A Equipe Carter Gabriela Lancaster odiava mudanças.

Principalmente quando eram impostas.

E naquele momento, observando três veículos pretos estacionarem em frente à mansão, ela tinha certeza de que aquela mudança não seria pequena.

— Isso é completamente exagerado.

Ao seu lado, Beatriz observava pela janela.

— Finalmente concordamos em alguma coisa.

— Eu sempre concordo quando você está errada.

— Que grossa.

— Realista.

As duas continuaram observando enquanto homens de terno desciam dos carros.

Alguns carregavam tablets.

Outros pastas.

Todos pareciam excessivamente sérios.

— Parece filme de espionagem — comentou Ethan.

— Parece prisão domiciliar — corrigiu Beatriz.


*** Do lado de fora, Logan Carter analisava a propriedade.

Grande.

Muitas entradas.

Muitos pontos cegos.

Muitas vulnerabilidades.

Ele anotava observações enquanto os membros da equipe iniciavam a vistoria.

— Câmeras insuficientes no jardim leste.

— Anotado.

— Portão secundário sem monitoramento adequado.

— Resolver hoje.

— Cobertura da piscina vulnerável.

— Incluam na lista.

Logan era detalhista.

Porque detalhes salvavam vidas.

Ou as colocavam em risco.


*** Poucos minutos depois, William recebeu a equipe na sala principal.

— Sr. Carter.

— Sr. Lancaster.

Os dois apertaram as mãos.

— Agradeço pela rapidez.

— Segurança não costuma esperar.

William assentiu.

Depois olhou para a escadaria.

— Minha família está descendo.

Logan acompanhou o olhar.

E então viu.

Primeiro veio Ethan.

Curioso.

Tentando observar tudo.

Depois Beatriz.

Claramente irritada.

E por último... Gabriela.


*** Por um segundo, Logan lembrou da fotografia que havia visto na noite anterior.

Mas a foto não fazia justiça.

Ela era mais bonita pessoalmente.

Não por aparência.

Mas pela presença.

Confiante.

Elegante.

Segura de si.

Como alguém acostumado a carregar responsabilidades.

Gabriela também observou Logan.

Alto.

Postura firme.

Olhar atento.

E extremamente sério.


***

— Então você é o responsável por toda essa invasão?

William fechou os olhos.

— Gabriela...

— O quê? Foi uma pergunta educada.

Logan manteve a expressão neutra.

— Logan Carter.

— Gabriela Lancaster.

— Eu sei.

Ela arqueou uma sobrancelha.

— Isso foi um pouco assustador.

— Faz parte do trabalho.

***

Beatriz aproximou-se.

— E vocês vão seguir a gente para todo lugar?

— Sim.

— Inclusive encontros?

— Sim.

— Festas?

— Sim.

— Banheiro?

— Não.

— Graças a Deus.

***

Ethan começou a rir.

William tentou manter a seriedade.

Não conseguiu.

***

Durante as próximas horas, a equipe analisou toda a propriedade.

Enquanto isso, Gabriela tentava continuar trabalhando normalmente.

Tentava.

Porque a cada vinte minutos alguém aparecia.

— Precisamos verificar essa entrada.

— Precisamos trocar essa fechadura.

— Precisamos avaliar esse corredor.

— Precisamos...

— Vocês sempre precisam de alguma coisa?

O segurança apenas sorriu.

***

No fim da tarde, Gabriela finalmente conseguiu escapar para o jardim.

Levando um notebook.

E um pouco de paz.

Ou pelo menos foi o que imaginou.

Até ouvir uma voz atrás dela.

— Trabalhando novamente.

Ela virou-se.

Logan.

Claro.

Quem mais seria?

— Você está me seguindo?

— Tecnicamente, esse é meu trabalho.

— Engraçadinho.

— Me chamam de muitas coisas.

— Aposto que engraçado não é uma delas.

Pela primeira vez, Logan sorriu.

Pequeno.

Rápido.

Mas sorriu.

E aquilo surpreendeu Gabriela.

***

— Seu pai estava certo.

— Sobre?

— Você realmente tenta resolver tudo sozinha. Ela fechou o notebook.

— E você realmente gosta de analisar pessoas.

— Faz parte da profissão.

— Eu não sou um problema para resolver.

— Nunca disse que era.

Por algum motivo, aquela resposta ficou na cabeça dela.

***

Antes que pudesse responder, ouviram um grito vindo da casa.

— BIA!

— O quê agora? — murmurou Gabriela.

***

Os dois entraram correndo.

Encontraram Beatriz discutindo com um dos seguranças.

— Eu só queria sair!

— Sem informar ninguém.

— Eu tenho vinte e um anos!

— E ameaças ativas.

— Isso é ridículo!

— Concordo.

— Concorda?

— Sim.

— Então me deixa sair.

— Não.

***

Ethan começou a rir tão forte que precisou sentar.

Gabriela levou a mão ao rosto.

William suspirou.

E Logan apenas observou a cena.

Pela primeira vez em muito tempo, sentiu algo inesperado.

Aquela família era caótica.

Barulhenta.

Complicada.

Mas também era unida.

E, sem perceber, ele começou a entender exatamente por que William estava tão desesperado para protegê-los.

***

Naquela noite, enquanto a equipe encerrava o primeiro dia de trabalho, Logan observou a mansão pela janela do carro.

As luzes ainda estavam acesas.

Provavelmente porque os Lancaster ainda estavam reunidos.

Conversando.

Discutindo.

Rindo.

Vivendo.

Ele ligou o motor.

Mas antes de partir, seu olhar subiu até uma das janelas do segundo andar.

Gabriela estava ali.

Observando a noite.

Pensativa.

Por um breve instante, os olhares dos dois se cruzaram.

Nenhum deles desviou imediatamente.

Então ela fechou a cortina.

E desapareceu.

Logan soltou um pequeno suspiro.

Ligou o carro.

E foi embora.

Sem imaginar que aquele era apenas o começo.