DIAS DEPOIS

COLÉGIO DE DAHLIA

Era de manhã, Arya se sentando em seu lugar na classe, Eli já no próprio lugar, olhando a amiga e levantando uma sobrancelha. “Ficou acordada jogando né?” Ela pergunta, já sabendo a resposta, enquanto Arya bocejava.

“Ah, foi só meia horinha... Ou uma... Tá, uma e meia.” Ela dá de ombros, esfregando os olhos, fazendo a amiga suspirar.

“Viciada.”

Antes que pudessem continuar conversando, a professora entra na sala, chamando atenção de todos. “Todos quietos. Classe, uma nova aluna foi transferida recentemente e vai fazer parte dessa turma. Antes de chamá-la, tenho que deixar claro que ela é deficiente e tem dificuldades em falar, então a tratem bem, qualquer tratamento inadequado terá consequências.” A mulher adverte, séria, antes de chamar a nova estudante.

A jovem parou ao lado da professora, se virando para a classe. Deveria ter 14 anos, não muito alta, pele clara. Ela tinha cabelos rosas, parando pouco abaixo dos ombros, cheio e ondulado, uma tiara simples prendendo seu cabelo, exceto duas mechas cheias que caiam ao redor de seu rosto, formando algo parecido com um coração. Seus olhos eram rosas e as bochechas coradas, um sorriso gentil nos lábios. A garota vestia o uniforme escolar, camiseta de botões branca com uma jaqueta social roxa por cima com o brasão da escola — uma flor de dália — no lado esquerdo do peito, além de uma saia cinza, meia calça branca e sapatilhas pretas. Finalmente, ao redor de seu pescoço, havia um colar com pingente de coração.

“Essa é Seira Aikou, sua nova colega de classe.” Assim que Seira se voltou para a classe, o olhar de Arya se encontrou com o da garota, uma sensação completamente nova preenchendo seu corpo. Ela não conseguia desviar o olhar, suas mãos suavam, uma sensação estranha preenchendo seu estômago, junto de uma ansiedade forte. Arya conseguia sentir suas bochechas queimando, vermelhas, e sua mente ficando em branco. “Você pode se sentar ao lado de Arya, Seira.” A professora diz, apontando para o assento livre, a garota concordando com a cabeça e se sentando. Seira olha para Arya, sorrindo e acenando gentilmente, fazendo ela corar ainda mais.

“O-oi... Eu sou... Hã... Arya, é Arya, sou a Arya. É um prazer, Arya- Não! Quer dizer. Arya sou eu. É um prazer, Seira.” A mente da garota continuava em branco, a ansiedade e vergonha tomando conta perto de Seira. “Então... O que você gosta de fazer? Tem algum hobby? Lê ou assiste alguma coisa? A gente podia conversar sobre anime ou filme favorito talvez?” Ela falava sem parar, sua mente jogando qualquer coisa que tinha para a garota tentar puxar assunto.

Eli apenas observava, uma sobrancelha arqueada, enquanto via sua amiga agindo de uma forma completamente fora do normal. Antes que Arya pudesse se afundar ainda mais, Eli ajeita seus óculos antes de se inclinar e sussurrar no ouvido da amiga. “Ela é muda, Arya, já esqueceu?”

Arya arregalou os olhos, ficando ainda mais vermelha e cobrindo o rosto com as mãos. “É verdade, eu esqueci, desculpa, não foi por mal eu juro.” Ela se explica, embaraçada, enquanto Seira apenas a observava. A garota ri levemente, sorrindo, antes de acariciar Arya gentilmente na cabeça, tentando acalmá-la, mas só a fazendo ficar ainda mais vermelha.

Enquanto isso, Eli ria, admirada com esse novo lado da amiga. “Pelo jeito alguém roubou o lugar do seu marido 2d.” Ela comenta.

“Arya e Elloise! Vocês duas, parem de conversar e foquem na aula imediatamente.” A professora ordenou, fazendo as duas congelarem e sentarem direito em suas cadeiras. “E você Seira, sei que quer se enturmar, mas espere o horário apropriado.” Ela termina, a jovem concordando com a cabeça e focando na aula.

