O Beijo da Leannan Sìth
1 Deixe-se para trás...
Notas iniciais

O DIA AMANHECEU cinzento, e as plantas pareciam brilhar graças ao orvalho. Algumas poças no asfalto úmido indicavam a chuva durante a madrugada e de certo seriam alvos dos garotos e garotas arteiras. As pessoas começavam a despertar na aldeia Bibury, no distrito de Cotswold. Seria só mais uma segunda-feira preguiçosa de outubro, mas o calendário indicava trinta e um. Trinta e um de outubro. As crianças mal conseguiram dormir na noite anterior, animadas com a Noite de Todos os Santos, ou como era conhecida em boa parte do mundo: Halloween.
As casas estavam enfeitadas e os doces nas despensas aguardavam o momento em que seriam distribuídos. Certas famílias já tinham tudo preparado para realizar suas festas. Isso de fato era promissor em comparação a alguns anos antes, quando a festividade não fazia parte do calendário. Os moradores mais tradicionais não faziam questão de aderir ao “modismo”, ignorando as gostosuras e travessuras que a data trazia consigo.
Um desses habitantes era Balthazar Thyme, que fazia questão de permanecer trancado em sua casa durante todos os momentos que envolviam contato social. Sua vida reclusa despertava a curiosidade dos outros, que só o viam quando ele precisava abastecer a geladeira antes que morresse de inanição. O chalé, que fora herança dos pais, era o seu “exílio criativo”, recorrendo ao lugar sempre que precisava escrever um novo livro.
O autor vinha sendo pressionado por fãs antigos e críticos para criar mais um de seus romances, mas tudo o que conseguia era olhar para o papel, tão em branco quanto sua mente, e a máquina de escrever. A criatividade fugia de sua ferramenta de trabalho — não gostava da aparência dos editores de texto no computador — como se os botões fossem dentes de uma besta furiosa.
A princípio costumava andar pela aldeia em busca de inspiração, mas os dias passaram e se transformaram em semanas; dois meses e não escrevera um capítulo sequer. Não tinha mais cabeça para responder os e-mails de seu agente, pois as desculpas pareciam cada vez mais esfarrapadas. Não era mais tão fácil fazer sucesso no mundo literário com tantos autores jovens jorrando histórias em um espaço curto de tempo. Sentia-se obsoleto e não sabia como mudar esse cenário sem abandonar o estilo próprio.
Naquele dia, o despertador tocou no horário de sempre, mas Balthazar já se encontrava desperto. Seu corpo insistia para que continuasse deitado, não vendo propósito em seguir com a rotina. Mesmo assim levantou e fez o de sempre; tomou seu banho sem ao menos sentir a água correr pelo corpo e comeu algo sem gosto apenas para aplacar a necessidade.
Como de costume, foi até o escritório — nos fundos da casa — e abriu a janela. A brisa fria matinal fez sua pele arrepiar sob o casaco, mas assim era melhor para mantê-lo desperto. Sentou-se ao som do estalar das juntas da cadeira velha e observou a vista privilegiada que tinha do jardim. O papel já estava posicionado na máquina apenas aguardado sua iniciativa, mas algo chamou a atenção de Balthazar.
Largando a ideia inicial de escrever até seus dedos sangrarem, deixou o escritório para verificar o que era aquele ponto vermelho divergindo da vista habitual. Ao chegar mais perto, mal pôde acreditar no que via. O ponto vermelho nada mais era que uma rosa cujas pétalas rubras estavam rajadas com branco. “Talvez o contrário”, pensou, já que da distância em que se encontrava ficava mais difícil de enxergá-la.
Ao redor, parecendo protegê-la, um círculo de cogumelos, fazendo-o lembrar de algumas histórias que sua avó — uma irlandesa casmurra — costumava contar, seguidas sempre do mesmo aviso: nunca entre em um círculo de cogumelos, ou vai parar em Tír na nÓg. O círculo também era conhecido como anel de fadas e Tír na nÓg era a sua terra. Não achava a hipótese tão ruim quando criança, mas nunca tivera a sorte de encontrar um até aquele momento, com quase cinquenta anos.
