O Cara Que Mora Na Minha Casa

6 Relater 6 - Shopping Day


Notas iniciais
Segundo!
(Gente, como esse ficou grande!)

Eu não sou do tipo de pessoa que é muito ligada no tempo, pra falar a verdade, eu esqueço vez ou outra o dia de hoje e... Grahsfwtdtff! Que droga de dia é hoje?! Terça? Não, eu acho que é sexta... Quarta? Arg! Droga de tempo que me trolla todo dia! Mas eu não sou do tipo que se deixa abater por essas coisas mundanas (avá! Olha a otária!), a não ser que estejam relacionadas aos meus compromissos do dia, aí sim, eu estou ferrada. Meus pais nunca me deram um calendário ou alguma coisa que controlasse o tempo. Pra se ter ideia, eu nem sei onde é o calendário do meu celular! Acho que apaguei o programa sem querer... Bizarro, sei, mas é verdade. Aí eu descobri que o meu professor realmente é um professor e não um maluco que, com toda a certeza, fugiu do hospício central. O fato é: trabalho de sociologia. Se você já estudou ou está estudando esta praga, sabe o buraco em que você se meteu por não ser um Peter Pan da vida e ficar criança pra sempre. Eis a cena dos sete erros de hoje: (doho-ho! Adoro fazer isso) sala B-3 do segundo, onde o doido do Kakashi-sensei (le espantalho~) tentava acertar a gente com bolas de papel para explicar alguma coisa de física. Aí, de súbito, meu (não tão amado) sensei começa a explicar sociologia, a gente pira tentando acompanhar e aí ele para. Adivinhem...

— Estou passando um trabalho de sociologia. — PQP! F#deu! Eu lá sou boa nisso! E muito menos tenho amigos pra fazer isso! — Tragam-me amanhã. E não se esqueçam de que eu não vou tolerar quem não fizer.

A cara que ele fez me deu medo. Então é assim que ele faz pra os alunos o levarem a sério...

— Sensei. — a voz melodiosa da presidente me tirou do transe. — Sobre o que exatamente teremos de pesquisar?

— Uh... Inventem algo. Qualquer coisa que seja relacionada a sociologia serve.

Gotas gigantescas desceram das testas de todos os alunos. Estava com uma vontade tão grande de matá-lo!

— E quanto ao tipo de formação? Em duplas, trios, quartetos... Quais grupos?

— Trios. Deixe-me ver a chamada... Akimichi... Não. Façamos o seguinte, eu os chamo pelos nomes e vou escolher com quem vão ficar. Primeiro... Chouji com... Lee e... Shikamaru. — ele ascentiu a cabeça e continuou. — Chouji, Lee e Shikamaru. Anotado.

Era bizarro, mas até que o cara tinha jeito. Mas aí, adivinha quem é o número dois... Me!

— Haruno com... Ino e Hinata! — ufa! Pelo menos ele tinha bom senso! Ou não, quem liga?

Depois da minha vez eu nem me deixei levar pela curiosidade e fiquei na minha... Neji... Kiba... Sasuke... Juugo... um tal fulano chamado Sai e... Uzumaki... Depois, os irmãos Sabaku que por algum motivo sempre caíam juntos. O Bee, uma fulana de nome Tenten e Uzumaki... Stop Now! Eu já disse Uzumaki? Existem dois Uzumakis? Daí eu deixei meu queixo cair e rodei todo o pessoal do fundo, eu não fazia ideia de quem eram esses dois. Como eu disse, nunca prestei muita atenção em algo que não se destinava à mim. O jeito foi cutucar a Ino, a qual me respondeu com um grito baixo e uma cara feia.

— O que foi, rosinha? — eu olhei feio para o apelido de outrora, mas ela tinha decidido então era guerra. — Se é sobre o trabalho, eu e Hinata passamos na sua casa hoje de tarde, pegamos você e vamos embora.

