O Caçador Meio-sangue
2 Irmã
Notas iniciais
O abraço quente de sua irmã o deixava em transe. Sentia algo. Um alívio. Pelo menos tinha alguém de sua família e seu sentimento de solidão se foi.
A armadura do corpo da garota estava entre os dois, doía um pouco para Dante pressioná-la em seu corpo, mas não o bastante.
— Espere, o que tá acontecendo? Não tô entendendo nada. — Disse um garoto de cabelos pretos e olhos esverdeados como duas esmeraldas. — Quem é ele, Quíron?
— Ele é o irmão da Annabeth?
— Isso foi uma pergunta ou uma resposta?
— Eu não sei, Percy, até eu estou confuso agora. — Respondeu o centauro tão confuso quanto qualquer um.
Annabeth parou o abraço, tirou o capacete, o que desfez o rabo de cavalo e continuou encarando o irmão mais velho. Suas duas mãos seguravan seu rosto e sentia-se aliviada ao mesmo tempo que já despertou em si um amor por ele, como se laços sempre os ligassem e estivessem predestinados a se encontrar e queria continuar abraçando para sempre.
— Você é filho de Atena?
— Sim. Eu... — Segurou suas mãos ainda em seu rosto. — Pode parar de amassar minha cara? Sei que gostou de saber que sou seu irmão, mas podemos conversar ao invés de... — Annabeth pareceu não escutá-lo e continuou apertando-o com as mãos. — Para! Vai acabar me matando assim. — Exagerou.
Ela tirou as mãos do rosto do garoto que começou a massagear os locais apertados e doloridos.
— Pessoal, já sabemos de quem ele é filho! E além do mais, é meu irmão! — Gritou contente.
— Ela tá estranha com esse negócio de irmão. — Sussurrou um.
— Acho que eles se perderam ou algo assim.
— Mas isso não é o Jason e a Thalia?
— Ah é... — Foi empurrado bruscamente. Virou-se, mas não reuniu coragem para reclamar de Clarisse, filha de Ares, líder dos filhos de Ares.
A garota forte andava entre os semideuses e não se dava o luxo de encarar o novato. Continuava de cabeça erguida demonstrando seu orgulho.
— Quem é este novo pirralho? — Perguntou apontando para seu nariz.
— Eu? Só um filho de Atena, e você?
A menina contorceu os lábios e franziu a testa.
— Clarisse, filha de Ares, nerdinho. — Resmungou.
— Clarisse! — Quíron chamou olhando seriamente. — Pare com isso, ele é apenas um novato.
— Matei um minotauro.
— Eu mataria este fácil, sorte de principiante! — Rosnou.
— Todos vocês! Vamos voltar! — Quíron chamou a todos, deu as costas e todos foram atrás de si até o acampamento deixando Annabeth e Dante sozinhos.
Annie olhou triste para Dante.
— Olha, me desculpe pela Clarisse. Ela sempre faz isto.
— Tudo bem. Ela quer proteger todos aqui de algum perigo ou possível traição. Faria de tudo pelo acampamento. — Olhou para ela. — É uma garota fácil de ler.
Annabeth assentiu.
— Pode me chamar de Annie... Pode ser até mais fácil. — Sorriu virando-se ao lugar onde o centauro entrou. — Siga-me, tenho que mostrar o chalé onde você vai ficar! — Disse empolgada.
A vista da colina era incrível. Os campos de plantação de morangos, a praia com o chiado das ondas salgadas se quebrando, uma subida num morro com uma queda fatal a um amontoado de pedras. Construções em estilo grego, chalés formando um U em torno de uma lareira com uma espada encravada, um pátio de alimentação, etc.
— Tenho que ver uma velha amiga. — Seus olhos se prendiam à lareira e sentia-se como sê visse algo passando pelas chamas.
— Oh, está bem. Quem seria?
— Héstia. — Desceu correndo a colina para sentar próximo à fogueira com uma espada. Sentou-se de pernas cruzadas e fechou os olhos como numa meditação e os abriu, e agora a menina, Héstia, brincava como sempre com as chamas ss fogueira.
— Fico feliz que tenha encontrado sua irmã. Você não parece ser daqui. — A deusa o encarou com olhos vermelhos.
— Você me conhece, sabe que não sou daqui.
— Não neste sentido. — Largou o graveto e passou a olhar para as chamas com seu vestido de cor laranja-avermelhada bem próximo ao fogo. — Você pertence a outro lugar.
