Notas iniciais
Desta vez eu não apenas sugiro que ouçam, como eu exijo que ouçam..brincadeira, mas sim, escrevi esse capítulo com muito carinho, e sem duvida essa é uma das músicas que mais mexem comigo, e a escutei repetidas vezes enquanto escrevia, ela está literalmente e irrevogavelmente ligada a este capítulo. Então peço que realmente escutem durante a leitura. A música se chama "Forever (Since that Day)" by Matt Vrba. Tenho quase 90% de certeza que nunca a ouviram. Espero que gostem. Enjoy!

Ocê perdeu a língua Ferdinando? Me respon... — não havia espaço para terminar a frase, Nando a levou de volta a um mundo que era só deles ao selar seus lábios num toque delicado. Foi apenas um toque, de alguns segundos, que para os dois pareciam anos.

Ferdinando soltou os lábios da ruiva voltando a observa-la, ela ainda mantinha o dedo em riste e os olhos fechados. Ele viu com um sorriso de orelha a orelha a moça passar a língua pelos lábios, como se estivesse saboreando e absorvendo tudo daquele minimo toque.

Naquele momento o rapaz de olhos azuis não teve mais duvidas, aquela fera era sua.

Gina estava em choque, no momento em que os lábios de Ferdinando encontraram os seus, uma corrente elétrica percorreu todo seu corpo, era como se ele tivesse tocado sua alma. Quando Nando se afastou uma onde de ar frio passou por ali, aquilo era errado, ele tinha que estar a beijando, porque havia parado?

Porque a deixava sentir calafrios sem seus braços para protege-la? Ela abriu os olhos e Nando ainda estava ali parado em sua frente, tão perto que os dois podiam se ver pela luz que ali entrava, ele tinha um sorriso tão lindo, e os olhos lacrimejados, certamente os seus estavam da mesma forma.

Da outra vez tinha sido um beijo voraz, estavam provando um para o outro quem deveria ganhar a batalha pela provocação. Agora não, ela só queria receber mais um beijo como ele havia acabado de lhe dar, um não, ela queria ser beijada por aqueles lábios durante toda a noite, ela queria seu corpo colado a Ferdinando, apenas de imaginar sentia sua intimidade úmida entre as coxas, agradeceu aos céus por estar escuro e Ferdinando não pudesse ver o quão corada estava com o pensamento que lhe veio, ela jamais diria isso em voz alta, ou pelo menos achava que não.

Ela queria o rapaz entre suas pernas, um dia dona Juliana havia lhe falado sobre isso, sobre como as coisas acontecem com um homem e uma mulher, mas ela não havia prestado muito atenção, porém agora por instinto de mulher ou o que for, sentia aquela fenda úmida no meio de suas coxas, latejando e implorando para ter aquele homem que estava ali tão próximo, mas não o tanto que desejava.

Ferdinando via confusão nos olhos de Gina, ela o olhava como se quisesse pedir algo, mas não pedia. Ela não o afastava nem o mandava sair dali, apenas estava parada, estática, olhando para ele. As vezes o silêncio era um pedido sem som, era assim que interpretava, era por isso que deu dois passos a frente colando seu corpo ao dela, porém apenas o corpo, ele levou a mão ao queixo de Gina, fazendo com que ela lhe olhasse nos olhos, já que a diferença de estatura era minima, mas existia.

Olhando agora, aquela moça rabugenta e bronca, parecia uma menina indefesa, mantinha os olhos pequenos nos seus, ele via o peito dela subir e descer. E sabia que o seu estava da mesma forma. Ele abaixou um pouco o rosto até encostar no dela, deixou que a mão que estava em seu queixo deslizasse até a lateral de seu corpo e alcançando a mesa, fez o mesmo movimento com a outra mão, prendendo-a ali entre ele e a mesa, sem quebrar a proximidade entre seus corpos.

