Minha cama está uma bagunça. Mesmo que ontem eu estivesse em modo tanto faz eu deveria pelo menos ter arrumado as coisas, ou jogado os materiais para o chão. Agora estou com uma certa dor no corpo. Parabéns Charlotte, você é uma idiota.
Guardo meus materiais, e os deixo dentro da mochila, e vou direto para o banho.
Assim que volto do banho me arrumo e desço as escadas quase correndo e levando um tombo.

— O que houve? Está mais apressada que o normal. — diz minha mãe colocando um jarro de suco de laranja na mesa.

— Hoje é um dia feliz. — forço um sorriso. Eu na verdade quero ver a Jane.

— Claro que é. — sorriu meu pai subindo pelas escadas do porão. Outra vez ele passou a noite em claro?

— Amor, você acha que isso é Jaz? — mamãe olhava pro meu pai com um sorriso enorme.

— Provável.

— Tá legal. Hoje vocês estão bem empolgadinhos né? — digo pegando um copo com suco, e duas fatias de pão.

— Hoje é só um dia feliz.

Agora pronto. Os dois riam de mim e eu deles. Terminei de comer e mandei mensagem pra Jane.

Charlotte: Oieee, diz por favor que você não tem nada para fazer hoje?

Jane: Você tem o dom de mandar mensagem na hora exata que estou mexendo no celular.

Charlotte: Aqui é ninja amore. Agora me responda!!! Necessito de conversar. Emergência. 190!!!

Jane: Mdsssss!!! Tô chegando. Mentira. Mamãe está saindo agora para o trabalho. Vou ver se consigo passar ai. Flw.

Saio de dentro de casa e espero do lado de fora. Sentada justamente na escadinha.

— Tenha um bom dia. — diz meus pais pela janela. E aquele sorriso. Oh sorriso praguento.

A buzina do carro da tia Joyce me desperta e saio em um solavanco.

— Bom dia tia Joyce. Desculpe pelo pedido repentino.

— Tudo bem. — ela abre a porta e já me sento logo atrás.

— Bom dia Jane-Jane. — ela ri, mas logo seu copo dá uma volta de quase 180 graus e me encara.

— Desembucha. Conta tudo. — tia Joyce ri.

— Jaz disse que me ama. — soltei de uma vez e tanto Jane quanto tia Joyce arregalaram os olho.

— M-mas não faz nem 1 ano de namoro. — diz tia Joyce.

— Que 1 ano mãe. Nao faz nem 2 meses. Esse menino é louco? — disse revirando os olhos, a mão no queixo fazendo a expressão pensativa. — Ah se os gêmeos souberem disso. — sussurrou mais para ela mesma do que para mim, o que me deixou com um grande ponto de interrogação.

— Do que você está falando?

— Nada, nada, nada. O mais importante é: o que você disse?

— Eu também. — suspirei.

— Isso está mal. Muito mal. — disse tia Joyce. — Ele vai insistir mais e mais e na próxima vai querer ouvir o : Eu te amo.

— Pelo menos não foram essas palavras.

— Não? — disseram as duas e eu neguei com a cabeça.

— Ele só disse: Amo você. E eu entrei em choque e disse eu também.

— Mãe? — disse Jane já pedindo conselho, as vezes era assim. Tia Joyce era uma ótima conselheira, talvez sejam os genes da família. Ja que tia Joyce é irmã do meu pai. Os dois são tão parecidos.

— Isso é complicado Charlotte. Ele está pedindo uma prova de amor. Ele está duvidando de você.

— Mas porque? E... ahm? Não faz sentido.

— Será que é pelo Dylan? As vezes ele dá em cima descaradamente. — diz Jane analisando os fatos.

— Ou pelo Daylan? — diz tia Joyce pensativa.

O carro para e lá está o Shopping. Estou evitando Jaz neste momento, espero não o encontrar aqui. Essas coisas não são para mim. Eu não deveria ter aceitado o pedido. Afinal mal nos conhecemos. Droga.

— Fiquem bem. — sorriu tia Joyce — Fique tranquila Charlotte, você é forte.

Seguimos para fora do carro e Jane gruda em mim. Jaz deve estar em algum canto daqui. Meu coração palpita. Meu Deus. Estou com medo de encara-lo, não foi nada demais. Mas não quero dizer que amo ou eu também. Já basta uma única vez.

— Relaxa que ele não está aqui. — sussurrou Jane.

— Oi tchutchucas. — diz Dylan separando Jane de mim e nos abraçando. — Sentiram saudades de mim?

