Já fazia alguns dias desde que as três saiam mais tarde da escola por causa da detenção, recebendo seminário sobre como controlar seus sentimentos e impulsos violentos, além de possivelmente serem encaminhadas para consulta com o psicólogo da escola, especialmente a Arya que era a mais cabeça dura das três.

“Eu juro-” Arya grunhe, antes de cair de cara no gramado do parque público, errando seu alvo. “Ai que droga... Eu quero muito falar umas coisas pra professora, aquela mal-amada, falta de um namorado na vida, é isso que é!” Ela reclama, levantando e limpando a sujeira de seu uniforme de garota mágica. “Carente escrota.”

“Você não se ajuda também, quase xingou a professora ontem ainda, aí que você taria ferrada mesmo!” Eli relembra, enquanto perseguia um cachorro São Bernardo pelo parque, tentando pegá-lo, mas apesar do tamanho, ele era surpreendentemente ágil e veloz. “Volta aqui, cachorrinho! Mas que saco...” Ela reclama, parando para recuperar o fôlego, também em seu uniforme de garota mágica. “Joker, certeza que ele tá com uma carta? Por que sinceramente, tá difícil aqui!”

“Claro que eu tenho! Considerando tudo provavelmente é uma das de número Dois, como a que eu entreguei pra Arya.” Ele garante, assentindo com a cabeça, suas orelhas balançando com o movimento. “E-” Joker para, ao ver o cachorro olhando para ele, avançando em sua direção. “CALMA AI, CACHORRO, EU NÃO SOU BRINQUEDO! NÃO VEM ATRÁS DE MIM!” O coelho grita, correndo ao redor do parque numa velocidade surpreendentemente veloz para seu tamanho, deixando um rastro de poeira atrás dele, e mesmo assim o cachorro o perseguia tão velozmente quanto. “SOCORROOOOOOO!”

Arya e Eli apenas olhavam a cena, boquiabertas, antes de se entreolharem, então para a cena, então se entreolhando novamente, antes de finalmente suspirarem e fazerem alguma coisa. Arya usou o espelho de Eli como impulso, sendo lançada no meio da confusão e agarrando o São Bernardo com os dois braços.

“CONSEGUI!” Arya exclamou, antes de perceber que o cachorro mal tinha ficado mais lento, ainda perseguindo Joker com uma velocidade assustadora, agora arrastando Arya junto pela grama. “Ahn? SOCORROOOOOO!”

Eli voltou a encarar a cena, completamente boquiaberta, antes de fazer um facepalm. “Sinceramente, cadê a Seira nessas horas?”

Com um timing perfeito, Seira chegou no local, carregando um saco de ração embaixo do braço. Ela colocou dois dedos na boca, tomando fôlego e assobiando alto para chamar a atenção do cachorro, sacudindo o saco de ração no ar para ele ver. O São Bernardo estava mordendo a capa do coelho, antes de soltá-lo, correndo até Seira animado, se jogando sobre a garota e lambendo o rosto dela. A garota riu, antes de empurrá-lo para o lado, abrindo o saco de ração e o deixando comer.

Seira iria tentar pegar a carta, quando Arya se levantou com dificuldade e cambaleou até os dois. “Eu... Faço... Isso...” Ela disse, um olhar de raiva e determinação enquanto ela apontava sua adaga para o cachorro.

Ela sabe que não precisa matar, né...?” Seira pensa, um pouco preocupada, mas felizmente, Arya apenas juntou sua aura, fazendo a carta ser invocada, flutuando à sua frente e rapidamente a pegando, Seira aplaudindo animadamente.

“Prefiro gato... Ou até um tubarão.” Arya murmura, emburrada, saindo de sua transformação. “Qualquer coisa melhor que você, cachorro trouxa.” Ela dá as costas ao cachorro, que tinha se deitado na grama a esse ponto, cansado depois de perder a carta. “Dois de Ouros, perfeito! Toma Eli.” A garota chama, lançando a carta para Eli.

“Mais uma? Isso é vantagem mesmo.” Eli comenta, seu espelho absorvendo a carta, a garota sentindo um alívio e surto de energia. “Caramba, não tava brincando. Essa carta dá uma animada boa.” Ela afirma, se esticando, quando percebe que havia mais dois espelhos atrás de si agora. “Quando?”

“É... Quando... Mais... Isso aí...” Joker responde, jogado no chão, ofegante e extremamente cansado depois da fuga. “Mais cartas... Armas mais fortes...”

