O Brilho no Olhar
3 Capítulo 3
– Menina, você esta louca? Sua mãe deve ter ido embora surtando — Ela fala com cara de espanto.
– Não quero vê-la nunca mais em minha vida! O tapa foi só um modo de expressar minha raiva por tudo que ela me fez, e essa demonstração foi pouca — Esbravejei.
– Okay, okay. Não grite menina! Pois venha, irei lhe mostrar seu quarto. Você não precisa fazer nada, a não ser ir na escola, não me dar trabalho e manter seu quarto em ordem. — Ela disse e começou a subir a longa escada e eu a segui.
Ela parou em frente a uma porta de madeira marrom escura e que brilhava, nela estava cravado o nome Luna em dourado com uma letra muito linda. Ela abriu a porta e eu me surpreendi, ele não era nada comparado ao meu antigo quarto, era muito grande...
– Bom arrume suas coisa, a janta é servida as sete, tchau — Ela disse e se retirou.
Adentrei o quarto e fiquei maravilhada. A parede a esquerda era lilás, tinha uma escrivaninha branca e uma cadeira rotatória macia cor lilás também. Um tapete felpudo e macio cor preta no centro e um sofá de dois lugares lilás. Na parede que se encontrava a cama, era preta com glliter prata e alguns moldes elevados de estrela na cor prata também, a cama era box com edredom de flores e muitas almofadas variadas entre lilás e estampas de flores iguais a do edredom, tinha um criado mudo branco em cada lado da cama, na parede que se encontrava a porta tinha a Tv que parecia uma tela de cinema de tão grande! Um raque logo abaixo com um DVD, um Xbox e jogos, um notebook e um tablet (Pra que tudo isso?). A parede do lado direito tinha uma porta de correr de vidro e longas cortinas que encostavam no chão lilás e branca, a porta levava a uma varanda enorme que tinha duas poltronas uma vermelha e outra roxa.A vista era muito linda e dava vista para o mar! — Ao entrar dentro do quarto novamente, percebi que tinha uma passagem que levava para outro lugar do quarto — mais será que isso leva pra onde? — Fui até o corredor que tinha dentro do quarto, nele havia três portas! Ao abrir a primeira eu me deparo com um closet, muito grande e absurdamente lindo, fecho-o e abro a porta que esta a direita, quando abri vejo uma pequena biblioteca particular, nela havia grandes janelas e varias prateleiras e duas mesas com cinco cadeiras cada, saio do lugar e vou rumo a última porta, que estava de frente para o corredor, lá era o banheiro, do lado direito tinha um box com chuveiro,ao lado esquerdo havia uma banheira redonda e muito bonita, já em outra passagem levava para o vaso sanitário, e ao lado do box com o chuveiro tinha a pia e ganchos com toalhas e essas coisas, resumindo o banheiro em si era muito grande e o quarto mais ainda.
Pensei em arrumar as malas mas se meu pai viria me buscar em mais ou menos uma semana não adiantaria muito. Me joguei na cama e tudo estava a refletir na minha cabeça — Por que a Dona Raquel fez tudo isso pra mim? Sendo que me odeia! Ela podia muito bem me jogar em um quarto de hospedes branco que tem na casa dela e pronto. Mas não, tudo esta do jeito que eu gosto. Até a mini-biblioteca ela fez no quarto! Tudo muito suspeito, eu acho que ela apronta algo... -Continuei pensandoe em meio as meus pensamentos, algo os atrapalha! É meu celular tocando. Pego-o e na velocidade de uma lesma o atendo..:
Ligação ON:
– Alô? — Falo cansada.
– Filha? Oi filha, aqui é seu pai! Tudo bem por ai? Como foi a viajem? — Meu pai fala do outro lado da linha.
– Oi pai, está tudo bem aqui sim, a viajem foi um pé no saco com Mamãe como sempre me ofendendo — Digo e bufo — Mas e como o senhor está? Tem novidades? — Pergunto esperançosa.
– Bom, bem bem bem não está, mas estou bem! Eu tenho uma noticia muito ruim pra lhe dar — Ela fala e minha esperança murcha.
– Pois diga — Eu disse receosa.
– Eu falei com o Marcos, sabe, aquele meu amigo advogado? E ontem quando te liguei, vi que precisava que você viesse morar comigo. Então eu o chamei e fomos ao tribunal,pedir sua guarda! Após sua mãe chegar de te levar a casa da Raquel,a carta de intimação do Juiz já estava na casa da sua tia Suzy! Sua mãe ficou uma fera,por saber que estava sendo intimada no Juiz, estava tudo marcado para as 11:00 da manhã,então ela foi,lá eu disse o por que, disse que ela te levou para a casa da Raquel e que te maltratava muito,contei desde os xingamentos até as agressões. — Ele fala e respira,parecia nervoso — Ela desmentiu tudo,disse que eu não era seu pai,nem mesmo te registrei. Que eu não tinha direito nenhum sobre você! E agora você vai ter que esperar mais um tempo,pois eu vou precisar falar com o Juiz que nos divorciou,para que ele prove com o exame de DNA que eu tirei quando tu era mais novinha. Sinto muito! — Ele diz com a voz embargada
– Pai, Eu Te Amo. Já agradeço por você esta fazendo muito por mim! Mas posso lhe pedir algo? — Pergunto
– Claro querida — Ele responde mais animado
– Posso passar as férias ai na sua casa! Sinto sua falta — Falo esperançosa.