— Pergunta teórica. Quem são os Uzumakis? — observei a loira espernear, bater a cabeça até que eu não aguentei o sofrimento dela (não que eu não estivesse gostando) e me corrigi. — Não precisa pensar o que é teórica, até porque você só ia desencalhar com um dicionário... Só responde a pergunta.

— São seres totalmente diferentes. Existe a Uzumaki do glamour e o Uzumaki da idiotice. A garota é a fundadora do fã clube do Sasuke-kun, Karin. Ela tem notas altíssimas e é quase que como uma deusa por aqui. O garoto é um completo idiota, vive enfrentando o Sasuke-kun e perdendo, Naruto. Tem as notas mais baixas da classe e tem fama de ser um arruaceiro tarado e ladrão. Eu acho que eles são iguais ao Neji e a Hinata, pertencem ao mesmo clã, mas um veio defeituoso e o outro uma perfeição. Mas eu nunca entendi porque o Naruto é um Uzumaki, eles são famosos por ter um grande cabelo vermelho e serem riquíssimos.

— Ruiva... A de óculos? — apontei indiretamente para a garota sentada ao lado da janela, perto do Uchiha. — E quem é Naruto?

— Hein? Você não sabe quem é? Mas eu jurava que-

— Haruno, Yamanaka. Não tiraram o livro de história ainda? — era o sensei interrompendo a gente. Esse cara nunca se decide?!

— Gomem. — dissemos juntas, virando para frente.

— E agora vamos falar sobre as leis da gravidade. — não falei? Ele já pulou de história pra física, é mesmo um caso perdido...

Mente ocupada, certo. Fim das loucuras do Kakashi-sensei? Infelizmente não. Agora eu estava quase dormindo em uma das aulas malucas do sensei, se bombear tinha até baba descendo do canto da minha boca. Mas eu nem liguei, tudo o que eu fiz foi cair na onda de quase toda a sala e tirei uma sonequinha, quem liga para o que o sensei diz? Eu não... E assim se passou uma, duas, três, quatro... Todas as aulas do dia, com o sensei mudando tanto os assuntos que eu nem sabia se hoje era sexta ou terça. Logo que a gente acabou de receber tanta informação de uma só vez, eu fui amparada de meu estado múmia pelas minhas duas amigas, a loira e a nerd, traduzindo — Ino e Hinata. As danadas me pegaram bem na porta!

— Eaí rosinha, o que acha de darmos um pulo no shopping hoje? — a loira esganiçada veio logo, eu mencionei que ela é loira?

— Só você mesmo, loira. — dei uma ênfase bem demorada no último nome. — Temos o trabalho do Kakashi-sensei pra amanhã caso sua memória de dois segundos não tenha gravado enquanto você se penteava na casa do Ken, Barbie.

— Uh... Ela a acertou feio, Ino-san... — comentou a morena do meu lado esquerdo, a Hinata era tão... Hinata!

— Quem liga para o que o Kakashi diz? Ele é louco! Deveria estar em um hospício e não lecionando...

— Acontece que ele é o nosso professor, devemos respeito pra ele.

— Lá vai a miss certinha... Corta o papo, Hinata! — a loira pareceu ficar satisfeita e se calar, mas ela fez foi mudar de alvo. — E você Haruno, que tipo de pessoa não sabe o nome de seus amigos?

— Nem vem, sua e nem a sua pouca inteligência estão comigo. Sai fora.

— Mas hein?! Continuando minha ideia, vamos ou não?

— Tipo... Eu tenho que fazer o tal trabalho e ainda vou ter que organizar as minhas coisas, tenho que fazer tantas tarefas quanto duas pessoas fazem juntas. Nem vai dar.

— Relaxa, coloca um... Uma empreguete ou sei-que-mais-lá e vem com a gente.

— O fato de você estar no ensino médio me assusta... Quem você teve que subornar? — a loirinha estava cada vez mais irritada com as minhas provocações. A Hina olhou e começou a rir.

