O Beijo Mortal
1 O beijo da morte
Notas iniciais
Agradecimentos
Agradeço aos meus amigos por sempre estarem ao meu lado em todas as situações;
Ao professor Geová Bezerra que orientou o desenvolvimento deste.
Capítulos
1. Uma segunda chance................................................................
2. Estranhesas na faculdade..........................................................
3. Conhecendo Alinne..................................................................
1-Uma segunda chance
Como todos os dias, o sol batia forte no rosto da família Hutson, Elenna e Boby estavam convencidos que uma viajem em família seria perfeito nas férias, já Patryck e Patrycia preferiam passar os dias em casa jogando players e mexendo no facebook.
–Vocês precisam sair mais, já estão quase se formando e não querem nem se divertir um pouco. –Resmungou Elenna.
Elenna era uma mulher bonita, tinha seu belo cabelo castanho claro, seu olho possuía a cor mel e sua pele era branca como neve, seu lábio era rosado e quase sempre estava moldado com um sorriso. Boby usava a barba formato cavanhaque, era moreno claro, seus olhos eram quase negros acompanhando a cor do cabelo. Patryck e Patrycia eram muito parecidos, eles tinham os olhos cor de mel da mãe, seus cabelos eram da cor loiro escuro, suas peles eram brancas, como a mãe. Os dois tinham dezesseis anos e eram muito parecidos, não apenas a aparência, mas em geral.
–Mãe, nos responda uma coisa, por que vocês alugaram uma casa no meio do mato, longe de tudo e de todos? –Patryck tinha razão. Se Elenna queria diversão, por que fora para um canto isolado?
O resto de toda viajem foi percorrida em silêncio, Patrycia mexia em seu celular distraída e não se importava se estava ocorrendo algo, Patryck escutava músicas que colocariam muitas pessoas para pular com o ritmo. Boby pisava fundo no acelerador e como se não houvessem carros na pista ele os ultrapassavam.
Já tarde, o sol começava a desaparecer do céu e o carro ainda estava na estrada. Boby não era cuidadoso ao volante, e todos já pensavam: “um dia, quando algo acontecer, ele começará a ter cuidado”. Mas infelizmente ele não teve essa oportunidade. Enquanto o carro moldava uma curva, ele chocou com um caminhão que estava ultrapassando outro no local errado.
Ao abrir os olhos, ele só conseguia distinguir uma coisa, o branco, a claridade, suas pupilas demoraram um pouco a se acostumar. Algo chamava sua atenção, um bip frequente que lhe doía os ouvidos. Ao olhar para o lado, fica horrorizado. Uma pessoa que ele conhecia e amava muito. Patrycia era a única pessoa que entendia Patryck, e lá estava ela. Sua perna engessada, seus braços continham gases cobertos por esparadrapo, “ela deve estar sentindo muita dor” pensou ele.
Foi como automático, ele pensou na dor, ele sentiu a dor. Como se não pudesse conter gritou erguendo a cabeça, suas veias do pescoço ficaram amostra em sua pele clara. Algumas lágrimas escorregavam por seu rosto e a cada movimento brusco, sua dor aumentava. Ele não via, mas ouvia.
–Fique calmo, já vai passar. Pare de se debater, eu posso errar a agulha. –Uma foz apressada falava.
Patryck tentou conter seus movimentos e aos poucos ele não sentia mais dor. Ele não sentia nada. Estava acordado, tinha certeza disso, conseguia mover a cabeça, a ergueu um pouco e avistou uma mulher. Ela era negra, tinha alguns quilinhos a mais. Mas, ela era uma mulher bonita, seu olhar era relaxante e seu sorriso era branco e seus dentes alinhados. Tentou falar, sua voz falhou na primeira tentativa.
–Onde, onde estou? –Patryck não conseguia falar normal, era como sua corda vocal estivesse fraca demais para poder emitir algum som.
