Notas iniciais
Boa leitura.

Capítulo II

“Momentos ruins fazem parte da nossa vida, a diferença é que um marca e outro ensina.”

– O som quase inaudível dos meus pés sobre os tetos de ripa só demonstrara que voava de telhado a telhado me fundindo ao ar majestosamente, ao passo que meus médios cabelos se mesclavam com a luz irradiada pelo sol, dando-me a inebriante sensação de um trovão dourado. Tamanha era minha efetividade que parecia até romper as barreiras do som. – Era assim que me imaginava enquanto corria desajeitadamente pelas ruas de Konoha, tropeçando várias e várias vezes e arrancando risos de deboche e escárnio de alguns. Mas oque poderia fazer? Se a única palavra que me define neste exato momento é: atrasado.

Poderia ficar horas e horas reclamando sobre aquele ramen estragado que me fizera ficar a noite toda no banheiro ou pelo meu sono pesado que não me permitira acordar com o cantarolar dos pássaros, mas não tinha tempo.

Lavradores, mercadores, empregados e até mesmo as mulheres que diferente de mim desempenhavam sua função já há bastante tempo. Seja encerando um chão, carregando plantações ou mesmo senhores feudal, lá estavam eles.

Entretanto martirizar-me era um luxo o qual não podia deter. Atravessava cada rua, cada bairro, cada viela com tamanha ferocidade que a parte de cima do meu Kimono antes branca agora transparecia ao meu suor. A espada de madeira me alfinetando a cada passada larga incomodava e poderia jurar que as sandálias brutas e ríspidas devoravam minha pele.

Mas em meio a tantos pensamentos nefastos fui aturdido pela visão tão vívida quanto a de uma explosão de cores. Rosa, vermelho, amarelo, verde, roxo e sobre a estreita trilha as folhas alaranjadas que alarmavam o almejado caminho a seguir, o qual não tardaria a chegar, assim o esperava.

Visualizando mais além, pude enxergar os portões da academia.

Ignorei a visão hipnótica e a plenos pulmões avancei. Se ainda quisesse chegar a tempo de fazer o exame e escutar as broncas do Iruka-sensei, teria que esforçar-me...

Sem a nada dar atenção; subi as escadas e passei pelo primeiro, segundo e parando no terceiro corredor concentrei minhas forças para tão somente respirar, encontrar minha sala, batucar o Fusuma três vezes e só então adentrar no recinto, antes é claro, de derrapar na cera e quase ter um encontro com o chão.

Sentado sobre uma vasta cadeira que no meio de um palanque se encontrava, antes observava atentamente os alunos, afinal trapaças não eram permitidas, mas logo me notara.

Olhar de reprovação e uma mascara de seriedade, tais características o cobriam mais do que suas vestes em azul. Entretanto isso nada era se comparado aos olhares que me atacavam como urubus em cima de cadáveres. Tinha acabado de me transformar no centro das atenções. Indesejavelmente, que isso fique bem claro.

“Está um minuto atrasado, Naruto.” — Voz ríspida deixando clara toda sua irritação. “Venha! Pegue sua prova e sente-se logo.” – Bufando, fechou os olhos e ergueu-me uma folha enquanto sentado novamente se pusera.

Afinal segundo ele pontualidade era tudo.

Tão logo o ouvi quanto me pus a receber a prova. A sala estava cheia, cheia não; lotada. Tanto que me restava um único lugar; na ultima fileira virando à direita. Não os observei, não podia estava atrasado além de atrapalhando o andamento do exame.

Depois de subir a curta escada e assentar-me no lugar vago, tal movimento que arrancou grunhidos de desdenho de meus graciosos colegas ao lado, reservei-me puramente ao exame.

Poucas questões curtas e objetivas que requeria um conhecimento profundo e explicações relevantes, oque desde o inicio era proposto de fato, mas suas dificuldades se faziam como um paradoxo entre o fácil e o difícil.

*O que é chakra e qual o seu conceito? — Chakra é basicamente; uma energia que pode ser moldada em um elemento como fogo, água, raio, vento, terra e até em alguns mais complexos como areia, ferro, lava. Tudo depende da herança sanguínea, os elementos mais complexos assim como outras peculiaridades de cada samurai são chamados de Kekkei Genkai, um termo abrangedor. Normalmente todos que pertencem à classe guerreira têm um elemento podendo no máximo chegar até dois, amenos que tenham uma Kekkei Genkai a qual permita dominação de mais. – Resposta encontrada nos livros de ontem que tão orgulhosamente retirei o lápis do Kimono e respondi.

