O Casamento
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Oi gente :)
Faz muito tempo q n escrevo algo, mas hj eu tava olhando algumas fics minhas e vi "Feia", uma fic narrada pela Sakura quando ela vê a Hina pela primeira vez, com o ex dela, o Sasuke haha
Ai eu fiquei com vontade de escrever algo do tipo e fiz essa fanfic no mesmo esquema, mas dessa vez no universo original! ^-^
Eu não acho q o Sasuke merecia ficar com nenhuma das duas no universo original, pq ele é um fdp hahahaha mas aqui ele fica com a querida Hinata ;D essa fanfic segue tudo do mangá, só que quando a guerra termina o Sasuke resolve ficar na vila e começa um relacionamento com a Hinata. Esse começo do relacionamento eu deixo p imaginação de vcs rss
Eu tive alguns problemas com essa fanfic 'Feia', pq mt gente q torce p SasuSaku n gostou mt dela, então deixo avisado q eu adoro a Sakura e a Hinata, mas essa fic é SASUHINA! Narrada pela Sakura, porém SasuHina!!
Seria legal se vcs lessem com a música Bad Girl, da Solange, pq eu acho q combina bastante sz tá nas notas finais o link!!
Sobre o casamento, eu tentei usar referências do casamento tradicional japonês, mas a fic é minha então tomei algumas liberdades :P
Eu espero q vcs gostem, essa é uma fanfic longa e bem drama-drama haha
Boa Leitura!
O Casamento
Eu juntei minhas mãos cuidadosamente. Elas estavam frias e o contato em pouco me ajudou. Observei-as por um minuto, meus pensamentos zerados. Não havia nada se passando na minha cabeça que já não havia passado há um mês, quando recebi meu convite com antecedência.
Eu tinha feito as unhas. Estavam pintadas cuidadosamente com um rosa que lembrava o tom do meu cabelo, agora com a franja presa cuidadosamente, de modo que não tampasse a lateral do meu rosto pálido. Desgrudando as mãos, levantei e fui até o espelho. Ino chegaria a qualquer momento – eu já sabia que ela carregaria aquele olhar penoso, era o único que eu via há semanas.
Mirei o espelho por alguns segundos esquisitos, eu estava me vendo, mas era como se não estivesse lá. Aquela garota no kimono vermelho vibrante, magra e bem maquiada não tinha nada a ver comigo, senão a aparência. Passando os dedos sobre o pano, eu tentei me lembrar dos dias de guerra, onde meus braços doíam e sangravam e ainda assim eu não me permitia parar. Não me permitia desistir. Aquela era a verdadeira Sakura. O que restava de mim parecia uma vaga lembrança.
— Você está bonita – olhei para o lado e lá estava Ino, sorrindo de modo infeliz, encostada no batente. Eu sabia que aquele sorriso era só meu; ela provavelmente estaria feliz o resto do dia.
Ela já não batia mais na porta do meu apartamento, onde eu morava sozinha desde que a guerra havia, enfim, terminado. Ino entrava sem pedir autorização, pois sabia que tinha intimidade para tal. Minha melhor amiga – e era só por isso que eu não brigava quando ela me olhava daquele jeito. Triste por mim, quando estava radiante por outra amiga próxima.
— Você também está – respondi automaticamente, pois mal havia notado a sua roupa. Mas Ino estava sempre bonita, então isso não era um erro.
Em passos cuidadosos de uma ninja bem treinada, ela se aproximou até que seu reflexo se mostrasse no espelho de corpo inteiro. Abraçou-me de lado e pousou a cabeça no meu ombro – do mesmo jeito que ela tinha feito no fatídico dia do convite. No seu dedo eu pude ver o anel solitário, presente de seu marido.
— Oh, Sakura... – ela murmurou, desgostosa, e eu apenas apertei sua cintura macia, de modo que ela entendesse que tudo estava bem – eu sinto muito. Eu sinto tanto.
E eu virei e me permiti lhe abraçar de verdade, tão apertado que nós éramos quase uma. Ino era minha outra metade. A garota com quem por tanto tempo eu tinha discutido por bobagens – tanto tempo perdido!