— Meu Deus! — digo levando a mão ao peito, que susto. — Sério. Jane você disse a esses dois patetas que estaríamos aqui?

— Eu? — e lá vem o sorriso culpado de Jane. — Desculpa.

— Tudo bem. Então para onde vamos? — pergunto e Dylan sorri.

— Tenho uma ideia.

— Desde que não seja aquele parquinho infantil. — se pronuncia Daylan.

— Juro. Se Daylan não falasse agora eu não teria notado sua presença. — provoca Jane.

— Palavras são inúteis em algumas situações. — ele se cala outra vez.

— Você é tão sério. — reclama Jane sorrindo.

— Qual era a ideia? — me volto para Dylan que tem um sorriso.

— Cinema. Eles sempre resolvem nossos problemas.

— Ok. Jane o que você falou exatamente para eles? — pergunto e ela dá aquele sorriso culpado. De novo.

— Talvez tudo?

— Ela desembuchou até a alma. — Dylan envolveu o braço por cima dos meus ombros. — Relaxa tchutchuquinha vai dar tudo certo.

— Argh! Que irritante. — ele riu de mim. — Vamos logo para o cimema assistir algum filme.

— Parece que Capitão América está em cartaz. — Dylan se anima, ainda com os braços envoltos em meus ombros caminhamos pelos corredores do Shopping.

Dylan se soltava cada segundo. As piadas sem graça eram contadas mas era inevitável não gargalhar alto, até mesmo Daylan ria, na verdade segurava para não rir. Ele era assim. Eles eram assim.

— O-ou. — disse Jane nos fazendo parar de andar. — Jaz e companhia.

Companhia?

Me viro para encara-lo e la está ele e seus amigos, e algumas garotas.

— Charlotte, qual o verdadeiro motivo de você e a Andressa terem se afastado? Vocês eram amigas não é? — disse Jane chamando minha atenção para ela.

— Ela era invejosa. Eu disse era? Ela é. — suspiro. — Vamos ver o filme.

Eu realmente não quero falar sobre esse assunto. Andressa foi uma grande amiga, porém ela é problemática. De problemas basta eu e mais ninguém.

Continuamos andando pelos corredores e sempre olhando para todos os lados, porque eu realmente não estava pronta para lidar com aquelas palavras.

"Amo você".

Aquelas palavras martelavam minha pobre consciência. Será que esse sentimento era recíproco?

Enquanto Dylan me permanecia em seus braços, Daylan olhava cada loja e olhava para mim e depois Jane, e ela estava justamente olhando para todas as direções, que nem eu.

— Merda. — diz Jane saindo do lado de Dylan e indo para o lado de Daylan. Está se escondendo.

— Carlos? — ela assente. — Mas vocês não terminaram? — ela assentiu.

— É complicado. — ela suspira.

— Gruda no Daylan, ele não terá coragem de se meter com alguém enorme e de cara fechada. — Daylan me encara e ri.

— Então vamos trocar. — diz Dylan me soltando e já puxando Jane, enquanto eu e Daylan ficamos apenas um do lado do outro.

O cinema estava na nossa frente, Dylan e Jane fingiam ser um casal apaixonado, e eu e Daylan andávamos apressados para dentro do cinema.

— Jane? — chamou um cara.

Não podia simplesmente tudo dar certo?

— Carlos? O que foi? — ela se recompõe.

— Quem é esse cara?

— Sou o namorado dela. — Dylan sorri.

Como em qualquer outra situação, Daylan já fica na defensiva, seu braço segura o meu protetoramente, enquanto ele está pronto para saltar a qualquer momento. E Dylan sorri normalmente e Jane está tremendo da cabeça aos pés.

— Então você já está em outra. — riu o cara, mas não tinha absolutamente nenhum humor.

— Ok. Desde quando isso é da sua conta? — ele mantinha o sorriso, então o cara se aproximou e ele fechou totalmente sua expressão.

— Quero ver ele tentar algo. — sussurra Daylan ao meu lado, suas mãos permaneciam em meu braço.

— Carlos é um frango. Fique tranquilo. — digo pondo minha mão em sua mão que prendia o meu braço.

— Nenhuma. — pigarreou Carlos.

— Então nos dê licença. — Dylan puxou as mãos de Jane e seguiu adiante e partiu cinema.

Não sei se sou eu, ou isso conta com eles também. Mas não estou entendendo nada desse filme. Ok. Capitão América é meio que sobrenatural? Quem é o cara na armadura de ferro? Meu Deus só tem tiro nessa...

— Você está fazendo uma expressão de quem não está entendendo nada. — sussurra Daylan.

