O Caos do Silêncio
1 O Caos do Silêncio
A nave partiu, rumo a Lua, como tantas outras. Porém eles conseguiram, com êxito, pousar em segurança. Dois homens conquistaram a grande disputa espacial da época. 20 de julho de 1969 jamais seria esquecido.
- Houston, aterrissagem suave e sistemas ativos. Pronto para descer em solo lunar! – Disse o jovem e empolgado astronauta Dean Armstrong.
A central da Nasa respondeu positivamente e aguardou pela preparação dos astronautas. Gus Aldrin separou os cilindros de oxigênio enquanto Armstrong preparava as roupas espaciais.
Vestiram seus uniformes e as roupas, a movimentação era difícil com aqueles objetos todos. Neste ponto, até a própria gravidade artificial da nave atrapalhava, pois as roupas e equipamentos ficavam pesados.
-Verifique as conexões de alimentação de oxigênio para mim Gus.
-Está tudo certo, vamos logo encontrar os pequenos seres lunáticos!
A risada debochada dos astronautas tentava cobrir a tensão antes da descida. Por mais que tenham treinado em câmaras submersas e simuladores, a situação real nunca acontecera até aquele instante e toda a atenção estava voltada para aquele minúsculo ponto metálico na superfície lunar e as figuras saiam dela.
Desceram. E como todo momento histórico merece uma frase altura, esse momento não foi exceção.
Dividiram-se em busca de amostras. Em 30 minutos estariam de volta a nave, tempo suficiente pois o oxigênio que levaram era o necessário para mais de uma hora.
Armstrong voltou em 25 minutos, subiu na nave e guardou as amostras. Enquanto esperava pelo seu companheiro, olhou pela janela e observou a Terra.
-Incrível! A Terra tão gigante comparada a nós. KGB, CIA, comunistas e capitalistas, apesar de tudo que acontece por lá. Parece que nada a abala.
-Ele não vai poupar nenhuma pedra! – comentou consigo mesmo, pensado no entusiasmo de Aldrin com a situação.
Armstrong foi até o local onde deixou suas amostras e as empilhou num canto
-Gus vai precisar de espaço, ele vai querer levar metade da Lua para casa.
Enquanto pensava, ouviu um barulho: a porta da nave fechara.
-Que será que houve?
Ao retornar ao computador do veículo, percebeu que tudo foi desligado e travado.
- O que ocorreu Houston? Porque a porta está fechada? – Indagou Dean pelo rádio.
- Estava tudo funcionando de forma normal Houston. Houston! Na escuta? O que hou..
A voz de Armstrong parou de sair, ao olhar pela janela não acreditava no que estava ocorrendo e nem, apesar da distância, no que estava observando: riscos vermelhos saiam de um lado da Terra em direção ao outro e o mesmo ocorria na direção oposta.
Não eram bombas comuns e a destruição provocada não era nem um pouco comparada com que Armstrong ou Aldrin já haviam visto, eram muito mais do que bombas atômicas.
O rádio parou de funcionar e apenas emitia um ruído disforme, as luzes da nave se apagaram. Armstrong correu na direção da porta, talvez com esperança que aquele corte total tenha provocado alguma alteração na escotilha da nave.
Mas a porta continuava lá, fechada. Dean olhou pela pequena janela e não viu sinal de Gus. Não demorou muito tempo para que o astronauta perceber o que havia ocorrido e o que aconteceria em seguida.
Alguns dias antes de partirem, os astronautas participaram de uma reunião onde um dos assuntos em pauta era o protocolo zero, este dizia que se algo ocorresse e a guerra nuclear estourasse, o foco do governo seria a Terra, portanto todas as distribuições de sinais de rádio e energia focados para as naves em ação seriam cortados.
Ele sabia o que estava exatamente ocorrendo naquele instante.
Armstrong correu novamente ao computador, começou a apertar todos os botões tentando, em vão, religar a nave usando qualquer energia restante. Inútil.
Novamente tentou o rádio, o ruído continuava. Todos os esforços eram em vão, O destino de Gus já estava selado e o de Dean logo estaria também.
Voltou aos controles em silêncio, seus passos eram lentos e mais pesados do que nunca. Olhou para a janela e a bola flamejante ainda estava lá, queimando. Ao direcionar sua visão para o computador desligado, percebeu que então havia chegado o fim.
Sem lar, amigos e, logo, sem oxigênio, pôs-se a pensar:
- De que adianta! Tecnologias nunca vistas, viagens espaciais e não conseguimos nos manter civilizados. Ao descobrir o espaço, o homem deveria perceber sua pequenez, perceber o que percebi quando olhei para a Terra, que não somos nada! Que o único meio de mudarmos algo seria nos unirmos e, muito pelo contrário, acabamos nos matando.
- Entrei no programa espacial pensando que esse exemplo seria a maneira mais concreta de provar isso. Errei totalmente e, pior, contribui para a aniquilação da vida na Terra. Gus era um sonhador, muito mais do que eu. Ele ainda teve sorte, espero, de não ter visto o horror do desastre, do desaparecimento do planeta.
Armstrong sentou num canto escuro da nave. O corte de energia havia desligado os aquecedores, estava cada vez mais frio, ele vestiu o traje novamente, na esperança de se aquecer, mesmo que seja um pouco. Suas mãos tamparam seu rosto enquanto suas divagações aumentavam.
- A humanidade sempre esperou por esse dia! Eras e eras de guerras, destruições de civilizações, bombas e explosões. Fogos de artifício a altura para um evento desses.
Começou a gargalhar desesperadamente, talvez porque o oxigênio que já estava se esgotando causara este delírio mental. Ou talvez percebesse que não havia outro jeito, que a civilização humana em algum momento estaria arruinada, e este momento havia chegado.
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