Durante as aulas, Arya não conseguia evitar de olhar para Seira pelo canto do olho, admirando cada detalhe da garota, mal prestando atenção nos professores e lições. Assim que o sinal do intervalo bateu, a primeira coisa que ela fez foi se virar para Seira. “Ei, não quer comer com a gente?” Ela pergunta nervosa, a outra garota concordando com a cabeça.

Arya guia Seira animadamente, Eli correndo para alcançar as duas, não conseguindo evitar em rolar os olhos com o comportamento da amiga. “Eu sou Eli, amiga dessa gadinha tapada.” Ela diz, fazendo Arya corar. “Eu não sou gadinha, cala a boca, sua besta viciada em gacha.” A outra rebate. “Você também, não resiste um homem 2d!” Eli retorna, Arya mostrando a língua, antes de fazer beicinho emburrada. Seira ria levemente, apenas observando as duas continuando a discutir e lançar insultos bestas uma na outra.

Pouco tempo depois, as três finalmente se sentavam em uma mesa pouco mais afastada, Arya e Eli de um lado, com suas bandejas, enquanto Seira se sentava do outro lado, carregando uma lancheira própria. Ao abrir, as outras duas podiam ver uma refeição bem-organizada e completa, incluindo sobremesa.

“Caramba... Foi sua mãe que fez pra você?” Arya pergunta, admirada. Um semblante de tristeza aparece rapidamente no rosto de Seira, antes dela voltar para sua expressão gentil, negando com a cabeça e apontando para si mesma. “Você que fez? Que incrível! Aposto que tá bom pra caramba.” A garota elogia.

“Puxa saco.” Eli murmura, fingindo uma tosse, Arya dando um chute fraco na amiga. “Ai! Minha canela, sua piranha.” Ela reclama, esfregando o local. “Qualquer coisa é melhor do que o que você cozinha também.”

“Não é como se eu tivesse muita ajuda também, minha mãe é pior ainda... Só quando meu tio visita pra conseguir comer comida caseira gostosa.” Arya dá de ombros, beliscando a comida. Seira olha para ela um pouco, antes de oferecer uma garfada da própria comida para a nova amiga, sorrindo. Arya fica corada imediatamente, antes de se inclinar e provar a comida, uma mistura de surpresa de quão saborosa era e vergonha por ter recebido comida na boca pela Seira. “Isso é tão bom... Você é incrível mesmo!”

As bochechas de Seira claramente ficaram vermelhas com o elogio, ela abrindo um sorriso maior, feliz. Eli se inclinou, sussurrando no ouvido de Arya: “Pelo menos você não morre de fome quando se casarem.” A amiga ficando mais envergonhada ainda.

“Cala a boca!” Arya exclama, cobrindo o rosto de vergonha. Ela respira fundo, se virando para Seira, tentando manter a calma. “E eu nem tenho algo tão incrível pra mostrar como você... Espera! Na verdade, eu-” Só que antes que ela pudesse continuar, Eli puxa Arya para mais perto, calando a amiga. “Ei!”

“Cala a boca, idiota! Você não pode sair revelando seu segredo pra alguém estranho assim do nada.” Eli sussurra seriamente para a amiga. “E por que não? A Seira é legal!” Arya sussurra de volta, indignada. “Você nem conhece ela direito, para de se levar pela gadisse assim.” A outra repreende novamente. “E daí? Não é como se ela pudesse falar pra alguém mesmo.” Arya adiciona, arregalando os olhos e tapando a boca imediatamente. “Não acredito que você falou isso...” Eli olha desacreditada para a amiga, cobrindo a própria boca, tentando segurar a risada. “Foi sem pensar! Espero que ela não tenha escutado.”

Seira olhava confusa para as duas, cabeça inclinada, não entendendo as reações delas, os barulhos do refeitório dificultando ouvir a discussão de ambas. Ela deu de ombros, focando em sua comida, pensativa.

“Okay, eu não vou falar sobre ainda... Chata.” Arya suspira, focando na própria comida. “Ei, o que acha de um piquenique no parque? A gente podia convers- Hm... Já sei! Me dá seu número de celular e a gente pode fazer um grupo pra conversar, que tal?” Seira sorri, concordando com a cabeça, adicionando os números das duas.

Oi!” Seira manda no grupo, junto de um coração. “Eu ia adorar ir em um piquenique com vocês.” Ela adiciona. “Seria divertido.”