*O que é Iaijutsu e qual sua importância? – É a arte de desembainhar a espada em pleno combate, dependendo, a luta poderá ser definida neste exato momento.

As demais questões sugeriam mesma linha de raciocínio fazendo assim valer preciosos cinco pontos. Que para mim, diferença entre cinco e quase cinco, poderia ser uma tênue linha que separaria a aprovação da reprovação.

Escrevendo meu nome na folha e por consequência finalizando o exame fiz-me de observador: olhares furtivos, desesperados, audaciosos e que no fundo de suas pupilas imploravam por respostas. Iruka-Sensei era bom, gentil, diria até que bobo, mas se tem uma coisa que ele não é, essa seria: idiota.

“Acabou! Os alunos que chamarei entreguem-me a prova e desçam para o campo.” — Terminando de anotar nomes em sua prancheta, bradou surpreendendo a todos...

Pelos próximos minutos foram chamados pouco menos da metade da sala e como de praxe, ou pelas vicissitudes do destino, fui o último a ter o nome pronunciado. Murmúrios de insatisfação e desespero se espalhavam pela sala como epidemia e antes que percebesse já estava de frente ao Iruka-sensei.

Seus olhos varreram a prova cautelosamente e após longos minutos ali parado, ele se permitiu abrir um sorriso de canto “Parabéns Naruto, você foi o único a gabaritar”.

“... Mesmo? Então valera a pena tanto esforço.” – Coçando a nuca e abrindo um amplo sorriso falei. “Mas e quanto ao restante dos alunos?” – Fazendo-me de desentendido, balbuciei olhando ao redor.

“Você sabe, aqueles que não têm honra, dignidade, disciplina e todas as outras características que compõe um Samurai, não merecem ser aprovados.” – Resmungou se levantando.

Seria tão chato ouvir seus sermões para o restante da classe como as lamentações que viriam dos alunos, então extremamente empolgado me dirigi ao campo de treinamento.

Descendo as escadas e cruzando os corredores cheguei à varanda que ligava a academia ao campo, mesmo campo que residia atrás da academia.

No centro: uma vasta área circular, gramado baixo, árvores altas e verdes e ao redor folhas tão vívidas que pareciam decompor-se ao cenário dando a ele avivamento. Fora a brisa que balançava sutilmente meus cabelos e o sol que a todos apalpava, estava tudo tão... Pesado.

Frio na barriga ou calafrios? Ambos... Era aqui que tudo se definiria, samurai ou civil? Nada contra, mas passei minha curta vida almejando ser um Samurai, caminhar por estradas jamais vistas, enfrentar inimigos poderosos e nunca antes derrotados, sentir o perigo me consumir e depois se esvair e no fim fazer um grande feito morrendo como um Samurai de honra, não era muito que desejava, não quero dinheiro nem fama, apenas uma vida repleta de perigos e aventura. A mais simplória ideia de não me tornar um samurai, já fazia meu estômago revirar do avexo.

Então preocupado em manter a calma e a serenidade que aos poucos se extinguiam dirigi-me a uma árvore isolada e em seu tronco repousei...

Tentava, mas não adiantava. Os gritos de euforia de uns, as lamentações de outros, o atrito das espadas de madeira se cruzando e o calor que só aumentava; eram perturbadores. E tudo isso, ou quase, só teve seu fim quando ele chegou, depois de uns bons e longos minutos.

Todos se levantaram, desfizeram-se de seus grupos e rodearam o sensei que no meio se destacava.

Depois da tosse falsa que só servia para chamar atenção, começou “Bem, todos aqui já realizaram a primeira parte do exame e tiveram um aproveitamento de no mínimo dois pontos.” – Alguns comemoram a notícia já que para ser aprovado precisaria de no mínimo sete pontos, outros apenas reviraram os olhos como se já fosse esperado. “E agora realizarão o teste físico que será basicamente uma luta, um contra um, entre vocês.” – Dessa vez todos se calaram e se não fosse os pássaros o silêncio dominaria.