Sem nada a perder, deu um passo à frente e mais outro. Quando viu estava agachado, observando a flor exótica. Guiado por algo maior que a vontade própria, levou os dedos de encontro ao caule sem ao menos notar os espinhos. Não houve dor quando a ponta afiada furou sua pele, apenas surpresa. Balthazar ergueu o dedo machucado e uma gotícula escarlate serpenteou pela sua mão, caindo sobre uma das pétalas aveludadas.
Esse breve momento foi o suficiente para despertar certa urgência em seu âmago. Por isso voltou ao escritório e, mantendo a rosa sob olhar atento, deixou que os dedos brincassem com as teclas, ainda que as frases não tivessem coerência naquele instante. Parou apenas quando a luz do dia não era mais suficiente para permiti-lo enxergar sem o auxílio da lâmpada. O encanto de antes passou aos poucos, denunciando as dores no pescoço e nas costas após ficar muito tempo na mesma posição.
Ao se levantar, soltou um suspiro quase aliviado. Um sorriso torto brotou em seus lábios e o olhar se voltou na direção da rosa, quase invisível na penumbra. Por um segundo desejou abrigá-la em sua casa ao invés de deixá-la ao relento.
— A casa está aberta para a senhorita — murmurou ele para a flor.
Na mesa, as folhas de papel formavam uma pilha não tão volumosa, do jeito que imaginara que seria. Não fez questão de ler o que escrevera, mas se sentia muito mais tranquilo, e o dispêndio de energia voltado à escrita lhe exigia uma boa noite de sono. Contudo, precisava dar a notícia ao agente antes de dormir, então mesmo desejando abraçar sua amada cama, ligou o computador.
Enquanto se preparava para escrever o e-mail, a campainha começou a soar, lembrando-o do Halloween. Ignorou a insistência das crianças, guardando para si a vontade de gritar a fim de que se afastassem da sua casa. Ele escreveu o mais rápido que pôde, sem se importar em revisar, e enviou.
Com as luzes apagadas, deitado em sua cama, e cercado por silêncio, adormeceu tão rápido quanto um piscar de olhos.
◊
Em seus sonhos, estava no jardim mais uma vez, porém cercado por uma névoa que o impedia de enxergar os próprios pés. Sua casa parecia ter sido engolida pela atmosfera brumosa, e o desespero se tornou inevitável. Os passos lentos se tornaram urgentes até que, por entre o arredor nebuloso, encontrou o pequeno anel de fadas da manhã anterior, mas a rosa não estava mais lá. Em seu lugar, uma jovem de pele alva, cercada por um emaranhado de cachos vermelhos. Seu corpo delicado estava voltado para o outro lado, em posição fetal, desnudo e tremelicante. Ramificações parecidas com galhos de árvores adornavam suas costas como tatuagem.
Ignorando seus temores, aproximou-se apenas alguns passos antes de ser puxado de volta à realidade. Acordou ofegante e com a janela escancarada. O tempo do lado de fora era ensolarado, e o relógio no criado-mudo já marcava 9h. Completamente desperto, levantou-se rápido apesar das reclamações de cada articulação do seu corpo. Os pés encontraram o chão frio, causando um choque térmico e alguns xingamentos. Nada disso importava no momento, pois sua mente ainda estava no sonho que tivera.
Balthazar correu até os fundos da casa como se sua vida dependesse disso. O som que deixou seus lábios ao avistar o jardim foi uma mistura de riso e choramingo. Os pés descalços encontraram a grama úmida, levando-o em direção ao círculo de cogumelos. Dessa vez não precisou entrar, pois estava claro, até mesmo daquela distância, que ali não havia rosa alguma.
O espanto durou quase um minuto até a raiva começar a tomar conta. Tinha certeza que uma das crianças entrara em seu jardim e a arrancara da terra. Acabou entrando no anel de fadas e parou em frente ao local onde estivera a flor. Não havia sinal de que alguém tinha entrado ali. “Mas isso não faz sentido”, pensou, levando as mãos à cabeça. Estava desesperado graças a uma rosa e isso também não era lá muito racional.