Gina estava novamente presa por Ferdinando, não entre ele e uma mesa, porque isso seria fácil de resolver com apenas um golpe. Ela estava presa entre o lado racional que dizia que agora era hora de sair correndo dali, e seu corpo e seu coração que conspiravam juntos e pediam calados para que fosse adiante com aquilo. Ela não precisava mais da opinião de nenhum dos dois, enquanto Ferdinando roçava seu rosto no dela, beijando de forma tão leve que ela nem sabia se era verdade ou só sua imaginação gritando. Mas não importava, a ideia já estava formada em sua mente, e seu coração e seu corpo saberiam como agir, ela só queria se lembrar de como fazia para falar, porque sim, sabia que Ferdinando estava testando-a, ele precisava de um pedido, e por mais que odiasse aquilo, ela era obrigada a se desfazer de toda sua braveza, e pedir o que mais queria.

Diz Gina..– ele pediu com a voz rouca, tamanho desejo que estava por te-la. — Diz o que ocê quer...– Ele seguia beijando de leve cada pedacinho do rosto dela, os olhos que se fechavam assim que sua boca se aproximava, as bochechas rosadas e quentes, o queixo, a pontinha do nariz. E toda vez que chegava perto da boca, sem ao menos encostar, ouvia Gina suspirar.

Ieu..– ela abriu os olhos e ele a olhava de uma forma que se sentia nua, ela não conteve suas mãos que pela primeira vez sem ser forçada, se dirigiram aos braços de Ferdinando que estavam envolta de si, com vergonha porém determinada, Gina foi levando aos poucos as mãos pelos braços de Nando, ela viu a ternura nos olhos dele se transformar em olhos famintos, como da primeira vez, parecia que a qualquer momento iria devora-la. Suas mãos seguiram o percusso ouvindo pequeno grunhidos dele que ela nem sabia se poderia chamar de som, elas foram até parar no peito do rapaz, agora ele estava olhando para onde suas mãos estavam. — Ieu quero..ieu quero que ocê me beije..– Ela disse e viu fogo nos olhos dele, ele parecia incrédulo, porém esfomeado.

Aquilo era demais para Ferdinando, nunca, jamais em sua vida pensou que fosse ouvir aquelas palavras saindo da boca de Gina. Naquele momento ele sentia-se o homem mais feliz do mundo, ele havia feito quase que sem querer, a mulher mais difícil da face da terra, implorar por um beijo. Ele aproximou suas bocas sem mais delongas, sentia aos mãozinhas dela subirem para seu pescoço e ali pararem, a ruiva parecia saber o que fazer. As mãos que antes estavam apertando a barra da mesa, agora apertavam a cintura de Gina, trazendo-a tão perto que pareciam um só.

Ara!– Ele disse com aquele olhar malicioso que tinha pra ela, desta vez ele não esperou que Gina abrisse passagem para aprofundar beijo, até porque não houve dificuldade como da ultima vez, ele invadiu sua boca com tanta vontade que inclinou-se em cima da moça, como ela estava encostada na mesa, Ferdinando não precisou pensar muito.

Gina sentiu o peso do rapaz sobre si e sabia que ali não iria dar certo, eles estavam encurralados, mas Nando foi mais rápido, pegou-a no colo para solta-la em cima da mesa, agora estavam na mesma altura, Gina sentiu a falta dos lábios dele durante essa ação, mas o que veio a seguir supriu essa falta.

Ferdinando se posicionou entre as pernas de Gina, agora a segurava pelos quadris, ela pegou seu rosto entre as duas mãos e o beijou, foi a primeira vez que ela tomava a iniciativa. Ela já tinha posicionado uma das mãos envolta de seu pescoço novamente, e segurava com a outra a mão dele. Gina aprofundou o beijo e se isso já era o bastante pra deixar o rapaz mais do que maluco, a moça levou a mão dele até um de seus seios, interrompeu o beijo para olha-lo, ele estava perplexo.

Gina..- ele começou, ela pegou a outra mão de Nando e colocou em cima do outro seio, a moça deu um sorriso de canto ao ver que o rapaz mordia os lábios.