–Hospital San Magno, você e sua família sofreram um acidente de carro. Não sei bem como aconteceu, Patryck, posso dizer que foi um milagre que vocês tenham sobrevivido, todos do hospital esperavam que acordassem, sua irmã ainda ficou em um estado mais grave, percebemos que ela ainda não saiu do coma.
Ele raciocinava lento as informações, não via sentido nas palavras da moça. Patryck estava confuso, queria que a enfermeira fosse mais... Direta.
–Onde estão meus pais? –Sua voz ainda não soava com perfeição, encontrando várias falhas em sua frase.
–Ah... –A enfermeira procurava as palavras. –Seus pais, Boby e Elenna, eram pessoas muito boas. Chegaram ao hospital ainda vivos, mas pela grande perda de sangue, eles... eles...
–Morreram? –Patryck recuperou a voz em um choque, não sabia de onde havia tirado tanta força do nada. –É isso que quis falar?
–Desculpe, mas sim. –Ele não sentia dor física, mas doía muito, ele voltara a gritar, as lágrimas voltaram a cair. –Vou ter que te dopar, não tem jeito.
A escuridão voltou para o rapaz, o acidente havia deformado um pouco de seu rosto, seu lábio tinha uma grande e visível cicatriz, seu braço havia torcido e a perna havia quebrado, talvez, com alguns meses ele estaria bom novamente.
O céu estava escuro a ponto de cair uma tempestade, o tempo estava frio e a família Hutson estava agasalhada há beira da lareira, eles sorriam e brincavam, tomavam chocolate quente e discutíamos onde iriam passar as férias, todos concordavam em ir para Phoenix, a cidade do sol.
–Mas lá faz muito calor, talvez possamos ficar doente com a mudança climática. –Patrycia pensava rápido, ela queria ir, mas queria a segurança e o bem estar de sua família.
–Tem razão, não é bom uma mudança climática para nós. –Patrick concordou e se levantou.
O jovem caminhou até a porta, a abriu e um imenso espaço branco era sua visão.
A cena se repetia, os olhos ardiam com a claridade, e levou novamente suas pupilas demoraram um pouco a se acostumar novamente e, após alguns segundos ele estava ciente do que ocorria ao seu redor. Olhou para o lado e se surpreendeu com o que viu. Sua irmã estava sentada sorrindo.
–Patrycia. –Ele sorriu com o fato de sua irmã estar acordada e parecer bem.
–Oi Patryck, que bom que acordou. A enfermeira disse que não ia demorar muito, que você estava apenas dopado e que havia saído do coma. –O jovem lembrou-se da história da enfermeira e no mesmo instante ficou tenso.
–O que foi?
–Eles... Eles te contaram? –Patryck estava preocupado com a reação da irmã.
–Sim. Mas temos que continuar vivendo a vida. Não aceitei no começo claro. Mas se Deus nos deu uma segunda chance, temos que utiliza-la bem. Temos que reconstruir nossos caminhos. –Patrycia falava com clareza e certeza, o que fez o rapaz parar para pensar um momento.
Uma enfermeira entrou no quanto. Essa Patryck não conhecia, mas, aparentemente Patrycia era familiarizada com a moça, pegando uma prancheta de anotações a enfermeira rabiscou algo e colocou a prancheta na cabeceira da cama.
–Que bom ter acordado Sr.Hutson, já íamos colocar outro medicamento para te acordar.
–Bom dia Dra.Sheila, vamos conversar mais um pouco? –Patrycia estava animada, Patryck a observava e tentava capturar sua energia positiva.
–Desculpe Patrycia, hoje estamos lotados de trabalho, um ônibus bateu e temos em cerca de 40 pacientes machucados. Aquela correria toda.
–Ah, tudo bem, quando tiver um tempinho passa por aqui. Será bom conversar com você novamente. –Ela se despediu e a enfermeira saiu.
Passaram-se minutos, horas, dias, semanas, meses, para que eles pudessem receber alta, os irmãos, os dois ainda de muletas saíram com esperança para uma boa vida.