Arya e Eli concordam com a cabeça, sorrindo. “Sim, a gente pode fazer na sexta, eu vou preparar tudo, você podia trazer algum prato seu se puder também.” Eli sugere, animada com a ideia.

Sim! Eu posso levar uma sobremesa, é muito boa, aposto que vão adorar.” Seira sugere, recebendo aprovação das outras duas.

“Eu já to com água na boca só de pensar.” Arya diz, imaginando qual seria a sobremesa surpresa e na possibilidade de passar mais tempo com a garota nova.

“Eu vou estar lá também, lembra?” Eli sussurra, cutucando a amiga com o cotovelo. “Não fica sonhando acordada demais, você já é idiota o suficiente normalmente.”

“Estraga prazeres.” A outra responde, rolando os olhos. As garotas passam o restante do tempo de intervalo conversando e fazendo seu planejamento para o piquenique. O resto do dia passando num piscar de olhos, desde aulas chatas, para conversas escondidas e bilhetes passados uma para a outra.

Depois de um longo dia, Arya finalmente chegava em casa, uma casa simples e aconchegante de um andar em um lugar calmo da cidade. Ela foi direto até o próprio quarto, colocando sua mochila na cadeira a frente do computador e se jogando na cama.

A primeira coisa que fez foi mandar uma mensagem vendo se Eli estava bem, logo depois pensando se deveria fazer o mesmo com Seira. Ao mesmo tempo que ela queria falar com a garota, a vergonha a impedia. Frustrada com as próprias dúvidas, ela rapidamente se troca para uma roupa mais confortável, antes de sair do quarto e ir até o quarto da mãe, batendo de leve.

“Mãe?” Arya abre a porta devagar, vendo sua mãe trabalhando, desenhando em sua mesa digitalizadora. A mulher para ao perceber a filha entrando, se virando para ela e tirando seus óculos. “Posso falar com você?”

A mãe de Arya devia estar no meio de seus trinta anos, relativamente alta, pele clara, os cabelos castanhos e curtos, na altura das orelhas, os mesmos olhos verdes de Arya. A mulher parecia uma versão mais velha da garota, ela definitivamente puxando a mãe em muitos aspectos.

“Se não for porque você se meteu em mais problemas.” A mãe de Arya se senta em sua cama, acenando para que a garota se juntasse a ela. “O que houve?” Ela pergunta, preocupada, colocando uma mão sobre o ombro da filha. Arya apertava as mãos uma na outra, tentando pensar em como falar sobre tudo, respirando fundo, ela finalmente começa a se abrir.

“É que... Tem uma pessoa nova na minha escola. Ela tá na minha sala e... Sabe, é estranho. Eu me sinto tão nervosa perto dela, fico perdida e sem saber o que fazer.” Ela tenta explicar, olhando para as próprias mãos, seu coração batendo rápido só de pensar em Seira. “Eu até consegui virar amiga dela, mas ainda assim, fico com vergonha de tentar mandar alguma mensagem. Se eu estiver exagerando e afaste ela? Eu tô tão perdida.”

A mãe de Arya escuta com atenção, sorrindo levemente ao ver o nervosismo de sua filha apaixonada pela primeira vez. “Bom, e como que essa pessoa é? Como ela te trata e é a relação entre vocês?”

“Ela é... Tão doce e gentil, e fofa também! Quando ela sorri pra mim, ou o quão legal ela é o tempo inteiro. Toda vez que fico perto dela eu fico tão nervosa, com vergonha. Eu sei que é do nada, mas...” A garota cobre o próprio rosto, vermelha novamente ao falar tão abertamente sobre o que ela sentia por Seira.

Sua mãe ri levemente, acariciando os cabelos da filha. “Isso é normal, boa parte das pessoas já passou por algo assim, não precisa ter vergonha.” Ela puxa Arya para mais perto, a abraçando de lado. “Sabe, se você realmente tem certeza dos seus sentimentos por ela, então tente se aproximar dela. É melhor ir devagar, conhecer ela melhor e deixa ela te conhecer também, com o tempo, se você ainda estiver sentindo isso, tente falar com ela sobre vocês duas e o que ela sente por você.”

“E se... Ela não sentir o mesmo?” Arya pergunta, ansiosa. “Eu não sei o que fazer se isso acontecer.”