Seu corpo estava literalmente tomado, todas suas atitudes até ali eram movidas inteiramente pelo desejo que sentia por ele, seu corpo queimava apenas de olha-lo. Ela levou as duas mãos aos botões da roupa, fazendo ela mesmo o trabalho que outra hora Ferdinando havia feito. A ruiva via o moço lhe olhar como se ela fosse uma fruta doce, a qual ele estava faminto por um pedaço. Ele voltou a capturar seus lábios antes que tivesse terminando com os botões. Ela lhe beijava como nunca tinha feito antes, Ferdinando não sabia onde isso iria dar, mas agora não conseguia pensar, revirou os olhos de prazer quando Gina sugou-lhe o lábio inferior, e fez o mesmo com o superior, ela parecia mesmo querer provoca-lo, pois toda vez que tinha um movimento mais ousado, ela fazia o olhando. Desta vez era sério, precisava se livrar daquelas calças, o aperto era tão grande que o fazia sentir dor.

Ele passeava com as mãos pelo seu corpo a apertando por todas as partes, ela estava na altura exata se estivessem nus, pensou ele. Os beijos se tornavam cada vez mais intensos, Gina gemia dentro de sua boca toda vez que ele a puxava de encontro ao seu corpo, ele sabia o motivo, algo ali em baixo estava inchado, pedindo para se libertar, e a cada puxada que Ferdinando dava na moça, suas intimidades colidiam fazendo que os dois suspirassem em uníssono.

Gina sentiu toda a área de sua coxa molhada, e toda vez que o rapaz a puxava, ela queria que aquelas roupas sumissem, e que fosse de uma vez preenchida por ele. Ela começou a tirar-lhe o casaco enquanto ele se concentrava em chupar e beijar toda área de seu colo e pescoço que estavam descobertos já sem a parte de cima da roupa.

Quando conseguiu se livrar da peça, ela rapidamente partiu pra outra, queria sentir a pele dele contra a dela.

Ferdinando sentia as mãos ansiosas de Gina tentando achar uma maneira de arrancar a ultima peça de cima que ainda restava, ele soltou uma risada chamando a atenção dela.

Do que ocê ta rindo?– ela perguntou tirando as mãos dali e se afastando um pouco, achava que o rapaz ria dela. Ele ainda estava entre suas pernas, e apenas balançou a cabeça com aquele sorriso ainda ali. Ela tomou um susto quando em um rápido movimento, Ferdinando tirou a peça deixando então seu peito desnudo, Gina arfou com a visão, ela achava ele um homem bonito, mas não fazia ideia o quanto.

Ela poderia contornar com os dedos cada parte de seu tronco, ele era magro, mas forte, definido ela diria, e tinha uma pele tão branquinha que parecia reluzir, ela foi descendo os olhos do pescoço até chegar a parte crítica, ali abaixo do umbigo, Ferdinando tinha um caminho de penugem rala, que seguia para dentro de sua calça, num caminho onde Gina estava cobiçando. Ela manteve os olhos ali até realmente enxergar o que havia visto da primeira vez, ele estava grande, inchado, parecia que a qualquer momento explodiria com o fino tecido da calça. Ela não conteve-se e levou as mãos até o cós da calça, puxou ali trazendo Ferdinando para perto novamente. Os olhos dele pareciam um poço de segundas intenções.

Sua vez– ele disse decidido, a moça entendeu o recado, ele tinha se desfeito de uma peça, ela teria de fazer o mesmo.

Faça ocê– ela disse tentando fazer a voz mais sexy que conseguia, se sentia ridícula, por isso afundou a cabeça no pescoço de Ferdinando, esperando que realmente fizesse, ela ali tão perto podia senti-lo e sentir seu cheiro, e ele cheirava tão bem, era suave e doce, uma perdição.

