O Cajado Da Primavera
12 Missão decidida
Notas iniciais

–-- Bom... Vocês já têm as informações de como vão chegar, e aonde irão. Acho que já está tudo decido. --- Finalizou Perséfone.
–-- Mas onde exatamente ela vai estar lá? --- Perguntou Will confuso.
–-- Para isso meu filho, ela --- Perséfone se direcionou a mim. --- Vai ser necessária, não posso saber onde exatamente ela está, sinto um frio diferente por lá, então só pode ser Despina, mas o local, somente alguém que tenha seus sentidos afiados para o frio, que vai poderdescobrir. Acha que pode isso, Srta. MacCartney?
Engoli a seco, acho que finalmente caiu a ficha de que estava realmente em uma missão, mas não iria mais voltar atrás, iria encarar o que quer que viesse à frente. Perséfone me encarava com seus olhos verdes, a pergunta continuava pendurada em seu olhar.
–-- Sim. --- Assenti respondendo, tentando soar o máximo determinada e calma.
Seus lábios se contornaram em um sorriso.
–-- A propósito, fique absolutamente tranquila, resolverei tudo com seu pai. Vou garantir que possa ir à missão sem se preocupar com ele, ou ele com você. Mas não conte que está indo em uma missão, ele é um pai coruja pelo que eu percebi, então obviamente seria difícil leva-la daqui, e não quero causar discórdias nas famílias.
Concordei, era mais tranquilizador, ultimamente eu vinha pensando bastante em como iria contar a ele sobre a missão... Claro, após tudo acabar pode ser que eu conte, mas por enquanto, não quero preocupa-lo.
–-- Isso é tudo o que tenho para vocês. Podem voltar para suas casas.
Demos por fim “encerrada” nossa pequena reunião. Nós levantamos e quando estávamos saindo do café, Perséfone me parou por alguns instantes puxando meu braço, Will ia à frente, por isso não percebeu. E então quase como um sussurro ela falou com um tom um pouco preocupado e ao mesmo tempo afetuoso.
–-- Ele está tentando mudar... Sabe, ele é um bom garoto. Sempre foi...
Olhei para ela um tanto curiosa, Will realmente não deve ter sido sempre assim, isso explica a maneira como às vezes ele parece esconder algo, ou apenas tentar esquecer... Mas resolvi não perguntar, essa não era uma boa hora, e mesmo assim, se houvesse algo, eu queria descobrir dele próprio. Então deu um sorriso tranquilizador para Perséfone e arrisquei um comentário engraçado.
–-- Não vou congelá-lo, pode ficar tranquila.
Perséfone sorriu, e voltamos a andar, só então Will percebeu que estávamos mais para trás e se virou. Olhou para nós duas rindo e então fez uma expressão confusa.
–-- Mulheres... --- Ele revirou os olhos e sorriu. --- Sempre cochichando e rindo, como vocês conseguem ficar cumplices tão rápido?
–-- Um dia meu filho, você vai nos entender melhor. --- Falou Perséfone. --- Somo como uma planta muito delicada, uma espécie exótica e desconhecida.
–-- De plantas eu entendo mãe. --- Replicou ele. --- Já vocês, quem sabe... Quem sabe...
Alcancei Will e de repente, quando me virei, Perséfone havia sumido... É de estremecer sentir que alguém acaba de sumir do nada, qualquer um se desesperaria, mas era uma deusa, apareceria no lugar que quisesse da forma que quisesse. Eu e Will ficamos em silencio, não falamos nada. Resolvi “quebrar o gelo”, (ok, essa foi péssima, mas admito, algumas vezes tenho que controlar meus clichês).
–-- Rússia... Sempre achei um lugar diferente. --- Falei.
–-- Sempre achei um lugar que me lembre de um sotaque engraçado. --- Disse Will.
–-- Espero que possa realmente sentir Despina quando chegar lá. --- Acabei dizendo, isso me afligia um pouco, mas achei que podia dizer a Will, ele merecia saber já que não era só eu que estava em jogo na missão.
–-- Você vai com certeza.
Só então durante a caminhada ele olhou diretamente pra mim, com aqueles olhos penetrantes, aquelas palavras dele me deram um formigamento estranho, como uma espécie de gatilho... Acho que se ele acredita em mim, tudo vai ficar mais fácil.
–-- Sabe que vai ter que engolir um pouco do seu orgulho não sabe? --- Arrisquei comentar. Ele franziu a testa sem entender. --- Você não pareceu muito amigável com Jake, vamos ter que ir até ele e pedir um favor.
Will suspirou.
–-- Claro... Jake. --- Disse ele com um pouco de desapontamento em sua voz.
Avancei o passo e parei na frente de Will com os braços cruzados e um pouco intrigada, Will parou de caminhar também.
–-- Por que não gostou dele? --- Perguntei arqueando minhas sobrancelhas.
Will cruzou os braços igualmente e me respondeu.
–-- Sabe como é, filhos de “Apolo”, os legais! Irradiam luz e alegria por onde passam, lalalala, estão sempre cantando.
–-- E qual o problema em alguém ser... Alegre?! Logo você falando algo desse tipo...
Will desviou o olhar e mordeu levemente seu lábio inferior, ele não estava me contando tudo... E claramente essa expressão dele não me ajudou muito a me concentrar no que eu estava querendo saber.
–-- Jake é um cara legal, ele era... Meu único amigo durante minha infância. --- Falei descruzando meus braços. Will voltou a olhar pra mim, com um olhar mais compreensivo. --- Na escola eu sempre me senti mais retraída, como se eu espalhasse uma “aura fria”, pouquíssimas crianças falavam comigo, mas então, Jake era reluzente como o sol e foi o primeiro a falar comigo, ele estava sendo machucado por brincar e correr, e sempre me arrastava para as brincadeiras, então...
–-- “Pode por favor, se dar bem com ele?” --- Will me imitou concluindo minha frase, achei que ele estava debochando, mas ele sorriu e puxou minha mão. --- Ok... Vou ser simpático, sorridente, amigável, eufórico, saltitante...
–-- Hey hey --- Interrompi o censurando e apertando sua mão. --- Só seja... Você!
–-- Isso será ótimo para ele, já que sou uma pessoa maravilhosa. --- Disse Will com um sorriso convencido.
–-- Arram... --- Falei estreitando os olhos e devolvendo um sorriso. --- Agora vamos que não consigo parar de pensar nos Waffles que meu pai sempre faz no café da manhã.
–-- Após o café devemos ir falar com Jake? --- Perguntou Will.
–-- Acho melhor esperar Perséfone resolver a respeito do meu pai, só então falaremos com ele, prontos para a possível carona de Apolo.
Will concordou e voltamos a andar, nossas mãos ainda continuaram entrelaçadas durante todo o percurso, quando enfim chegamos nos separamos, e estranhamente, senti uma pequena pontada de frio em minha mão.
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