teria a partir daquela noite. — Para sempre.

A comissária de bordo se aproximou com um sorriso compreensivo no rosto, tocando de leve no painel.

— Senhores, precisamos fechar as portas da aeronave para a decolagem. Por favor, tomem os seus assentos.

Bella sorriu, deslizou para a poltrona da janela (22A) e eu me sentei logo ao lado, segurando a mão dela e entrelaçando os nossos dedos com uma firmeza possessiva. O avião finalmente começou a se mover em direção à pista. Forks estava ficando para trás na chuva, mas o nosso mundo estava apenas começando.

DOIS ANOS DEPOIS

POV EDWARD

O céu acima de Forks continuava exatamente o mesmo cinza-chumbo de sempre, mas, pela primeira vez na minha vida, aquela cor não me trazia nenhuma melancolia. Na verdade, olhar para a névoa que subia entre os pinheiros da rodovia enquanto eu manobrava o carro alugado me causava uma sensação reconfortante de pertencimento.

Duas primaveras haviam se passado desde o dia em que embarquei para Londres com uma noiva em fuga e uma mochila cheia de moletons do Emmett. Dois anos desde que refiz minha vida na Europa, dividindo o tempo entre os plantões do hospital em solo britânico e a construção de um lar de verdade, onde casei com a com a mulher que sempre foi dona da minha alma.

Olhei pelo espelho retrovisor interno e o meu coração se expandiu, preenchendo cada centímetro do meu peito.

Bella estava sentada no banco de trás. Ela usava um vestido leve de cor lavanda, o cabelo castanho cortado um pouco mais curto e um brilho maduro e radiante nos olhos. No colo dela, aninhada em uma cadeirinha de bebê acolchoada, estava a nossa maior obra-prima.

Charlotte.

Com apenas dez meses, nossa menininha era uma mistura perfeita de nós dois. Tinha as bochechas coradas e os olhos castanhos expressivos da mãe, mas exibia tufos rebeldes de um cabelo acobreado que insistiam em ficar desalinhados exatamente como os meus. Naquele momento, ela segurava um ursinho de pelúcia com as mãozinhas gorduchas, soltando pequenos balbucios felizes enquanto tentava morder a orelha do brinquedo.

— Ela dormiu o voo de Seattle inteiro e agora resolveu que quer conversar com os pinheiros — Bella disse, rindo baixo enquanto acariciava a perna gordinha da Charlotte, que usava uma calça de tricô branca. — Acho que ela sentiu o cheiro de Forks.

— Ou é o Jetlag...Britânicos são complicados com horários...— respondi, abrindo um sorriso largo e esticando o braço para trás para que a Bella pudesse segurar a minha mão. — Preparada para o reencontro? O jipe do Emmett passou por nós na entrada da cidade carregando o que parecia ser metade de uma floricultura na caçamba.

— Se o casamento da Alice levou seis meses de planejamento, o da Rosalie levou dois anos de pura negociação tática com o Emmett — Bella ironizou, os olhos brilhando. — Eu mal posso esperar para ver a cara dele quando ver a Lottie de daninha...

Estacionei o carro em frente à mansão dos meus pais. A propriedade estava inteiramente decorada para o evento da tarde. Tendas brancas de linho cobriam o gramado impecável, arranjos monumentais de rosas brancas e copos-de-leite circundavam o altar montado ao ar livre, e a música clássica já flutuava suavemente pelo ambiente. Carlisle e Esme foram os primeiros a cruzar as portas da frente, seguidos por uma Alice que, milagrosamente, não estava surtando, mas sim radiante com a sua nova obra-prima de assessoria de casamentos.

Desliguei o motor. Desci do carro rapidamente e abri a porta traseira, inclinando-me para soltar os cintos da cadeirinha. Peguei Charlotte no colo, ajeitando o corpinho quente e macio dela contra o meu peito de terno. Ela puxou a minha gravata imediatamente com um sorrisinho banguela. Bella desceu logo em seguida, ajeitando o vestido.