— Acampamento Júpiter?
— Não. — A deusa balançou a cabeça negando. — Você mesmo deve descobrir. É algo que prometi não contar a você, mas antes disso, um futuro sombrio o aguarda... É o que posso lhe dizer.
— Então eu vou criar o apocalipse? Ou impedí-lo?
— Também não. — A deusa se transformou numa jovem. — Não posso lhe dizer mais nada, somente isto. — Levantou-se e tirou o vestido de chamas. Dante ficou vermelho ao vê-la, mas tentou continuar naquela posição.
— Por que você está tirando as roupas?
— Ficar numa lareira o dia todo vendo o mundo é cansativo, então eu preciso de um banho, não?
— Tá, mas por que está forma? Parece que para uma deusa virgem você gosta de chamar certas atenções.
— Adeus, Dantinho. — A deusa sorriu e virou as costas para ele.
— Dantinho? Caramba, ela tá mesmo estranha, é a Héstia normal? Ou talvez não queira mais ser virgem, sei lá, mas por que eu? — Coçou a cabeça e suspirou. — Bom, eu deveria ficar é feliz... Não, a forma natural dela é de uma eterna criança, isso é errado não é?
— Dante! — Chamou um de seus meio-irmãos do chalé de Atena. — Annabeth nos mandou mostrar a você o acampamento, então...
— Sério? Legal, vamos ver o que tem então! — Levantou sorridente.
Na casa grande, Annabeth e Quíron estavam a sós conversando em particular, e o tema da conversa seria, é claro, Dante. As palavras de Quíron sobre alguma profecia que o envolvesse fez com que Annabeth arregalasse os olhos e, sem forças, sentasse no sofá.
— Está falando que...?
— Que a vinda de seu irmão não é coincidência? Sim. Ele é mais forte do que imaginamos ser, foi treinado por um grande homem e será melhor do que qualquer um de nós.
— Não, eu não vou deixar... Não vou arriscar perder ele, não quando o encontro e posso conhecer ele.
— Sei que pela primeira vez você sentiu um amor de irmão, mas é o destino dele. Ele deverá fazer isto para impedir ataques aos semideuses de Júpiter, que estão exagerados. Atena quer protegê-los, então precisa de seu irmão, Annabeth.
A menina ficou imóvel por um tempo. Sabia que seu irmão era forte e arriscava dizer que seria mais ou igual a Heracles.
— Então tá, mas... O que mais tem na profecia por ser sombria, como você disse?
— Não posso dizer, mas quero que impeça seu irmão de ter contato com Rachel! Ele pode ficar muito triste e deprimido ao ver que destido o aguarda. — Quíron segurou seus dois ombros e olhou aos olhos da garota.
— Mesmo assim, ele precisa. É o destino dele.
— Espere! O destino dele envolve a todos. O destino dele já está dado, ele já sabe de uma parte, sua missão, mas não deve saber de mais nada. Apenas eu sei, e se ele falar com o Oráculo... — Se interrompeu e encarou o chão. — Alguma coisa está acontecendo no Olimpo para pedirem que Morfeu me mande uma mensagem. — Voltou-se para Annabeth. — Quero que o faça sentir-se bem.
Annabeth apenas assentiu e saiu da casa. Viu o que todos estavam fazendo pelo acampamento dali, uns saíam do Templo das Divindades, outros apenas andavam por ali conversando, filhos de Hermes carregavam objetos para o chalé de Hefesto, além dos chalés para os filhos de deuses menores.
Annabeth se espreguiçou quase que vendo os próximos trabalhos que tinha pela frente.
— Annie! — Gritou Silena correndo em sua direção e mostrou um dos projetos que os de Atena trabalhavam com os de Hefesto. — Charlie queria que desse uma olhada nesse. Pode servir para proteger o acampamento. — Apontou para as quimeras mecânicas.
— Parecem boas. — Olhou atentamente ao projeto. — Fogo pela boca de leão, gás pela serpente e magia dos filhos de Hécate na parte do bode nas costas do felino. — Parece forte. Fale para que tenham certeza do que vão fazer e que reconheçam bem semideuses nossos. Ah, você viu o meu irmão?
— Seu irmão? Ah, aquele bonitinho que chegou há pouco tempo?
— Quê?
— Nada. — Usou a prancheta para tapar a boca. — Isso não deveria ter saído. Eu vi ele indo ao chalé de Atena com outros dois.
— Ótimo, tenho que falar com ele.
