O Brilho da Honra

29 As prioridades de nossas vidas


Notas iniciais
Olá a todos Peço desculpas pela demora, estive fora durante uma semana, e após voltar de viagem foi aquela preguiceira... fora a depressão "pré fim de férias" :'( Agradeço a paciência de todos, bem como os comentários anteriores. Obrigada também a quem favoritou e a quem ainda está fantasmando, mas ainda assim prestigiando esta fic ^^ Créditos da capa: Pixiv ID: 58167794 Member: (・θ・) Título: "Kamyu san" Boa leitura! :)

Os Cavaleiros de Ouro e os dois Guerreiros Deuses tiveram uma noite intranquila por causa do sumiço de Surtr. De volta da Conferência, ainda ajudaram os agentes de Asgard nas buscas, sem sucesso algum. Já tinham plena certeza de algum tipo de conspiração estava se insurgindo nas sombras. Contudo, tinham que seguir com o protocolo, participando normalmente da Cúpula que, aliás, estava em sua última semana. Por isso, na manhã de terça, assim como no dia anterior, deixaram a procura do asgardiano desaparecido a cargo dos agentes e foram para o estádio South Sports, onde haveria o Encontro Nacional da Juventude, uma competição anual esportiva entre participantes de escolas das mais variadas partes do país. Neste evento, os Santos de Escorpião, Leão e Aquário seriam homenageados pela atuação heroica quando do atentado terrorista na boate Sound System.

O ônibus partiu do hotel mais cedo que de costume, por volta das 8 horas, já que o horário previsto de chegada ao local da solenidade era às 9 horas. Os seis rapazes tentavam não falar a respeito do misterioso desaparecimento de Surtr, a fim de não desvirtuar o foco de suas atribuições. Mesmo assim, encontravam-se inquietos, e, se não falavam sobre aquilo, não conseguiram falar sobre nada mais.

O maior estádio de futebol da África do Sul ficava no coração da Cidade do Cabo. Alamedas arborizadas circundavam o lugar; aqui e ali erigiam-se esculturas homenageando figuras do esporte mundial. Dezenas de ônibus escolares dali e e de outros estados chegavam, e deles estudantes, professores, treinadores, diretores, familiares desembarcavam, os semblantes animados pelo tão esperado dia, sem dúvida de festiva confraternização. Enquanto miríades de fogos de artifício explodiam no céu da cidade, a multidão que afluía para o interior do estádio parecia nunca cessar.

Conduzidos à ala reservada para os conferencistas e funcionários da ONU, os guerreiros, todos trajando elegantes ternos adequados à ocasião, ocuparam seus lugares reservados, nas fileiras dianteiras, atrás apenas dos membros mais importantes como o próprio secretário da ONU e alguns presidentes.

— Por Atena, vejam só quanta gente... parece um formigueiro... nunca vi tanta gente junta – comentava Aioria, impressionado, ajeitando-se na cadeira estofada.

Funcionários entregaram-lhe a programação e também garrafas de água mineral.

— Vamos ver o que temos para hoje... – falou Saga, conferindo o folheto – Primeiro os desfiles das delegações escolares, apresentação dos organizadores, discurso do presidente do país, do secretário da ONU, e... ah, depois disso, a homenagem a vocês! E então...

— Camus, eles vão chamar a gente lá na frente, é?

— Acredito que sim, Milo. Você já não imaginava que fariam isso?

— Eu não saio daqui nem que o próprio Hades dê as caras aqui, no meio das líderes de torcida!

O leonino riu:

—Qualé, Milo, tá ficando tímido agora, é?

— Também estou estranhando isso – ajuntou Saga, dando um risinho quase tão provocativo quanto o do “cunhado”

O escorpiano irritou-se:

—É fácil pro Aioria e pro Camus irem ali pro palco e se apresentarem, né, eles deram uma de heróis gostosões de filmes americanos, agora EEEUUU aqui...

— Lá vem... – o francês revirou os olhos, adivinhando o resto.

— Eu fui retirado de lá como uma donzela em perigo!...