Isso poderia ser interpretado como? Apenas a metade passaria? Mas se já somos tão poucos, e por dizer que somos tão poucos digo que somos menos da metade, ainda seriamos reduzido à metade de menos da metade?

Todos se entreolharam apreensivos, ou pelo menos a maioria. Porque se tinha uma pessoa que esbanjava calma e segurança, esse é claro se chamaria Uchiha Sasuke.

“Sasuke-kun é tão legal! Vejam como ele está calmo!” — Ouvi alguém dizer, ou gritar. Talvez uma das que o tivesse rodeando, o que desencadeou uma série cochichos por todo lado.

“Seria um azar enfrentar o Sasuke, ouvi dizer que ele treina com espadas de verdade...” — Alguém murmurou ao meu lado, e logo a falação se instalou. Até que ele tossisse mais alto e parecendo responder as minhas duvidas internas, falou.

“Eu ainda não terminei!” – Esbravejou depois de colocar a mão na boca. “Como ia dizendo... Suas habilidades serão avaliadas por mim, e suas notas refletiram naquilo que me mostrarem, ou seja, quem perder não necessariamente reprovado será.” – Pude respirar aliviado. Então significa que se eu balançar minha espada algumas vezes e depois provavelmente perder, eu ainda sim conseguiria os dois pontos? Legal!

Mas será que conseguirei segurar minha espada sem ver aquelas coisas de novo de novo e de novo até que desmaie?

“Lembrem-se, não é vergonha perder lutando, vergonha é perder sem amenos ter lutado!” – Disse olhando especialmente para mim, o que me incomodava. Quer dizer, eu sou fraco e isso é incontestável, mas precisa mesmo dar ênfase? “Já sorteei os nomes, e os primeiros serão...” – Rasgando meus pensamentos e trazendo-me de volta a realidade, sugeriu em voz alta e clara os primeiros nomes enquanto olhava sua prancheta.

Seu semblante pensativo chamava atenção, mais pensativo que o normal permitiria.

Mal sabia eu que isso mais tarde se denominaria preocupação.

{...}

Fazia-se entardecer e o local antes claro e iluminado como ouro agora dava seu lugar ao pôr do sol. Os pássaros a essa altura já se encontravam bem longe e o único som presente era o das madeiras se chocando, que por agora nem tanto.

Já tinha visto de tudo, desde cupins comerem espadas de madeira e favorecerem um único lado como uma garota com olhos vidrados derrotar seu oponente com poucos golpes estrategicamente localizados. Também tinham os que se engrandeciam, outros que adotavam uma postura feroz e canina enquanto lutavam.

É claro que por vezes fiquei boquiaberto, também pudera, quem poderia imaginar que pessoas sem o mínimo conhecimento sobre o que é ser um Samurai pudessem passar? Mas isso não vem ao caso, quem sou eu para dizer quem merece ou não se tornar um Samurai?

O fato é: observei tanto, que se não fosse tão mal em kenjutsu arriscaria dizer que aprendera alguma coisa.

Na verdade eu até pensei ter aprendido alguma coisa com os livros, algo como postura, movimentação, balanceio da espada e tudo mais. Mas esse pensamento idiota, ridículo, soberbo, pretensioso desvaneceu-se por completo quando peguei minha espada e a realidade veio-me a porta.

“Podem começar!” – Receoso e ainda em dúvida, Iruka-sensei deu início...

Enquanto ereto, o vento era gentil com ele, balançava seu Kimono que mesclava azul, branco e dourado com seu símbolo Uchiha nas bordas, além de remexer seus cabelos pretos que tampavam sua visão.

Parecia até mesmo uma estátua de um bravo guerreiro. Então logo ele ajeitou sua postura, aumentou a distância entre seus pés, dobrou levemente seus joelhos, curvou sua coluna e com uma única mão sacou sua espada e a apontou em minha direção.

Dando sua trégua o vento logo parou de farfalhar nossos cabelos, só ai pude ver seus orbes negros se fixando em mim como os de um caçador enquanto sua feição severa parecia querer me castigar.

E em três segundos muitas coisas aconteceram.

A tensão do ar subiu, minhas mãos começaram a suar, meu corpo tremeu, meus joelhos amoleceram e minha visão embaçou. Clarões brancos que resumiam todo meu passado começaram a me entorpecer: homens, mulheres, idosos e até crianças apontando lâminas cheias de sangue para mim, becos escuros e fedorentos, gritos de dor e agonia, xingamentos e maldições...