— Ino-san, não fique chateada. — continuou ela. — Vamos combinar que a Sakura-san é uma garota engraçada do jeito dela e você é a piada da vez.

— Hina-san~! — de repente quase metade da população de garotos apareceu com flores e chocolates na mão para a Hinata. Juro, queria eu ter tanta atenção assim.

— Vamos rosinha, pelo jeito a Hina vai demorar um bocado...

— Ah sim, loira. Queria mesmo te fazer uma pergunta. Por que a Hinata tem tantos caras?

— Quem sabe? Talvez seja o jeito fofucha dela ser, o tamanho dos seios ou até mesmo uma história meio maluca que contam sobre ela.

— História maluca? — eu fitei a Hinata atrás atendendo aos bajuladores e fiquei imaginando ela como uma psicopata, cheguei na conclusão de que é impossível.

— É. Dizem que que ela não é bem o que parece. Sabe, aquelas pessoas de duas caras?

— E você acredita? — fiz uma careta cínica.

— Óbvio que não! A Hinata foi a pessoa mais calorosa que eu já conheci, até você perde pra ela...

— Uou! Stop! — abri um sorriso e me virei. — Você estava me considerando? Sério? Serinho mesmo?

— Calada! — berrou, chamando a atenção de alguns alunos que passeavam. — Afinal, vai com a gente ou não?

— Tá, loira oxigenada. Se isso te faz provocar arco-íris, vamos lá!

— Vem cá, você não tem um repertório menos usado, não?

— Com você nunca falha... Até, loira!

HuHu! Eu tava mesmo me divertindo! Tirar sarro do fato da Ino ser loira era... Satisfatório. Fora meu interesse na escola, eu me separei das duas e caminhei pelos corredores sozinha, acho que eu já estava sentindo falta do meu cachorro, não o de raça, o vira-lata... Falando em filhotes, me dei conta de um pirralho correndo pelo corredor, fiz uma cara e fiquei na brisa. Nem fazia ideia de que existiam classes infantis na Akihane, eu nem sabia que existiam aulas antes de entrar aqui! Mas, o pirralho estava bem machucado, não sei se era uma briga de rua ou algo parecido, porém ele parecia ter saído de uma rixa de gangsters.

— Haruno! — não demorou muito pra eu escutar meu nome dito pela boca de quem eu estava sentido falta: eis que surge o Fox. — Onde se meteu? Eu estava preocupado! Por onde se meteu?

— Espera, você repetiu uma pergunta. E que diabo minha vida te importa?

— Por que...? — ele murmurava chorando, já eu nem me dava o trabalho de entender. — Por que com a machona da Tenten...?

— Agora eu sei porque você não tem namorada e nunca vai ter... — meu comentário cínico pouco mudou a situação. — E agora? O que foi que aconteceu?

— Kakashi-sensei é maluco! Por que ele me colocou com a Tenten?! — berrou ele me balançando tanto que eu já estava começando a enjoar.

— Espera! — retruquei me soltando. — Agora... Como que diabos eu vou saber? Eu tenho cara de enfermeira de hospício por um acaso?!

— Não me jogue aos leões... — sinceramente, aquela choradeira já estava me dando nos nervos!

— Me explique qual o problema, criatura da floresta! — balançei-o até que ele parou e me olhou.

— Tenten é uma machona e ela vai me matar... — ok, isso era bem claro pra mim.

— Uh... Pensa assim: se você ainda não morreu com as pancadas que eu te dou, então vai aguentar ela.

— Bela comparação... — eu sabia que ele queria ser cínico, mas nem de longe pareceu.

— Eu tenho mais o que fazer, xô! — joguei ele pra longe, parando a choradeira do meu lado. — Quando as coisas não podem piorar...

— Então, você descobre que não é o fim do problema. — alguém me completou, eu me virei e dei de cara com o Uchiha carregando alguns livros. Ele parecia ter visto algo em mim. — Olá, Haruno.