— Mais certo seria a Branca de Neve envenenada, já que tu tava apagado como uma lâmpada.

— Aioria, só não vou aí dar na tua cara porque Saga vai ficar passando sermão aqui...

Os asgardianos se divertiam, ao contrário de Camus, que suspirou com enfado, antes de indagar:

— Será possível que você nunca vai superar isso, Milo?

Ele cruzou os braços e se afundou na poltrona estofada, fazendo um muxoxo.

— Você me paga, Camus.

— QUÊ? MAIS DO QUE JÁ “PAGUEI”?...

E deu-se conta de que era olhado pelos demais pelo que acabara de falar. Foi a sua vez de cruzar os braços e se encolher no assento, já enrubescendo.

— Olhem, vai começar! – observou Frodi, ante a entrada das primeiras formações escolares, paramentadas para o desfile pelo campo. Milhares de balões com as cores da bandeira da África do Sul, preto, branco, vermelho, amarelo, azul e verde subiram pelos ares.

Passado algum tempo de apresentações, com direito a números de malabarismos e de indumentárias típicas dos vários estados sul-africanos, Aiora quis saber:

— Já que mencionou Hades entre as líderes de torcida, Milo, será que vai ter número com elas mesmo?

— Quanto você me paga para eu não revelar à Marin que você me perguntou isso? – devolveu o escorpiano, maroto.

— ORA, SEU... foi apenas uma curiosidade!

— Hahahaha, ei, opa... olha lá elas entrando... parece que vai ter mesmo! – sua euforia só durou até sentir a dor aguda do beliscão que Camus lhe dera no dorso da mão – AAAU!

— Por Atena, vocês farão balbúrdias até aqui? – reclamou o geminiano.

— Não começa, Saga, foi o Camus que...

Súbito, um estrondo chamou a atenção dos presentes. Era alto demais para ser fogos de artifício.

E não eram fogos de artifício...

Para os olhos humanos teria sido impossível acompanhar o que acontecera, e entender como as pessoas sentadas na ala sob a qual uma bomba foi acionada foram salvas: tão logo dera-se a explosão, Saga e Aioria para lá se dirigiram na velocidade da luz. Em meio a uma cacofonia de gritos de horror, o leonino conteve os destroços e as estruturas com sua telecinesia. Abrindo os braços, o geminiano usou o “O Outra Dimensão” para mandar tudo que ameaçava a plateia para qualquer recôndito do universo. Foi como abrir um buraco negro que sugou seletivamente toneladas de concreto e ferros retorcidos.

Enquanto os dois gregos cuidavam daquela parte, os demais ficaram atentos com o resto do estádio, sondando com seus cosmos quaisquer intenções assassinas, bem como quaisquer oscilações da matéria.

— Não acredito! Estão atacando um lugar repleto de crianças?!? – bradou Frodi.

Sigmund virou-se para os companheiros:

— Precisamos evacuar o estádio!

— Tem razão, Sig... o... o que é aquilo no telão?!?

— No telão?

Em uma fração de segundos, Milo, Camus e Sigmund acharam bem despropositado que Frodi prestasse atenção no telão que segundos antes mostrava imagens ampliadas do desfile. Quando olharam, porém, foi uma cena aterrorizante que era transmitida para todos.

— Por Odin... me digam que aquilo é um filme – murmurou Sigmund.

— Eu gostaria muito de te dizer isso, amigo – respondeu o escorpiano, arregalando os olhos.

A despeito do que ocorrera, todos emudeceram diante do que se via, centenas de vezes ampliado: em meio a chamas amareladas, o que parecia ser um ônibus era consumido, e o que era pior: via-se sombras… SILHUETAS no âmago daquele inferno. Distinguia-se algumas pessoas envoltas nas labaredas saindo do veículo apenas para serem metralhadas. No chão, os corpos dos que tentaram escapar...

— Mas que merda é essa que estão transmitindo?! – inquiriu Milo, revoltado com as horríveis imagens.

Então o telão escureceu. E apareceu um cenário completamente diferente.

