O Calçado Alado

3 Leite Derramado, Um Olho Só E Giz De Cera.


O último dia de aula chegou e logo acabou. Peguei um ônibus para casa e desci no ponto. Caminhei uns cinco minutos até chegar em casa. Eu não tinha tanta coisa assim. Uma mala de rodinhas e uma mochila.

Eu entrei em casa, o tio Fred não estava em casa... Larguei minha mala de rodinhas no meu quarto. Ele é bem simples, tem paredes da cor do por do sol, uma cama de madeira, com um colchão normal. Colchas brancas com listras pretas e um travesseiro vermelho. Do lado tem uma escrivaninha do mesmo tipo de madeira da cama e um armário. Eu desfiz a minha mala de rodinhas. Só uniforme... Na minha mochila de costas tinham umas roupas normais e objetos pessoais.

Fiquei com preguiça de tirar a mochila de costas. Fui até a cozinha para tomar leite com achocolatado. Abri a geladeira, peguei o leite (tava numa caixinha super legal, com um desenho de uma vaca com roupas de dançarina de hula-hula) e coloquei num copo. Abri o armário e vi que não tinha achocolatado. AAAAAAAAAAAAAAAAAH! O QUE EU FAÇO COM ESSE LEITE? NÃO TEM CHOCOLATE!!!!BUA BUA! Ok, parei. Nisso acabei derrubando o copo, ele não caiu no chão, mas o leite sim. Eu fiquei triste, que dó do leite. Não chore pelo leite derramado, literalmente.

Eu estava com fome, então peguei uma nota de cinco reais que estava na mesa da cozinha e saí de casa. Comecei a caminhar, eu iria até a padaria, comeria um waffle e seria feliz. Mas um cara gigante, não tipo jogador de basquete, não. Era um cara com uns dois metros e meio, bem gordo enfiado num sobretudo de veludo verde, com um chapéu verde musgo. Claro que ninguém o notou, ele era invisível...

Eu virei uma esquina, ele também. Então me virei para ele e o encarei. Ele me encarou de volta. MEU PAI DO CÉU! Ele só tinha um olho! Maaaaaaano, que medo! Eu saí correndo e tropecei. Caí de cara no chão e esfolei minha mão direita. Minha pulseira não estourou. Ainda bem e... Desde quando eu uso uma pulseira?

A pulseira era de couro marrom e tinha um símbolo da paz com duas asinhas como pingente. O cara gigante de um olho só apareceu. E se ele tivesse que usar óculos? Como ele faria? Eu, sei lá o porquê, tirei minha pulseira e lá apareceu uma adaga. Uma adaga não. A adaga. Ela era de bronze, com o cabo cinza.

Eu não sabia o que fazer, se eu voltasse pra casa minha linda casinha seria destruída que nem um castelinho de areia. Então decidi correr até a casa de Juliet. Consegui chegar lá. Caí umas cinco vezes, derrubei sete pessoas e empurrei umas dezoito pra fora da minha frente. Bati na porta da casa dela. Ela atendeu e disse:

-O que aconteceu Annie?

Eu pensei em contar a história do leite e da padaria, mas achei que isso seria muito idiota. Então inventei uma história, nossa. Eu sou muito boa nisso, tem vezes que acho que é verdade...

-Eu estava em casa desfazendo minhas malas, aí eu encontrei uma pulseira. Quando eu a coloquei a adaga apareceu no lugar da pulseira. Eu olhei pela janela e vi um homem familiar. Esse homem estava me seguindo desde o passeio. Olhei melhor e ele só tinha um olho! Peguei uma mochila e coloquei tudo que era importante e corri para a sua casa!-olhei para trás e vi aquele tiozinho maldito e cegueta- Ai meu Deus! É ele!

-Entre Annie! Rápido

Juliet correu pro quarto dela e pegou uma mochila. Tacou um monte de coisas, que não me dei o trabalho de ver. É a casa dela, ela tem que ter privacidade, por isso fiquei vendo as fotos nos portas retratos. Peguei uma foto, eu e ela com sete anos. Eu estava com a cara toda lambuzada de sorvete ela estava com o nariz sujo e tinha bigodinhos de sorvete.

Fomos num parque e eu achei dinheiro. Compramos sorvete, ela estava andando na minha frente e do nada ela parou. Eu trombei com ela e com o sorvete. Fiquei toda lambuzada de sorvete. Aí com meu dedo indicador e sorvete fiz um nariz e bigodinhos.

Ok, voltei. O flashback acabou. Juliet escreveu um bilhete e largou na mesa. Fugimos pela porta dos fundos, que nem naqueles filmes policiais quando os bandidos estão tentando fugir. A diferença é que não somos bandidos.

Estávamos correndo quando vimos um táxi. Entramos nele e fomos ao Royal Dinner. Um restaurante que conheço desde meus oito anos de idade. Eu pedi giz de cera pro garçom e fiquei desenhando num guardanapo. Que foi? Me deixa ser feliz! Eu fiz um sol e uma borboleta com chapéu. Deois de uma meia hora a mãe dela chegou. Ela estava com uma blusa vermelha e calças brancas... E com um coque apertado. Urgh, não sei como ela consegue. Eu já tentei e pareia que estavam tentando arrancar todo o meu cabelo de uma vez... Ela disse:

-Juliet! Você cresceu! Annie! Como você cresceu! Estou tão feliz em ver vocês!- típico da Sra. Thompson, mas adoro quando dizem que cresci. Eu me sinto mais alta. Que lixo né? Aiai...

-Mãe!

-Não acredito que você está aqui!

-Mãe me deixa falar!

-Está bem! Conte-me tudo o que aconteceu na escola!

A Juliet contou o que aconteceu e eu coloquei alguns detalhes, tipo que a Medusa maltratava as cobrinhas inocentes... Quando ela acabou ela fez uma cara como se alguém tivesse pegado uma melancia e a espancado com um cacto. Depois comido a melancia com espinhos, e engasgado com eles. Ok, vou simplificar: ela fez uma cara de terror tipo OH! e disse:

-Garotas peguem suas bolsas e entrem