O Bracelete de Prata
3 Cápria - Capítulo 3
Arthur acordou sem se lembrar de como dormira. Ele estava deitado em uma cama baixa, de casal, em um quarto simples, mas belo. As paredes eram feita de pedra cinza azulado, o chão era de mármore, e as portas eram de ébano polido.
Olhando pela janela, percebeu que já devia estar amanhecendo. A luz que entrava no ambiente era alaranjada e fraca, e ainda dava para ver um fraco vestígio de estrelas no céu. Ao se levantar da cama, ele derruba acidentalmente o castiçal do criado mudo, fazendo uma barulho alarmante. Tudo que ele não queria era quebrar algo que ele não pudesse pagar.
Ele pegou o objeto, e analisou para ver se não estava quebrado em nenhum ponto. Nesse instante a porta de ébano se abril, e por ela entrou uma garota loira, de pele tão clara que parecia transparente. Ela estava vestindo algo parecido com uma camisola, e com cara de quem de quem acabara de se levantar. Parecia um pouco assustada ao velo acordado.
– Desculpa — murmurou o garoto, e a menina pronuncio palavras ainda mais inaudíveis, que o garoto julgou ser um "tudo bem". Depois, ambos ficaram queto, pensando em algo para falar.
– Você esta com fome?
– Sim — respondeu o garoto imediatante, percebendo então o quanto estava faminto.
A garota fez um sinal para que ele a segui-se. Ela era baixa se comparada a Arthur, se bem que que não deveria ser muito mais nova, tento uns 12 ou 13 anos.
Eles saíram do corredor e desceram uma escada, foi então que passou por Arthur um homenzinho gordinho de cabelos e barbas avermelhadas. Não devia ter muito mais de um metro de altura, no máximo, e fez um reverencia ao cumprimentar a garota, e lançou um olhar desconfiado para o menino. Em seguida, apareceu outro sujeito, de pele avermelhada, chifrinhos na cabeça e pernas peludas, quem também cumprimentou a menina, só que, ao contrario do anão, foi simpático com o garoto também.
" Devo estar em um conto de fadas, ou voltando no tempo até a época das lendas, ou então estar delirando, ou ainda, tudo isso de uma unica vez"
Atravessaram um grande salão ( que depois Arthur descobriu se chamar justamente Grande Salão), onde havia algumas pinturas, espadas pinduradas nas paredes e belas armaduras perto da porta de entrada. Depois de passaarem por mais um corredor, cruzando com outras pessoas que também já começavam seus afazeres diários, chegaram na cozinha, que cheirava a fumaça, e no centro havia uma mesa de madeira rustica, com alguns banquinhos. Sobre a mesa a garota colocou um belo pedaço de pão, queijo, algumas frutas, uma jarra de leite e uma garrafa de bebida avermelhada, soco de uva provavelmente, ou talvez vinho.
Arthur rapidamente se sentou e começou a comer, e logo os pensamentos sobre os seres estranho desapareceram. Toda hora entravam e saiam mulheres da cozinha , carregando baldes de água ou verduras, e todas olhavam um olha curioso para Arthur. Mas nenhuma parecia mais curiosa do que a menina loira.
– Onde esta Peridan? — perguntou o garoto, em parte porque realmente queria saber, mas principalmente para acabar com aquele silencio constrangedor.
– Meu pai partiu para Anvard — disse a menina, e completou — ontem de tarde.
– Eu dormir quanto tempo? Como eu vim parar aqui? — O garoto percebeu que havia uma serie de perguntas que ele queria que fossem respondidas.
– Vocês chegaram aqui ontem pela madrugada, estava desmaiado e parecia estranho, quase doente. Nesron disse que deve ser efeito da viajem. Ele disse que você veio de longe, muito longe. — O olhar da garota sempre se desviava quando Arthur tentava encara-la.
– É, de muito longe . concordou o garoto. — Qual é o seu nome?
– Cápria — respondeu a menina. Ela parecia tímida, e ao mesmo tempo muito curiosa, e tinha o rosto mais simpático do que belo, e os dentes levemente tortos. — E você é Arthur, certo?
– Sim — nesse momento o garoto já estava satisfeito, mas não queria levantar. Não sabia oque deveria fazer se levantasse — Quem é esse Nesron?
– Um sábio. Ele é um dos sete conselheiros juntos de meu pai, e conhece muito sobre o passado, e lê as estrelas em buscas do mistérios do futuro. Dizem que ele é tão velho que se lembra de até mesmo antes do reinado da Feiticeira Branca.
"Mais feiticeiros" pensou o menino, perdido. Mas mesmo assim, ele se sentia, de alguma estranha forma, bem, melhor do que se lembrava alias. Parecia que, apesar de todos os absurdos, que aquele lugar era mais real do que o mundo de onde ele veio. Como se ali ele fosse mais saudável, ou mais vivo.
Os dois conversaram muito. Na verdade Arthur mais ouviu do que falou (Cápria era o tipo de menina que era tímida com pessoas novas, mas depois que confiava em alguém e começava a falar, não parava mais.)
Através dela, Arthur descobriu muitas coisas sobre aqueles estranho lugas. Eles estavam nas terras das quais Peridan era o Senhor, a região do Lago Ocidental. Cápria era a caçula, sendo que alem dela, Peridan tinha mais uma filha (Lian, que estava em Cair Paravel) e um rapaz (Heitor, que estava percorrendo a região, recrutando guerreiros), e falou pouco sobre a mãe, e Arthur logo entendeu que ela já devia ter falecido. Na metade da manha, ambos já se consideravam bons amigos.
Então uma das empregadas que toda hora entravam e saim da cozinha (a que demonstrava mais curiosidade em relação a Arthur, diga-se de passagem) entrou novamente, e dessa vez fez uma reverencia.
– Minha Lady, jovem senhor, Nesron esta lá fora, e ele deseja velos.
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