Balthazar voltou para dentro de casa, indo de cômodo em cômodo como se fosse achá-la por milagre em algum lugar de sua bagunça. Nesse interstício, a campainha começou a soar como na noite anterior.
— O Halloween já acabou! — gritou para o visitante, enquanto revirava a casa, mas a pessoa não desistiu. — Maldição! Eu estou ocupado!
Nem mesmo os xingamentos foram suficientes para espantar quem quer que estivesse do outro lado da porta. Quase soltando fumaça pelo nariz, resolveu ver quem era, pronto para despejar sua cólera.
— Eu já disse que estou... — Sua surpresa foi tão grande que não conseguiu terminar a frase.
— Olá, Balthazar! — A menina o abraçou e lhe deu um beijo na bochecha. — Pensei que não fosse abrir a porta.
Com a cabeça dela apoiada em seu ombro, tudo o que via eram os cachos ruivos pouco abaixo do seu queixo. Ele retribuiu o gesto com o único intuito de provar que aquilo não era um sonho, mas o calor que ela emanava bem como o perfume, que atordoava seus sentidos, não podiam ser fruto da imaginação.
— Essa casa está uma bagunça. — A jovem se afastou, entrando na casa, e o escritor quase implorou para que ela voltasse para os seus braços. — Tem algo contra limpeza?
— Eu... Não. Quer dizer, quem é você? — No mesmo instante a garota se virou, encarando-o com as mãos nos quadris.
— Como assim quem sou eu? — perguntou ela, genuinamente confusa antes de começar a rir. — Esqueceu que me convidou? “A casa está aberta para a senhorita”, lembra? — Foi a vez dele de ficar confuso antes de arregalar os olhos. — Meu nome é Osiria. Feliz?
Ela sentou no sofá, colocando as pernas para cima, e Balthazar se aproximou com cautela. Os olhos eram tão pretos que o escritor não conseguia distinguir o que era íris e o que era pupila. O vestido que usava era simples, pouco acima dos joelhos; o branco mal contrastava com a sua pele.
— Está querendo me dizer que você é a rosa do meu jardim? — Osiria assentiu, sorrindo.
— Romântico, não? “A rosa do meu jardim” — repetiu, dando um longo suspiro.
— E por que está aqui? Sim, sei que a convidei — adiantou-se ao ver que ela iria dar a mesma justificativa de antes. — Por que apareceu no meu jardim?
— Bom, você precisa de ajuda para escrever o seu livro, não é? É, eu sei e prometo que não sou uma fã louca — brincou ao ver o semblante admirado dele.
— Não tenho fãs da sua idade — respondeu, ainda não acreditando no que estava vendo e ouvindo.
— Você nem sabe a minha idade! — Osiria riu como se ele tivesse acabado de contar uma piada. — Balti, posso te chamar assim? — Como não houve resposta, continuou: — Então, Balti, não adianta ficar em negação. É um escritor, não é? Deveria ter uma mente mais aberta e acreditar que coisas fantásticas acontecem quando a gente menos espera.
— Escrevo romances, não fantasia.
— Romance de verdade, nos dias de hoje, é algo tão fantasioso quanto dragões e fadas.
— E você seria essa, hum, “coisa fantástica”? — Balthazar sentou ao seu lado, evitando qualquer contato e, ao mesmo tempo, desejando tocá-la.
— Obrigada pela parte que me toca. — Ela piscou para o escritor. — Pode-se dizer que sim, mas depende de você.
Ele engoliu em seco, sentindo a garganta arranhar. Mesmo a olhando de perto, não conseguia ver uma imperfeição. “Como isso é possível?”, perguntou-se sem se preocupar se a encarava ou não.
— Estou ouvindo — disse enfim.