E na minha cabeça eu ainda conseguia ver aquela menina pequena e tão bonita que havia me ensinado o que era autoestima. E eu podia ver aquele fatídico dia quando troquei sua amizade por algo tão insignificante quanto um garoto. Eu tinha jurado solenemente que nunca mais faria aquilo, eu nunca trocaria uma amizade tão significativa por outro alguém.
Ino se afastou lentamente, até que pudesse me olhar nos olhos. Apoiado os cotovelos nos meus antebraços, ela passou os dedos nas minhas bochechas como se secasse lágrimas, porém não existia nada lá.
— Nós precisamos ir – sussurrou como um pedido de desculpas.
Apesar de concordar com a cabeça, eu não me movi por mais 10 minutos.
Eu precisei fingir que não sabia que aqueles olhares eram para mim. Disse para mim mesma que todos observavam Ino e Sai, um casal amável e apaixonado. Eu encarei meus pés, sem orgulho o suficiente para erguer o rosto. Ino nada disse, mas apertou minha mão, entrelaçada na sua. Sai tinha ficado quieto o caminho todo, mas eu podia sentir seu olhar queimando minhas pálpebras – nós havíamos nos tornado tão próximos e ainda assim tão distantes.
Meus amigos estavam todos em seus lugares e quando me aproximei com Ino e Sai, o silêncio reinou em nossos lugares, devidamente separados. Tenten comentava sobre o novo corte de cabelo da Yamanaka, que nada tinha de tão diferente. Ela tentava me envolver no assunto, mas gentilmente parou quando viu que eu respondia pouco mais que algumas sílabas. Eu podia perceber todo o momento ela olhando para Lee e um pouco além, como se procurasse mais alguém – e eu sabia que ela, assim como todos nós, desejava que Neji estivesse ali.
Lee me disse que eu estava bonita e quando encarei seus olhos, eu não vi pena; eu vi compaixão, quase amor. Ele já não era mais aquele jovem apaixonado por mim, era um homem bom e quase bonito. Eu não aguentei e lhe dei um sorriso realmente verdadeiro, apertando forte a mão que tinha pegado na minha.
Sentada e ouvindo mãos mais que poucas palavras sobre o que Kiba e Shino conversavam, eu tirei os olhos do convidado e olhei ao redor. Eles tinham escolhido um local aberto, onde a grama era bem verde e você podia escutar o som dos pássaros. Um casamento em plena primavera acabou rendendo uma decoração natural – fitas brancas e lâmpadas complementavam o desabrochar das cerejeiras.
Não evitei sorrir em meio à ironia. Cerejeiras. A flor que me dava nome, graças a cor dos meus cabelos, agora felicitava o mais novo casal.
Com uma sensação estranha na barriga, eu pensei se Hinata não havia escolhido àquela flor de propósito. Talvez ela achasse que devia se desculpar comigo. Talvez fosse o jeito dela de pedir minha benção. Eu sabia que o noivo não podia estar envolvido em uma decoração tão delicada como aquela. E também sabia que Hinata era muito tímida para dizer as coisas assim, tão claramente.
Meu estômago embrulhou e eu não soube dizer se era ansiedade, nervosismo ou tristeza. Os noivos chegariam juntos, em poucos minutos. Mas todas aquelas pessoas ao meu redor começavam a me dar a sensação de sufocação.
— Eu preciso caminhar um pouco, eu volto logo – disse alto, para que todos ouvissem. Todos me olharam, mas só concordaram com a cabeça, sem me julgar. Eu sabia que ninguém julgaria qualquer ação que eu tivesse, pelo menos não naquele momento. Eles haviam acompanhado tudo. Eles me conheciam desde tão nova...
Ino sabia que eu queria ficar sozinha e nada disse. Sai o mais discretamente possível do banco e me afastei, até que encontrei uma cerejeira longe o suficiente para ninguém ficar me observando. Escorada nela, eu me sentei no chão.