Com a herança de seus pais, eles resolveram vender a casa e mudar de cidade, Patryck e Patrycia eram muito inteligentes, os dois foram para a faculdade do Alasca para reconstruir suas vidas, continuaram a morar juntos, cada um com seus estudos. Patryck quis ser formado em medicina, iria trabalhar com todo tipo de coisa, feridas, câncer, infecções e assim por diante. Já Patrycia, por ter medo de sangue, passou longe da medicina e correu para a advocacia.
2-Estranhesas na faculdade
Primeiro dia de aula para Patryck. Ele estava muito nervoso, escola nova, alunos novos. Nunca tivera um amigo de verdade, achava a maioria das meninas exageradas demais, e os meninos, a maioria agia com estupidez, sem pensar.
Alasca era uma cidade muito fria e infelizmente Patryck fez uma concordância com Patrycia que não era preciso de carros para eles se locomoverem, assim, os dois teriam que andar três km para chagar na escola. Patryck odiava física, era totalmente desastrado e no caminho até a escola, levou no mínimo três tropeções.
Entrando na sala da diretora sentiu no mesmo instante a mudança climática, lá havia aquecedor e ele se sentiu aliviado por sentir menos frio que antes.
–Olá. Em que posso ajuda-lo? –Uma senhora de cabelos grisalhos e pérolas no pescoço perguntou curiosa.
–Sou Patryck Hutson, não conheço o prédio da faculdade ainda e gostaria de algo que me ajudasse em meus primeiros dias. –Patryck lembrou-se de poucas pessoas que tinha avistado na entrada da escola, mas evitou falar diretamente com elas.
–Ah, o novato Patryck. Está muito famoso aqui jovem, sua nota nos impressionou e será uma honra ter alguém como você em nossa escola. –Ficando envergonhado ele torceu para que ela mudasse o assunto. –Sou Tanya, aguarde um minuto, por favor.
Tanya pegou seu celular e ligou para alguém.
“-Ali? –Ela esperou alguma resposta. –O senhor Patryck está aqui e gostaria de uma pessoa para acompanha-lo nos primeiros dias... Não, ele irá fazer a mesma faculdade que você... Não... Venha aqui na minha sala... Chau”.
Uma menina iria guia-lo? Patryck estava esperando um folheto, um mapa, algo do gênero, não uma menina.
–A senhorita Alinne está para chegar, ela irá fazer medicina geral e propositalmente estão nas mesmas aulas. A diretoria da escola achou adequado dois gênios estarem na mesma sala. –Tanya parecia orgulhosa em expor aquilo.
–Eu esperava um panfleto ou um mapa. –Disse ele tentando cancelar sua parceria.
–Não irá adiantar persistir. Já estava tudo planejado. Aguarde um pouco, ela já saiu de casa.
Patryck, vencido abaixou a cabeça e sentou-se na poltrona laranja acolchoada. Agora que ele fora perceber o local. Suas cores eram vivas e destacadas, laranja e branco por todos lados. Até as mesas e os computadores essas cores predominavam.
Alguns minutos se passaram e Patryck escutou a porta sendo aberta ao olhar para o lado se deparou com uma linda garota. Ela estava com roupas finas, impressionante para o local. Seus cabelos castanhos feitos em cachos balançavam levemente enquanto caminhava suavemente pela pequena sala, seu salto quase não faziam ruídos, ela usava uma calça jeans clara e uma blusa verde sem manga. Sua pele era branca como gesso, Patryck ainda era um pouco rosado, mas ela... Ela parecia morta de tão branca. Seu olho era de cor alaranjada e aparentemente não tinha nenhum defeito.
A garota ficou parada como se estivesse travada ao me ver, suas narinas inflaram e sua mão foi rapidamente posta na frente da boca cobrindo o nariz como sentisse algum odor. Ela deu longos passos apressados até Tanya e começou a falar baixo mais audível.
–Não pode ser outra pessoa para esse “trabalho” Tanya?
–Não Ali, você foi qualificada a isso.
–Talvez eu não aguente. –Ela suplicava.
–Você consegue, agora vá se apresentar para Patryck.
