O Brilho no Olhar
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Adentrei a escola a passos rápidos e largos, tentando passar o mais rápido possível das pessoas! Entrei na sala e vi que as mesas estavam no canto e as cadeiras formavam um circulo no meio da sala, retirei uma das cadeiras e peguei uma mesa e me sentei no fundo da sala e abaixei a cabeça. Pouco a pouco ouvia as vozes dos alunos adentrando a sala, pelo barulho do salto ouvi Ashley se aproximar..:
– Tadinha, não deixaram a petróleo participar, mais sabemos que você não vai ficar na vontade, você é preta igual um chocolate — A vaca mal comida fala e todos começaram a rir.
– Então hoje você vai ser igual a cada bombom que vai passar ai, vai ser comida por cada um em menos de 3 minutos e acho que é isso que você precisa, por que pra perturba a vida alheia tem que ser muito mal comida mesmo ou nem comida né? Tenho dúvidas que os outros suspeitem que você é um Traveco desse jeito! — Falo indiferente. Ela fica vermelha de raiva, pode esperar que vem bomba.
– Pelo menos alguém me quer e você? Alguém te quer? Acho que não, por que no escuro nem da pra te ver — Ela fala se vira e sai batendo o salto.
– VADIA — Grito e mostro-lhe o dedo do meio.
As aulas decorrem uma "beleza" traduzindo para a língua que acabei de inventar "Merda". Não me deixaram participar do amigo chocolate que eles planejaram, tudo por que a mula de salto me odeia e todo o resto. Estava chorando de cabeça baixa, até alguém cutucar meu ombro, limpo as lágrimas nas mangas da blusa e olho para o lado e lá está Jefferson, o amado da vacashley.
– Pois o que quer? — Pergunto sem ânimo.
– Te dar este bombom — Ele fala sorridente. Sabia que era mentira dele.
– Não,agradecida! — Falo e abaixo novamente a cabeça.
– Aceite,por favor? — Ele pede
–Ta — Digo e estendo a mão. Ele me dá o bombom, era um "sonho de valsa" abro e encontro uma massa de argila modelada na forma de bombom, todos começam a rir inclusive ele, jogo perto deles e abaixo a cabeça.
[...]
A festinha pra eles estavam boa, pra mim entediante! Faltava menos de uns 10 minutos para bater o sinal e eu ir de encontro a saída, pra minha eterna felicidade. O sinal toca e a cambada toda de gente sai pela pequena porta, eu pra não ser atropelada decidi ser a última a sair. Antes de atravessar a porta a Professora Virginia me chama:
– Luna, venha cá só um momento — Ele me chama, e faz gesto de se aproxime com as mãos.
– Não sei o que disseram, mas não foi eu — Falo e abaixo a cabeça.
– Não Luna, você não fez nada! É que eu vi você triste e sei que foi por causa das ofensas da Ashley e do restante do alunos, só queria pedir Desculpa por não conseguir fazer nada por você, eu até falei com a diretora mais ela não se opôs e tudo ficou assim largado. Eu tenho algo para lhe dar — Ela fala e começa a revirar a bolsa que estava em cima da mesa.
– Não precisa Professora, já fico muito agradecida pela Senhora ter tentado me ajudar — Falo e ajusto a bolsa no ombro.
– Toma — Ela fala e me entrega um caixa de bombom
– Não posso aceitar, essa caixa é sua! Obrigada mesmo, mas não! — Digo e coloco a caixa em cima da mesa
– A minha esta aqui — Ela fala e tira a caixa de trás da bolsa — Por favor aceita! Eu comprei especialmente pra você, queria muito que eles deixassem você participar só que eles não quiseram. E sei que você irá se mudar, então deixa eu lhe dar algo! Aceite por favor? — Ela pede
– Ta bem,muito obrigada professora! — Disse e senti meu olhos queimarem,ela me abraçou e disse um "obrigada".
[...]
Cheguei em casa e subi direto para meu quarto, não estava afim de uma nova discussão! — Que eu vou me mudar eu sei,mas pra onde? — Sai do quarto e desci as escadas apressadamente, procurei Dona Silvia Matarazzo ( É, Silvia Matarazzo é minha mãe ) em todo canto, mais não encontrei. Subi até o quarto dela, bati na porta e escutei um entre ( Estranho! Ela pouco ficava no quarto). Ao entrar no quarto, vejo minha mãe arrumar as malas e a questão é : Pra onde ela vai?
– Por que esta arrumando as malas? — Pergunto
– Por que não irei mais morar aqui, você vai pra casa da sua tia Raquel e eu irei morar com o Jorge — Ela responde sorridente. Jorge era o namorado-marido dela, eles vão se casar.
– Tia Raquel? Não vou para lá não! Vou ficar aqui com a Tia Su — Respondo determinada
– Menina não teima, você vai e pronto. Já está decidido — Ela fala e fecha a mala — E aliás prepara as suas malas, partimos de madrugada.
–Ta — Respondo mal humorada. Não adiantava questionar, eu teria que ir de qualquer jeito.
Sai correndo em direção ao meu quarto, entrei e bati a porta com força que o estrondo foi grande e ouvi Silvia reclamar do quarto dela algo como "Que derruba a casa? Se eu for ai eu te quebro" .