Naquele momento eu não sabia muito bem o que eu sentia. Era uma confusão de sentimentos tão fortes – eu estava mais assustada e ansiosa do que durante a guerra, mas também estava tão feliz que Hinata havia encontrado alguém que gostasse dela de verdade e que ele finalmente estaria na vila, finalmente estaria conosco. Era tudo o que eu desejava desde muito tempo. Foi por isso que eu e Naruto lutamos tantas vezes. Foi por isso que sofremos tanto.
Mas uma parte de mim, a parte egoísta, a parte que ainda tinha sete anos e havia deixado o cabelo crescer, essa parte desejava que ele tivesse voltado por mim. Desejava que depois de todo aquele tempo, ele finalmente me desse a chance que tanto esperei. Que ele finalmente notasse que o que eu sentia por ele, todo aquele amor que crescia furiosamente e que eu havia cultivado como uma planta querida, tudo aquilo podia lhe fazer feliz.
Ele podia ter me amado – essa provavelmente era a única coisa que não me deixava fechar os olhos e finalmente superar aquilo.
— Sakura-chan.
Eu não precisei me virar, pois sabia de quem era aquela voz. Mordi o lábio inferior, a felicidade que eu sempre sentia por vê-lo brotando no peito.
— Naruto – sorri para ele, imaginando por quanto tempo eu havia ficado ali. Será que a cerimônia havia acabado? Será que teria sequer começado?
Naruto era um homem agora. Alto, ombros largos e o olhar mais confiante da vila. Quando eu olhava, porém, só via aquele menino confiante e reclamão. Sem dizer mais nada, ele se aproximou e sentou-se do meu lado.
O homem que havia decidido que não podia corresponder os sentimentos da Hyuuga – mas ela nada reclamou, ela sorriu e disse que estava tudo bem. Essa era a força do amor dela. Por que o meu não podia ser daquele jeito? Por que eu não podia aceitar que ele não era meu, e nunca seria?
— Eu achei que você não viria – falou, passando a mão sobre meus ombros e os dedos levemente sobre meu antebraço. A intimidade que havia crescido entre a gente também havia diminuído o amor dele e, como Lee, Naruto já não era apaixonado por mim.
— Eu nunca faria isso – murmurei de modo malcriado, como se brigasse com ele por me julgar mal. Naruto soltou uma risada que quase me fez rir também – Você sabe que nunca perderia o casamento de um melhor amigo. Nem o seu, nem o dele.
Percebendo o meu tom sombrio, Naruto me encarou.
— Você ainda acha que vou achar uma noiva, Sakura-chan? – perguntou, achando engraçado. Eu sabia que Naruto estava trabalhando duro para ser um Hokage e que ele já não tinha tempo para encontros, mas eu já tinha o visto com garota ou outra.
— Uma que cozinha bem – confirmei, sorrindo.
— Hm... Isso seria realmente ótimo – ele olhou para cima, pensativo, provavelmente quase cansado de todo macarrão instantâneo que ele comia.
E ficamos em silêncio, um saboreando a companhia do outro. Fazia tempo que eu e Naruto não ficávamos assim, já que eu estava tão ocupada com o hospital e ele treinando.
— Eu sabia que um dia ele voltaria – falou de repente, ainda olhando para cima. O braço que não estava nos meus ombros repousava no joelho, solto – mas sempre que eu pensava nisso, nós ainda seríamos um time – essa parte eu já sabia, pois era o que eu pensava também – e vocês estariam juntos.
Forcei-me a encará-lo por causa do último comentário.
— Juntos? – perguntei, para confirmar se eu não havia ouvido errado. Eu não sabia que Naruto tinha nos visto assim algum dia.
— Sim. O jeito como você o olhava, o jeito como falava dele, parecia certo para mim. Eu poderia ter apostado, e olha que nem tenho dinheiro! – Riu e eu ri também. Mas quando Naruto parou de falar, eu senti a tensão no torso dele; não tinha terminado – Mas, Sakura-chan, você sabe que eu nunca mentiria para você – ele me olhou sério, como se pedisse permissão para continuar.
