O Caderno da Peregrina
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Hoje, reservei o dia para a saudade.
Saudade dos dias ensolarados e quentes vistos pelos olhos de uma criança despreocupada. Sentia falta dos velhos tempos, daquele Sol acolhedor, daquela chuvinha reconfortante, das brincadeiras na rua, da caça ao "besouro" , da "colheita de amoras". Sentia falta dos sorvetes depois do jantar, da melancia que manchava a roupa, dos dias que voltava toda cheia de cortes e lama, de quando minha única preocupação eram os vilões de vídeo-game. Saudade do barulhinho seco que as folhas velhas faziam quando esmagadas por meus sapatos, saudade das corujas, grilos e cigarras que me faziam companhia nas noites difíceis. Sentia falta de quando tudo era belo e inocente, de quando meu criado-mudo era repleto de brinquedos, não de antidepressivos, sentia saudades das "grandes caminhadas pela floresta", da brisa que balançava as árvores , das noites do pijama, dos piqueniques, dos passeios com a família...
Sentia falta de ouvir MPB pelo rádio com mamãe, de fazer um simples dever de casa ou ignorá-lo completamente para ir nadar. Ah, que saudade...
Saudade de quando a vida era vida mesmo, de quando eu vivia, não sobrevivia. Saudades. Saudades de tudo o que era bom. Saudades de noites sem lágrimas e bem dormidas, e de molhar meus dedos com o orvalho que deixa tudo mais vívido.
Sentia saudade hoje, de tudo o que passei e vivi em um curto dia, vou senti-la para sempre, eu sei disso, tenho conhecimento, também, de que ela só vai aumentar. Sinto falta de ter a companhia que você me faz. Saudade de rir de verdade, de esquecer a tristeza aqui de dentro.
Eu tinha saudade, sabe?
Saudade de você...
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