Notas iniciais
Após Ryan descobrir sobre sua origem, ele deve ir embora do vilarejo onde cresceu para sua segurança.

Porém, para não ter que se separar de seus fiéis amigos Karina e Renly, ele se vê planejando uma fuga.

O inesperado acontece.

Capítulo 2

A Fuga de Ryan



Ryan acordou em sua cama com dor de cabeça. Em segundos lembrou-se do que havia acontecido na noite anterior, e sentiu como se tivesse acontecido em seus sonhos, por parte desejou isso. O sol brilhava fortemente, e os pássaros cantarolavam anunciando um belo dia, apesar de ainda estarem no inverno.

Decidiu não pensar em mais nada e desceu as escadas rapidamente para tomar seu café da manhã e, em seguida, ir ao encontro de seus amigos para mais um dia de aventuras. La fora a neve começava a derreter e as flores voltavam á vida, com suas belas pétalas coloridas. Estava se trocando para poder se encontrar com seus amigos.

Seus melhores amigos, com quem sempre contava seus segredos e se divertia eram Karina, uma garota com a mesma idade que a sua, cabelos pretos e não muito longos, e Renly, um garoto bonito e alto que tinha uma família humilde, porém sempre feliz e acolhedora.

Desde criança, Ryan mantém a mesma e sincera amizade com eles. Sempre ajudavam uns aos outros em variadas situações. Na escola se divertiam, ajudavam as pessoas do vilarejo sempre que pudessem. Enfim, a amizade que tinha com eles era a mais pura de todas.

Ryan já estava pronto e desceu as escadas de dois em dois degraus. Mas antes que colocasse seus pés para fora da porta sua mãe lhe chamou.

– Ryan! Preciso falar com você querido!

– Precisa ser agora?

– Mas é claro! Ou será agora ou nunca mais.

– Tá bom. – disse Ryan desanimado. Encontrou sua mãe na poltrona ao lado da lareira. Sua avó estava localizada do outro lado da sala sentada em uma cadeira velha fazendo crochê.

– Filho, sua avó e eu decidimos de uma vez por todas lhe contar sobre o seu pai. — iniciou Mary.

Ryan sentiu uma euforia crescer dentro dele. Finalmente. Depois de anos, saberia a verdade.

– Tudo começou á muito tempo atrás. Em uma época onde você ainda não era nascido. Eu era filha de um dos... Um dos magos mais poderosos que existiu depois de Merlin...

– Espera! Merlin, você disse? O mago das histórias da vovó?

– Sim querido, ele mesmo! – fitou-o com um olhar de desconfiança – Por que me perguntou sobre Merlin, mas não ficou surpreso por dizer que sou maga?

– É que... Eu ouvi a conversa de vocês ontem á noite. Desculpe-me.

– Menino esperto! He, He, He. – disse sua avó com um sorriso de aprovação.

– Isso significa que não adiantou nada eu ter escondido isso ontem. – Mary falou desapontada.

– Continue querida. Continue. – incentivou.

– Bem... Onde eu estava? Ah, quando seu pai e eu nos conhecemos eu era filha de um mago poderoso. Foi dele de que herdei os poderes. Mas seu pai... Ele me amava tanto. Seu pai era uma pessoa boa, e era um mago também, e um dos bons. Mas ele não gostava da ideia de namorar uma garota cujo pai fosse mais poderoso do que ele. Foi quando descobri sua verdadeira face. Ele desafiou o meu pai á um duelo, e com a ajuda de magia das trevas... Ele ganhou.

Porém, antes que meu pai morresse, lançou lhe um feitiço que fez com que seu pai fosse aprisionado em uma espécie de cápsula de gelo onde nunca poderia sair de lá. O gelo não derreteria nem com o mais poderoso raio de sol ou algum tipo de magia de fogo, pois o feitiço recitado pelo meu pai foi o seguinte: “Glaciem dissolvit potens tantum cum sanguine!”.

– E o que isso quer dizer? – perguntou Ryan.

– O feitiço na maioria das vezes é em latim ou celta, e esse significava que a única coisa que pode derreter o gelo é o sangue. Mas não é um sangue qualquer filho, é o sangue de seu herdeiro. O seu sangue. – disse apontando para ele. — Era por isso que naquela noite o velho estava á sua procura. Só você pode libertá-lo. Mas não acabou ainda. Antes de ser totalmente congelado, seu pai disse que iria se vingar e se tornar o maior mago de todos os tempos e que iria dominar o mundo.

– Por que nunca me disse? Porque nunca usou seus poderes?