Caminhamos juntos em direção ao jardim. Quando Esme nos viu, soltou um suspiro audível e correu na nossa direção, as lágrimas já inundando os olhos da minha mãe antes mesmo de nos abraçar.

— Meus meninos... vocês chegaram! — Esme nos envolveu em um abraço coletivo, tomando o máximo de cuidado para não esmagar a Charlotte, que olhava para a avó com pura curiosidade. — Deixe-me ver essa preciosidade. Meu Deus, Edward, ela é a sua cara!

— Ela tem os olhos da Bella, mãe — fiz questão de pontuar, orgulhoso, passando o braço pela cintura da minha esposa e trazendo-a para perto.

— Ela é perfeita — Carlisle se aproximou, com o seu habitual sorriso caloroso e calmo, depositando um beijo na testa da Bella e um afago na cabeça da nossa filha. — Bem-vindos de volta. A casa estava vazia demais sem vocês.

— Edward! Bella! — um rugido estrondoso ecoou do outro lado do gramado.

Emmett veio caminhando a passos largos. Ele estava usando um terno preto clássico que, por incrível que pareça, estava perfeitamente ajustado ao seu corpo imenso (cortesia das ameaças de morte da Rosalie, com certeza). Atrás dele, Jasper caminhava com um copo de espumante, parecendo o homem mais relaxado do mundo agora que não era o alvo da organização.

— Olha só se não é o casal transatlântico! — Emmett me deu um tapa nas costas que quase me fez derrubar a bebê, mas os olhos dele foram direto para a Charlotte. O gigante de dois metros de altura derreteu em um segundo. — Cara... ela é minúscula. Dá para eu usar ela como peso de academia?

— Nem pense nisso, Emmett — Bella avisou, embora estivesse rindo.

— Deixa eu segurar a minha sobrinha, Cullen. Passa para cá — Emmett esticou os braços imensos com uma cautela hilária, pegando a Charlotte como se ela fosse feita de vidro soprado.

Charlotte, longe de se assustar com o tamanho do tio, agarrou o nariz do Emmett com as duas mãozinhas e soltou uma gargalhada aguda que fez todo mundo no jardim rir junto.

— Viu só? Ela já me ama! Vai ser a minha parceira de crime...— Emmett comemorou, erguendo a menina no ar, fazendo-a voar sobre as rosas brancas.

Olhei para o lado e vi uma silhueta conhecida se aproximando lentamente da entrada do jardim.

O Chefe Charlie Swan.

Ele usava o mesmo terno do nosso último encontro na igreja, mas a postura dele era completamente diferente. Não havia rigidez, não havia peso. Quando os olhos do Charlie encontraram os da Bella, o rosto dele se iluminou. Bella soltou-se da minha cintura e correu em direção ao pai, jogando-se nos braços dele em um abraço apertado e demorado.

— Oi, pai — ela sussurrou contra o ombro dele.

— Oi, minha garota — Charlie respondeu, a voz embargada de emoção. Ele se afastou de leve, limpando uma lágrima rápida do canto do olho, e depois olhou para mim. Ele caminhou na minha direção e estendeu a mão, que eu apertei com profundo respeito, antes de me puxar para um abraço rápido. — Bom te ver, Edward. Obrigado por cuidar tão bem delas.

— Eu que agradeço, Charlie. Por tudo — respondi sincero, sabendo que as palavras dele na sacristia tinham salvo a minha vida.

Charlie então se virou para o Emmett, que ainda brincava de aviãozinho com a bebê.

— Emmett, traga a minha neta aqui antes que você quebre a menina — Charlie mandou, e o Emmett obedeceu prontamente, entregando a Charlotte nos braços do avô. Charlie segurou a neta com uma extrema ternura, os olhos castanhos dele brilhando ao encarar a nova geração dos Swan. — Olá, Charlotte. O vovô comprou uma mini cana de pesca para você, sabias? Nós vamos ignorar o que o seu papai diz sobre segurança e vamos para o lago amanhã.