“É difícil, mas eu vou estar aqui, certeza que a Elloise também. Apesar de tudo, não vai ser o fim do mundo, só segue seu coração por enquanto, okay? E se acontecer alguma coisa, eu vou estar aqui por você.” A mulher beija o topo da cabeça da filha, a abraçando logo depois.

“Obrigada, mãe...” A garota a abraça de volta, aproveitando o conforto e segurança da mãe. “Vou tentar. Eu vou fazer um piquenique com ela na sexta, acho que isso me deixou mais nervosa.”

“Ah é? Hm... Só mais uma coisa. Não é pra você fazer esse tipo de coisa ainda, mas se for, usa proteção, é sério, por favor.” A mulher avisa, um pouco mais séria.

“Mãe!” Arya exclama, ficando vermelha de vergonha novamente. “Não vai acontecer nada demais! E a Seira é uma garota também de qualquer forma.”

“Ah... É bom garantir de qualquer forma, nunca se sabe...” Sua mãe responde, pensativa, como se lembrando de algo.

“A Eli vai junto também de qualquer forma.” A garota cruza os braços, fazendo beicinho, envergonhada. “Parece que a Eli e você adoram me fazer passar vergonha. A gente já teve aula disso na escola também, já foi vergonhoso o suficiente.”

“Desculpa, acho que velhos hábitos nunca morrem.” A mulher responde, rindo.

“Bem que meu tio disse que você e minha tia viviam fazendo ele passar vergonha com piadas assim. Sinceramente, agora entendo ele.” Arya respira profundamente, antes de se levantar. “Vou pedir uma pizza, pode ser?”

“Ou eu posso cozinhar alguma coisa!” A mulher sugere, ainda rindo levemente.

“NEM FERRANDO! PIZZA!” A garota grita desesperada, correndo pra pedir antes que um desastre acontecesse.

SEXTA-FEIRA

Já era o último período, Arya acabado de terminar a lição, esperando ansiosa para que pudesse sair de uma vez, poder ter um momento divertido com as suas amigas. A garota percebeu como Seira parecia inquieta, focada em seu caderno, aparentemente revisando a lição, sua mão livre segurando seu colar de coração insistentemente. Ela percebia como o gesto era algo comum quando a garota ficava nervosa ou inquieta.

Os últimos dias haviam sido normais, as três garotas ficando mais próximas, Seira aos poucos se tornando parte do grupo, mas ainda assim ela parecia estranhamente inquieta algumas vezes sem motivo aparente, sempre evitando conversar sobre o que estaria acontecendo.

Arya decidiu a deixar em paz no momento, focando em Eli, que desenhava em um caderno de desenhos. A garota se inclinou para mais perto, observando o desenho, era um rascunho de uma espécie de roupa. Ela podia ver os múltiplos detalhes, tentativas e modelos diferentes.

“Isso é... Você tá pensando no seu uniforme já? Você realmente tem certeza de que o Joker vai te dar a carta, em?” Arya sussurra, curiosa, admirando o foco da amiga.

“Bem, vale a pena já estar preparada, né? E eu definitivamente não quero usar o uniforme genérico.” A garota diz, focada nas cores agora. “Eu vou convencer ele, você vai ver... Talvez eu esteja enchendo o saco dele sobre isso durante esses dias que ele ficou comigo? Talvez.”

Arya ri, olhando de novo para o desenho. “A gente vai conseguir. Imagina só, nós duas metendo a porrada em vilões juntas, ia ser incrível!”

As duas ficam conversando sobre o assunto, quando o alarme final bate, sinalizando o fim de mais um dia de escola. Elas veem como Seira é uma das primeiras a sair, apressada, as deixando preocupadas.

“Será que ela vem mesmo?” Eli olha para Seira saindo, antes de focar em juntar seus materiais para ir embora também.

“Não sei, mas espero que sim.” Arya responde, nervosa.

“A gente pode fazer só nos duas de qualquer forma. Só espero que não seja nada grave pra ela estar assim.” A outra adiciona.

Arya também junta suas coisas, antes de ambas saírem para suas respectivas casas.

A garota rapidamente muda de roupa, se vestindo com algo mais casual e confortável para o piquenique com as amigas. Uma camiseta com estampa de anime, saia preta com shorts por baixo, all star e levando uma jaqueta amarrada na cintura por precaução. Finalmente, ela pegou seu celular e uma sacola com duas garrafas térmicas, uma com refrigerante e outra com suco para beberem, antes de seguir rumo ao parque.