Um ônibus escolar parado próximo a um cânion. Crianças choravam nas janelas, e via-se alguns adultos tentando contê-las, embora também tivessem os semblantes tomados de terror. Fora do veículo, homens mascarados e com roupas escuras tinham tochas flamejantes nas mãos. Alguns empunhavam armas, disparando ameaçadoramente. Obviamente som algum se ouvia, o que conferiu uma atmosfera feérica de sonho a quem observava as imagens.

De sonho, não.

De PESADELO.

— P-poderoso Odin... – balbuciou Sigmund.

— Ca... Camus... o que está acontecendo? – Milo sabia, mas recusava-se a acreditar.

O aquariano sequer pôde articular uma resposta. No telão menor, ao lado, a imagem de um homem apareceu. Tinha uma maldade tão evidente nas feições que ele engoliu em seco.

— Saudações, senhores. O que estão vendo, ao contrário da primeira transmissão, não é uma gravação. É uma filmagem em tempo real... – dos alto-falantes do estádio uma voz profunda e intimidante pôde ser ouvida, em inglês com sotaque pronunciado e desconhecido aos guerreiros.

— É... é aquele cara que tá falando – apontou o escorpiano, pois que os movimentos labiais coincidiam com a fala, apenas com um pequeno atraso.

— ... de um ônibus escolar sequestrado por nós, membros da Brilho da Honra – concluiu.

Berros, exclamações, gritos, varreram o estádio.

A voz continuou, implacável, sem a menor emoção:

— Não ousem pensar que trata-se de um blefe. Creio que se recordam de um ônibus escolar sequestrado há cerca de um ano em Pretória, no qual 56 estudantes e professores arderam até a morte. Àquela época não tivemos nossas exigências atendidas, que eram tão somente a retirada de suas tropas imundas da ONU de Angdar e anistia para nossos irmãos presos por seus governos déspotas. Esperamos que hoje o desfecho seja diferente. Resolvemos exibir as imagens para que os senhores se lembrassem bem. Pois bem, poderemos repetir o feito hoje, creiam-me.

— Por Atena! – exclamou Saga, cerrando os punhos.

— Saga, precisamos...

— Ouçam-me com atenção. O destino destas crianças e de seus professores dependerá de apenas UM homem, presente ao evento para o qual este ônibus se dirigia...

Tão logo o homem assim anunciou, o fogo que os terroristas brandiam aproximou-se perigosamente do veículo. O desespero dos que ali dentro se encerravam dispensava som. Este era oriundo das milhares de pessoas no estádio.

Como se efetivamente olhasse diretamente para os jovens Cavaleiros e Guerreiros Deuses, Kulaita concluiu:

— ... este homem... é o Santo de Ouro Camus de Aquário.

— O quê? – fizeram todos os guerreiros a uma só voz.

— Cavaleiro de Aquário, você se entregará à nossa organização neste exato momento, ou este ônibus repleto de inocentes será incendiado diante de SEUS olhos.

— C-como? – apenas Milo conseguiu ciciar, pois que o francês apenas mantinha-se imóvel, os olhos escuros fitos nos telões, entre atento e perplexo.

— Que loucura é essa? Eles querem o Camus? – perguntou o leonino, já correndo com Saga para junto dos amigos, bem diante dos telões.

Um sorriso tão branco que assustava precedeu a instrução que Kulaita anunciava para eles:

— Um helicóptero descerá no centro do gramado em alguns segundos. Camus de Aquário deverá embarcar nele. E vir para nós. Uma justa troca pelas vidas que neste exato momento estão em NOSSAS mãos.

— QUE PORRA...

— Milo, espere – demandou o aquariano, pois que esperava por mais mensagens.

— Estamos cientes de que você, Príncipe do Gelo, poderia acabar com todos meus companheiros em segundos – naquele momento era como se Kulaita estivesse exatamente diante de Camus, tamanha a tensão e a atenção que tomavam o jovem Santo – Mas saiba que uma ÚNICA manifestação de seu poder contra meus irmãos que logo estarão aí para buscá-lo, e eu darei a ordem para que queimem o ônibus... até que se sua estrutura ardente se funda com as carnes dos que estão dentro dele...

