O Beijo das Estrelas
6 Ela
Notas iniciais
E em quanto estava ali, dentro de um quarto azul claro, deitada naquela cama com a cabeça encostada no travesseiro, eu fazia uma retrospectiva do meu dia até o momento que fui parar naquele hospital. Estava tonta e aquele gesso estava me incomodando muito, queria arranca-lo e deixar que o meu braço ficasse melhor por si só. E em quanto eu tentava achar um jeito de tira-lo, ouvi alguém batendo na porta.
– Entra! – falei
– Filha, como você esta? Fiquei tão preocupada! – era a mamãe.
– Eu estou bem mãezinha, só esse gesso que esta me incomodando.
– Oh minha filha... Já liguei pro Peter, ele também ficou preocupado e pediu pra avisar a você que ele já esta chegando. – sorriu em quanto acariciava os meus cabelos. Mãe coruja.
A porta se abriu e quando eu olhei para ver quem estava entrando sem anunciar vi que era a Emma. Normal, com a pressinha dela não ia rolar bater na porta antes de entrar.
–Amiga? – me chamou com o rosto entre a porta e a parede.
– Oi, pode entrar Em.
– Como você está? — De novo aquela mesma pergunta...
– Eu estou bem – De novo aquela mesma resposta...
– O Vitor falou que você irá passar a noite aqui em observação.
– É... Eu já estou sabendo.
Pairou um silencio de alguns segundos, até que a mamãe se pronunciou.
– Bom eu vou deixar vocês sozinhas em quanto desço pra tomar um café, fica de olho na minha Luiza, Emma.
– Pode deixar Sra. Sharp
Quando a mamãe saiu, a Emma chegou mais perto de mim e disse.
– Luiza, o Vitor disse que te achou uma gata!- falou com entusiasmo. -Mesmo tendo te conhecido nessa situação, ele falou que poderíamos marcar um novo encontro quando você estivesse melhor.
– Aaah não Emma! – disse.
– Porque não? – perguntou com os olhos arregalados – você não gostou dele?
– Na verdade não. – respondi.
– Lulu, ele é um gato – falou tentando me convencer.
Revirei os olhos bufando.
– Quer saber por quem eu me interessei de verdade? – perguntei – pelo rapaz que me atropelou. – e sorrir ao me lembrar daquele rosto com traços tão perfeitos.
– O que? – ela perguntou como se fosse uma revelação ridícula. – Eu não acredito que você se interessou por aquele homem... – disse mexendo a cabeça com desaprovação.
– E qual é o problema dele? Ele também é um gato.
– Luiza esse rapaz te atropelou, ele deve ser um irresponsável. – disse olhando nos meus olhos – e outra coisa, você nunca o viu, você nem sabe o nome dele. — cruzou os braços.
– E é ai que você se engana, sei sim. O nome dele é Marcus, foi ele mesmo quem disse.
– Aaarh – ela revirou os olhos se dando por vencida e eu sorri — então eu devo te dizer que ele esteve aqui.
– Aqui? Aqui no quarto?
– Não, lá na sala de espera. Quando fui perguntar oque ele estava fazendo aqui ele respondeu que só tinha vindo pra saber se precisaríamos de alguma coisa e também pra saber como você iria ficar.
– Hawn que fofo! Está vendo Emma? Ele nem é tão irresponsável assim. – ela me deu língua e eu sorri novamente. – e onde é que ele está?
– Ele sumiu logo após o Vitor aparecer e dizer que você estava bem. Eu já tinha dito a ele que nós não íamos precisar de nada.
– Eu queria vê-lo de novo – pensei nele novamente.
– E o Vitooor? – Emma perguntou insistindo.
– Aaah, esquece esse Vitor Emma! – disse já irritada.
– Mas o que eu vou dizer pra ele? Foi ele quem cuidou de você, não esse Marcus – disse em tom de deboche.
– Diga a ele que muito obrigada, mas eu não estou interessada em sair com ele. Simples assim!
– Eu juro que não ajudo mais você.
– Ajudar em que? A encontrar marido? Eu não estou desesperada, já disse que não preciso que faça isso por mim!
– Você é quem sabe da sua vida.
– É, sou eu que sei da minha vida.
Ficamos nos encarando que nem dois touros nervosos. Até que ele se deu por vencida.