Ela virou tensa, parecia não respirar. Seus músculos estavam travados e ela caminhou hesitante em direção do rapaz.
–Você deve ser Patryck. –Ela apertou a mão do jovem que já estava de pé. Patryck teve uma sensação estranha, sua mão parecia gelo, ela deveria estar morrendo de frio.
–Prazer em te conhecer Alinne.
–Ali. –Ela o corrigiu entre dentes. –Não gosto do nome completo.
–Desculpe... Ali. –Ela saiu pisando duro e Patryck a acompanhou com dificuldade.
Eles andaram rapidamente até o prédio seis (6), Ali fora tão dura com Patryck que ele ficou receoso se falava ou não com a senhorita. Todas suas dúvidas foram consumidas pelo medo. O que rodava em sua cabeça era: “Como uma moça tão bela pode ser tão fria?”. Uma questão que ele não soube responder.
Após alguns corredores, entraram em uma sala. Ali foi diretamente para uma cadeira, olhando ao redor Patryck percebeu que a aula já havia começado.
–Desculpe o atraso... –Ele não pode terminar de falar pois acabou sendo interrompido.
–Patryck o novato né? Sou Paul Spencer. Será uma enorme honra lhe dar aulas. Sente-se ao lado da senhorita Ali para que posamos dar continuação a aula.
Mesmo querendo dar atenção a aula. Patryck não conseguiu, a reação de Ali ao seu lado era de deixar qualquer um louco, será que ela era estranha mesmo? Ou ele provocara aquela reação nela? Não tinha como saber. Assim que tocou, ele saiu quase correndo da sala. Patryck ficou novamente sem reação, era para ela acompanha-lo... Ou não?
–Oi Patryck. –Uma menina loira e sorridente o cumprimentou tirando-o de seus devaneios. –Sou Wanessa.
–Prazer em conhecê-la Wanessa. –Patryck estava distraído, ele queria saber o motivo da reação de Ali. –Aquela menina... A Ali, ela tem alguma doença ou algo do tipo?
–Ah, até onde eu saiba não. Eu ia até perguntar se você brigou com ela ou algo do gênero. –Então a reação dela não fora normal.
–Ah. Qual é sua próxima aula? Isso é uma faculdade, mas sei lá... Parece uma escola normal, a gente tem que ficar trocando de sala e as matérias são diferentes e iguais ao mesmo tempo. –Wanessa riu do comentário.
–Física, você sabe jogar?
–Arg... Eu odeio esporte, sou totalmente desastrado. Talvez machuque alguém. –Wanessa reagia de uma forma exagerada, como se estivesse nervosa.
Ainda conversando e conhecendo Patryck, Wanessa o guiou para a quadra de física. Foi bem desastroso. Não avistando mais Ali, após a aula Patryck foi a uma pequena praça que dava conexão a vários locais como lojas de roupas, lanchonetes, loja de esportes e entre outras.
As árvores estavam congeladas e havia neve pelo chão, até chegar a loja de esportes que por sinal era quentinha, Patryck teve de tomar muito cuidado para que não viesse a cair. Já levara quedas demais aquele dia. Chegando na loja, acabou se deparando com o gerente e deixou um currículo para o caso de ser aceito ao emprego.
Patryck decidiu ter aulas só de manhã, assim podia descansar e procurar um emprego. A herança restada de seus pais não iria durar para sempre e eles precisavam economizar. Com fome, Patryck não pensou duas vezes e tentou fazer uma macarronada. Mas também não sendo muito bom de cozinha, seu macarrão ficou grudado e sem gosto fazendo com que ele esperasse com o estômago vazio a irmã chegar e tentar melhorar seu macarrão.
As horas passaram e ele se distraiu, assistiu, jogou videogame e estudou. Tomou um susto quando a porta se abriu e ai ele ficou ciente do horário.
–Finalmente, estou morrendo de fome. –Para quem perdera os pais a pouco tempo, os dois haviam se saído muito bem até o momento, e aparentemente continuaria assim.