Arya e Eli se sentaram ao lado de Joker, acariciando o coelho até que ele recuperasse o fôlego. Eli manipulava os diferentes espelhos individualmente, curiosa para os novos usos possíveis deles.

“Tô tendo umas ideias, mas vou ver isso depois, agora tô cansada demais pra isso.” A garota diz, se deitando na grama. “Aliás Arya, como sua mãe reagiu por você ter se metido em problemas de novo? Esqueci de perguntar antes.”

“Hm? Bem de boa na verdade, depois que eu expliquei o que aconteceu, ela só me deu uma bronca.” Arya se joga na grama também, olhando para o céu limpo de fim de tarde. “Talvez até meio orgulhosa por eu ter socado aquela piranha... E os seus?”

Eli suspira, sua expressão um pouco triste. “Nem sabem ainda. Meu pai tem trabalhado bastante, alguma coisa nova atingindo vários pacientes... E minha mãe tá tendo muita viagem recentemente, a gente mal se viu segunda antes dela sair de novo.” Ela murmura, frustrada, enquanto manipulava os espelhos, vendo seu reflexo entristecido na sua superfície.

Arya segura a mão da amiga, sorrindo para ela. “A gente tá aqui ainda, pelo menos. O Joker, a Seira, e eu, não é Sei-” Ela para ao não ver a amiga em lugar nenhum. “Ué, cadê a Seira? E o cachorro?”

“Acho que... Foi atrás da dona do cachorro.” Joker diz, lembrando ver os dois saírem do local. “Deve voltar logo. Aliás, Eli, tenta tocar no espelho.”

A garota o olhou confusa, antes de obedecer, surpreendentemente, sua mão atravessou a superfície espelhada, reaparecendo em outro dos espelhos. Eli puxou a mão, antes de fazer de novo, então de novo, curiosa sobre como aquilo funcionava.

“Os espelhos da Eli funcionam como portais? O que eu tenho além da minha adaga afinal?” Arya questiona, inconformada. “Bom... Sombras.” Joker responde, dando de ombros. “Só isso? Ela tem portais e eu tenho umas sombrinhas? Seu mestre é muito injusto na divisão de poderes legais!” Ela reclama, cruzando os braços.

“Não precisa ficar com inveja, tá? Eu deixo você usar eles as vezes, Arya, tudo bem?” Eli brinca, dando tapinhas leves na cabeça da amiga, Arya empurrando a mão da amiga e mostrando a língua, antes de fazer beicinho. “Como ousa? Não vai brincar mais também, palhaça emo.” A garota zomba da amiga, cruzando os braços e fazendo beicinho também.

“Chata.” Arya murmura, antes de perceber Seira voltando sozinha, parando perto delas com seu sorriso usual no rosto. “Seira! Achou a dona do cachorro?” Ela pergunta, se animando novamente por estar perto dela.

Eli apenas revirou os olhos. “Gada.” Então se virou para Seira. “Ei, olha só!” Ela diz, mostrando seus novos espelhos e seu poder de portais. “Hm... Eles são pequenos, não tem como uma pessoa inteira passar, mas ainda deve ser útil pra algo.” Seira apenas observa maravilhada as habilidades novas de Eli, seus olhos brilhando.

Arya cruza os braços emburrada e com ciúmes, tentando focar em outra coisa, até que ela viu que Seira carregava algo nas mãos. “O que é isso, Seira?” Ela pergunta, a garota mostrando vários bilhetes para máquinas de fliperama nas mãos. “Ué, como você conseguiu isso?”

Seira se afastou, começando a fazer múltiplas poses e expressões corporais para dizer o que havia acontecido. Primeiro, uma pose de joelhos choramingando. “A dona do cachorro!” Eli adivinha, recebendo um positivo de Seira, então a garota age como se estivesse arrastando algo. “Puxando o cachorro até ela! Bicho forte, deve ter sido difícil.” Arya diz, recebendo um positivo também. Após isso, Seira faz uma expressão de felicidade, com as mãos nas bochechas. “A dona feliz! Encontrar o bicho de estimação perdido deve ter sido bom pra ela.” Joker finalmente adivinha também, Seira dando mais um positivo. Finalmente, a garota faz um gesto como se apertasse a mão de alguém, antes de oferecer os bilhetes para o ar. “Ela recompensou você com bilhetes de fliperama? Podia ter sido dinheiro.” Arya responde, um pouco indignada, mas recebendo um positivo final.