Só me dei conta quando abruptamente senti o cabo de madeira acertar meu umbigo e revirando meu estômago fez-me chocar grosseiramente ao tronco mais próximo.

Depois de perder por um curto tempo minha audição, pude escutar sua voz fria e mórbida – “Você é fraco e não serve para ser Samurai.” – Como se fosse um veredito cuspiu suas palavras.

Minha barriga doía como se a tivessem partido com um trovão, minhas costas reclamavam e minha boca sentia o gosto amargo de meu próprio sangue. Rosto colado com o gramado e em suma todo largado e dolorido, eu tinha mesmo que escutar isso?

Em uma ação instintiva e longe de ser inteligente reuni toda minha força e chakra, cambaleando levantei e segurando minha bokutô com duas mãos corri em sua direção.

Pareceu durar uma eternidade até finalmente me aproximar dele, puxei a espada de madeira para trás e com toda minha força balancei-a para frente a fim de atacá-lo. Quando assim o fiz, descobri o qual inútil e patético era, precisou apenas dar um passo para o lado e não só se desviou como me acertara na nuca.

Perdi todo o mísero equilíbrio que tinha e desmoronei chão a baixo.

Risadas; é claro. Aquela vinha se tornando não a mais empolgante ou intrigante, mas sim a mais humilhante luta.

“Se nossas divisas, muros e fronteiras com outros países fossem guardadas por pessoas como você, estaríamos hoje mortos.” – A essa altura a nossa volta não mais era composta por árvores e vegetações e sim por uma ilustre plateia que só se fazia zombar. Enquanto Sasuke estranhamente distanciava-se.

“É desajeitado, não tem postura, não sabe como lutar e pelo visto nem usar chakra; o que faz aqui?” – Dessa vez uma voz feminina, seguido de risadas.

Arfei cansado. Se quisesse durar nessa luta, teria que tapar os ouvidos e lutar, ou tentar.

É; o termo tentar seria mais apropriado.

Erguendo-me mais uma vez peguei minha espada e o encarei. “... Tem razão. Não sou forte, sou desajeitado, frágil e ainda mais, afinal não sei nem como se segura uma espada.” – Voz que saiu rouca. E com a bokutô a minha frente apertei-a fortemente usando as duas mãos. “Mas não me flagelem tanto, porque no final, será meu nome que perpetuará por séculos” – Com um sorriso meramente ilustrativo disse para todos, mas olhando especialmente o Uchiha parar a uns metros de distância.

Tentei imita-lo, separei meus pés, ajeitei meus joelhos e instintivamente a coluna enquanto puxava o fôlego.

“Você irrita.” – Cansado de falar e dizer o que para ele era óbvio, sibilou apontando-me sua espada.

E não mais consegui enxergar, foi como um vulto, uma assombração ou talvez um borrão negro? Aparecia e reaparecia tão rápido como quando sumia; cada vez mais próximo. Até que esse padrão foi quebrado e um vento percorreu minha espinha eriçando meus pelos.

Tentei virar o rosto enxergando o que tinha atrás e afastar-me, mas foi tudo tão repentino.

“Desculpe pelos hematomas.” – A dor não só na nuca como em diversas partes do corpo foi tanta que na verdade só senti perder aos poucos meus sentidos.

“Tche! Esses hematomas nada são se comparado às marcas que eu já...” – Um breu de escuridão e pronto desmaiara antes que pudesse completar.

Como quem desdenha queria amenos dizer que ele não me afeta ou que seus ataques são apenas mais uns no meio de vários, mas isso ficou no queria.

{...}

Um escuro tão profundo e penetrante que se não fosse à consciência que me impõe e o zunido agudo das cigarras suspeitaria sobre a possibilidade de ainda estar desmaiado ou quem sabe morto.

Incomodado pelo dor revirei-me. Só então dando conta da minha atual situação. Deitado sobre um fuuton ligeiramente macio em um cômodo largo embora inassimilável a essa altura do dia. Senti gotas descerem minha testa abaixo e então percebi um pano úmido, também o fato da parte de cima do meu kimono estar arrancada e feridas expostas.