Arya foi a primeira a chegar, na mesma área mais escondida do parque público na qual ela treinava seus poderes com Eli e Joker. Entediada, ela se deitou na grama, mexendo em seu celular enquanto esperava, felizmente, Eli não demorou mais que 10 minutos para chegar também, carregando uma cesta de piquenique em suas mãos.

Ela também se vestia casualmente, usando uma camiseta de seu jogo favorito, shorts e all star. A garota colocou a cesta no chão, olhando para Arya com as mãos na cintura. “Vai ficar aí deitada até quando? Me ajuda aqui, sua besta.” Eli pede, ajudando a amiga a se levantar. “Arruma a toalha de mesa enquanto eu faço o resto.” Arya concorda com a cabeça, pegando a toalha da cesta e a estendendo sobre a grama, tendo certeza de estar em um bom local, sob a sombra de uma árvore, antes de ajudar sua amiga com o resto.

As duas garotas rapidamente arrumaram tudo, pratos e copos descartáveis, as garrafas térmicas com as bebidas e os diferentes pratos que Eli havia trazido, a última coisa sendo tirada da cesta sendo a familiar pequena cartola, da qual Joker Rabbit rapidamente pulou de dentro, olhando para o piquenique com os olhos brilhando. “Que delícia, eu quero também!” Ele diz, pulando para tentar pegar um dos sanduiches, mas sendo impedido por Eli, que o segurou e levantou pela capa.

“Agora que a gente terminou de arrumar tudo que você decide aparecer? E quando que você entrou na cesta? Eu te disse que a gente vai ter mais alguém aqui, você não pode ficar aparecendo.” A garota rola os olhos, enquanto o coelho tentava se libertar, suas patas balançando poucos centímetros acima do solo.

“Ei, isso é humilhante! Abuso animal!” Ele reclama, se sacudindo tentando fugir da garota. “E não é justo, eu quero piquenique também, nunca tem nada legal pra fazer na sua casa.” Joker cruza os braços, frustrado.

“A Eli é burguesa e vive numa cobertura, como você não tem nada pra fazer na casa dela? Tem um cinema e até piscina naquele lugar!” Arya exclama, inconformada com o coelho.

“E você acha que é legal nadar sendo um coelho de pelúcia? E eu nem sei como mexer no cinema, a Eli nunca me ensinou!” Ele bufa, apontando para Eli. “Além de que eu não posso ficar saindo do quarto dela por causa da empregada também... É sério, vou morrer de tédio, mereço participar do piquenique também! Vocês não vão recusar o desejo de um pobre coelho em necessidade, né?” Joker adiciona, deixando seu corpo mole dramaticamente.

“Ai, ai, beleza, mas fica dentro da sua cartola e não faz nenhuma besteira, viu?” Arya diz, pegando Joker e o empurrando a força de volta para a pequena cartola. “A gente passa algumas coisas em segredo pra você, só sossega.”

“Ei, calma aí! Para de me jogar por aí assim, babaca, sou de pelúcia, mas ainda dói!” Joker reclama, se debatendo, enquanto seu corpo entrava magicamente na pequena cartola dele.

“Para de reclamar, coelho tapado, a nossa amiga tá chegando, calado.” Eli diz, finalmente empurrando a cabeça dele para dentro da cartola também. “Ei, Seira!” Ela chama, acenando, enquanto a terceira garota se aproximava das duas e Arya escondia a cartola atrás de si.

Seira finalmente se aproximou das duas, com seu sorriso de sempre no rosto, apesar de ainda estar segurando seu colar nervosamente, uma bolsa térmica em sua outra mão. Ela usava um vestido de verão rosa com estampa de pequenos corações, além de sandálias nos pés.

Arya ficou encarando a garota boquiaberta, corando, até que Eli deu uma cotovelada para que ela parasse. “Ah, oi Seira! Que bom que você veio também.” Ela diz, enquanto Seira se sentava junto com elas sob a sombra da árvore, colocando a bolsa térmica ao lado da cesta de piquenique. “Aqui! Esse sanduíche tá bom pra caramba, você quer beber o quê? Tem refri e suco!” Arya continuou, tentando agradar a garota.