— Ah, o-oi Uchiha. — murmurei fitando ele. Quando que decidimos nos chamar assim? — Não precisa me chamar pelo segundo nome, pode me chamar de Sakura.

— Seria estranho eu te chamar de flor quando você me chama de um clã inteiro. — comentou com um sorriso fino. — Faço suas minhas palavras, só Sasuke.

— Er... Ontem... Como vai? Conseguiu resolver seus problemas?

— Ah, sim. — ele ruminou um pouco antes de completar. — Desculpe por ter ouvido aquilo, geralmente não me dou muito bem com meu irmão mais velho.

— "Uchi-" — ele me repreendeu com os olhos e eu tive de me corrigir. — Sasuke-kun. Desculpe meus resmungos sozinha, pode parecer, mas eu não sou louca, tá?

— Você é uma garota diferente... — murmurou abrindo mais o sorriso que antes era apenas uma linha com defeitos.

— Como assim? No sentido ruim ou no bom? — me desesperei, eu estava sendo rejeitada?

— Não sei, mas você é meio diferente de qualquer garota que eu conheci... Não fica chato falar com você. — uh... Para a minha autoestima, eu levei isso como o melhor elogio de todos. — Falando nisso, o que vai fazer sábado que vem?

— Uh... — pela primeira vez eu estava sem palavras, o que deveria dizer? Me atirar nele como qualquer piriguete? Eu não sou dessas! — Eu estou com alguns problemas em casa, vou pintar meu quarto. Talvez não sobre tempo...

— Uma pintora amadora, hein? Você não para de surpreender. — ele olhou para o lado e depois me mostrou um sorriso. — Eu te pego às 8, vamos em uma pizzaria que abriu hoje cedo. E eu não aceito não como resposta.

— Mas eu... — fiquei no vácuo, ele já tinha dado no pé. Acabei soltando um sorriso de canto. — Convencido...

Realmente, Sasuke era um cara legal, eu não conseguia ver porque o Fox o odiava tanto. Talvez ciúmes? Ou talvez eles tivessem sido amigos na infância! LoL! Lá vou eu pirando de novo! Tenho que parar de assistir esses filmes melosos com inimigos jurados... Mais alguns passos e eu tomei um susto com um garoto voando centímetros perto de mim. Perplexa, me voltei para uma mulher loira, bem... De seios enormes, com uma veia gigante saltando da testa. Ela parecia estar louca de raiva. Foi aí que ela se recompôs e soltou um sorriso. Hein?!!

— E agora? Ainda vai continuar me chamando de velha? — berrou para o pobre garoto semi-morto ao meu lado. Onde eu fui me meter?! Quem diabos é essa doida?

— Nã-Não, Tsunade-sama... — pude escutar o murmúrio baixo do garoto, olhei pra loira e comecei a me arrepender de ter zoado a Ino. Eu disse comecei, não quer dizer que me arrependi de ter zuado ela totalmente.

— Ei você aí! — estou morta! Ela tava mesmo me chamando! — O que foi que ele disse?

— E-Ele disse... E-Ele negou. — caracólols! WTF?! Ela me dá medo e me faz inventar palavras doidas! — Q-Quem é a senhora?

— HUN?! — escutei-a resmungar alto, aliás, todos escutaram. — Me chamou de velha, mocinha?!

— N-Não! — dei no pé. Como se eu fosse esperar pra ela me matar! Isso só vai acontecer quando começar a chover sapato do céu! E olha... É hoje! Levei uma sapatada na cara sabe-se lá de quem. — Ugh... Quem foi o idiota q- Ah...

— Foi mal aí, garota. — desculpou-se um dos valentões que batiam em um cara na rua. Nesse meio tempo eu já estava andando mais rápido.

