O Caderno da Peregrina
27 Página XXVII
Notas iniciais
Querido leitor,
Saiba que evitei o caderno por meses, na esperança de que algo melhorasse. Não melhorou. No último dia do ano, a vontade de escrever falou mais alto e aqui estou, como nos velhos tempos. Reler esse caderno hoje não me fez lá tão bem, sabe? Relembrar tudo, sentir novamente aquele misto de sentimentos confusos de uma só vez, ver os altos e baixos que passei... Me dói notar que só ressaltei os piores momentos para você. Houveram muitos acontecimentos incríveis entre eles, que talvez eu não tenha dado o seu devido valor... Não sei...
Nesse ano, conheci pessoas incríveis, conheci pessoas babacas, presenciei coisas incríveis, presenciei coisas horríveis, amei muito e muito fui amada, magoei e fui magoada, ajudei e fui ajudada. Eu senti. Eu vivi. Não dei o meu melhor, admito, mas aprendi a lição e estou disposta a mudar.
O espírito do Ano Novo me envolveu, entrando em conflito com todos os meus ideais negativos sobre essas coisas; eu realmente quero mudar meu jeito de ver a vida, quero ter um ano bom, mesmo com as dificuldades que todos temos que passar. Eu quero ser feliz e descobri, finalmente, que a felicidade não espera, mas que temos que correr atrás dela.
E foi isso que eu decidi hoje, sentada no chão frio do meu quarto, observando os raios de Sol entrarem por entre as frestas da cortina: que eu vou ser feliz. Sei que já disse isso antes, que já fiz tantas promessas para você de que abraçaria o lado bom da vida e voltei tão acabada quanto antes. Mas dessa vez, sinto algo diferente, posso te assegurar que eu cumprirei minha promessa.
Pessoas mudam.
Eu mudei.
E espero ter te mudado também.
Cuide-se, caro amigo.
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