“Sinceramente...” Eli suspirou, sacudindo a cabeça. Lidar com a amiga apaixonada era algo que ela não esperava ver tão cedo, mesmo que fosse divertido ver Arya agindo assim. “Ei, quero um sand-” Joker tentou falar, sendo calado imediatamente por Eli que enfiou um sanduíche na boca dele e o empurrou de volta para dentro da cartola.

As três continuavam seu piquenique calmamente, mesmo que Arya e Eli tivessem que manter Joker sobre controle constantemente. Seira parecia estar se divertindo, mesmo que ainda parecia ansiosa com algo, constantemente segurando seu colar e olhando ao redor.

“Tá tudo bem, Seira? Se tiver algum problema é só falar, tá?” Arya garante, pondo sua mão sobre a da garota inconscientemente, ficando envergonhada e vermelha imediatamente ao perceber o gesto, afastando a mão rapidamente. “Quer dizer, sabe, a gente é amiga e tal. Qualquer coisa, só falar! Ou, é... Digitar. Você entendeu!” Ela adiciona, tentando manter a calma apesar da vergonha.

“Realmente, se tiver com problemas, tá tudo certo, só dizer.” Eli concorda, oferecendo mais suco para a amiga. “Toma um pouco, ajuda a relaxar.”

Seira só concorda com a cabeça, tomando um gole do suco, suas mãos claramente tremendo um pouco. Ela decide puxar a bolsa térmica dela, pegando três potinhos de dentro com pequenas colheres de plástico e oferendo para as amigas.

“A sobremesa que você disse que ia trazer!” Arya pegou rapidamente um dos potinhos, abrindo e comendo uma colherada. “Mousse de morango, tão bom.” Ela disse, saboreando a sobremesa com um sorriso no rosto. “Sua comida é sempre tão boa.”

Seira sorri, alegre por agradar as amigas, saboreando o próprio mousse também. Eli pega um, experimentando.

“Realmente, muito bom, devia ensinar a Arya, porque ela não tem salvação, provavelmente conseguiria queimar até o mousse de tão incompetente que é cozinhando.” Ela comenta, relembrando quando as duas tentaram fazer panquecas e Arya conseguiu queimar metade delas.

“Ei! A culpa não é minha, tá?” A amiga se defende, fazendo beicinho. “O fogão que tava quebrado e mais quente que deveria.”

“Você conseguiu botar fogo no sorvete que a gente tentou fazer!” Eli exclama, apontando sua colher para a amiga de forma acusatória. “Até hoje não sei como você faz isso, mas nunca mais confio em você perto de fogo.”

Seira ria levemente com as duas amigas, tentando focar apenas em se divertir no momento, mesmo que o nervosismo ainda fizesse suas mãos tremerem levemente.

“Já sei, vamo brincar de pega-pega!” Arya sugere, terminando seu mousse e se levantando num pulo. “Que tal, Seira? Vai ser divertido!” Ela adiciona, Seira concordando com a cabeça, se levantando para jogar também.

“Podem ir, eu já vou, depois de terminar aqui.” Eli fala, ainda na metade do próprio mousse, as outras duas concordando e correndo para o meio do campo de grama.

“Ei, aproveita e me dá um pouco! Eu quero mousse tamb-” Joker é imediatamente interrompido por Eli colocando uma colherada de mousse na boca dele.

“Fala mais baixo, caramba. Grita mais que a Arya, sinceramente, em?” Eli repreende, suspirando, antes de olhar para as amigas se divertindo. “Fazia um tempo que a gente não fazia isso... A escola e então isso de poderes tirou um pouco do nosso tempo, a gente mal saiu pra se divertir assim.” A garota comenta. “Bom, aquela tapada ficando de castigo também não ajudou muito. Se ela falhar depois de estudar tanto, eu desisto.” Ela termina, ajeitando seus óculos.

“Uhum...” Joker concorda com a cabeça, suas orelhas balançando com o movimento, enquanto ele aproveitava o sabor da sobremesa. “Ela definitivamente é focada na hora de treinar os poderes, mas o resto...” O coelho ficou olhando as outras duas correndo ao redor do campo. “Essa Seira... Ela parece familiar, já vi ela antes?” Ele pergunta a si mesmo, pensativo, metade do seu corpo para fora da cartola.