Pois é, nem parei e analisei para ver quem era a pessoa que estava apanhando, afinal, não queria me meter mesmo... Quando pus os pés na minha rua, meu queixo encostou no chão tamanha era a bagunça. Acho que hoje era dia do caminhão de lixo passar, mas parecia dia de sopa para os mendigos, já que o caminhão e o dono estavam rodeados por pessoas, o que era — no mínimo — tentador para curiosos, e como eu não faço parte das pessoas que não são, me meti na roda também. Parece que o cara tinha atropelado um garoto, os dois estavam bem, mas a bicicleta do garoto já não compartilhava da mesma definição, por isso os dois estavam discutindo sobre quem iria pagar para quem. Eu deixei de lado e entrei no meu sobrado, Komo me recebeu com uma festa, novidade... Quanto ao meu inquilino, eu não tinha visto ele depois de ter conversado com o Uchiha mais cedo.

— Haruno! — foi só abrir a boca... Abri a porta segundos depois, vendo o traste de sempre do outro lado.

— Como vai, Fox. — retruquei retórica, batendo a porta em seguida e o seguindo para a cozinha. — Como foi o seu passeio sozinho? Adorável?

— Não foi bem lá essas coisas... Por que eu respondi?! — ele se irritou e depois virou pra mim. — Por que não me esperou, Haruno?

— Não te vi, fiquei cansada, estou com fome... Qual das desculpas você quer?

— Nenhuma. — ele emburrou depois disso, eu torci o nariz e abri minha caixa de comida chinesa. — Uh... E quanto à mim? O que eu vou comer?

— Você tem duas mãos, tem um porte físico bom e sabe fazer alguma coisa. Resumindo: arranje um emprego e compre!

— Mas isso parece tão bom... E eu não vi vagas abertas. — ele murchou logo depois, como se todo o mundo dele tivesse ruído.

— Tá! — resmunguei, pegando outro pote e um par de hachis extras. Eu tava mesmo cedendo! — Toma e cala a boca, amanhã você procura um emprego.

— Na verdade... — ele coçou a cabeça e eu virei, esperando uma desculpa. — Bom, eu não sou bom em arranjar empregos...

— Eh? Sério? — soltei os pauzinhos e olhei bem pra ele, afofei minha cara e a pendi para o lado. — É, você parece mesmo um inútil...

— Isso não é coisa que se fale para ajudar um pessoa!! — ignorei-o e voltei a comer. Komo tentou fazê-lo calar a boca com uma mordida.

— Eu não disse que iria ajudar. — remexi mais a caixinha. — Falando em pessoas... O que o seu amigo estranho e a "Tenten machona" estão preparando?

— Nada. — eu engasguei com o macarrão e tomei um gole d'água.

— Como assim nada?! E a consequência que o Kakashi-sensei falou? — juro que estava a ponto de arrancar meus cabelos.

— Bom... Quem vai fazer é um cara nerd que a Tenten ameaçou, de resto...

— Ha! Eu mereço mesmo! — bati no balcão com raiva, ele pareceu rachar. — E o que diabos você, inútil, irá fazer?

— Acho que irei assistir TV... Qualquer coisa. — aproximei-me dele com uma careta assustadora. Ele começou a suar. — Ha-Haruno?

— Ouça, inquilino idiota, eu irei sair com a Hina e a Ino hoje à tarde, nem pense em estragar a minha casa enquanto eu estiver fora, ouviu?

— Sim srta. Haruno! — ele bateu continência e puxou Komo para o sofá, no fundo, morrendo de medo.

— Muito bem, lembre-se de dar comida ao Komo e de se comportar. — depois virei para o Komo. — Bote ele para fora se ele não te der comida. Pode mordê-lo se quiser.

— Ei, Haruno! — berrou, estático. — Não mande seu cachorro me matar! Eu ainda tenho... Nada naum.

— Bom... — joguei as caixinhas no lixo da cozinha e me pus a subir a escada. — E Foxy... Passe um passo perto do meu quarto enquanto eu estiver no banho e vai se arrepender de ter nascido.

— Uhun... — murmurou agarrando tanto o Komo que o pelo dele passou de branco para verde.