Encarei aquelas íris tão azuis. Meu amigo. Meu melhor amigo. O herói da vila. Um exemplo.
— Nunca – murmurei.
— Eu não achava que ele estaria apaixonado. Quando vocês estavam juntos na minha mente, era você que o mantinha por perto. Era por que seu amor era tão forte, que ele não teria alternativas; foi como eu me senti com a Hinata-chan.
Eu não podia mentir, aquela frase me fechou a garganta. Era uma coisa que eu não queria acreditar. Ele poderia ter se apaixonado por mim, era a coisa mais importante que havia me mantido em pé desde que ele se fora.
Mesmo vendo meu desconforto, Naruto não parou – é como quando você tem que puxar uma kunai do corpo, mesmo que doa muito, no final é a melhor decisão.
— Mas quando eu o vi com a Hinata-chan, foi diferente. Ela é o que falta nele; Hina-chan é gentil, doce e educada, e o teme é um idiota carrancudo e mal-humorado. Eu não sei o que ela viu nele, na verdade eu não sei o que nenhuma de vocês vê nele, mas eu sei o que ele viu nela. E eu não posso te dizer que não acho que seja certo. Não quando você os vê juntos, o jeito como são um perto do outro.
Eu fiquei em silêncio. Talvez Naruto estivesse certo; mas isso não fazia com que eu deixasse de gostar do Uchiha. Isso nunca faria. Eu tinha ideia da imensidão dos meus sentimentos, eu tinha ideia que talvez pudesse nunca superar. Que sempre existiria aquela faísca, me dizendo “e se?”.
Pela primeira vez no dia, mas não a do mês, e nem a da semana, meus olhos se encheram de lágrimas que eu prometi que não cairia naquele dia. Naruto me encarou e tudo o que eu vi nos seus olhos era sinceridade – uma que me partia, mas que nós dois sabíamos que era melhor.
— Desde quando você sabe falar bonito assim? – perguntei e ele riu, me abraçando forte e passando os dedos no meu cabelo.
— Eeeh? Eu vou ser o Hokage mais discurseiro, ‘ttebayo!
Naruto me disse que a cerimônia ainda não havia começado e me perguntou se eu queria assistir – se eu não quisesse, ele disse que iria para casa comigo. Eu nunca privaria o Naruto de ver o casamento do melhor amigo dele, mesmo se eu quisesse muito ir embora. A verdade, porém, é que eu não queria. Eu queria ficar.
Eu queria vê-lo caminhar até o altar. Queria vê-lo no quimono preto, como eu sempre havia imaginado. Na minha mente, eu era sempre a noiva. Mas eu sabia que só de vê-lo ali, a felicidade seria absurda.
Eu pude ouvir o som das flautas e tambores e todos olharam para trás.
A primeira que eu vi era Hinata. Ela estava tão bonita e radiante de branco, seus cabelos pareciam duas vezes mais escuros e seus olhos duas vezes mais lilases. Na cabeça o tsunokakushi destacava seu rosto límpido e feliz. Hinata tinha lágrimas nos olhos, mas parecia se controlar para não derramar. Eu me senti tão orgulhosa; ela era a noiva mais bonita que eu já tinha visto. Mais bonita que Ino e que Temari. Um sorriso rompeu meus lábios; Hinata era uma amiga que havia se tornado próxima durante e depois da guerra. Eu não podia estar mais feliz por ela, tudo o que eu sempre quis ver era o dia que ela irradiasse toda aquela felicidade.
Ela observou rapidamente os bancos, mirando primeiro onde os Hyuugas estavam sentados. O rosto do pai dela estava sério, mas ainda denunciava o orgulho que estava sentido da filha mais velha. Ela sorriu para ele, mas as sobrancelhas se retraíram do mesmo jeito que Lee e Tenten faziam a todo o momento; ela também sentia falta de Neji.
E então ela olhou para onde estávamos e parou em mim. Pude ver que seus pés quase pararam de andar. Suas íris tremeram e os lábios entreabriram. Ela achava que eu não viria. Eu lhe dei o meu sorriso mais feliz, aquele que geralmente eu guardava para Ino, ou Naruto, sentindo lágrimas quentes descerem pelas minhas bochechas, ao mesmo tempo em que desciam pelas dela – senti uma mão acariciando minhas costas, mas não reconheci ao qual loiro pertencia.