Queria levantar não estava em casa ou em nenhum outro lugar que conheça logo seria plausível descobrir, mas meu ânimo era tanto que parecia estar condenado ao Seppuku...

Até que pelas frestas de um fusuma até então desconhecido fui desperte pela luz da lamparina que se aproximava, seu dono fazia questão de alertar sua presença segundo seus passos espalhafatosos.

Recolhi meu corpo para trás encostando minha cabeça à parede e pude vê-lo.

“Bom que acordou já se sente melhor?” – Depois do ranger do fusuma, perguntou aproximando-se lentamente e por fim agachando perto de uma bacia cheia d’ água. A luz fraca que se dissipava ao longo do quarto só me dava à visão de sua cicatriz e de longos cabelos presos.

Parei meus olhos nele por um bom tempo, minhas lembranças e noção do mundo me falavam o que eu não queria ouvir...

Quanto tempo? Embora lembrasse nitidamente de tudo; sabia que não ficara desmaiado por pouco tempo, as olheiras e a inchação alarmava.

...

Ele por sua vez desviou o olhar para o chão “Sinto muito, não deveria ter te deixado lutar, mesmo que fosse apenas um exame.”- Sem motivo algum se retratou.

Retirou o pano, enxugou, molhou novamente e tornou a colocá-lo a minha testa.

Fitava vagamente o vazio em clima de melancolia quando resolvi fechar os olhos e acomodar-me na cama. Poderia perguntar se passei, mas a resposta era tão boba e óbvia que só diminuía o meu eu, e isso era o que menos precisava no momento.

Suspiros e um silêncio; foi o que ele teve como resposta.

Palavras que ainda perambulavam pela minha mente me atormentando, recusava a acreditar, mas como nunca antes, agora aquelas palavras pareciam ser tão verídicas. – Você é fraco e não serve para ser samurai. – Isso ia muito além de ofensas para mim, eram palavras que se enraizavam na mente se tornando uma verdade absoluta mesmo que inconscientemente. Fracassei no meu sonho e objetivo de vida, prova maior do que isso há?

Inteligência só não basta se é que eu posso me denominar inteligente, porque se realmente fosse saberia que aqui não é meu lugar.

Quem sabe não estivessem certos; como samurai eu desse um ótimo lavrador? Apenas...

Depois de percorrer um caminho, traçar seu objetivo e fazer de tudo para alcança-lo, duas montanhas de emoções divergentes lhe aguardavam. É claro dependendo, se ganhasse seria o mais feliz e completo, mas se fracassasse... Um mero vazio lhe preencheria e sem se dar conta algo molhado e escorregadio rolaria face abaixo assim que lembrasse.

“Quando ficou sabendo do ocorrido, vossa majestade imperial mandou traze-lo até seu castelo, se encontrarão amanhã de manhã eu presumo” – Mudando de assunto.

Pelo menos agora sabia onde me encontrava. Ele queria falar comigo e isso eu entendia, tinha recebido aquela carta, mas não pude ir por forças maiores e como se não bastasse andei desmaiado por dias, mas me trazer até seu castelo?... Não queria ter gastos médicos, provavelmente.

Se recordando de algo quando olhou minhas cicatrizes “Como adquiriu essas feridas?” – Voz receosa como se tivesse medo da resposta. A luz da lamparina era fraca e muitas coisas deixavam passar despercebidas, mas as sobrancelhas arqueadas do Iruka-sensei não eram uma delas.

Talvez fosse essas feridas o motivo de meu fracasso? Não! Pelo menos não diretamente, mas quem sabe indiretamente? Servindo como um mediador que sempre me lembraria de quem sou? Marcas que com uma simples visão revelaria meu passado e meus temores?

Nada disso importava mais, procurar respostas no meio do nada não iria ajudar e para isso teria reservado toda a madrugada: divagar, pensar, reclamar, chorar, me reafirmar (ou pelo menos tentar)? Quem disse que conseguiria dormir sem antes fazer de tudo um pouco?

“Preciso descansar...” – Disse pausadamente ao passo que com força fechei os olhos me permitindo acomodar um pouco que fosse à cama. Uni o útil ao agradável, as dúvidas e a vontade de ficar só. E ele pareceu entender, pois incomodado não fui, o que era bom.

