Jonas é um paraibanode trinta e dois anos, que veio ao Rio de Janeiro de visita e resolveu ficar, por conta das oportunidades e melhores condições de trabalho. Viera junto a um primo, que por saudades da térrinha, resolveu voltar dois anos depois, deixando sozinho no Rio de Janeiro o nosso pobre paraibano.

Jonas mora só em uma minúscula quitinete alugada pelos lados de Curicica. Uma TV de 17'', um criado-mudo antigo de duas gavetas, um frigobar de 1,50m em péssimo estado, sustentado por dois tijolos que ocupavam a função dos pés que lhe faltavam, um colchão velho já muito gasto e um fogareiro pequeno de duas bocas; nisto se resumia a pobre mobilha de Jonas.

Pela estadia pagava R$ 400,00 mensais, incluso água e luz. Jonas sobrevivia, e mal, com míseros R$ 180,00 que recebia semanalmente trabalhando como como servente de pedreiro, dando uma quantia de R$ 720,00 mensais, tirando os ''servicinhos'' que fazia por fora. Bom, agora que já o-conhecemos, vamos a sua historia.

Foi numa noite de natal, enquanto bebia sozinho uma garrafa de vinho da pior qualidade, Jonas chorava amargamente por estar só e nem ao menos ter uma pobre ceia de natal. Foi quando, meio cambaleante pela embriagues, nosso paraibano foi até o quintal, ajoelhou-se e olhando para o céu gritou:
- Senhor, você aí de cima, me ajuda!
Então, uma voz grossa e estridente respondeu:
- Qual é o seu problema, meu filho?
Jonas caiu no chão assustado pois, embora tivesse gritado, não acreditava ser respondido pela divindade, ainda mais com tanta rapidez e eficiência. Com certa dificuldade se pôs de joelhos novamente e para se certificar de que suas preces haviam sido atendidas por Deus, deu um novo grito:
- Senhor, você pode me ouvir?
E a voz novamente fez-se ouvir:
- Sim. Oque queres de mim?
Jonas sentiu seu peito arder de emoção e após enxugar suas lágrimas disse:
- Senhor, eu vivo na miséria, não tenho nada e nem ninguém para me ajudar... Me ajude?
Depois de um curto intervalo a voz respondeu:
- Meu jovem, não há ninguém melhor para te ajudar do que você mesmo, se ajude, e quando estiver em melhores condições ajude o próximo, pois, é se ajudando que podemos ajudar o próximo a nos, e a se ajudar.
Jonas fez alguns minutos de reflexão naquelas sábias palavras que se arraigaram em seu coração e depois respondeu:
- Jamais esquecerei estas palavras, Senhor. A partir de hoje serei um novo homem.
Neste exato momento abriu-se uma das portas das quitinetes vizinhas á de Jonas, e junto com uma música muito alegre saiu um homem ainda mais alegre, com um gorro de Papai-Noel na cabeça, e com a voz bastante embargada deixando em evidência sua embriagues ele disse:
-Se tá doido falndo aí sozinho, é? Deixe disso. Hoje é aniversário de Jesus Cristo. Vamos beber para comemorar. E mostrou uma garrafa de Pirassununga abaixo da metade. Sem dizer uma única palavra monossilábica Jonas deu as costas para o bêbado e entrou em sua casa.
Passou o resto da noite de natal deitado em seu colchão surrado, com um enorme sorriso estampado na face, lembrando das palavras da divindade ecoavam em sua mente e acariciavam-lhe o coração que já não aguentava mais tanta dor.