Bella revirou os olhos, rindo, e encostou a cabeça no meu ombro.

De repente, as notas suaves de um piano começaram a tocar nos alto-falantes espalhados pelo jardim. A Alice correu até o centro, batendo palmas e gesticulando para que todos começassem a tomar os seus lugares nas fileiras de cadeiras brancas.

— Posições, todo mundo! A noiva está descendo! Emmett, vá para o altar antes que eu te arraste pelos cabelos! — Alice comandou, assumindo o seu papel de general do amor.

Emmett piscou para nós, ajeitou o paletó e caminhou até o altar montado sob o grande arco de flores, exibindo um sorriso genuíno e ansioso. Jasper se posicionou ao lado dele como padrinho, e eu me juntei a eles, assumindo o meu lugar de direito, mas desta vez, com o coração em perfeita paz.

Charlie sentou-se na primeira fileira com a Charlotte no colo, que estava fascinada pelas luzes e pelas flores. Bella se posicionou do outro do altar ao lado de alice, mas os olhos fixos em mim...

Quando a marcha nupcial começou a ecoar, todos se levantaram.

Rosalie surgiu no topo da escadaria de pedra da mansão. Ela estava deslumbrante. Usava um vestido de noiva em corte sereia que parecia esculpido no próprio corpo, o cabelo loiro caindo em ondas perfeitas pelas costas, e um sorriso que desarmava qualquer um. Ela caminhava com a elegância de uma rainha, os olhos fixos exclusivamente no Emmett, que a esperava no altar com os olhos marejados de pura devoção.

Olhei de relance para a fileira das madrinhas e Bella me encarava sorrindo.

Sob o céu cinza de Forks, que agora parecia mais brilhante do que nunca, ela ergueu a mão direita e tocou suavemente os próprios lábios, soprando um beijo na minha direção. Eu respondi com um sorriso, tocando a minha aliança de casamento de ouro escovado no meu dedo esquerdo.

Não havia mais fantasmas. Não havia mais vinte anos de palavras não ditas, de covardia ou de medo tardio. O tempo tinha se ajustado perfeitamente. Enquanto a Rosalie caminhava em direção ao Emmett sob as bencaos da nossa família e amigos , eu soube, com a maior certeza que a medicina ou o amor poderiam fornecer, que a nossa história tinha encontrado o seu porto seguro. Nós tínhamos as cores da vida, e elas nunca mais iriam desbotar.

Eu e Bella não tivemos um grande casamento com todos que amávamos presentes ou algo luxuoso digno de um casamentodo ano. Casamos em um cartório em Barnes, 3 dias depois que pousamos em londres, usando jeans e com a nossa familia reunida em uma chamada de grupo de WhatsApp. Foi cômico, mas foi o dia mais perfeito das nossas vidas...

Notas finais
E foi assim que Edward Cullen finalmente chegou ao destino que procurou a vida inteira. Não era Londres. Não era Forks. Não era um apartamento, uma casa ou um país. Era Bella. Às vezes pensamos que grandes histórias de amor precisam de casamentos luxuosos, declarações cinematográficas e momentos perfeitos. Mas o que realmente importa é encontrar alguém que faça qualquer lugar parecer lar. Eles não tiveram o casamento dos sonhos. Não tiveram centenas de convidados, flores importadas ou um salão elegante. Tiveram um cartório, roupas comuns, uma chamada de vídeo da família e a certeza absoluta de que estavam exatamente onde deveriam estar. E, no fim das contas, isso foi muito mais especial. Obrigada por embarcarem nessa aventura comigo. Espero que vocês tenham se apaixonado por essa versão caótica, teimosa e completamente rendida de Edward e Bella tanto quanto eu. 💙✨
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!