— Ótimo, então vamos partir do princípio em que você acredita nas lendas que sua avó costumava contar sobre a terra das fadas. Ai, não perca seu tempo perguntando como sei disso — falou, revirando os olhos. — Assim como os humanos, temos algumas características peculiares, entende? — Ele assentiu. — Eu possuo atributos que podem ajudá-lo com seu livro. E acredite, posso fazê-lo escrever uma obra-prima, mas...
— Depende de mim — continuou Balthazar, e ela aquiesceu.
— Do seu grau de comprometimento — complementou, chegando mais perto dele. — Serei sua musa, Balti. — A voz de Osiria era tão aveludada quanto as pétalas de rosa. — Com a minha ajuda, as pessoas não lerão só as suas palavras, mas a sua vida. Chega de despertar só suspiros apaixonados de algumas leitoras que não compreendem todo o seu potencial. Não o merecem! Você servirá de inspiração para milhares de pessoas ao redor do mundo. — Ela estava quase em cima de Balthazar, que parecia completamente hipnotizado. — Eles beberão direto da sua alma através da escrita — sussurrou em seu ouvido. — Tudo o que precisa fazer é dizer sim. Morra em si e renasça em mim. Seja meu.
Ele fechou os olhos, sentindo a respiração de Osiria contra a sua pele. Estava disposto a pagar com seu sangue e alma para conseguir o que queria. Seria dela apenas, a bela desconhecida, e de ninguém mais, arrebatado por suas palavras e entregue ao seu domínio.
— Sim.
◊
Passaram-se os dias e o escritor não se preocupou mais em fazer perguntas, mas precisava admitir que a presença de Osiria o inspirava além do imaginável. Os gestos, a maneira de falar, tudo era um motivo para que sua mente trabalhasse em múltiplas ideias. Os dedos teclavam sozinhos, formando a história que tanto desejara criar. Seria seu magnum opus.
Certas vezes os dois conversavam por horas a fio. A jovem se deitava em seu colo e ouvia suas histórias até cair no sono, pouco antes da noite chegar. Os dois dormiam na mesma cama, com ela o abraçando pela cintura e pousando a cabeça em seu peito. Os sonhos de Balthazar eram uma extensão da criatividade que Osiria proporcionava, servindo de inspiração para o dia seguinte.
Ela não se alimentava e ele absorvia esse hábito aos poucos sem ao menos notar. O cansaço não lhe passava despercebido, mas a emoção em ver a história ganhando forma parecia o único alimento que necessitava, mesmo com as calças ficando tão largas que caíam. Se antes as pessoas da cidade o viam de maneira corriqueira, agora se perguntavam se ele já tinha voltado para Londres, onde morava no resto do tempo.
— Não se preocupe com isso agora — dizia Osiria, abraçando-o. — Continue escrevendo.
E Balthazar continuou como ela falara, também mantendo seu agente informado com as boas novas. Osiria era tudo o que precisava, e quanto mais perto do final ficava, maior era a sua preocupação. O que seria da sua vida, afinal, quando terminasse o livro? Ela o deixaria? Mal conseguia respirar ante tal possibilidade.
— Seu sangue pulsa dentro de mim, Balti — murmurou ela, enquanto estavam deitados certa noite; seus dedos entrelaçados aos dele. — Lembra-se quando furou o dedo em meu espinho? Nunca se esqueça disso, pois não há maneira de eu o deixar.
Não tinha como duvidar dela. Não conseguia. Por isso continuou escrevendo mesmo quando não aguentava mais permanecer sentado. E quando a última palavra surgiu no papel, ele recostou as costas no espaldar da cadeira, aliviado.
Do lado de fora da janela, o crepúsculo tingia o céu de lilás enquanto Osiria, deitada na grama, observava-o encantada. Balthazar sorriu com a visão pacífica antes de chamá-la para contar a novidade. Ela ficou exultante, parecendo ainda mais bela do que no dia em que se conheceram; os cabelos pareciam ainda mais vermelhos e os olhos tinham um brilho encantador.
— Leia! Leia para mim, Balti! — Osiria o abraçou mais uma vez e ele inspirou o perfume de rosas que a jovem exalava.