Hinata parecia tão agradecida e ao mesmo tempo me pedia desculpas. Seus lábios se moveram em forma de perdão e eu mexi a cabeça; tudo estava bem. Aquilo me lembrou do dia que ela veio, pessoalmente, me entregar o convite. Suas mãos tremiam, mas eu sorri e agradeci, pois todos já sabiam da relação que ela cultivava com ele fazia alguns meses. Eu só me deixei chorar naquele dia quando Hinata já estava bem longe.
Eu sabia que não estava brava com ela. Eu ficaria um pouco chateada com qualquer garota que ele resolvesse casar – mas eu sabia que Hinata nunca se casaria por casar; ela o amava e isso estava claro em seus braços juntos conforme caminhavam.
Eu só o olhei quando os dois já estavam sob o altar e, do meu ponto de vista, de costas. Suas costas largas acomodavam bem o kimono negro, mais claro que seu cabelo. Enquanto a cerimônia decorria, eu me perguntei se ele pensava em mim, se havia qualquer coisa que ele fazia que existia um pouco de mim.
Eu o queria tanto. Eu havia o esperado por tanto tempo.
Eu levantei automaticamente quando todos levantaram. Eu fingi que não vi algumas lágrimas de emoção que mulheres tinham. Eu fingi que não vi o sorriso de Naruto, tão próximo de mim. Eu me curvei três vezes quando todos se curvaram. E, finalmente, eu bati palmas quando todos bateram.
Eu não ouvi uma só palavra do que o sacerdote disse, meus movimentos eram tão automáticos quanto quando eu precisei curar muitas pessoas durante a guerra. Não vi, ouvi, nem senti nada. Tinha certeza, porém, que eu me lembraria com detalhes, era isso o que aconteceria.
Acordei daquele transe quando Ino se aproximou de mim, enquanto eu me servia de bebida. A recepção era dentro de um salão fechado. Naruto havia sumido e eu tinha certeza que ele tinha ido cumprimentar os noivos, coisa que Ino e Sai já deviam ter feito. Eu fiquei afastada o tempo todo.
— Como você está? – ela perguntou baixinho, pegando um doce da longa mesa e levando até os lábios, provavelmente sem fome.
Eu provei a bebida amarga sem reconhecer o que era – mas era forte, então foi o suficiente para mim.
— Bem – respondi, olhando as pessoas de um lado para o outro. Eu não pude achar os noivos, provavelmente cercados por mais cumprimentos de felicidade – Foi muito bonito. Hinata estava linda.
— Sim, estava – Ino mexeu a cabeça, concordando – Ele também – e me olhou, para saber minha reação.
Inclinei meus lábios para cima. Sim, ele estava. Mas não houve um só momento nessa minha vida que eu achasse o contrário, então no fundo acho que minha opinião não contava tanto.
Eu sabia que também deveria ir cumprimentá-los, mas de repente eu estava tão, tão exausta. Virei-me para dizer que iria para casa, mandaria um pergaminho desejando felicidades como muitos que não puderam comparar no casamento fariam.
Nesse momento, antes de eu dizer qualquer coisa, uma música tocou – a dança dos noivos. Engoli em seco e permaneci onde estava, observando como todos faziam. A única diferença entre eu e eles era o fato de que minha cara estava mais para enterro do que para casamento.
Hinata se aconchegou nos braços dele e eles giraram de um lado para outro várias vezes, no ritmo da música lenta e romântica. Ele apoiava a mão no quadril dela e estavam próximos o suficiente para trocar um beijo, coisa que não aconteceu, provavelmente em respeito à família dela. Ainda assim, toda vez que Hinata encostava o queixo no peito dele e olhava dentro dos seus olhos, eu sabia que tudo o que eles queriam era, finalmente, ficarem sozinhos. O jeito como ele a olhava, como se quisesse protegê-la de todos, até mesmo dele, me deixou sem fôlego. Eu reconhecia aquele olhar – eu o tive em meus próprios olhos por uma vida inteira.