— Falar? Ele fez algo?
— Não e... Por que está preocupada?
— Você parece brava com algo.
Ela suspirou:
— Não, não estou brava, é que... Tenho que ver ele, não o vejo desde que... Bem, nasci, então...
— Ah, está bem. — Ela virou as costas. — Boa sorte com o gatin... Meu Zeus! — Tapou a boca novamente. — Tem certeza que ele não é filho de Afrodite?
— Não, acho que puxou a beleza da irmã. — Brincou e riu antes de que Silena saísse dali, então foi até o refeitório onde Dante já fazia amizades. Que bom que já se deu bem com Percy, mas o desafio mesmo era Clarisse. Estava com ele, os Stoll e o Nico.
— Então você já enfrentou monstros antes de saber do acampamento? — Perguntou Nico. — Como você sabia deles, como matá-los ou mais ainda... Sobre tudo. Todos os conhecimentos que você tem seriam de alguém que estaria no acampamento há um tempo.
— Eu tive um Mestre. Um velho que antes era de uma tripulação de algum pirata, mas agora prefere viver em algum lugar calmo. Ele se dizia diferente de qualquer outro semideus deste acampamento como se fosse de algum outro lugar, mas ainda não existia.
— E isto faz algum sentido?
— Para mim? Não. Mas ele era bem forte. Embora seja velho, é apenas aparência.
— Uau. Se tiver algum capture a bandeira gostaria de ver como você vai. — Riu.
— Oi, posso pegar meu irmão emprestado?
— Claro. — Os Stoll responderam juntos.
Dante a seguiu até entrarem no chalé que estava vazio, pois todos os filhos de Atena estavam ocupados com os projetos com os de Hefesto.
Todo o corpo de Dante se arrepiou quando ouviu em suas costas a porta se trancando.
— Por que está trancando a porta? — Tentou não demonstrar nervosismo.
— Para termos um momento a sós.
— Pera, então... Não sabia que incesto era permitido.
— Quê incesto o quê? Só quero conversar! Você é bonitinho até, mas não é tudo isso!
— Onde estão suas coisas?
— Ali. — Apontou para uma cama com uma bolsa em cima.
— Ótimo. Outra coisa: não confie coisas aos filhos de Hermes. São bons amigos, mas desconfie sempre de suas honestidades. — Vasculhou a bolsa do irmão para ver se teria uma armadilha nela.
— Eu mesmo já vi aí, irmãzinha, não tem nada.
— Já tá pegando o jeito?
— Nossos irmãos falaram.
— Ah tá. — Sentou-se ao seu lado na cama e por um momento ficaram calados.
— Obrigado. — Disse Dante.
— Pelo quê?
— Você sabe. Ter aparecido na minha vida. Por ser minha irmã. Pensava que não tinha ninguém até você me abraçar pela primeira vez e quase me matar.
Annabeth quase chorou. Quase.
Segurou a mão do irmão com as suas.
— Awn, que fofinho você é. — Brincou. — De nada, mas eu que deveria agradecer. Você sabe, do nada descobrir que tem um irmão. Sempre pensei que tivesse alguém e que minha reação fosse tentar matar você... — Dante a olhou com medo. — Tô brincando. — Riu. — Só quero que saiba que você conseguiu. Liberou um sentimento que eu nunca tinha sentido antes.
— Tenho que confessar uma coisa também. — Falou segurando suas duas mãos. — Eu não a tinha reconhecido porque fazia muito tempo que a vi. Quando você foi entregue a seu pai, eu fiquei do lado de fora. Estava vendo você dentro daquele cesto dos deuses. Pensei que nunca mais a veria quando toquei a campainha. Minha mãe me deixou fazer isso.
— Ok, agora não dá para segurar. — Falou enxugando umas lágrimas e Dante colocou sua mão em seu ombro. — Eu te amo, irmãozinho. — Disse soluçando com as mãos no rosto tentando conter as lágrimas.
— Eu também.
— Não, tá errado. Deveria dizer "Eu te amo mais". — Brincou aproximando a cabeça do seu ombro.
— Você sabe que é verdade. Eu te amo mais.
— Por favor, não vá para sua missão.
— Eu preciso. Minha mãe mandou que fizesse isto. É como uma missão especial, sabe?
— Se você não voltar vivo vou até o inferno te resgatar.
— Só não olhe para trás quando tentar, ok?
— Não vou. — Respondeu.
Fale com o autor