–Que cheiro é esse? –Patrycia perguntou indo diretamente para a cozinha.
–Tentei fazer um macarrão, não deu certo. –Rindo, Patryck entrou na cozinha.
–Percebi. –Patrycia começou a cozinhar.
Usando o mesmo macarrão grudado ela fez uma bela janta. Patrycia deveria fazer culinária, ela sabia como concertar cada estrago, sabia fazer muitas comidas diferentes e gostosas, mas ela sabia que culinária não era sua paixão.
–O que você fez? –Patryck saboreava aquele gostoso jantar. –Está delicioso. Não dá para acreditar que é o mesmo macarrão.
–Obrigada. –Ela se sentia feliz, até pelo irmão, queria ser melhor, cuidadosa como sua mãe... Elenna.
Patryck sempre foi acostumado a dormir cedo. Assim que o relógio bateu seis horas ele escovou os dentes, tomou um banho quente e foi deitar-se. Mas algo não deixou-o dormir, ele sabia oque era, só não sabia como resolver.
Ali estava em sua cabeça, seus lábios bem desenhados, seu cabelo perfeitamente encaracolado, seu olho alaranjado e seu modo assustador de ser. De certa forma, Patryck estava ansioso para o dia seguinte, queria vê-la e perguntar o motivo da sua reação. Pelo que Wanessa o contou, era nunca agira daquela forma.
Acordou exausto, olhou para seu relógio anos 70 e notou a madrugada. Sentindo um gosto desagradável, Patryck foi diretamente ao banheiro escovar seus dentes. Sua casa era de um bom tamanho. Para duas pessoas era bem grande, poderia morar em cerca de seis pessoas nela.
Patryck não conseguiu voltar a dormi então foi ler o que seria passado no dia que estava para começar. Depois de duas horas sua irmã acorda informando a Patryck que já era hora de se arrumar. Como seria rotina andar três Km todos dias, ele estava começando a se acostumar, haviam menos escorregões e menos tropeções.
Patrycia já não tivera esse azar, ela arranjou carona, infelizmente só tinha uma vaga no carro e ela o deixou para traz. Patryck ficou sem reação. Como a própria irmã pôde esquecê-lo? Era para eles darem a volta por cima, mas, Patrycia pegou o atalho. Infelizmente a jovem não sabia que todo atalho pelo bosque tem seu “lobo-mau”.
3- Conhecendo Alinne
Patryck não se conformava. Não tinha amigos, não tinha pais, não tinha mais a irmã que um dia se dera tão bem. Sozinho no mundo e odiado pela garota mais bonita da faculdade. Bella, o que ele fizera para que Ali o odiasse? Patryck quase não falou com ela a não ser coisas formais.
Ao entrar no terreno da faculdade a primeira coisa que Patryck fez foi procura-la, ele a procurou por toda parte, pediu informações a pessoas desconhecidas. Mas aparentemente Ali não teria ido a escola. Avistando Wanessa ele foi em direção para perguntar.
–Wanessa, oi. –Ele parecia apressado para Wanessa.
–Oi Patryck, o que te faz vim até mim? –Ela parecia satisfeita com a ação.
–Bom, eu queria saber se você sabe por onde anda Isabella.
–Hoja está fazendo sol. –Patryck não notara nesse fato, estava com a cabeça tão cheia de Alinne que não prestara atenção nisso.
–E...?
–Bom, a família dela sempre sai para acampar quando o sol resolve aparecer. Você os conhece né? Os Huens?
–Não.
–Quando eles vierem, eu os apresento de longe, eles são estranhos como ela. Ao todo são três irmãos e dois são primos. São muito parecidos, mas são muito diferentes também. Não sei explicar. Para falar a verdade Alinne é a mais normal deles.
Os dias foram passando, mas Patryck não avistava Ali na escola. Passou-se uma semana e o rapaz já estava conformado com a falta de presença da bela Ali. Fazendo sol ou chuva, ela sempre faltava. Foi assim nas primeiras semanas.