Eu acharia alguém que pudesse me olhar daquela forma? Que me segurasse de forma tão reconfortante? Essas dúvidas pairaram na minha cabeça até que finalmente a dança deles acabasse e, casal por casal, a pista ficou cheia. Eu disse para Ino que estava tudo bem e que ela deveria dançar; e assim ela o fez. Ainda no mesmo lugar, sem coragem de ir para casa, eu observei Ino e Sai dançando de forma apaixonada e sorri contente por eles. Eu já estava esperando que Naruto aparecesse e me tirasse para dançar, como ele fazia em todos os casamentos. Eu era sempre a primeira dança dele – às vezes ficávamos tão a vontade um com o outro que eu era a única.
Naruto nunca chegou. Eu descobri, depois, que a primeira dança dele havia sido com Hinata. A minha, porém, parou bem na minha frente e meu ar sumiu.
Era sempre assim quando ele se aproximava de mim. Meu pulmão parava de funcionar, minha garganta fechada e todo o meu sangue parecia se concentrar nas minhas bochechas. Por um momento eu pude jurar que era só uma miragem – e ele não estava ali de verdade.
— Posso te tirar para dançar? – e ergueu a mão para mim, como se não fosse nada demais.
Seus olhos escuros e sempre tão frios, olhos com quais eu já estava acostumada, dessa vez eram mornos e arrependidos. Olhos que carregavam muita coisa, mas demonstravam tão pouco. Era como se ele tivesse roubado um pouco da compaixão que Hinata carregava em suas íris
Eu fiquei em silêncio, ainda surpresa. Mas aquela podia ser a minha primeira e provavelmente única oportunidade de sentir um abraço dele. Eu não poderia vê-lo mais de outra forma depois desse dia, agora ele seria simplesmente um grande amigo e marido de uma grande amiga.
Eu concordei com a cabeça e coloquei a minha mão sobre a dele, sentindo um calor incomum subir por debaixo da minha pele. Ele tinha mãos tão grandes...
Levou-me para a pista, tentando se misturar entre os outros casais, mas provavelmente sem muito sucesso, já que meu cabelo me fazia uma figura à parte. Eu apoiei minha mão em seu ombro e senti a sua repousar levemente em minha cintura, nossos corpos separados por um espaço seguro, mas que deixaria qualquer conversa muito reservada. Minha outra mão estava contra dele, mas nossos dedos mal se tocavam. Ele não parecia confortável, mas se esforçava. Eu nunca estive mais confortável em toda minha vida.
Aquela proximidade me fez lembrar quando tudo o que ele tinha dentro de si era raiva e, quando o abracei, tudo se dissipou. Fazia muito tempo... Tudo era tão diferente. Tudo havia mudado tanto.
— Hinata disse que eu deveria dançar com você – ele disse, provavelmente tentando puxar assunto entre os segundos silenciosos que se seguiram quando começamos a dançar, de um lado para outro, passos muitos simples e acanhados.
Era estranho vê-lo começar uma conversa. Eu escondi o sorriso.
— Você não queria? – perguntei, sem olhá-lo.
— Acho que era o mínimo que eu deveria fazer por você. Por causa... Bom, por causa de tudo – ele parecia tão sem graça que isso me pegou desprevenida. Eu sabia que ele tinha tido uma conversa muito séria e longa com Naruto, mas nada me disse além de um breve pedido de desculpas, que eu sabia que tinha sido sincero.
Eu ergui meus olhos, sem saber se estava realmente preparada para encará-lo. Ele não havia mudado tanto. Eu continuava achando-o lindo. Eu continuava apaixonada por ele.
— Olha, se a Hinata te pediu para me falar algo, realmente não precisa, eu...