– Eu já vou, o Vitor disse que eu não poderia ficar aqui muito tempo que você teria que descansar.
– Tudo bem.
Detestava quando eu e a Emma ficávamos com aquele clima de uma pequena discursão no ar. Eu amava muito a minha amiga, mas tudo tem limites. Não queria que ela se metesse tanto na minha vida amorosa.
– Tchau – me deu um beijo na testa.
– Tchau Em.
Quando ela ia saindo pareceu-me que tinha se lembrado de alguma coisa.
– Ah! O Luke mandou um beijo e melhoras.
– Manda um beijo de volta e obrigada.
Ela bateu a porta e voltei para os meus pensamentos no Marcus. Lindo. Moreno com os cabelos pretos e os olhos castanhos, tinha dentes tão brancos que era impossível não notar mesmo que ele não estivesse sorrindo. Queria ter a oportunidade de encontra-lo novamente, mas eu não tinha nenhuma informação sobre ele a não ser o seu nome. Bom, pensei então em deixar nas mãos do destino, se fosse pra nos encontrarmos de novo tudo ia conspirar a favor.
– Lulu?
O Peter me chamou e eu despertei dos meus sonhos acordada com o Marcus.
– O-oi Peter, nem reparei que você estava ai.
– É eu percebi que você estava no mundo da lua. – disse sorrindo e dando um beijo de leve em minha bochecha pra não magoar alguns pequenos arranhões que eu tinha no rosto.
Logo depois a mamãe apareceu e ficamos ali conversando por mais ou menos trinta minutos, até que o Vitor chegou e disse que já estava na hora deles irem embora.
– Mas já? – a mamãe perguntou – queria ficar mais um pouco pra cuidar da minha filhinha.
– Sim Senhora... ? – disse o Vitor esquecendo-se do nome da minha mãe
– Cloe — a mamãe completou.
– Cloe – ele sorriu – a Luiza agora irá ter cuidados de outra pessoa. – e olhou pra mim com um sorriso descarado e piscando o olho.
Era obvio que essa ‘’outra pessoa’’ seria ele. ‘’ Que nojo, que conquistador barato! Que cantada ridícula! ‘’ pensei. De onde a Emma tinha tirado esse homem? Reparei que até a mamãe e o Peter ficaram sem graça diante daquele comentário desnecessário.
– Bom, então temos que ir né mãe? – disse o Peter fuzilando o Vitor com o olhar. Ele também tinha pensado a mesma coisa que eu, e pelo visto não tinha gostado nada daquilo.
– Queria pedir um favor a vocês, avisem a Lena que desmarque com todos os meus pacientes de amanha e explique-lhes o motivo.
– Pode deixar – a mamãe falou.
Quando eles saíram do quarto me deixando sozinha com aquele homem, uma mistura de tensão medo e horror me tomaram, tentei parecer normal, mas não estava funcionando, a prova disso foi que ele percebeu.
– Calma, não precisa ficar assim. Eu não vou fazer nada com você – disse tentando me acalmar.
– Assim como? E-eu estou normal – forcei um sorriso tentando convence-lo.
– A Emma me falou que você não quer marcar um novo encontro. – disse serio.
– Ah tá. — dessa vez sorri sem graça. Eu já devia imaginar a Emma com toda aquela pressa já tinha dado um fora no Vitor. Olhei pra ele, fiquei até com pena, mas não iria ceder, já estava decidida.
– Olha... Tudo bem tá? Eu não estou chateado com você.
Fiquei com vontade de perguntar então o porquê daquela brincadeirinha, mas deixei pra lá.
– Ok – sorria ainda sem graça – nós podemos ser amigos?
Ele sorriu.
– Sim, podemos. – fiquei aliviada, não queria que ele tivesse raiva de mim. – Bom, o enfermeiro vai trazer os seus remédios, até logo e boa noite.
– Obrigada, boa noite.
Quando ele saiu do quarto, instantaneamente voltei os meus pensamentos para o Marcus. Era estranho, pois eu só havia o visto uma vez e mal o conhecia. Tentei imaginar oque ele devia estar fazendo naquele mesmo momento e varias outras coisas e foi ai que o enfermeiro chegou. Tomei os remédios para aliviar as dores e em poucos minutos eu já estava dormindo.
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