Entrei no meu quarto e observei o relógio de parede. Nem era tão tarde assim... Tsc. Talvez eu estivesse levando esse passeio muito a sério... Convenhamos, não dava mesmo para levar a Ino a sério, mesmo se tentasse. Tranquei a porta e segui para o meu banheiro, ainda tentando ver o lado bom de tudo aquilo... Diabos! Era errado não fazer o trabalho! Tenho certeza de que o Kakashi-sensei nos mataria amanhã... Senti um calafrio quando eu pensei naquela careta assustadora dele, ninguém merecia! Depois que eu saí, me vesti com qualquer roupa e desci. Por qualquer ironia que seja, nesse mesmo instante a campainha tocou. Eu fui atender e depois me toquei... Como que diabos as duas sabem onde eu moro?! Tão me seguindo que nem stalkers?!

— Sakura-san! — logo de cara a Hina mostrou um sorriso, me cumprimentando quando abri a porta. Atrás dela estava a loira, alheia ao que acontecia por algum motivo inesplicável. — Ore, foi tão difícil achar a sua casa! Ainda bem que existem pessoas tão legais quanto aquela senhora de antes, neh, Ino-san?

— Claro, claro. — abanou a mão nem um pouco interessada. — Já podemos ir por agora?

— Quê? — levantei a sobrancelha só para posar com o que eu ía falar. Aquela loirinha...! — Pensei que fossemos no seu carro rosa, Barbie. Ou ele se quebrou e você teve de levar o comprovante para a loja de brinquedos...?

— Nanii?! — ela ficou P da vida! Agora eu poderia me divertir... — Ora, sua...!

— Haruno, seu cachorro... — Fox tinha que abrir a boca! Ele vinha até a porta reclamar de algo quando viu as duas, sangue saiu do nariz dele. — T-Taichou?! Nanii?! Haruno, o que a Taichou e a Yamanaka-san fazem aqui?!

— Are?! — berrou a loira, tentando juntar os pedaços enquanto apontava para nós dois. — Vo-Vocês...?! Quem diria!

— O-O que ela está insinuando, Haruno?!

— Você é o tarado aqui, tire suas próprias conclusões!

— S-Sakura-san... Eu não imaginava que... Vocês dois... — ela tocava os dedos vermelha agora. Presidente...! Você também?!

— Hinata! — declarei por fim, vermelha. — Que mente imunda vocês têm! Fox é meu inquilino! Ele tem seu próprio quarto! Vocês, hein...

— Isso não significa que... — deixou no ar, comprometendo a mente de quem quer que ouvisse. Maldita loira!

— N-Não fale coisas, Yamanaka-san. — ele a retratou, acenando compulsivamente um "não". — Haruno me mataria se eu o fizesse! Depois eu seria comido pelo cachorro...

— Warrr... — Komo voltou para a cozinha, como se o estômago dele tivesse virado.

— Yare, até o Komo não te quer... — provoquei, vendo-o no estado estátua dele. — Divirtam-se! Tente não irritar o Komo muito...

— Matte! Haruno! — tarde demais! Fechei a porta e puxei as duas para fora, agora eram só aqueles dois.

Fora as sátiras ridículas e irritantes que a Ino mandava a cada passo que dávamos, esse shopping tava muito longe! Falando no diabo, depois que eu bufei pela quase milésima vez, eis que o prédio colossal dá o ar da sua graça. Suspirei mais uma vez. Com a Ino seria uma perda de tempo totalmente... Yare... Tinha cada vestido kawaii! Mas, Dear, esse não é o assunto em questão. Quando finalmente as pernas de vareta da Ino cansaram (só depois dela comprar quase o shopping inteiro), a gente se sentou em um mesa da lanchonete. Cara...! Meus pés aclamavam por até um pedaço de madeira se não precisassem andar!

— Sakura-san...? — balancei a cabeça assim que a presidente chamou. Tinha me distraído com os calos que eu possivelmente havia ganhado. — Há algum problema com seus pés?

