O Caminho de Volta Para Você
5 Novas Rotinas
Uma semana depois.
Gabriela ainda não havia se acostumado com a ideia de ter um segurança.
Não que Miguel fosse desagradável.
Muito pelo contrário.
Esse era exatamente o problema.
Era difícil reclamar de alguém tão simpático.
— Você sabe que eu consigo abrir uma porta sozinha, não sabe?
Miguel segurou a porta do prédio da universidade.
— Sei.
— Então por que continua fazendo isso?
— Minha mãe me ensinou educação.
— E a empresa paga você para isso?
— Não. Essa parte é gratuita.
Gabriela tentou não rir.
Tentou.
Falhou.
Miguel sorriu vitorioso.
— Sabia.
— Não se acostume.
— Já me acostumei.
Os dias começaram a seguir uma rotina.
Miguel a acompanhava até a universidade.
Esperava as aulas terminarem.
Levava-a para a empresa.
Depois para casa.
E repetia tudo novamente no dia seguinte.
No início, Gabriela achou que seria sufocante.
Mas logo percebeu que Miguel tinha um talento raro.
Ele sabia quando conversar.
E sabia quando ficar em silêncio.
Naquela manhã, enquanto aguardavam o elevador da empresa, Miguel mostrou uma foto no celular.
— Essa é a Clara.
Gabriela observou a menina sorridente.
— Sua filha?
— A mais velha.
— Ela é linda.
— Puxou a mãe.
— E a mais nova?
Miguel deslizou para a próxima foto.
— Laura.
Gabriela sorriu.
— Você fala delas o tempo inteiro.
— Porque são as melhores pessoas que conheço.
— Isso foi fofo.
— Não espalha.
Tenho reputação a manter.
Na mansão Lancaster, Ethan também havia desenvolvido uma admiração quase instantânea por Miguel.
Principalmente porque o segurança parecia levar suas teorias absurdas a sério.
— Se um apocalipse zumbi acontecer, qual seria nosso plano?
Miguel pensou por alguns segundos.
— Supermercado.
— Eu sabia!
— Estoque de comida.
— Exatamente!
— E você precisa parar de assistir tantos filmes.
Ethan ignorou a última parte.
Nem todos estavam felizes com a situação.
Beatriz continuava reclamando.
Constantemente.
— Isso é ridículo.
— Já ouvi essa opinião — respondeu Gabriela.
— Eu não posso nem sair para tomar café sem avisar três pessoas.
— Porque existem ameaças.
— Que provavelmente são falsas.
— Você não sabe disso.
— Você também não.
Gabriela suspirou.
A irmã sempre encontrava algo para discutir.
Na empresa, William observava tudo discretamente.
A presença da segurança começava a tranquilizá-lo.
Mas não completamente.
As mensagens anônimas haviam parado.
O que era estranho.
Muito estranho.
Porque ameaças reais raramente desapareciam sem motivo.
Foi por isso que ele não gostou quando recebeu uma nova fotografia pelo correio.
Sem remetente.
Sem explicação.
Sem mensagem.
Apenas uma foto.
Gabriela.
Saindo da universidade.
Tirada claramente sem que ela percebesse.
William sentiu o estômago gelar.
Naquela mesma tarde, Logan apareceu na empresa.
Precisava discutir algumas atualizações do caso.
Gabriela o encontrou no corredor.
— Carter.
— Lancaster.
— Ainda me chama pelo sobrenome.
— Ainda me chama pelo sobrenome.
— Justo.
Por um instante, os dois ficaram em silêncio.
O suficiente para perceberem que aquela conversa estava estranhamente fácil.
— Como está Miguel? — perguntou Logan.
— Acho que ele gosta mais do Ethan do que de mim.
— Isso acontece com frequência.
— Então seu funcionário está me trocando pelo meu irmão?
— Definitivamente.
Gabriela riu.
E, por um segundo, Logan esqueceu que estava trabalhando.
Mais tarde, já em casa, Gabriela encontrou Ethan adormecido no sofá.
Um videogame largado ao lado.
Cobriu o irmão com uma manta.
Como sempre fazia.
Era um gesto simples.
Automático.
Cheio de carinho.
Sem perceber, Miguel observava a cena da porta da sala.
Sorriu discretamente.
E enviou uma mensagem rápida para Logan.
"Ela realmente cuida de todo mundo."
A resposta veio poucos minutos depois.
"Já percebi."
Miguel arqueou uma sobrancelha.
Talvez seu chefe estivesse observando mais do que deveria.
Naquela noite, antes de dormir, Gabriela recebeu uma mensagem.
Era de um número desconhecido.
Ela abriu.
E seu coração acelerou.
A mensagem continha apenas uma frase:
"Nem toda proteção será suficiente."
Pela primeira vez desde que tudo começou, ela sentiu medo.
Medo de verdade.
E teve a sensação de que algo muito pior estava prestes a acontecer.
Fale com o autor