– Ótima ideia, mas é claro minha filha. Eu iria adorar — Ele fala feliz. E fico toda animada.
– E quando você vem me buscar? — Pergunto Animada.
– Segunda está bom? — Ele fala.
– Está ótimo, até segunda pai. Te Amo tchau — Falo.
– Eu também Te Amo querida, tchau — Ele fala e eu desligo.
Ligação OFF;
[...]
Acordei assustada, sei que tive um pesadelo, mas por incrível que pareça não me recordo o que era! Vou até minha mala e pego um short jeans preto, uma blusa branca soltinha e vou tomar um banho. — Nossa, até ontem eu estava ao lado da Tia Suzy dividindo com ela bombons e hoje, cá estou eu, tomando banho eu um banheiro que nem sonhava que seria "meu". Tudo muito estranho, a dona Raquel me tratando bem, talvez com o dinheiro que a tornou rica, fez ela ficar mais feliz e não ter aquele mau-humor do cão! Tomara que meu pai consiga pegar minha guarda, não aguentaria ver a ... — Não consegui terminar meu pensamento, pois alguém bateu na porta do quarto, grito um "Já Vai". Saio do banho rapidamente, me visto e vou até a porta, abro e me deparo com um lindo garoto, de cabelos negros e olhos verdes, corpo não sarado, mas um porte físico bom, tinha em torno de 1,86 por ai, realmente LINDO. Ele me encara e eu o encaro..:
– Errr... Oi, minha mãe falou que o jantar já esta pronto, que você já pode descer! — Ele diz sem jeito.
– Okay, obrigada. Já estou descendo — Digo
– Por nada — Ele diz e vai embora.
Pego meus chinelos e desço as escadas. A cozinha era estilo americana, e a sala de jantar era muito linda, com aquelas mesas grandes, estilos de reis e rainhas! Na mesa havia tudo que tem direito e um pouco mais, me sento em um lugar no meio, logo a Dona Raquel e seu filho se junta na mesa.
Pra quem não sabe a Dona Raquel não é minha Tia, ela é só uma amiga da minha mãe, que após seus pais morrerem quando tinha 12 anos, ela passou a fazer parte da família da Silvia. Ela agora deve estar lá pra seus 50 e todos, mas continua com um ar jovem. Seus cabelos loiros oxigenados, seus olhos verdes transparecendo brilho e sua pele sem rugas, louvemos a santa plástica. Agora sei de quem o filho herdou os olhos verdes esmeraldas.
Ela faz uma oração rápida, mas nada de mãos dadas. E logo começou a comer!
– Você sabia que seu pai mora aqui perto Luna? — Raquel se pronuncia
– Não eu não sabia, aonde ele mora? — Pergunto curiosa
– Daqui a duas quadras, aliás essa casa era dele, eu comprei! Por isso reparei que seu quarto está do jeito que você gosta — Ela fala indiferente. Por isso, agora faz sentido!
– Ah, então por que ele ainda não veio me buscar? — Perguntei
– Depois que ele pediu sua guarda, ele foi na empresa de Nova York ver como estão as coisas e só volta amanhã de noite — Ela diz e voltou a comer
– Entendi — Digo e o silêncio se instala.
[...]
Acabamos o almoço e subo ao meu quarto para escovar os dentes, Raquel saiu para o shopping e o filho dela (Que por incrível que pareça, não sei o nome) deve estar no quarto. Eu desço e vejo uma senhora lavando a louça, creio que seja a funcionária da casa, ela tinha cabelos negros e ao longe se percebia os fios grisalhos, o rosto visivelmente cansado, estatura baixa. Vou até ela..:
– Oi — Digo timidamente.
– Oi Srta.Matarazzo, deseja algo? — Ela pergunta
– Sem formalidades, pode me chamar de Luna e qual é seu nome? — Pergunto
– Maria — Ela responde e começa a tossir, ela coloca a mão na cabeça e cambaleia um pouco para o lado, vou até ela e a ajudo a se sentar.
– Você está bem? — Pergunto preocupada
– Sim estou, muito obrigada Srta.Matar... — olho para ela de cara feia — Luna. Vou voltar a lavar a louça, ainda tenho que ir buscar a roupa da Sra.Raquel na lavanderia.
– Pode ficar aqui me fazendo companhia que eu lavo, e depois eu irei com a senhora na lavanderia para ajudar-lhe — Digo e pego um avental, coloco no pescoço e amarro na cintura.
– Não Luna, é meu trabalho! Se a Sra.Raquel pega você fazendo meu trabalho ela me mata — Maria diz espantada.
– Eu digo a ela, não tem problema. E creio que ela não chegará agora! Ela esta no shopping. — Digo e começo a lavar a louça
Depois de 7 minutos de um silêncio perturbador, ela se pronuncia:
– Quanto anos tem Luna? — Pergunta
– Tenho 15 vou fazer 16 ainda esse ano — Digo sorridente
– Tenho uma filha da sua idade, só que ela já fez 16 anos e um garoto de 17 anos — Ela fala sorrindo, acho que relembrando dos filhos.
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