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A dor é cortante, como vários espinhos perfurando a tua pele, o sentimento queima e perturba a alma que antes estava quieta. Mas para toda a ação há uma reação, e nisso podemos ver os fatores que colaboram com este sentimento.

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— Charlotte? — minha mãe chama enquanto termino de escrever no caderno.

— Estou aqui mãe! — grito em resposta, o corpo cambaleando, as lágrimas tentando escorrer, mas a força de vontade as consomem guardando elas novamente.

— Está no horário. — disse ao entrar em meu quarto, o vestido preto marcando os motivos deste dia, as têmporas avermelhadas, os olhos marejados ameaçando uma nova tempestade.

Sim, o luto é uma droga. É um tipo de dor, como uma agulha perfurando a pele macia e a endurecendo.

— Estou pronta, estava apenas...

— Eu sei, ele ficaria feliz em saber que está fazendo um bom uso do caderno. — disse fungando o nariz, ela está prestes a chorar, mas ela não deve, não até termos chegado no cemitério.

— Vamos mãe? — ela assente.

Descemos as escadas e seguimos rumo ao carro cor de abacate, os sentimentos agora nos derrubam, mamãe deixa as lagrimas escorrerem por sua pele branca, os olhos azuis agora não são reconhecidos os sons de choro não cessam e tão pouco cessaram, o momento fúnebre é um dos quais a nossa família mais expressa os sentimentos, na verdade é o único momento em que podemos chorar e soltar nossas emoções.

— Chegaremos em 15min. — avisou Charles, motorista por um dia.

— T-tudo bem. — disse ela puxando uma grande quantidade de ar para seus pulmões.

— Vai ficar tudo bem mãe! — consigo dizer, repeti as palavras que uma vez ela usou em mim, quando perdi Black, meu gato preto.

— Sim. — suspirou aflita.

O caminho foi dolorosamente silencioso, não se passavam mais de 2 minutos sem que minha mãe não derramasse as suas lágrimas, mas não é que eu ache ruim, afinal ela perdeu sua alma gêmea, seu amor, o seu marido, o pai de seus filhos. Sua cabeça permanecia esconstada na janela, talvez em uma péssima tentativa de não vê-la chorar, é incomum chorarmos, mas quando acontece temos vergonha.

— Chegamos. — disse Charles desligando o carro. — A senhora deseja esperar um pouco?

— Não. — suspirou e rapidamente limpou o rosto. — Podemos ir.

— Sim senhora. — Charles abriu nossas portas e seguimos adiante para dentro do cemitério.

O céu estava negro e as nuvens se ajuntavam rapidamente, era como se Deus estivesse de luto, como se ele ficasse triste pela perda de meu pai. A chuva em breve chegaria, como prova de que ele estivesse chorando conosco. Ao redor do caixão que guardava o corpo de meu pai, nossos familiares e nossos amigos estavam aqui para nos apoiar. Meus amigos estavam aqui, meu irmão estava aqui.

— Mãe. — chamou meu irmão, seus olhos estavam iguais os de minha mãe, a tristeza descia agora de seus olhos e juntos choraram.

— Ele me deixou Eduardo. — chorou copiosamente.

— Ele te amava mesmo assim mãe. A senhora sabe. — chorou meu irmão, os abracei e ali choramos juntos.

— O que irei fazer aqui? Estou tão sozinha! — gritou.

Enquanto nos abraçamos, minha mãe chorava ainda mais, o caixão deslizava para a escuridão, a terra cobria as coroas de flores e buquês de rosas que foram jogadas com muito custo em seu caixão, a dor era dilacerante, mais eu tenho que permanecer forte, tenho que ser forte pela minha mãe, afinal eu não apenas perdi um pai, mas sim um grande amigo, um companheiro de farra e de conversas durante as noites interrompidas.

— Adeus papai. — sussurrei quando o último conjunto de terra foi jogado, o cobrindo por inteiro.

— Ah meu Deus! Devolve ele por favor! — berrou minha mãe, meus amigos a seguraram enquanto a sua crise após perda disparou em seu corpo.

— Carol, por favor, não dificulte! — choramingou Joyce, mãe de Jane, minha melhor amiga.

A chuva começou a cair, a crise de perda passou, e minha mãe desmaiou de tanto chorar, provável que sua cabeça começou a doer tanto que ela não pôde fazer absolutamente nada. Voltamos pra casa e lá, Eduardo, Jane, Dylan e Daylan fizeram companhia para mim.