Ferdinando sentia Gina respirando contra seu pescoço, aquilo era como estar perto de uma lareira num dia frio de inverno, perto demais, ele agarrou os cabelos dela o enrolando entre os dedos, puxou de leve para trás para que ela o olhasse, quando ela o fez, aproximou as bocas e não precisava mais pedir, ela já lhe dava toda permissão para fazer o que quisesse.

Ele passou a língua pelos lábios dela, pra depois literalmente chupar os lábios, a moça soltou um gemido que fez com que seu membro lá em baixo que já estava rígido e apertado suficiente, quase se esvaziasse sem ao menos estar dentro dela. Ele foi obrigado a abrir a calça, abriu dois botões apenas, não queria se apressar e estragar tudo assustando a ruiva. Quando voltou para ela, começou a fazer o que esperava ansioso a tempos, com cuidado abaixou a parte de cima da roupa de Gina que já estava toda desabotoada, primeiro os ombros, depois o colo, os seios e finalmente a barriga. Não conteve um suspiro ao vê-la assim, ele se pegou várias vezes imaginando como a moça seria por debaixo de toda aquela "armadura" mas nem em seus sonhos mais indecentes, imaginou tamanha visão.

O corpo de Gina parecia ter sido feito para ser tocado, ela tinha uma cintura fina que parecia de porcelana, seus seios eram pequenos e delicados, uma tinha a pele branca e cheia de sardas por toda extensão de colo e ombros. Ferdinando tinha certeza que poderia passar o tempo que for, ele jamais apagaria a visão de Gina exatamente ali e daquela forma. Ela parecia envergonhada pois fez menção de cobrir os seios entre as mãos, mas ele não deixou que esse pecado fosse cometido, ele precisava prova-la, era uma necessidade e ele não sucumbiria a ela.

Agarrou a moça pela cintura novamente colando os corpos, o choque dos seios dela contra seu peito era mais do que poderia pedir, era encantadoramente excitante. Ele sabia que a mesma sensação havia percorrido o copo dela, sentiu a ruiva tremer em seus braços, ele começou a beija-lá enquanto levava o corpo da moça a deitar na mesa, desgrudou os lábios quando ela estava totalmente deitada, as pernas dela ainda presas a sua cintura, como se fosse uma maneira de não deixa-lo fugir. Ele a puxou um pouco mais para beirada e inclinou-se sobre ela, novamente suas intimidades entravam em contato, a excitação que os unia era tão exagerada que Ferdinando podia jurar que já estava dentro dela.

Ele abaixou-se um pouco para começar uma trilha de beijos que se iniciaram pouco abaixo do ventre, ele podia vislumbrar em sua imaginação o que estaria fazendo se ela já estivesse sem a calça. Seguiu os beijos parando em seu umbigo onde fez movimentos circulares com a língua arrancando um sorriso no meio dos suspiros pesados de Gina. Enquanto percorria toda a extensão de sua barriga, ele levou uma das mãos até seu "membro", ela não podia vê-lo e ele não se continha mais, teria que aliviar-se. Assim que libertou o coitado da prisão que sua calça tinha se tornado, começou a fazer movimentos de vai e vem imaginando que daqui a pouco estaria os fazendo dentro dela.

Gina sentia os lábios molhados de Ferdinando em sua barriga, e ele subia cada vez mais, e ela estava morta de vergonha, porém a vontade que tinha de ser tocada e beijada por ele era maior que tudo. Ela estava com os olhos fechados, e sabia que a dobra de suas mãos deveriam estar vermelhas pelo tanto que apertava a borda da mesa tentando não fazer barulho, não queria que Ferdinando pensasse que ela era uma descompensada.

Descompensada, era o termo que se adequava perfeitamente, seu coração era descompensado, ao mesmo tempo que queria parar, quando pensava que não deveria ser assim, gostava de Ferdinando, não queria admitir mas o amava, porém entre eles haviam muitas diferenças, e mesmo quando elas surgiam ela tentava afasta-las para não sofrer, eram reais, e a faziam pensar se estava fazendo errado. Porém, ao mesmo tempo que tudo isso vinha a sua mente, seu corpo dizia o contrário, Ferdinando era como uma droga viciante para ela, não havia escapatória, e ela nem queria escapar.

