* * * Mansão Kido – Atenas, Grécia * * *

Área Externa da Mansão – Jardim

Saga

Fiquei não sei por quanto tempo sentado no jardim, pensando e repassando tudo o que o Shaka havia me falado e me mostrado. Ouvi passos correndo ao longe, me virei e vi o Mask correndo com o Pólux. Acho que ele me viu e veio correndo na minha direção, fazendo os pelos movimentarem pela corrida e com a língua para fora, mesmo sabendo que naquela velocidade provavelmente ele me derrubaria, me preparei para o impacto e recebi o abraço forte e as lambidas dele. Mask chegou em seguida, se sentou e falou ofegante por ter corrido.

(Máscara da Morte) – Sassá??? Eu disse que uma hora ele ia descobrir que você não era a versão possuída do Nonon.

Sorri.

(Saga) – Sim, pelo jeito, hoje ele descobriu isso.

Continuei fazendo carinho no pescoço do Pólux e olhei para o Mask, estava abatido.

(Saga) – Você está bem?

Ele olhou para baixo e olhando para a sua aliança a girava no dedo.

(Máscara da Morte) – Ainda não está sabendo que o Dite e eu nos separamos?

Ouvi incrédulo.

(Saga) – Como se separam se vocês dois se amam?

Ele respirou fundo e me contou sobre o Dite e o Lune, primeiro amor, promessas e o reencontro deles. Falei sinceramente.

(Saga) – Eu sinto muito, sei como se sente.

Ele acenou que sim.

(Máscara da Morte) – Mas eu tenho que acreditar... na verdade, eu preciso acreditar que o Dite ainda voltará para mim, senão não conseguirei continuar sem ele e sempre sonharei que ainda vou tê-lo nos meus braços novamente.

Concordei, era exatamente o que eu estava fazendo.

(Saga) – Acreditar nisso fará todo o tempo de espera valer a pena...

Ele secou as lágrimas.

(Máscara da Morte) – Isso, mesmo, Sassá. Então não posso perder as esperanças, preciso ficar bem para quando ele voltar eu possa estar pronto para enchê-lo de amor novamente.

Puxei um sorriso.

(Saga) – Faça isso, tenho certeza que não terá que esperar muito para isso acontecer.

Ele puxou um sorriso e secou o resto das lágrimas, se levantou.

(Máscara da Morte) – Valeu, Sassá.

Nos viramos em direção aos passos que ouvimos.

(Antonela) – Bom dia, meninos.

(Saga) – Bom dia.

(Máscara da Morte) – Bom dia.

Pólux saiu na direção dela e pulou a enchendo de lambidas. Sorrindo para ele, ela disse:

(Antonela) – Bom dia para você também, Pólux.

Antonela olhou para o Mask e se aproximou dele o abraçando.

(Antonela) – Eu sinto muito pelo o que está passando, Mask.

Ele retribuiu o abraço.

(Máscara da Morte) – Valeu, Ela, eu vou ficar bem.

Mask olhou para nós dois e chamou o cachorro.

(Máscara da Morte) – Prometi para o Pólux que brincaria com ele, vamos filho!

Os dois saíram correndo para os fundos da mansão.

*

Antonela

Voltei a atenção para o lindo homem ao meu lado, o olhava enquanto ele via o Mask e o cachorro se afastando, e pelos deuses! Não sei se algum dia conseguiria olhá-lo sem sentir absolutamente nada, porque era impossível não suspirar ao vê-lo. Resolvi me sentar ao seu lado, queria conversar, toquei no seu braço fazendo ele olhar para mim. Seus olhos azuis penetrantes se encontraram com os meus e ele claramente ainda estava abatido.

(Antonela) – Como você está? Estou preocupada com você, não o vi no café da manhã, você conseguiu dormir, se alimentou?

Ele me olhava e acenou negativamente com a cabeça.

(Saga) – Não dormi, mas eu sabia que a minha noite seria assim. Ainda não estou com fome. – Ele olhou para a aliança no seu dedo – Nesse momento a minha mente está concentrada totalmente nela.

Respirei fundo.

(Antonela) – Não acha que usar essa aliança só vai atrapalhar com que siga em frente e supere esse término?

Ele começou a rodar a aliança com o polegar da mesma mão e com a voz calma me disse.

(Saga) – Essa aliança é a prova do quanto ela tentou me provar que me amava.

Ele olhou para mim.

(Saga) – Não tenho que superar o meu término, tenho que saber como revertê-lo.

Minha nossa! Ele ainda queria esse relacionamento com a senhorita Kido.

(Antonela) – Vai tentar reconquistá-la mesmo sabendo que ela já fez a escolha dela? Ela está noiva do senhor Milo, não é?

Ele puxou um sorriso e balançou a cabeça em negativa.

(Saga) – Não preciso que ela termine com o Milo, eu só preciso que ela me dê uma nova chance para voltar para a vida dela.

(Antonela) – Vai querer voltar para um relacionamento onde já tem outro com ela, assim como você estava antes dela noivar?

Ele olhou para frente.

(Saga) – Desculpe, Antonela, não é culpa sua por não entender esse tipo relacionamento.

(Antonela) – Bom, seja lá qual tipo esse relacionamento é, claramente é um que você não quer.

Ele olhou para a grama.

(Saga) – O problema não está aí, ainda que eu a tivesse com exclusividade, eu teria estragado tudo com ela novamente. Teria provado para mim que eu não a merecia e a teria afastado do mesmo jeito.

Fiquei confusa.

