O Brilho no Olhar
4 Capítulo 4
Notas iniciais
– E onde estão eles? — Eu pergunto curiosa.
– Em um acampamento que tem em todo final de ano na escola deles! Paguei muito caro para eles irem. Mais nada é comparado a felicidade deles — Ela responde visivelmente alegre e sinto meus olhos arderem e uma lágrima escorrer pela minha face — Por que choras menina?
– Por nada, não seu preocupe estou bem! — Eu disse.
– Pode me contar — Ela insiste.
– Você fala orgulhosa dos seus filhos e mesmo os erros que eles comentem não faz você querer a infelicidade deles — Eu disse e desabei. — Por mais que eu tentasse agradar minha mãe, ela sempre me ofendia, me humilhava! Na escola eu sofria de racismo por causa da cor da minha pele e até minha própria mãe fazia isso.- Ela vem até mim e me abraça, e pela primeira vez eu sinto uma abraço com carinho, com ternura.
– Sei que é difícil, mas você não sabe quantas pessoas vão a praia, a bronzeamento artificial para conseguir ter o seu tom de pele? E mesmo assim não conseguem. Não se envergonhe de você, fique feliz por ser tão bonita! — Ela fala sorridente. Palavras tão reconfortantes a dela — Pode contar comigo — Diz e me emociono, mais me seguro para não chorar.
– Obrigada — Digo e sorrio. Ela afaga minha cabeça.
– Por nada. Vamos! Precisamos passar na lavanderia antes das 21hr — Ela diz e me puxa para fora.
Nós começamos a caminhar. Pelo que Maria disse a lavanderia era na quadra seguinte, conversamos muito e chegamos a tal lavanderia, pegamos as roupas e fomos embora, também conversando muito, chegamos em casa, me despedi e fui para meu quarto.
[...]
Os dias decorreram rapidamente, eu não vi mais o filho da Raquel e como ela trabalha muito, eu a vejo pouco. Eu e a Dona Maria nos tornamos amigas, sempre estávamos em companhia. No dia em que fui em sua casa para ajudá-la a pegar os materiais que torna o serviço dela mais fácil, ela me disse que foi a Raquel que deu a casa para ela morar. Ela mora perto da lavanderia, na verdade uma rua depois, a casa era bonita e aconchegante, simples e bem arrumada, a sala tinha dois sofás, um tapete vermelho no centro e era branca, uma televisão de mais ou menos 32 polegada e um raque marrom estampa madeira. Na sala de jantar, havia uma mesa de 6 lugares, um balcão que dividia a sala de jantar da cozinha, a cozinha era toda combinada desde a geladeira ao os azulejos da parede. Havia três quartos, mais nem um deles eu vi.
Hoje já era segunda-feira e estava ansiosa para meu pai vir me buscar! Ele tinha ligado mais cedo dizendo que as 14:00 estaria aqui. Ainda era 12:15. Ajudei Maria a fazer almoço, tomei banho e assisti Tv, logo Raquel chega e seu filho também, os dois sorriam abertamente, ela olhou para mim e diz um "Oi", me da um beijo no rosto e vai para seu quarto, já seu filho passou por mim diz um "Oi" baixo e sobe.
Passado 10 minutos, nos juntamos todos a mesa para comer. A comida como sempre esta divina e aliás:
– Comer é Vida — Penso alto.
– An? — O filho da Raquel perguntou com cara de "Você falou o que eu sei que você falou?".
– Nada — Digo e sinto o sangue dar cor as minha bochechas.
– HAHAHAHAHAHA — Ele ri descontroladamente, até sua mãe o olhar com cara de repreensão — Foi engraçado — Ele diz baixo e sem jeito.
Por dentro eu queria rir, mas não o fiz. Terminamos o almoço, eu subo para meu quarto escovo os dentes e desço com as minhas malas. Coloco as malas ao lado do sofá, me sento na poltrona que faz massagem e ligo a TV. Estava ali não sei quanto tempo até que sinto alguém cutucar meu ombro, abro os olhos e vejo Raquel me olhando estranho, o que fez a cara dela ficar engraçada:
– Err...Oi — Digo e desligo os movimentos da poltrona
– Oi, só queria avisar que você vai estudar na mesma escola que meu filho. E que no primeiro dia de aula o Jared irá te levar, pelo menos para você saber o caminho — Ela diz. Mas quem é Jared?.
– Okay, mais tia quem é Jared? — Pergunto indiferente e ela me olha com espanto.
– Jared é meu filho — Ela diz e da uma risada fraca.
– Ah, é que só conversamos no dia que me mudei — Digo envergonhada.
– Não tem problema, ele é... — Ela começa a falar, mais a campainha a interrompe.
Vou até a porta e vejo meu pai parado, dou-lhe um abraço e beijo sua bochecha, ele afaga minha cabeça e beija minha testa:
– Oi querida. Vamos? — Ele me pergunta.
– Vamos! Tchau tia — Falo e dou-lhe um beijo na bochecha.
– Tchau querida! E não se esqueça — Ela fala e sobe.
Eu pego uma mala e meu pai pega a outra, saímos e vamos até seu carro. Depois que eu fui reparar, meu pai tinha um corte estilo militar, era alto em torno de 1.80, sua pele negra e transmitia brilho, alguns fio brancos ousavam a aparecer em sua careca,para um homem de 47 anos, ele estava realmente bonito.
Em menos de 10 minutos chegamos a sua casa, que logo se tornaria meu lar. Ele saiu do carro e subiu com uma mala até meu quarto, eu me enrolo um pouco na hora de tirar a mala do porta-malas, tiro com muito sacrifício ( Louve a Deus), entro e passo pela sala, realmente não fiz questão de reparar como era, pois aquela mala estava me matando, começo a subir as escadas em direção ao meu quarto, quando eu bato em alguém que me faz cair na parte reta da escada e a tal pessoa cair também.
– Desculpa — Falo automaticamente
– Garota você não viu o que fez? Você quebrou minha unha e minha bunda com certeza vai ficar doendo. — Fala uma voz esganiçada. Sério que eu estou ouvindo isso? Retiro a mala da cara e vejo um loira, com um short curto mostrando a polpa da bunda e repartindo... Enfim, enfim, enfim vocês sabem o que! Com um top rosa que os seios siliconadas estão quase saltando para fora e tinha quilos de maquiagem na cara:
– Escuta aqui, não sei quem é você e nem faço questão. Eu nem vi que você estava ai, até por que tinha uma mala pesada pra carregar. Eu pedi desculpas, você aceita se quiser — Falo e continuo a subir, ela me para.
– Empregados incompetentes — Ela diz e me olha com desdém
– Empregados o caralho, eu sou filha do dono dessa casa! E mesmo que fosse empregada, você não teria direito de falar assim comigo — Falo grossa, subo um degrau, me viro para ela e vejo ela me olhar assustada — Querida tem um rosto na sua maquiagem — Falo.
– LOGAN — Ela grita. Um garoto sem camisa, cabelos loiros natural, olhos azuis e porte de deus grego aparece na ponta da escada.
– Fala Feh — Ele fala. Sua voz é grossa e muito bonita.
– Essa garota me humilhou — Ela diz e ele olha para mim com raiva, medo, suspeita, sei lá deve ser tudo junto.
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