Esses pensamentos que a atingiram em um segundo, foram embora no mesmo assim que sentiu os lábios de Nando chupando seu seio esquerdo enquanto apertava com a mão o direito, ela não conteve um gemido tão alto que mais pareceu um grito.

Ela olhou para baixo, onde a boca dele brincava e mordiscava toda a parte, sabia que estava completamente molhada, ele a olhava enquanto fazia os movimentos com a língua, parecia que estava se deliciando com uma fruta. Quando mais ela suspirava e ofegava se contendo com os gemidos, mais Ferdinando colocava o seio dentro de sua boca, sugando-o inteiro até ficar com o bico entre os dentes, ele segurava de leve para não machuca-la.

A mão que antes estava em um dos seios de Gina, desceu para o cós da calça dela, ele sentiu quando ela entrelaçou os dedos aos dele, unindo suas mãos, ele olhou para cima e ela mantinha os olhos fechados, ele queria se livrar logo da peça mas não podia faze-lo sem antes pedir permissão. Segurou o único botão que o impedia de chegar onde queria, apertou a mão de Gina entra a sua fazendo com que ela abrisse os olhos para ele.

Posso?..- ele perguntou apontando com os olhos o fecho da calça, ela parecia apreensiva e sua respiração estava irregular, ele achou que ela o mandaria parar a partir dali, mas não o fez, ela apenas consentiu com um aceno, engoliu a seco e jogou a cabeça para trás fechando novamente os olhos. Era o que ele precisava.

O som de um tiro os tirou do transe.


Meia hora atrás:

Juliana acordou no meio da noite de repente, não costumava acontecer por isso sua surpresa. Ela sentou na cama e decidiu descer até a cozinha pegar um copo d'água. Porém a surpresa maior estava por vir. Gina não estava na cama, ela se lembrava de ter deitado enquanto a ruiva descia para pegar água, pelo menos era o que havia dito.

A professora foi pisando manso até as escadas, olhou para o quarto dos pais de Gina e pela hora da madrugada estariam ainda dormindo. Desceu as escadas evitando fazer barulho, estava com medo, nunca descia ali a noite e estava tão escuro, porque não trouxe a vela?

Ela foi até onde achava ser a sala e nada, não havia ninguém, chamou o nome de Gina por vezes, baixo para que somente a moça ouvisse caso estivesse ali, se encaminhou até o corredor, passando pelo banheiro deu três batidas na porta, nada.

Chegou a cozinha, era o ultimo lugar que sua amiga poderia estar, chamou novamente e o silêncio assustador a fez tomar uma decisão, se Gina havia descido aquela hora, e não havia voltado até agora, precisava avisar seu Pedro. Subiu as escadas agora correndo, se algo acontecesse a Gina ela nem saberia o que fazer.

Seu Pedro, Dona Tê — ela chamava enquanto batia insistente na porta, mais quatro batidas e seu Pedro estava ali, ele segurava uma vela nas mãos e tinha o rosto sonolento, o mesmo que estava em excesso no rosto da pobre Dona Tê.

Graças a Deus seu Pedro, o senhor precisa me ajudar. — ela dizia desesperada.

Ara fia, o que ta acontecendo pra mode ocê ta desse jeito? — Seu Pedro perguntou mexendo em sua barba.

A Gina, a Gina sumiu. — Ela respondeu sem mais delongas.

O quê? a professora ta dizeno que mia fica sumiu? Sumiu como, donde? — Ele dizia passando por ela e indo para o quarto das duas.

Será o Benedito, como assim dona Juliana? a minha fia sumiu como? —
Juliana seguiu seu Pedro.