Certo dia, quando Patryck já havia se acostumado com a falta de presença de Ali, ela resolve aparecer. Assustado ao vê-la, Patryck entra na sala lentamente e confuso. Ali lhe parecia diferente dessa vez. Ela parecia feliz, sorria e estava bem relaxada na sua cadeira, Patryck sentou-se e ela pareceu hesitar.
–Me desculpe... Por aquele dia. –Patryck a olhou como se dissesse “o quê?’ –Eu agi como uma criança chata e sem graça.
–Tudo bem. –Ele disse ainda estranhando o modo de agir de Ali.
–Então... Você tem irmãos? –Ali começou a puxar conversa e deixando aos poucos Patryck relaxado.
–Tenho uma irmã, ela se chama Patrycia...
–Alunos, daremos início a aula, silêncio, por favor. –O professor interrompeu a conversa.
Patryck começara a estranhar novamente a ação de Alinne, parecia que ela estava interagindo de forma diferente com ele. Patryck percebera sua mão quase tocando a dela, Ali estava olhando fixamente para a sua mão mas me deixava aproximar-me.
Hesitante, Patryck encostou com leveza seu dedo mindinho no de Ali, foi como se ele tocasse em um gelo, ela puxou muito rápido a mão, tanto que Patryck só viu um borrão, mas deixou passar.
Ao fim da aula, Patryck resolveu almoçar na escola, para os estudantes bolsistas o almoço era grátis, fazendo assim ele economizar dinheiro. Avistando uma mesa vazia Patryck quase correu para ninguém ocupa-la. Comia calmamente com seu excesso de distração. Sua mente flutuava no toque gelado de Alinne.
–Posso sentar? –Wanessa deu um susto em Patryck a ponto de ele deixar sua maçã cair. Antes que chegasse ao chão Ali a pegou e entregou na mão de Patryck.
–Devia ter mais cuidado. –Ela riu e foi em direção a uma mesa onde se encontravam dois rapazes e duas moças.
–Claro. Seria bom uma companhia. –Seu sorriso foi de orelha a orelha. –Eles que são Huens?
–São... Pensei que não almoçasse aqui, foi uma surpresa te ver no refeitório. –Patryck sorriu, mas não estava interessado na comida, ele queria era saber dos Huens.
–É, eu resolvi mudar um pouco minha rotina. Já cansei de me sentir só, minha irmã agora arrumou um namorado e me deixou de lado. –Patryck quase chorava declarando toda a verdade para Wanessa.
–Bom, você que decide isso. –Ela aproximou a mão dela para tocar a dele. –Mas, prometi que ia te apresentar os Huens. O de cabelo negro, o mais baixinho dos dois, ele é o Taylor, ao lado dele está a namorada, a loira que parece uma fada, ela é a Shift, Alinne você conhece, o outro rapaz se chama Robert e a namorada dele, a morena de olhos alaranjados se chama Christina.
–Ah, são todos muito bonitos. –Agora ele interessara-se pela conversa.
Após de arrecadar muitas informações, Patryck foi para casa disposto a descobrir mais sobre a família Huens. Ele foi diretamente ao computador e descreveu tudo da família, a temperatura, o modo de agir, a cor dos olhos quase vermelhos de Cristina. Ficou abismado com o resultado. A palavra que mais lhe chamou atenção foi vampiro, estava presente em quase todas opções.
O dia se passou mas Patryck não se conformava com aquela opção, “não existem vampiros, não existem vampiros...” ele repetia em sua mente. Para ele aquilo não era possível, deveria haver outra explicação.
Tentava dormir, mas sua mente parecia não cansar de pensar naquele assunto, tudo era incrível demais para sua cabeça. Foi para a escola ainda exausto, mas desposto a falar com Alinne, queria saber a verdade sobre ela e não a deixaria em paz enquanto não entendesse e descobrisse tudo.
Assim que a viu se dirigiu para ela em longos passos, antes mesmo de se tornar audível o que Patryck falava, Alinne olhou em sua direção, pediu licença e andou normalmente em direção do rapaz.