“Bom, sendo justa, a gente não vai no fliperama faz algumas semanas. As provas de avaliação, as cartas e agora a detenção, foi bem cheio querendo ou não.” Eli relembra, pensativa.

“Isso é verdade... Você nem testou a máquina de dança nova deles ainda! Você já foi em um fliperama antes, Seira?” Arya pergunta para Seira, que nega com a cabeça. “É isso aí! Vambora pro fliperama agora mesmo, que tal?”

“Tá de brincadeira? Já é seis da tarde, vai anoitecer daqui a pouco Arya.” Eli relembra, finalmente saindo de sua transformação e se levantando.

“Então a gente tem umas duas horas ainda antes de escurecer! Dá pra brincar um pouco, que tal em? Vai, por favor!” Arya implora, fazendo uma cara de cachorro pidão. “Só meia horinha, prometo.”

Eli suspira, antes de sacudir a cabeça e finalmente concordar. “Tá, mas só meia hora e a gente vai embora.” Arya pulou de alegria, abraçando a amiga, antes de segurar a mão de Seira e a guiar em direção ao fliperama. “Sinceramente, em... Bom, a gente merece né. E a Seira com a gente vai ser legal também.”

“Eu quero também!” Joker exclama, animado, pulando nos braços de Eli. “Vou me comportar, prometo. Modo bicho de pelúcia ativado!” Ele diz, ficando parado nos braços dela na melhor forma que podia.

“Sinceramente, só me dão trabalho.” Eli comenta, antes de ir atrás das amigas apressadamente. “Vê se fica quietinho, Toy Story da Shopee.”

FLIPERAMA LOCAL

Arya puxou Seira para o fliperama, o papel de parede roxo, com o teto de um azul escuro coberto de desenhos sobre o universo, planetas e estrelas. O chão acolchoado e confortável sob seus pés, enquanto elas caminhavam pelos corredores de fliperamas e outras máquinas de jogos, até finalmente chegarem na máquina de dança estilo DDR.

“Você já jogou antes, Seira?” Arya pergunta, Seira negando com a cabeça. “Hm... Tudo bem. A Eli e eu vamos jogar primeiro, depois a gente joga em turnos.”

“Você é muito viciada nesses jogos de música, não é?” Eli comenta, dando Joker pra Seira segurar, antes de subir na máquina com a Arya. “Tô enferrujada, mas vamos.”

“Ei, é um ótimo exercício! Além do mais, me ajuda na hora de lutar, aqueles movimentos incríveis não vieram do nada, sabia?” Arya responde orgulhosa, antes de começar a primeira música.

Apesar de tudo, se podia ver como Arya já era experiente no jogo, enquanto Eli ainda errava alguns passos, a amiga se movia numa sincronia surpreendente, seus pés se movendo pela pista de dança com precisão, Seira a observando admirada. Quando a música terminou, Eli claramente estava um pouco cansada, entretanto, Arya parecia cheia de energia e pronta para continuar.

“Caramba, eu ainda tô esgotada... Melhor a Seira jogar agora.” Eli sugere, pegando Joker e olhando ao redor. “Eu vou no Simulador de Corrida com o Joker, tá? Vocês se divirtam aí.” A garota anuncia. “Vocês ficam sozinhas e eu descanso, porque minhas pernas tão me matando, socorro.” Ela murmura para si mesma, se afastando das duas.

Arya respirou fundo, antes de se virar para Seira, oferecendo a mão. “Quer tentar agora? Eu te guio, tudo bem?” Seira concordou com a cabeça, segurando a mão da amiga e subindo na máquina com ela. Ela observa e ouve atentamente Arya, seguindo suas instruções, focada em aprender e se divertir.

Com cada música, Seira se sentia mais confortável, um sorriso no rosto enquanto ela se divertia com Arya, as vezes a olhando, seguindo seus movimentos. A garota admirava a amiga, como ela se movia e claramente se divertia com o jogo, não importava a música ou estilo, Arya mal errava um passo, mesmo enquanto guiava Seira quando ela dava algum passo em falso.