Eu não sei, eu me lembro dela ter dito que ia pegar um copo d'água, e quando acordei ela não estava na cama. — Ela disse exasperada, Dona Tê estava em seu encalço fazendo menção de chorar, e seu Pedro caminhava para um lado e para o outro em frente a janela. Mas pera aí, a janela. — Eu, eu acabo de me lembrar de uma coisa, antes de descer pegar a água, a Gina estava sentada ai na janela — ela apontou fazendo seu Pedro rapidamente olhar pra fora, não via havia nada.

E o que tem nisso? — ele já estava nervoso.

Ela estava séria olhando pela janela, até me mandou ficar quieta, parecia que tinha algo lá embaixo, na hora eu não me dei conta, mas sim, tinha algo lá embaixo, foi por isso que ela desceu, como eu não pensei nisso? — a professora perguntava mais para si mesma. Foi como um relâmpago que seu Pedro passou por ela e Dona Tê descendo as escadas numa correria. Elas foram atrás dele tentando alcança-lo, quando finalmente chegaram ao lado de fora, ele segurava a arma de Gina com uma expressão de choro.

Ai pai, arguém levo nossa fia, ela num ia deixa essa bendirta arma pra tráis. Cadê nossa fia? cadê? — Dona Tê falava com a voz embargada se apoiando em Juliana que também estava a ponto de chorar, conhecia a amiga, se ela desceu com a arma, é porque realmente algo estava ali, mas e agora, onde estava ela?

Ocês fiquem ai, ieu vo atras da nossa fia. — seu Pedro disse seguindo a trilha por trás da casa, indo atrás das marcas que estavam no chão de areia, era como se alguém tivesse sido arrastado. Ele ouviu murmurinhos atrás de si e quando olhou viu que suas ordens não adiantavam de nada, sua mulher e dona Juliana estavam logo atrás.

Ara! Ieu não mandei ocês fica em casa sô? — elas negaram com a cabeça — ocês duas não sai detrás deu. — ele tirou a pistola que carregava na fivela de sua bota e deu para a professora. — Se ocê ouvi qualquer barulho, atira.

Mas..mas seu Pedro, eu não sei, eu.. — Ela tentava explicar.

Ocê atira — ele repetiu. Não adiantava dar uma de medrosa, era sua amiga que estava em perigo, precisava ajuda-la.

Seguiu atrás de seu Pedro com Dona Tê segurando em seu braço livre. Ela não sabia onde estavam, a escuridão da noite ainda era latente em sua maior dimensão. Andavam por onde seu Pedro ia, e ele media os passos. Eles estavam subindo um pequeno morro, e ela tinha quase certeza ser o que ficava perto de sua escola.

Foi naquele instante que algo se mexeu em algum arbusto, antes que pudesse se conter, Juliana apertou o gatilho da pistola pra algum lado, o que se ouviu foi o barulho ensurdecedor de um tiro, certamente toda a vizinhando acordaria depois dessa.


O que foi isso Ferdinando? - Gina disse tomando impulso e se levantando da mesa. Estava sem a peça de cima, o frio a pegou de jeito agora que os lábios de Nando não a beijavam mais.

Ieu não sei Gina, parece que foi um tiro.– Ele respondeu sem realmente saber a resposta. A ajudou a descer da mesa acolhendo-a em seu peito.

"Ginaaaaaaaaaaaaaaa"– os dois ouviram um grito chamando a moça, e mesmo que viesse de muito longe, jamais erraria se tivesse de apostar, era seu pai.

Ela olhou para Ferdinando e ele estava ainda sem roupa como ela, se o susto do grito de seu pai lá fora na escuridão já não fosse o bastante, ela viu que que o rapaz estava também com a calça aberta, a alguns minutos atrás ficaria desejosa para vê-lo totalmente nu, porém agora estava assustada, ele percebeu seu olhar, mas não tinha tempo pra se explicar.

O que faremos agora?– foi a única coisa que soube dizer.

Notas finais
E agora? Não deixem comentários somente sobre o capítulo, me digam o que acharam da música que indiquei. Ps: é a segunda vez que comentam isso "( ͡ ͜ʖ ͡) " alguém me explica o que significa? XoXo