Prontamente Camus fez menção de pular para o gramado, mas Milo o segurou.

— Não está MESMO pensando em IR COM ELES, está?!?

— COMO pode me perguntar isso?

— Camus…

— Solte-me, Milo.

— Mas…

O barulho do helicóptero chamou-lhes a atenção.

Chegavam.

Chegavam para LEVAR AQUÁRIO.

Mas POR QUÊ? Que queriam com ele?

—Milo. Você SABE que neste primeiro momento não há OUTRA COISA a se fazer, não é? Olhe para o telão! – vociferou Camus, arrepiando o namorado até a alma.

— EU SEI! EU SEI! Mas... – largou o braço do amado, trêmulo – não entendo o que está acontecendo!

— Eu também não – suavizou a voz e a expressão — Tudo que eu entendo é que se eu não fizer o que querem...

Um pouso perfeito, auxiliado tanto por um bom profissional quanto pela vastidão do campo. Pois que a máquina em si não parecia ser das mais modernas.

— Camus... – Saga postou-se diante dele.

— Saga, não me diga que vai me impedir?

O geminiano cerrou os punhos.

— Como eu poderia? De mais a mais…

— Camus de Aquário, meus irmãos estão à sua espera. Não os faça esperar em demasia, ou...

Ele se virou para a figura sinistra e enorme de Kulaita. Preparou-se para saltar da arquibancada, distante a vários metros do chão. Um salto apenas possível para seres especiais como os guerreiros a serviço dos deuses.

— Não sei o que querem e o que pretendem. Mas são pessoas comuns. Tão logo me avisem que o ônibus está em segurança, dou um jeito neles – garantiu, com uma expressão decidida.

Milo, Saga, Aioria, Frodi e Sigmund tinham consciência daquilo. COMO poderiam manter com eles um Cavaleiro de Ouro? Eles não deveriam ter a menor noção do que ERA um Santo de Atena...

— Está bem – falou Milo, segurando-lhe rapidamente a mão – Não são páreo para você. Avisaremos logo. Mesmo assim, tome cuidado. Por favor.

O aquariano assentiu, apertando a mão do namorado. Declarou, em voz baixa:

— Não se preocupe. Eu te amo.

Milo sentiu o peito doer. Disse de volta, tentando mascarar a agonia que o dominava:

— Eu também te amo. Volta logo, ouviu?

— Volto sim.

E após mirar o amado com carinho, virou-se, e então saltou, pousando no gramado como se tivesse pulado de apenas um metro, para assombro da multidão. Sem olhar para trás, os cabelos azulados ao vento, caminhou até o centro do campo, onde o helicóptero esperava por ele. Raciocinava rapidamente, à medida que se aproximava daqueles homens armados cujas armas nada poderiam contra ele. Se o fazia, era tão somente pelos reféns ameaçados. Não fazia a menor ideia do que uma organização separatista terrorista queria com ele, e nem do por que acreditarem que conseguiriam mantê-lo em seu poder. De qualquer maneira, tudo que tinha que fazer era ir com eles e acreditar que de fato deixariam aqueles pobres inocentes livres. Depois viria a parte fácil... e de forma alguma tencionava ser misericordioso com tais criminosos.

Para a surpresa de todos, da porta aberta da aeronave saiu ninguém menos que...

— SURTR? – Camus surpreendeu-se de tal forma que parou no mesmo instante.

— Ei! Mas aquele não é o... – igualmente Aioria espantou-se.

— SURTR? O que o maldito tá fazendo ali?! – questionou Milo, tenso.

— Olá, Camus – cumprimentou o asgardiano, com acento de cinismo. Usava roupas civis, uma calça social de linho chumbo, camisa branca e colete preto. Desceu também do aeroporto um rapaz negro, que prontamente os Santos reconheceram como o tal Derrick, trajando roupas similares.

— Que diabos tá acontecendo? SAGA! – o escorpiano virou-se para o líder, como que aguardando permissão de atacar.

Que obviamente não veio.