— Hina... — comecei, virando com uma cara suicida para a loira. — Essa teme desgraçada quer me matar! Pra que diabos esse loira genêrica quer tantas roupas?!

— Ee... Parece que a rosinha é uma caipira... Tee-hee~ — iniciou com um riso nauseante. Aquela loira porca...!

— Pelo menos eu devo ter um nome tão limpo quanto água na lista de caloteiros...

— Sua...! — virou com os punhos erguidos, sendo atrapalhada somente pela enxurrada de sacolas que levava nos braços.

— Ora se não é a dupla de fracassadas... Eu não já mandei vocês para os seus lugares...?

Minha rixa com a loirinha teve de esperar. Logo ela já estava de pé com uma veia saltando da testa para uma garota na nossa frente que, por mais que eu odeie julgar os outros sem conhecê-los, merecia um soco bem na cara por tanta idiotice! Parando para pensar, eu até me lembrava dela... Olhos rosados, quase vermelhos. Um cabelo vermelho escuro de um ruivo envelhecido, pele clara e esbranquiçada, quase anêmica. Sobre o olhar de superioridade, uns óculos redondos de armações vermelhas que pareciam aumentar mais ainda o tom assustador que ela tinha. Ah, lembrei! Era a ruivinha que senta perto do Sasuke. O nome? Uzumaki... Ka... Uzumaki Karin.

— Uzumaki-san, Ino-san. Não vamos causar confusão em um local público, por favor. — suplicou a presidente, tentando passar despercebida.

— Calada, Hina! — mandou a loira, encarando mais a ruiva. — Isso é entre mim e ela.

— Não preciso gastar saliva com vocês... — deu de ombros para a atitude da loira. Já ía indo quando pôs os olhos em mim. — Ah, a kouhai... Sinto pena da garota... Até, loira, tímida.

— Loirinha... — comecei depois que o furacão já tinha ído. — Essa é a garota tão venerada, Uzumaki Karin?

— Tsc. É uma perda de tempo venerar essa bruxa ruiva... — cruzou os braços com um resmungo. Parecia realmente a ponto de explodir de raiva naquele momento.

— Deixe ela quieta, Sakura-san. É melhor esperar o vulcão esfriar antes que ele exploda. — Hinata surgiu na conversa com uma gota descendo da testa, como se o fogaréu subindo por detrás da loira não fosse aviso suficiente. — Eu explico.

— Maldita bruxa ruiva... — continuava a resmungar com raiva. Deixamos ela em seu mundinho particular.

— Karin-san é uma Uzumaki, como você sabe. Ela me supera na questão de notas, mas não conseguiu ser eleita presidente da classe. — me espantei com o que aquela garota era. Talvez fosse até perigosa... — Por algumas razões, ela morre de amores pelo Sasuke-kun, igual a todas as outras garotas... Ino-san é uma delas. Então daí vem a implicância conosco: por eu ter ganhado dela e por Ino-san também estar na corrida para conseguir o Sasuke-kun.

— Que ridículo... Nenhum cara vale tanto. — resmunguei passada, morrer de amores por um cara legal é ridículo, mesmo que ele seja cool.

— O que disse, rosinha?! — ela saiu do estado de antes e virou fervendo pra mim. — Sasuke-kun é tudo de bom! Provocaria arco-íris se o visse na minha frente!

— Irk... Agora eu sei porque o Sasuke acha vocês tão irritantes a ponto de falar comigo... — me toquei que tinha falado coisa desnecessária quando viraram pra mim, pálidas. Engoli em seco. — Terei errado?

— Whaa! — Ino quase pulou em cima de mim. — Vo-Você tocou no Sasuke-kun! Co-Como uma mera kouhai consegue e eu não?!

— S-Sakura-san... Não pensei que gostasse de harém...

— No que vocês duas mentes inóspitas estão pensando?! Que diabos está passando pelas suas cabeças ocas?!