É assim ter uma amiga?” Seira se questionava, uma sensação diferente em seu peito, suas bochechas corando, enquanto ela se via olhando para Arya com mais frequência. “É divertido...” Distraída, Seira acaba tropeçando no próprio pé e caindo, felizmente sendo segurada por Arya, as duas garotas se olhando por um momento. “Essa sensação engraçada na minha barriga... Meu coração tá batendo rápido... Por quê?

“Ei, eu tive uma ide-” Eli chama, correndo até elas, antes de parar, vendo a situação das duas. “Tô interrompendo alguma coisa?” Ela pergunta, as duas se assustando e caindo no chão, seus rostos completamente vermelhos. “Foi mal, mas eu tive uma ótima ideia.” A garota adiciona, acenando para que elas a seguissem.

As duas se levantaram ainda envergonhadas, antes de irem até Eli, olhando um pôster na parede. “Torneio das Flores.” O evento multiesportivo anual de New Kingdom, uma competição entre escolas para promover esportes e a colaboração em grupo. Alunos entre 14 e 18 anos, representando suas escolas e cidades, para conquistar a vitória em frente a todo o país.

“Torneio das Flores? É verdade que a gente pode participar agora, mas o que tem de mais?” Arya questiona, curiosa.

“A gente precisa achar as cartas do baralho, certo? Bom, pelo que o Joker disse elas devem estar espalhadas pelo país, só que a gente não tem realmente como sair por aí livremente, mas...” Eli aponta para o pôster, sorrindo. “Os times viajam pelo país todo pra enfrentarem uns aos outros, tudo pago pelo governo e tal. Isso quer dizer que se a gente entrar pra competição, nós vamos poder viajar e explorar as cidades pelas cartas, sem precisar inventar alguma desculpa pra isso.”

Os olhos de Arya e Seira se arregalam, olhando uma para a outra, antes de se voltarem novamente para Eli, sorrindo. “Essa é uma ideia muito boa e quem sabe? Talvez seja divertido, ver uns lugares diferentes e tal.” Arya comenta, Seira concordando animadamente, já imaginando os diferentes locais que poderia ver nessas viagens. “Só que... A gente nunca jogou nada antes.”

Eli encara a amiga, frustrada. “Eu sei, mas é o que a gente tem né? Não tem como a gente sair viajando pelo país sozinhas ou ficar arrumando formas dos nossos pais levarem a gente. Seria conveniente até demais, sinceramente.” Ela lembra, cruzando os braços. “A gente já tem que arriscar nossas vidas por essas cartas, quão difícil seria aprender algum esporte?”

“Bom, parando pra pensar, é só a gente usar nossas habilidades! “Arya sugere, batendo as mãos. “Ainda mais que a gente pode mudar nossos uniformes livremente, então é só fazer elas ficarem como o do time. A gente fica mais rápida, forte, tempo de reação melhor, com certeza a gente ganha fácil assim.”

“Quê? Claro que não, isso é trapaça!” Eli nega, franzindo o cenho. “Seria injusto com todo mundo participando, nem ferrando.”

Arya bufa, cruzando os braços. “Lembra o que tá em jogo aqui? Lembra? Risco nacional ou até global! É só esse ano, ok? Eu sei que é injusto, mas se a gente quer pegar essas cartas, não temos muitas escolhas no momento.” Ela argumenta, surpreendentemente séria.

Eli suspira, não podendo negar a verdade. “Saco, tá bom... Só pelas cartas.”

“Aqui, não gosto de trapacear num jogo, não é divertido, você sabe, mas dessa vez...” Arya coloca uma mão no ombro da amiga, sorrindo. “Pelo menos como último recurso, tá? A gente se segura e só usa pra ganhar se não tiver outro jeito. Até porque se a gente perder não tem mais jogos e viagens.”

Seira apenas observava as duas, cabeça inclinada e pensativa. “Não costuma ter a torcida também? Não era só a gente ir pra torcer pelos times?” Ela até pensou em dizer isso para elas, mas rapidamente já havia se esquecido. “Quero um uniforme rosa e vermelho com vários corações.” Sua mente continua, enquanto ela imaginava um desfile de modas com ela mesma usando vários uniformes de esportes com o tema que ela gostaria.

“E eu posso ser o mascote do time, não tem nada melhor!” Joker diz, pulando animado com a ideia de viajar. “É claro, as cartas... Aliás, o que vocês vão jogar?”

Eli e Arya pararam para pensar, Seira muito distraída com sua própria mente, enquanto se imaginava com um uniforme de futebol americano cheio de corações por algum motivo.