(Antonela) – Então está dizendo que o problema nesse relacionamento com várias pessoas está em você por querer um relacionamento monogâmico? Não faz sentido!

Ele olhou para mim e respirou fundo.

(Saga) – Descobri a pouco tempo que esse problema de ter mais de um envolvido, de exigir um relacionamento dela somente comigo, nada mais era do que eu criando as mais variadas desculpas para me afastar dela pois eu não me achava digno de tê-la e de tanto insistir em fazer e dizer coisas que a magoaram, enfim consegui perdê-la.

Ele levou as mãos ao rosto, tapando os olhos.

(Saga) – Preciso arrumar essa bagunça que eu causei! Achar um jeito de provar para ela que eu mudei, que agora eu entendi o que eu estava fazendo para feri-la e a mim também.

Respirei fundo.

(Antonela) – Tem certeza de que quer esse tipo de relacionamento conturbado para a sua vida?

Ele tirou as mãos do rosto e olhou para o céu.

(Saga) – Toda a turbulência sempre foi criada por mim e eu não quero mais isso.

Ele me olhou.

(Saga) – Eu entendo que para você o problema esteja no tipo do relacionamento, nela ou nos outros envolvidos, afinal eu não te contei detalhes, mas acredite em mim quando eu digo que eu era o problema da relação.

(Antonela) – Tem razão, eu não consigo ver nada de errado em você que justifique o que está passando agora. Saga, por que você não se abre para o novo? Esse relacionamento com ela claramente só te fez sofrer.

Ele respirou fundo.

(Saga) – Eu preciso me desculpar com você, sinto muito por ter te trazido para dentro dessa minha bagunça emocional! Mesmo sabendo que você sentia algo por mim eu não tive a responsabilidade de pensar como você ficaria depois de tudo.

Peguei no seu braço.

(Antonela) – Saga, não tem que me pedir desculpas, eu adorei cada momento ao seu lado! E quanto ao que você estava passando emocionalmente eu só queria que você enxergasse o mesmo que eu sempre vi, o homem maravilhoso e que vale muito a pena lutar.

Ele olhou para a grama e balançou a cabeça em negativa.

(Saga) – Não tem como você lutar por mim, essa é uma batalha que já estava encerrada muito antes de você aparecer na minha vida. A única coisa que faltava a ser decidida era se eu viveria ao lado dela ou como agora, eu morreria tentando voltar para a vida dela.

Ele olhou para mim.

(Saga) – Percebe que o que me resta é somente uma opção agora?

Eu tinha que fazer alguma coisa, não poderia perdê-lo assim.

(Antonela) – Não se feche assim, por favor, sei que a ama, mas...

Ele interrompeu a minha fala, fechou os olhos e balançou a cabeça em negativo.

(Saga) – Você não tem como saber o quanto eu a amo e necessito dela, de como a minha vida não tem o menor propósito sem ela, porque tudo o que fiz ao seu lado foi mostrar exatamente o contrário, eu estava claramente procurando mais desculpas para estragar o meu relacionamento com ela, mas isso não é culpa sua.

Respirei fundo, ele olhava para frente, me mostrando o perfil perfeito do seu rosto.

(Antonela) – Você tem razão, posso estar vendo apenas um pedaço dessa história que você me mostrou, mas isso não muda o que eu sinto por você, Saga. O meu amor por você eu sei que é real, então a minha pergunta é, você tem certeza do amor dela por você?

Ele fechou os olhos por um instante e depois os abriu olhando para baixo, para a sua aliança.

(Saga) – Você e ninguém nunca conseguiriam entender o que ela já fez por mim, eu passaria o dia inteiro me lembrando de cada coisa que ela teve que enfrentar, suportar, se humilhar, se submeter, para depois de tudo isso ainda assim me pedir em casamento e colocar essa aliança no meu dedo – ele secou uma lágrima antes de escorrer pelo rosto – Mulher nenhuma passaria por nada do que ela teve que passar para me provar que me amava, que ela sempre estaria lutando por mim, pelo meu amor...

Com o olhar triste olhou para mim.

(Saga) – Antonela, desejo muito que encontre um homem que lute por você e a ame ao ponto de se anular para te conquistar dia após dia, que não se importe em dar a própria vida se for necessário para te proteger, que faça você se sentir amada nos braços dele, que faça seus dias serem únicos pelo simples fato de olhá-la com paixão provando que você é única! – Ele se levantou – Assim como a Atena fez por mim todos os dias em que a tive.

Eu me levantei também.

(Antonela) – Saga...

Ele me olhou.

(Saga) – Então agora você sabe que o mínimo que eu tenho que fazer, é lutar por ela, reconquistá-la, não importa como e nem quanto tempo precisarei para atingir esse objetivo, mas é exatamente o que estarei fazendo de agora em diante.

(Antonela) – Saga...

(Saga) – Tenho que ir, mas não quero que se preocupe comigo, preciso que entenda que assim como desejo a sua felicidade, se você quer a minha também, então sabe que a minha está nela e por isso preciso lutar pelo amor dela.

Droga! O que eu podia fazer? Apenas acenei que sim com a cabeça, eu não conseguiria argumentar mais, ele se fechou completamente.

(Antonela) – Claro que quero a sua felicidade, Saga! Ainda que não compreenda isso vou te desejar sorte na reconquista com a senhorita Kido.

Ele puxou um sorriso lindo.

(Saga) – Obrigado, era importante eu ouvir isso.

Ele saiu me deixando sozinha no jardim dos fundos.

* * *

Notas finais
Continua...