— Hinata não me pediu para falar nada – me respondeu, um tom delicado quando usou o nome dela. Reconhecer aquele garoto grosseiro quase me fez sorrir – Eu sei que devo desculpas para você e para o Naruto. Eu já falei com ele, porém, com você, é muito mais complicado – eu nunca tinha o ouvido falar tanto e isso me fez pensar no que Naruto havia dito mais cedo. Que Hinata o completava. Provavelmente era verdade.
— Eu... – comecei, sem olhá-lo dessa vez, sabendo que não iria aguentar – Eu esperei todo esse tempo para que você voltasse. Era tudo o que eu mais queria. Te ver aqui, na vila, com seus amigos. O time de volta. Eu e você, era o que eu imaginava. Porém, agora que você está aqui, eu queimo de dúvida se queria que fosse desse jeito – mordi o lábio inferior, tentando me conter. Eu havia segurado tudo aquilo durante o tempo de relacionamento deles. Eu havia segurado durante a cerimônia. Eu estava pronta para ir para casa e esquecer tudo aquilo, quando ele me chamou para aquela dança. Eu não aguentava mais. – eu não posso mentir, eu estou feliz por Hinata, estou até feliz por você, mas não por mim. Por que eu te amo. Eu sempre amei, mesmo quando ninguém mais acreditava em você. Eu nunca duvidei. Então, por que... Por que ela?
Eu não o olhei, mas ele me encarou por muitos segundos. Será que alguém mais havia me ouvido? Naquele momento eu não podia ligar menos. Eu só queria entender.
— Porque eu e não o Naruto? – me perguntou e eu precisei olhá-lo, juntando as sobrancelhas.
Pensei na resposta. Não havia um motivo. Minha boca azedou e eu voltei a dançar, dessa vez de maneira brusca. Meus olhos ardiam.
— Exatamente. Eu não posso compará-la com ela, Sakura. – Ele apertou meus dedos e eu segurei um suspiro. Não sabia se era um bom ou ruim. – Eu quero te fazer um pedido.
Eu fiz um som que demonstrava que eu estava prestando atenção, mas que não queria falar mais nada. Eu precisava da minha cama. Eu precisava ficar sozinha.
— Eu... – ele engoliu em seco e meus dedos foram apertados mais uma vez – Eu preciso que você me perdoe. É importante para a Hinata, e para mim, que você possa ficar feliz com esse casamento.
— Importante para você? – Repeti, encostando a testa no peito dele. Eu estava queimando. Aquilo tudo parecia tão irreal. Quando nós havíamos crescido tanto? Quando tudo tinha se tornado daquele jeito? Se eu tivesse feito algo diferente, ele teria sido meu?
— Você é minha colega de time, Sakura. Quando ninguém mais pode confiar em mim, você o fez – explicou, o tom de voz ecoando na minha cabeça.
Ele estava tão distinto e, ainda assim, continuava o mesmo de antes. Foi como se Hinata tivesse o moldado, como se ela trouxesse o melhor dele para fora do seu corpo. Como se ele fosse outra pessoa.
Dessa vez foram mais do que segundo, ele esperou por minutos, numa música sem fim. Por debaixo daquela máscara sobre suas escleras, eu pude ver ansiedade. Analisei seu rosto uma última vez, tentei decorar os detalhes.
Meu Sasuke.
A criança dentro de mim vibrava feliz. A kunoichi dentro de mim o olhava orgulhosa. A mulher que eu havia me tornado julgava a si mesma por ser tão fraca. Infeliz, eu me separei dele e sorri triste.
— Eu não posso te perdoar, Sasuke-kun. Nunca pude.
Notas finais
Fanfic Feia: https://fanfiction.com.br/historia/587091/Feia/
Esse final foi realmente complicado, eu n tinha mt certeza doq fazer hauahauahua
Eu duvido que a Sakura tomaria essa posição se isso realmente acontecesse no anime, mas eu senti que era o que ela faria aqui, pois está muito, muito magoada xD
Eu queria por ela conversando com a Hinata, mas a fic já tava bem comprida, então deixei pra lá huahauahua
Eu espero q vcs tenham gostado! ^-^
E, como sempre, eu n reviso, então ignorem os erros LOL
Espero voltar a escrever mais =(
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