— Eu realmente não estou entendendo nada. — sussurro de volta só que bem indignada.

— Mas é tão fácil. — zombou.

Tento assistir outra vez. Vai que agora entendo?

Saímos do cinema e eu já tinha esquecido os meus problemas, espero que Jane também. Não que eu tenha o 100% esquecido, mas agora são bem menores e estou mais aliviada. Só não tenho que ter medo dessas palavras. Certo? Certo!

— Foi foda. — Dylan agarra a cintura de Jane e a puxa para seus braços. — Isso sim que é filme.

— Seria se eu conseguisse entender direito.

— Aposto que Charlotte só entende filmes da Barbie. — brincou Dylan e rimos alto.

— Calado. — ele ri mais.

— Bom tudo fica bem quando termina bem. — afirma Jane.

Caminhamos para a entrada do Shopping e lá estava Jaz e Andressa. Ah não. Pelo amor do Homem de Ferro por sua secretária.

— Ah desgraçada invejosa. — digo encarando os amigos de Jaz e ela tentando alguma coisa com suas amigas tietes.

— Sério que ela está tentando o Jaz? — perguntou Jane incrédula.

— Sério que eu tenho que ver isso? — Dylan parecia começar a ficar irritado.

— Querem comer? — perguntou Daylan.

— Me pergunto se é uma boa ideia.

— Vamos. Comer de vez em quando é bom. — zombou Dylan.

E lá fomos nós. Desviando nosso caminho da saída do Shopping para justamente a praça de alimentação. Pizza para todos.

— Mandei mensagem avisando minha mãe. Ela disse que iria avisar seus pais Charlotte.

— Obrigada. Você me salva muito Jane. Te devo a minha vida.

— Então a Charlotte é da Jane que faz com que Jane seja minha, já que a salvei hoje. Ou seja: as duas são minhas. Mas se parar para pensar Daylan me salva o tempo todo. O que faz todos nós... — encaramos Daylan e ele comia sua pizza normalmente.

— Sim. Vocês são meus. — Daylan brincou, mas não sorria.

— Meu Deus. Vai chover hoje. Daylan fazendo uma piada.

— Ha ha ha. Você é hilária.

— Eu aposto que essa atitude tem os dedos da Charlotte. Não é minha tchutchuquinha?

— Dylan. Para. — ele riu e me mandou um beijo.

— Até que essa pizza está boa. — sorriu Jane. — Hoje o dia até que está bonito.

Fomos levados para casa com a família dos gêmeos, já que a tia Joyce iria se atrasar por conta do trabalho. A família deles era bem louca, Dylan e Daylan tinha ainda dois irmãos mais novos. E eles eram simplesmente incríveis. Nos fizeram rir durante o caminho inteiro para casa. Mas foi ruim nos despedir. Os irmãozinhos ficaram tristes.

— Amanhã podemos nos ver. — as crianças sorriram.

— Sério? Aonde?

— Como é verão podemos ir na piscina pública. — eles se agitaram e pude ver a felicidade dos irmãos mais velhos.

— Claro!

— Até amanhã.

Essa foi a manhã mais complicada que já tive. Nunca pensei que iria me esquivar tanto assim de Jaz e de seus amigos. Sem mencionar aquela invejosa da Andressa.

— Como foi a manhã docinho? — perguntou meu pai sorrindo.

— Sério que você ouviu o Jaz? Achei que esteve trabalhando no porão ontem.

— Pra falar a verdade eu saí correndo para o andar de baixo. — ele manteve o sorriso.

— A palavra de hoje é tchutchucas pai.

— Dylan tem uma criatividade surpreendente.

— Afinal, Dylan é o Dylan.

— É uma excelente explicação tchutchuca. — gargalho alto e ele também. Meu pai é incrível. — E como foi?

— Nos divertimos muito. É bom de vez em quando não é?

— Claro.

— Como está o seu projeto super secreto? — pergunto e o vejo sorrir.

— Estou finalizando os testes. E em breve irei terminar.

— O senhor consegue. Afinal é do meu pai que estamos falando.

— Vai por mim. Teu pai é mara né?

— Pai... — ri. — gente velha não deve usar gírias deste século. É vergonhoso.

— Ah, me deixa. Vai tomar banho que você já está fedendo. — diz com a mão no nariz.

— Como você é chato.

Vou para o andar de cima e deixo as roupas jogadas no chão do quarto. Me enrolo em uma toalha e vou direto para o banho.

Porque é um dos únicos momentos que consigo distinguir meus pensamentos.

Notas finais
Oie, o que está achando? Comente e me deixe saber! Beijos do Texas!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.