— Eu não sei. Mas não podemos fazer nada por enquanto, Milo – disse, em tom resignado.

— MAS... – e o jovem tornou a olhar o telão no qual se via o ônibus cercado de terroristas armados e com tochas acesas. Rangeu os dentes, enfurecido por ver-se impotente.

— O que faz com esses homens, Surtr? Foi para isso que fugiu do hospital? Para se tornar um malfeitor como eles? – inquiriu o aquariano, franzindo as sobrancelhas.

O ruivo sorriu com sarcasmo:

— Você vai ter muito tempo para entender, Camus. MUITO TEMPO mesmo.

Viu-o tocar o medalhão do colar que trazia no pescoço.

Já havia visto aquele colar outras vezes...

Surtr abriu o medalhão e tirou dele um diminuto cilindro com um líquido lilás em seu interior. Derrick lhe entregou uma seringa já com a agulha, e com ela, o asgardiano sugou o conteúdo suspeito. Entreabrindo os lábios, o francês lembrou-se daquilo.

Asgard.

Andreas.

Fafner.

— Isso... isso é... – murmurou.

— Você acha que vou deixar que se comunique com seus amigos depois que vier conosco?

— O QUE ELE TÁ FAZENDO? – gritou Milo, vendo Surtr injetar algo no pescoço do aquariano. Todos se sobressaltaram.

— MALDITO SURTR – rosnou Frodi.

Naquele instante, Camus reviveu a horrível dor que sentiu quando diante de Andreas implantaram o microchip, fabricado por Fafner, que comunicaria telepaticamente aos Guerreiros Deuses qualquer tentativa do Santo em falar com os companheiros através do cosmo. A torturante sensação de dezenas de agulhas incandescentes concentrando-se em um só ponto de sua carne. Suprimiu um gemido, cerrando com força os olhos índigos.

— CAMUS!!! – gritaram seus amigos, mais por reflexo do que por qualquer coisa. Não podiam em absoluto sair de seus lugares.

— Maldito Surtr!!! – praguejavam seus ex-companheiros, indignados.

— Sei que isso não será suficiente para pôr você fora de ação no momento, afinal, daquela vez você estava enfraquecido pela Yggdrasil. Por isso...

Sob o comando visual do aceno de Surtr, um dos homens aproximou-se de Camus. E tomando o braço do jovem, deu-lhe uma injeção de um poderoso sedativo. Potencializando com os efeitos do terrível implante de Fafner, Camus sequer teve tempo de perceber que perdia a consciência. Um outro terrorista o amparou, antes que caísse ao chão.

— MALDITOS! O QUE FIZERAM COM ELE? – Milo gritou desesperado, agora fazendo menção de saltar para o gramado. Aioria o conteve:

— MILO, NÃO! Lembra do que ele mesmo disse!!!

— MAS... Aioria!...

— MILO! – Surtr chamou-lhe, percebendo que se alvoroçava – Se ver aquelas crianças virarem CHURRASCO não é o suficiente para você, posso mandar que meus amigos aqui descarreguem a munição em mais algumas aqui presentes... OUSE vir até nós e isso acontecerá!

O povo, apavorado, encolheu-se onde pôde, ao ouvir aquilo.

— Maldito filho de uma puta!... – o escorpiano parecia prestes a explodir de ira. Por Surtr e pela impossibilidade de agir.

— SURTR! VOCÊ NÃO ESCAPARÁ DA JUSTIÇA DE ASGARD!!! – gritou Frodi, colérico.

Tendo todo estádio emudecido ante as insólitas cenas que se desenrolavam, o ruivo pôde ouvir claramente a ameaça de seu ex-companheiro de patente. Virou-se para ele e gritou de volta:

—EU NÃO PRECISO MAIS DE ASGARD, MEU CARO FRODI! SEREI SOBERANO DE MEU PRÓPRIO REINO... LONGA VIDA À BRILHO DA HONRA!

— O maldito enlouqueceu?! – perguntou Aioria.

— Há MUITO TEMPO – rosnou Milo.