Comecei a chorar, não queria me mudar ! Se você acha que a Dona Silvia é ruim, você não viu a Dona Raquel. Você pode falar "Minha vida está tão ruim, que não há como piorar" mas não duvide, por que com a Dona Raquel faz sim piorar, ela faz o inferno da sua vida desabar. — Estava perdida em meus pensamentos até o momento que o celular começa a tocar, pego-o e o atendo rapidamente:
Ligação ON :
– Alô — Falo com voz chorosa
– Alô minha filha, aqui é o papai! Tudo bem ai? — Meu pai fala do outro lado da linha.
– Oi pai, estou nada bem e você como está? — Pergunto.
– Estou bem! Mas por que você não esta bem querida? — Ele pergunta preocupado.
– Mamãe vai me mandar pra morar com a Dona Raquel e ela e mil vezes pior que a Dona Silvia — Respondo sentindo as lágrimas voltar.
– Filha você consegue aturar lá por uma semana mais ou menos? — Meu Pai pergunta.
– Sim, já aguentei tanta coisa — Respondo indiferente.
– Sinto muito por ter deixado isso acontecer! Filha eu tenho que voltar ao trabalho, amanhã eu te ligo, precisamos conversar sério. Te Amo, tchau — Ele fala.
–Também Te Amo, tchau — Falo e desligo.
Ligação OFF
[...]
Pouco tempo mais tarde começo a arrumar minhas malas, termino rapidamente. Desço até a cozinha e vejo Tia Suzy sentada tomando seu cafezinho:
– Boa noite tia, tudo bem? — Pergunto enquanto vou até o armário pegar uma xícara.
– Estou bem e você? Como foi o ultimo dia de aula? — Ela pergunta e mordisca a bolacha água e sal.
–Vou me mudar, deduzindo, não estou nada bem! O ultimo dia de aula a mesma porcaria de sempre — Disse e me servi do café. Minha tia sabia o que se passava na escola, até foi lá mas não pode fazer nada, a velha buchuda disse que reclamação tinha que partir da mãe.
– Ficarei com saudades! Mas prometo que sempre que possível irei te visitar. — Ela promete
– Também ficarei! — Digo — Calma ai tia, vou pegar um negócio — Disse. Subo até meu quarto, pego a caixa de bombom e retorno até a cozinha — Mesmo que eu não tenha participado, a professora Virginia me deu essa caixa de bombom — Disse abri a caixa e dividi entre mim e ela.
– Não precisava era sua, mais obrigada — Ele fala, abre um bombom e o come.
– Precisava sim. Por Nada Tia — Disse — Tia eu vou tomar banho e dormir, vou partir hoje de madrugada. — Falo e dou-lhe um beijo na bochecha
– Dorme com Deus e boa viagem — Ela fala
– Você também, obrigada eu acho — Disse
Subo até meu quarto, pego minha roupa íntima e rumo até o banheiro. Tomo um banho rápido, coloco minhas roupas e me deito. Não sei por quanto tempo fiquei ali acordada, mas logo adormeci.
[...]
Acordo com mamãe batendo na porta e berrando do outro lado:
– Já estou indo, não precisa gritar — Falo e ela para de gritar.
Olho no celular e ele marca 3h23m da manhã. Levantei vagarosamente, peguei a roupa que estava no criado mudo e comecei a me trocar! Coloquei uma calça jeans preta com spikes, uma blusa regata degrade e calcei meu vans preto e rosa.
Peguei duas das minhas malas e levei até a sala, subi novamente até meu quarto e peguei as outras duas malas e minha mochila e me dirigi para a garagem para colocar as malas no carro. Depois de eu ter que voltar novamente para pegar as outras duas malas, tudo já estava em ordem! Entrei no carro na parte de trás, conectei os fones no celular e coloquei minha playlist favorita pra tocar. Dona Silvia entra no carro e o caminho todo não trocamos uma palavra.
[...]
Chegamos a mansão da Dona Raquel, a viagem durou em torno de 5hr . O porteiro abre o grande portão e entramos, descemos do carro e vamos até a porta e tocamos a campainha, mamãe tava com um sorriso de orelha a orelha, o que me magoou um pouco por saber que ela estava feliz em se livrar de mim, ouvimos um barulho de algo sendo destrancado e ao abrir a porta revela uma Dona Raquel sorrindo de orelha a orelha, o que me assustou um pouco, talvez muito:
– Oi Silvia, quanto tempo! Esta bonita em — Ela fala e as duas se abraçam. Pronto, um complô contra mim.
– Você também esta radiante! — Ela fala sorrindo
– Oi Lu, esta grande né? Linda como sempre — Dona Silvia fala falsa e me da um beijo no rosto.
– Obrigada — Digo indiferente.
– Essa preta safada bonita? Ela é horrível, só me da prejuízo — A lagartixa enrugada se pronuncia.
– Não fale assim da menina Silvia! — Raquel repreende mamãe. O que aconteceu? Vish tem coisa ai. Está bom demais pra ser verdade
– Ta Bem, já vou indo se não perco o vôou! Tchau e se comporte sua imbecil — Silvia fala
– Silvia — A chamo e no momento que ela se vira dou-lhe um tapa na face — Tchau, até nunca mais!
Ela me olha espantada, aquele tapa não foi nem metade de tudo que já sofri em suas mãos. Raquel me puxa para dentro e fecha a porta...
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