–Temos que conversou. –Disse ele sério.
–Aqui não é local para isso. –Alinne estava séria e parecia saber do que se tratara a conversa. –Venha comigo.
Eles caminharam até a floresta que tinha ao lado da faculdade sem falar uma palavra, ao chegar em um ponto que não dava mais para ver a estrutura da universidade.
–Eu descobri, descobri quem é você, descobri o que é você.
–Sei disso assim que vi você hoje.
–Então, por que se esconde? –Patryck estava indignado.
–Você sabe como são vistos os imortais pela sociedade? Nós preferimos viver em paz do que em guerra. –Ele ficou assustado com a palavra imortal, sabia com toda certeza que Alinne era uma vampira, mas não tinha tanta intimidade com a palavra.
–Bom, agora que eu sei... vai me matar? –O medo o dominava, suas pernas tremiam e suas palavras saiam tremidas.
–Claro que não. –Alinne riu com ironia. –Minha família é diferente, não bebemos sangue humano, por isso os olhos amarelos e não vermelho.
–Vocês não bebem sangue? –Ela riu de novo.
–Claro que bebemos, mas sangue animal.
–Mas vocês saem para acampar nos dias de sol como todos dizem? O sol não queima vocês?
–Mito. –O medo de Patryck já havia passado. –O sol não nos queima, mas nós ficamos diferentes, qualquer dia de sol eu te mostro. Mas, acabou o interrogatório? Ainda temos aula.
–Posso fazer mais uma pergunta? –Alinne assentiu com a cabeça. –Por que no meu primeiro dia de aula você reagiu daquela maneira.
–Bom, não é porque caçamos animais que não temos atrações por sangue humano, não sei porque, mas seu sangue me atraiu mais que qualquer outro dessa escola. –Patryck se sentiu envergonhado, como se aquilo fosse um elogio.
–Você, me transformaria?
Após essa conversa o humano e a vampira viraram um casal, correndo seus riscos na universidade e em qualquer local. Tudo era novo para Patryck, esse ficou espantado quando descobriu que sua namorada tinha mais de dois séculos de vida.
Depois de alguns anos, o casal se casou e sem querer na lua-de-meu Alinne transformou Patryck em vampiro matando sua alma para todo o sempre, mas deixando seu amor e seu desejos vivos como o fogo estralando na lenha. O mesmo surtou e acabou não resistindo, transformou a irmã, o cunhado a o sobrinho de 15 anos. Mas logo após de todos esses ocorridos a família viveu feliz.
–Para sempre. –Disse Alinne.
–Para todo o sempre.
Fim.
Músicas usadas como estímulo da história
A Thousand YearsChristina Perri
Batimentos cardíacos rápidos
Cores e promessas
Como ser corajoso
Como posso amar quando eu estou com medo de cair
Mas vendo você fica sozinho
Toda a minha dúvida de repente vai embora de alguma forma
Um passo mais perto ...
Eu morri todos os dias esperando por você
Querida não tenha medo eu vos amei
Por mil anos
Eu te amo para mais mil ...
O tempo pára
Beleza em tudo o que ela é
Eu vou ser corajoso
Eu não vou deixar nada tirar
De pé na minha frente
Cada respiração
A cada hora, chegou a esta
Um passo mais perto ...
Quando ela era apenas uma garota
Ela esperava o mundo
Mas ele voou para longe de seu alcance
Então ela fugiu em seu sono
A vida continua
Ele fica tão pesado
A roda quebra a borboleta
Cada lágrima, uma cachoeira
Durante a noite, a noite de tempestade
Ela fechou os olhos
Na noite
A noite de tempestade
Fora ela voou
Ainda deitado debaixo dos céus tormentosos
Ela disse oh-oh-oh-oh-oh-oh
Eu sei conjunto do sol nascer
Isto poderia ser para-para-paraíso
Para-para-paradise
Isto poderia ser para-para-paraíso
Whoa-oh-oh oh-oooh oh-oh-oh
Fale com o autor