— COM CAMUS... O NOSSO BRILHO E NOSSA HONRA! – e ao bradar assim os terroristas ergueram os braços gritando palavras em vários outros idiomas.

O que amparava Camus segurou-o nos braços, agora completamente desacordado, e entregou-o a um comparsa dentro da aeronave.

— Estão levando Camus mesmo – murmurou Milo, quase em choque.

Assim que puseram o Cavaleiro no interior do helicóptero, acomodando-o em uma maca à qual seu corpo foi cuidadosamente restrito por fivelas e correias, Surtr, Derrick e os demais homens entraram.

— Por Atena, o que pretendem?!? – perguntou Sigmund, pasmado.

— Seja lá o que for, Camus poderá se livrar facilmente assim que...

— Não, Saga. NÃO PODERÁ.

— Milo?...

O escorpiano contemplava, o olhar vidrado de ódio, o helicóptero levantar voo. Cerrou os punhos até ferir suas palmas com as unhas.

— Você viu Surtr injetar algo nele... eu já te contei a história... do que Camus viveu em Asgard...

Agora foi a vez do geminiano e do leonino estremecerem.

— Atena! O implante que denunciaria qualquer manifestação telepática...!

— Não... não pode ser...

Viram a aeronave subir aos céus, a natural insegurança anterior convertendo-se em desesperança.

— Como iremos ajudá-lo se não pudermos... – balbuciou Aioria.

— Vamos manter a calma. Camus é um Cavaleiro de Ouro, afinal.

— É fácil para VOCÊ falar, Saga!!!

— Milo...

Angustiado, o escorpiano apoiou ambas mãos na bancada. Segurava as lágrimas que queimavam em suas pálpebras.

Sim, os terroristas eram homens comuns... e Camus era um Cavaleiro de Ouro!

O que poderiam fazer contra ele, afinal?

Mas... o maldito Surtr estava com os ditos homens comuns... com que intuito...com que intuito?

Vira-o ser carregado, completamente vulnerável, ser levado para longe, sem que pudesse fazer NADA!

— Sim, Saga... Camus é um Cavaleiro de Ouro... mas também é o homem que EU amo.

O geminiano considero-o, compassivo. Pôs a mão em seu ombro, dizendo:

— Eu sei disso. Mas acredite: não é NADA fácil para mim... nada... ver um companheiro ser levado diante dos meus olhos sem que eu nada possa fazer. Ainda que as prioridades de nossas vidas sejam proteger Atena e os que habitam este mundo... Camus é meu amigo... amigo de Aioria...

— E nosso também – ajuntou Frodi, Sigmund assentindo, cúmplice.

— Vamos trazê-lo de volta, Milo. Confie em nós, em si mesmo... e em Camus – falou Aioria, decidido.

Com dificuldade, o escorpiano meneou a cabeça.

Olhou ao redor. As pessoas que corriam, apavoradas, tentando sair o quanto antes do estádio. As partes destruídas pela bomba, mero aviso... o telão no qual a imagem de Kulaita não mais aparecia, e o telão que mostrava os sequestradores partindo, sem nada fazerem aos reféns, pois que suas exigências haviam sido cumpridas.

Camus se entregara pelo bem daquelas vidas. Tinha que respeitar isso. Era o homem que amava... mas sobretudo, era um homem que vivia pela justiça e pela salvação das pessoas. Tomado simultaneamente de orgulho, tristeza e fúria, declarou:

—Confio em todos nós, amigos. Vamos salvar Camus e acabar com a maldita Brilho da Honra!

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Notas finais
É, tanto em "Dame" quanto em "Brilho", Camus está na mesma situação, que coincidência do mal, hahahahahahaha *tá, isso não é motivo pra rir... Enfim, a Brilho da Honra conseguiu pegar o aquariano... ok, ele se entregou, de qualquer forma, mas... e depois? Comunicar-se com seus companheiros estará fora de cogitação... Tentei dar uma carga de ação, mas não saiu tão empolgante quanto eu planejava, desculpem-me, o calor não colabora nada com meu desempenho em nada... *snif* Espero vocês no próximo capítulo, até lá, bjks