Balthazar pegou a pilha de folhas e os dois foram para o quarto. Mesmo exausto, limpou a garganta e empostou sua voz. Ele contava a história com júbilo, enquanto Osiria reagia a cada situação de maneira adorável aos seus olhos.
As horas foram passando e o escritor se sentia cada vez mais compelido a fechar os olhos, cedendo ao cansaço. Contudo, ela o incentivava a continuar. Não podia negar nada que Osiria pedisse. Então leu até chegar no último parágrafo, até a última palavra.
— E fim — disse, soltando um suspiro cansado.
Osiria se sentou na cama e o olhou com admiração. Ele queria pedir que não fosse embora graças ao livro finalizado, que ficasse mais um pouco. Que ficasse para sempre. Sempre ao seu lado. Mas não conseguiu. Ela tinha cumprido com a promessa de ajudá-lo. Ele pertencia a Osiria, não o contrário.
Balthazar olhou para as folhas de papel mais uma vez antes de colocá-las de lado e pousar a cabeça no colo da jovem. Ela acariciava seus cabelos com amabilidade e o escritor nada fez além de fechar os olhos. Sua mão procurou a dela, entrelaçando os dedos calejados aos delicados, apertando-os de leve. Só então entendeu o significado por trás das palavras em seu livro.
— Obrigado — murmurou antes que sua mão pendesse no colchão e seu coração parasse de bater.
Osiria acarinhou o rosto de Balthazar antes de sorrir para o corpo inerte em seu colo. Ela empurrou a cabeça do homem para o lado com certa brusquidão e levantou da cama, pegando o manuscrito. A energia do escritor pulsava em suas veias com intensidade, depois de quase dois meses ao seu lado. Não podia negar sua natureza, embora amasse cada um dos artistas que passara por sua longa vida. Todos colocaram seu sangue e suor em benefício da arte. Osiria era apenas a mediadora, catalisando o potencial e o transformando em competência. “Uma musa”, pensou, folheando as páginas e parando na dedicatória.
— “Para a flor do meu jardim”? Sério, Balti? Eu estava sendo sarcástica quando falei que tinha gostado. Que coisa mais cafona — disse, rasgando a página. — Mas darei um jeito nessa parte, não se preocupe.
Ela se aproximou dele, beijando seus lábios antes de deixar o quarto e a casa para trás.
◊
Dez anos depois.
O rapaz olhava admirado para edição de luxo da última obra do autor Balthazar R. Thyme, publicada postumamente. Fazia questão de colecionar os livros dele e aquele faltava em sua estante. Ele olhou da capa dura para o preço, sentindo um aperto no coração. Aquele mês estava complicado e não podia sair gastando com livros. Olhou mais uma vez para o livro e de novo para a prateleira. Não havia muitos. Corria o risco de não ter mais quando voltasse.
— Sabe, eu amo esse livro. — Uma voz aveludada chamou sua atenção.
Ao se virar, deparou-se com uma jovem sorrindo para ele. O cabelo ruivo caía em uma cascata, contrastando com a jaqueta de couro preta. Era tão bela que o rapaz titubeou na resposta, sem saber o que dizer, temendo soar estúpido de alguma forma.
— Mesmo? — Ela assentiu, pegando uma das poucas edições que sobrara. — Pois é, acho que é o meu autor favorito. E esse livro é espetacular. Sabe, eu tenho uma banda de rock, não é famosa nem nada, mas resolvi criá-la pouco depois de ler essa história.
— Então tenho certeza que ela tem muito potencial. Sua banda, quero dizer — respondeu, afastando uma mecha ruiva do rosto.
— Obrigado. — Ele não entendia por que estava corando, mas estava. — Os livros dele me inspiram, como se fosse uma musa ou sei lá.
— Ah, eu entendo. Entendo muito bem.
— Bem, nós vamos fazer um show amanhã, posso te passar o endereço se quiser. — Ela concordou, animada. — Desculpa, nem me apresentei. Eu sou Kevin.
— Prazer, Kevin. — A jovem apertou sua mão enquanto ele a olhava fascinado. — Osiria.
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