{...}

Minutos pareciam segundos e horas pareciam minutos. O tempo passou tão rápido como minha luta contra o Sasuke e antes mesmo do cantar dos pássaros e cacarejar das galinhas (aqueles que estranhamente não ouvi) já me encontrava de banho tomado, higiene feita e usando vestes novas, as quais me trouxeram provavelmente nos breves minutos que fechava os olhos dando trégua ao sono, bons cochilos eu diria, mas que mesmo assim não aliviaram as olheiras tão penetrantes que quase apodreciam o azul dos meus olhos...

É claro que com os primeiros raios de sol pude identificar o cômodo o qual residia, era fino, requintado e decorado apropriadamente; digno de um quarto qualquer no castelo do Imperador, mas que mesmo assim fugia insanamente da minha realidade.

Largo banheiro, extensa varanda e vasto em quase todos os sentidos.

E quando menos esperava ouvi leves toques no fusuma; não batidas que pediam permissão, mas sim aquelas que unicamente anunciavam presença, pois na mesma velocidade que o som se propagou a porta se abriu. Boas maneiras? Para quê?

Mulher alta que trajava vestes longas e preponderantemente brancas junto a pequenas sandálias, seu cabelo era preso em um coque por fitas coloridas e sua face levemente maquiada, olhos mais puxados que o normal e lábios finos. Bela.

“Vossa majestade imperial deseja lhe ver.” – Depois de uma reverência forçada e palavras arrastadas eu não saberia dizer se ela me deu licença esperando do lado de fora ou só não aguentava minha presença.

Estava meditando no centro do cômodo sobre uma almofada com estampa vermelha e dourada, procurando por um pouco de paz que tinha ou queria ter, mas a busca era difícil e árdua até que por fim desisti e com a mesma motivação de quem iria se jogar em uma fornalha a acompanhei.

Corredores espaçosos que interligavam quartos, salas, varandas ou simplesmente cômodos que tinham de tudo. Coloração avermelhada, verde musgo, branca entre outras cores exóticas que se espalhavam pela arquitetura feudal em conjunto com as decorações Budistas.

Pelas poucas vezes que visitara este palácio soube que estávamos no antepenúltimo piso, lugar onde residiam quartos de hóspedes do Imperador e acima deste estaria sua zona principal: um espaço exclusivo para o velhote.

Depois de traçar este curto, porém demorado percurso, não pude deixar de notar a correria de samurais pelos corredores e um estranho cheiro de fumaça. Algo corriqueiro pressupõe-se, mas não em épocas de paz.

Seguindo-a subi as escadas e atravessando um único corredor me deparei a uma enorme varanda a qual se podia contemplar uma visão privilegiada de Konoha e de seu particular jardim além de é claro: um portão. Escuro e bruto, composto de carvalho e detalhes dourados. Exibia duas bifurcações e no centro dele um simbólico anel provavelmente folhado a ouro e nele que a mulher tocou dando três batidas na porta.

– Silenciados, quietos e paralisados — assim que ficamos por longos minutos a espera de quem sabe – Desculpe a demora -, mas o que obtivemos não passou de um ranger irritante até a porta lentamente se abrir.

E vualá; a primeira coisa que vi depois daquele intenso brilho que cegara momentaneamente foi um tapete vermelho rodeado por fileiras e fileiras de homens em guarda e fortemente armados com lanças, lâminas e armaduras. Ao lado do portão outros dois guardas que arfavam devido à força que fizeram.

No fim do tapete uma luxuosa poltrona encoberta por uma fina cortina negra que impossibilitava qualquer visão sobre o Imperador, ao lado dela um senhor barbudo e idoso com vestes de nobre e pergaminhos na mão, (homem que não me era estranho). Por último um samurai ajoelhado defronte à poltrona que antes cochichava algo a Vossa majestade Imperial e agora se retirava a passos largos, esbarrando propositalmente em mim.

“Com sua licença, Imperador.” – Reverência que fez a testa da mulher tocar ao chão e tão logo se retirar. Deixando-me ali, parado, sozinho e sem a menor vontade de prosseguir.

Continua...

Notas finais
Então, o que acharam, gostaram? Comentem suas opiniões e o que acharam. Puts, naruto perdeu feio né? bem, se tiverem duvidas quanto a algo perguntem tentarei sana-las. E peço que se encontrarem algum erro por favor avisem ^^.