Arya estala os dedos, antes de falar. “Se não me engano, os principais são futebol e vôlei, tem alguns outros, mas pra gente acho que essas são as melhores opções. São os mais jogados por aqui em Dahlia também, a nossa escola mesmo tem quadras próprias só pra eles.” Ela sugere, confiante.

Eli assente com a cabeça, ajeitando seus novos óculos. “Realmente, os dois podem dar certo. Só que qual deles? Vôlei talvez fosse uma boa ideia, só que a partida não tem limite de tempo, a gente pode acabar jogando por horas enquanto transformadas, o que seria desgastante pra caramba.” Ela comenta, pensativa. “Mas futebol não é tão melhor, pelo menos a partida tem limite, só que são duas metades de 40 minutos se não me engano. Isso se não tiver mais tempo depois.”

“Ou seja, a gente precisa aumentar nossa resistência em manter a transformação? Aliás... Quando você voltou a usar óculos?” Arya questiona, inclinando a cabeça. “Você também se acha mais estilosa com eles, né? Sabia, você não consegue resistir.”

Eli cora levemente, olhando para o lado, ajeitando seus óculos. “São só uns óculos bobos que consegui, são sem grau, só tô usando porque eu quis... Cala a boca. E também explicar como fui de grau alto pra sem óculos pros outros é chato.” Ela suspira, pegando Joker nos braços. “Bom, semana que vem a escola vai começar os testes pros times, então a gente tem que lembrar de nos inscrevermos amanhã. Agora já é sete horas, vai escurecer já já, então vão pra casa logo. Se cuidem, vocês duas.”

Com isso, Eli vai embora, deixando Arya e Seira sozinhas no fliperama, os sons de máquinas e algumas poucas pessoas jogando pelo local as únicas coisas que quebravam o silêncio. Seira segurava o pingente dentro de seu bolso nervosamente, não querendo que aquela tarde acabasse.

Arya percebeu o ato comum de Seira, antes de puxá-la até a área de prêmios, usando seus tickets para comprar um colar simples, jogando o pingente barato fora e estendendo a mão. Seira a olhou nervosamente, antes de dar o pingente de coração para Arya, a garota trabalhando rapidamente para consertar o colar, antes de ir atrás de Seira e colocá-lo ao redor do pescoço da garota.

“Foi mal ter quebrado seu colar antes... Eu sei que não é tão incrível assim, mas pelo menos por enquanto você pode usar ele de novo.” Arya diz, sorrindo para Seira, a garota sorriu de volta, antes de abraçar a amiga com força, a fazendo corar. Por um momento, ela pode jurar ter escutado um “obrigada” abafado pelos sons do local, mas apenas ignorou no momento, devolvendo o abraço.

As duas deram uma última caminhada pelo parque juntas, observando o céu começando a se alaranjar, as poucas pessoas pelo local já indo embora, enquanto uma brisa gentil soprava as folhas das árvores ao redor.

“Vem, Princesa! Tá cansada né? Bagunceira, vamos pra casa agora, vai? Veeem!” Uma mulher pedia, tentando puxar o cachorro São Bernardo de mais cedo, que estava deitado na grama.

“Essa piranha era fêmea? E chamada Princesa ainda? Devia ser Satanás, isso sim.” Arya murmura, emburrada, fazendo Seira rir. “Bom... Acho que a gente se vê amanhã, né? Foi divertido, a gente com certeza vai fazer de novo. Tchau, Seira.” Ela fala, não querendo realmente se separar da garota, mas tendo que voltar logo para casa.

Seira concorda com a cabeça, começando a se afastar, antes de dar meia volta, correndo até Arya e beijando sua bochecha, antes de finalmente correr para longe, acenando para ela, corada e com um sorriso no rosto.

Arya ficou parada ali por um tempo, surpresa e completamente vermelha, seu coração batendo a mil por hora, antes de um sorriso bobo aparecer em seus lábios, a garota caindo de joelhos por suas pernas fraquejarem.

“Ela é tão fofaaaaaaaaa...” Arya murmura para si mesma, cobrindo seu rosto com as mãos. “Foi super efetivo, socorro.” Ela olha para a figura de Seira desaparecendo no horizonte por entre seus dedos, sorrindo ainda mais. “Um dia eu ainda digo o que eu sinto, eu juro... Eu gosto de você, Seira...” Arya sussurra para o vento, antes de se levantar e ir para casa.