– Vivemos em um vilarejo, onde feitiçaria é proibida. Se descobrirem alguém que faz bruxaria ou algo do tipo, queimam na fogueira.

Ficou com medo. Essa era a razão de esconderem suas verdadeiras faces.

– Mas você não poderiam se defender? Como eu fiz?

– Não filho. Nós protegemos as pessoas! Não atacamos elas!

Ryan olhou para o chão e viu algumas malas, já com algumas roupas dentro.

– O que é isso? Vamos viajar?

– Temos que mantê-lo seguro filho. Por isso partiremos pela manhã.

– Partiremos? Para onde?

– Para qualquer lugar que não seja esse vilarejo. Moramos aqui á décadas e seria fácil descobrirem onde você está.

– Descobrirem? De quem está falando?

– Dos seguidores de seu pai. Há muitos deles e o que houve ontem foi apenas o começo. Muitos outros virão atrás de você.

– Mas mãe! Hoje é meu aniversário! Não quero me despedir de meus amigos!

– É para seu próprio bem querido.

E subiu com as lágrimas transbordando pelos olhos. Não queria ir embora. Vivera ali desde que nasceu, e amava muito este lugar. E seus amigos Renly e Karina. Não queira deixa-los de forma alguma. Foi com a imagem deles em sua mente que ele engoliu o choro e desceu mais uma vez as escadas em direção á porta. Não podia ficar triste, pois era seu aniversário, iria comemorá-lo da maneira mais legal. E correu em direção á casa de seus amigos.

10 de Setembro era uma data muito especial para ele. Os outros integrantes de sua família vinham de lugares longínquos para a comemoração do aniversário de Ryan Salvatoriam, o que a família considerava extremamente importante.

Este ano seria mais especial ainda, pois Ryan faria dezesseis anos de idade, e para a família toda, quando um jovem chega á essa idade, veem grandes responsabilidades.

Mas Ryan não achava que os costumes de sua família deveriam ser levados á sério. Chegando á casa de Renly, bateu três vezes na porta e esperou. Ouviu o barulho da porta sendo destrancada e atrás dela Renly apareceu com seu rosto rosado e alegre.

– Ryan! Mas que surpresa á essa hora da manhã!

– Renly, preciso falar com você.

– Claro, mas antes disso, vamos para o nossa Cabana Secreta, para que ninguém... Cadê a Kary? – perguntou olhando em volta.

– É verdade! Como pude me esquecer dela?! Vamos chama-la também!

– Então quer dizer que vocês iam á Cabana Secreta sem ao menos me chamar? – disse a voz de Karina.

Renly virou-se, mas não havia sinal algum de onde tinha vindo à voz da Karina.

– Estou aqui em cima! – gritou. Então eles olharam para uma grande árvore ao lado da casa de Renly e viram-na lá em cima sentada em um dos grossos galhos da árvore com as pernas balançando pra lá e pra cá. Estava com o vestido sujo e segurava um embrulho de pano. Era bonita com os cabelos lisos e pretos, com lindos olhos castanhos.

Pulou da árvore com um salto.

– Achou que me esqueceria desse dia?

– Que dia? – Ryan fingiu.

– Deixa de ser cabeça oca. O seu aniversário é claro.

– Ah é! Quase me esqueço.

– Olha o que trouxe para você. Comprei na padaria agora á pouco. – Karina abriu o embrulho e um delicioso bolo de chocolate com pequenas cerejas em cima estava lá.

Ficou realmente impressionado dessa vez. Adorava bolo de chocolate, e duvidou muito que teria um á sua espera de noite, já que estavam para partir do vilarejo. Ryan deu um abraço forte em Karina, que lhe retribuiu com um beijo no rosto. Não pode evitar ficar corado. Disfarçou.

– Feliz Aniversário, cabeça oca. – disse com um sorriso.

– Feliz Aniversário maninho! Mas não espere que eu vá te dar um beijo também! – disse Renly puxando para um abraço também.

– Já tenho quinze anos! Quando foi que nos conhecemos?

– Nossa! Acho que desde que tínhamos seis anos! – disse Karina

– Lembro que o Renly era baixinho. Zoávamos muito ele.

– Mas agora estou alto e ninguém mais me zoa!

– São apenas quinze anos Renly, virão muito mais.

– Será? – Estava pensando no que sua mãe tinha dito. Sobre seu pai querer mata-lo.

– Mas é claro que sim. – disse Renly.

– Venham! Vamos comer! – Karina pegou o bolo que tinha por baixa uma forma, e se sentou embaixo da arvore que estava á poucos momentos.