Fiquei tentando calá-las a tarde toda. Maldita boca! Por que não ficas calada? Agora a Hina me olhava com medo e a Ino tinha piorado as piadas quando estávamos voltando. Ora... Talvez não fosse tão mal. De todas as garotas da escola, o Sasuke foi reparar justo em mim, uma kouhai deslocada que sem ninguém saber, exceto Ino e Hina, mora com um marginal tarado e não tem a menor vocação para miss universal. Despedi-me delas com urgência quando chegamos no meu bairro, correndo para a porta de casa. Fui recebida com um silêncio mortal na sala e nada mais. Onde teriam ido parar Komo e o tarado...?

Resmunguei com a bagunça que eles fizeram, tendo a decência e o sangue de barata para pensar em limpar. Quando cheguei na despensa, me deparei com uma caixa esquecida, parecia o pacote que eu tinha recebido alguns dias atrás. Tirei a poeira e o abri. Era dos meus pais, algo a respeito de custos e despesas. No mais, tinham um DVD sem título e duas cartas. Abri a primeira, eram só os meus pais com palavras sem sentindo choramingando por mim. Sinceramente, cresçam! O segundo era uma quantia em dinheiro para pagar as contas do mês, tinha o suficiente para uma pessoa. Coitados deles se soubessem que agora um tarado morava comigo... Deixei a caixa pra lá e percorri a outra parte da sala, pronta para acender a luz e ver completamente a bagunça.

Pisei em algo macio que soltou um gemido. Não queria nem pensar no que era... Acendi a luz da sala, me deparando com Fox esparramado no chão de shorts enquanto Komo mordia a mão dele inconscientemente ao dormir. Adivinha onde eu pisei... Mente imunda você terá se disser que pensou em outro lugar a não ser o tórax dele. Fiquei em chamas, pronta para quebrá-lo com o pé esquerdo, mas eles pareciam tão fofos... Fox dormia babando e fazendo caretas conforme o Komo mastigava a mão dele, suspirei vencida pela fofura (ou não) da cena. Subi as escadas e encarei o quarto do meu inquilino. Parecia quase um pecado entrar lá.

Engoli em seco e girei a maçaneta. Caramba! Eu esperava... Bom... Quando a porta se escancarou, notei um quarto quase tão igual ao meu, exceto pelas paredes azuis que ele mesmo tinha pintado e um ar impecável de limpeza. Comecei a duvidar se ele era mesmo um mendigo... Fora minha surpresa, tratei de vasculhar nas gavetas ou qualquer lugar que ele pudesse guardar lençóis, já que a cama não tinha nada a não ser o travesseiro. Abri gavetas de blusas, calções, calças, jaquetas, camisas, cuecas... (argh!) Até que eu achei o único lençol que tinha para ver. Deixando o quarto, notei um porta-retrato derrubado na cômoda, imaginei qualquer coisa e saí.

— Vocês só me arranjam problemas... — suspirei calma, jogando o lençol no loiro logo depois. — Isso não quer dizer que eu tenha de te aturar...

Ele demorou a notar que estava coberto, depois virou e esboçou um sorriso, mesmo ainda sendo mordido pelo Komo. Fiz o mesmo e subi para o meu quarto, esparramando-me na cama assim que terminei o meu banho. Andar o dia todo tinha sido cansativo... Até mesmo eu merecia um descanso prolongado...

Dear,

Como toda boa confidente, eu deveria lhe contar o meu dia em detalhes, mas a Barbie me fez cansar tanto que talvez eu ampute minhas pernas e passe a conta das mecânicas pra ela pagar. Mas, agora sem rodeios, Sasuke me convidou (na verdade ele exigiu que eu fosse) para sair, não é como se ele estivesse tentando me cantar ou algo assim. Eu ainda colocaria observações absurdas sobre o meu inquilino e seu quarto misteriosamente impecável, mas eu mal consigo escrever bem. Em um dia melhor eu conto tudo.

Ja Ne!