Eles a seguiram e se sentaram também. O sol estava forte apesar da estação do ano. Isso possibilitou que a neve fosse derretida e eles pudessem se sentar na fraca sombra sob a árvore.

– Está uma delícia! – disse Renly com a boca cheia.

– Uhmmm – disse Karina após o primeiro pedaço.

– Deve ter sido caro Karina! Não precisava te comprado.

– Cala a boca Ryan! O dinheiro é meu e faço o que quiser com ele!

Renly engoliu o bolo e perguntou.

– O que você queria me dizer... Digo, nos dizer?

Ryan olhou para os lados e viu que muitas pessoas passavam pela rua de paralelepípedos.

– Não pode ser aqui. Tem muita gente.

– Nossa! As pessoas estão longe Ryan! Ninguém vai nos ouvir! – disse Karina.

– Mas e se ouvirem?

– Deve ser sério mesmo... – Karina olhava para Ryan.

– Vamos pra a nossa Base Secreta! Lá eu falo.

– O que estão esperando? – disse Karina embrulhando o restante do bolo e se levantando. — Vamos logo antes que alguém nos veja!

E saiu em disparada deixando os dois para trás. Correram em volta da praça central, e pela rua principal.

Antes de chegarem perto da montanha, se esconderam por trás de feno e montes de madeiras e barris de vinho até que, enfim, chegaram á parede de uma das montanhas onde havia uns arbustos grandes com flores brancas. Atrás dos arbustos uma passagem se abria para a escuridão da caverna. Karina tomou à dianteira enquanto Ryan e Renly ficaram um de cada lado aguardando.

Ela olhou para os dois lados certificando-se de que estavam sozinhos e voltou sua atenção para a entrada da caverna. Retirou de trás dos arbustos um pequeno lampião que acendeu com um fósforo retirado do bolso do seu vestido e acendeu-o. Suas sombras ficavam tremeluzindo no interior escuro da caverna.

Era como se fosse um pequeno labirinto com várias entradas, nem todas com a mesma saída e tinha as paredes com aspecto esverdeado. Depois de uns dez minutos caminhando silenciosamente pelos túneis, se depararam com uma porta de ferro com um estranho desenho de dragão em relevo na porta. Estava trancada, pois não havia lugar algum aonde por uma chave ou algo do tipo.

Karina levantou o braço e enfiou o dedo indicador no olho do dragão que afundo, e ainda com o mesmo dedo puxou-o fazendo um círculo completo e fazendo em seguida uma reta vertical. Quando retirou o dedo, ouviram um estalo e a porta abriu-se com um pequeno ranger.

O lugar era grande, circular e aparentava-se muito com uma biblioteca. No fundo, havia uma lareira que estava apagada. Em frente à lareira, duas poltronas cor de vinho, ao redor do lugar, muitas prateleiras cheias de livros e frascos com cobras, escorpiões, aranhas, minhocas e muitas outras coisas asquerosas e assustadoras.

Um longo baú de madeira ficava no canto.

No centro uma mesa retangular com seis cadeiras estendia-se. Em um canto, em frente á uma prateleira tinha uma escrivaninha longa com muitos papéis, tintas, penas, e uma xícara vazia.

E tudo isso era iluminado por um lustre circular com muitas velas.

Karina colocou o embrulho com o bolo em cima da mesa. Apanhou um dos fósforos que tinha no bolso do seu vestido e começou á acender a lareira. Renly se sentou na outra poltrona e Ryan ficou em pé.

– Espere um pouco.

Foi até a mesa e puxou umas das pesadas cadeiras de madeira para perto da lareira, que agora tinha chamas vivas dançando e iluminando mais o lugar. Karina se sentou na poltrona.

Os três se encararam por um breve momento até que Karina cortou o silêncio e disse ansiosa:

– E então? O que ia nos falar?

– Ah é! – Ryan respondeu fugindo de seus pensamentos – Verdade! Tinha até esquecido!

– Hoje você está se esquecendo demais das coisas. Está tudo bem?

– Não sei. Estou um pouco confuso.

– Então fala logo, antes que se confunda mais.

– Eu pretendo fugir de casa.

Renly e Karina se olharam e disseram ao mesmo tempo:

– Como assim?

– Aconteceu uma coisa onde que eu queria falar pra vocês.

– Está esperando o quê? Desembucha!

– É! Desta vez não tem ninguém aqui para ouvir nossa conversa!

Então, Ryan respirou profundamente e começou á falar do acontecimento da noite anterior.