“Ela aparentemente é nova na cidade, então deve ser só impressão. E vê se toma cuidado pra ela não te ver, que coisa.” Eli diz, comendo outra colherada do próprio mousse. “Além do mais, nós-”

Os olhos do coelho se arregalaram, uma expressão de medo em seu resto, antes dele gritar com todas as forças. “ARYA, SAI DE PERTO DELA!”

Arya olhou para trás, confusa com a atitude de Joker, não percebendo quando Seira puxou uma carta de baralho magicamente, o Ás de Copas, a magia cobrindo a garota para sua forma garota mágica. Arya mal pôde reagir, sendo atingida por um golpe e voando vários metros, rolando no chão.

Seira usava um vestido estilo lolita vermelho com detalhes brancose estampa de coração, luvas de cetim longas, vermelhas com o símbolo de Copas em branco nas costas da mão, meia calça branca e sapatilhas vermelhas, o colar com pingente de coração ainda em seu pescoço. Um escudo de braço vermelho com acabamento branco e dourado em formato de coração no braço direito dela.

“ARYA!” Eli gritou, assustada, se levantando pra correr até a amiga, mas sendo impedida por Joker Rabbit. “Você não pode se meter, você vai se machucar!” Ele diz, parado na frente da garota. “Quer que eu fique parada aqui sem fazer nada? Me dá a droga da carta de Ouros então, eu preciso ajudar a Arya!” Ela responde, irritada e assustada.

“Eu... Tô bem, Eli. Não se preocupa.” Arya diz, se levantando com dificuldade, olhando para Seira, confusa, irritada, mas principalmente, de coração partido. “Seira... Por quê? Você... Aquela carta...”

“É a carta que deixei pra trás quando fugi daquela mulher... Ela é a filha da nossa inimiga, a mesma que mandou me perseguirem e vocês me salvaram!” Joker afirma, olhando para Seira, frustrado consigo mesmo. “Como eu fui tão idiota pra não perceber antes?”

Arya chacoalha a cabeça, tentando segurar as lágrimas. “Quer dizer... Que você só fingiu ser nossa amiga por causa das cartas? Eu... Pensei...” Ela sacode a cabeça, dando um tapa no próprio rosto. “Você não vai conseguir!” Arya invoca a própria carta, se transformando rapidamente. “Ninguém vai machucar o Joker, nem você!”

A garota rapidamente avança contra Seira, dando um corte que foi defendido com o escudo, um brilho rosado emanando dele. Pulando para trás, Arya invoca e lança múltiplas adagas de sombras, mas Seira se move tão rápido quanto, refletindo três com seu escudo e desviando das outras duas, antes de avançar, usando seu escudo como aríete contra Arya.

Arya cobriu sua adaga em sombras, se defendendo com a espada de trevas, as duas tentando pressionar uma à outra numa luta de força, antes de ambas pularem para trás para se afastar. O escudo de Seira brilhava com uma aura rosada, claramente crescendo aos poucos de tamanho com cada golpe.

“O escudo dela absorve ataques para se fortalecer, toma cuidado!” Joker explica, ansioso enquanto observava a batalha. “Que droga, a primeira luta dela ser contra outro usuário de transformação assim... Ainda mais que a Seira claramente teve algum tipo de treinamento também.”

“Arya, não vai só na força bruta, pensa antes de atacar!” Eli diz para a amiga, nervosa com a situação. “A gente treinou pra isso, você consegue!”

Arya avança novamente, dando um corte vertical com sua espada de trevas que Seira rapidamente levantou o escudo para defender, mas no último segundo Arya dissipou as trevas, a adaga errando o escudo e com uma pirueta, ela ataca pelo ponto cego de Seira. A lâmina errou por pouco o peito de Seira, quase atingindo o cordão de seu colar, a garota desviando rapidamente, segurando o pingente com força, assustada.

Percebendo o quão defensiva Seira havia ficado pelo colar, Arya aproveitou a oportunidade, avançando com um corte na direita, que Seira defendeu, mas ao mesmo tempo, duas adagas de sombras voaram pelos lados. Seira empurrou Arya para longe, defendendo uma adaga de sombra com o escudo, usando o próprio braço para impedir a outra de atingir seu colar.

As duas garotas estavam cansadas, ofegantes, as transformações ainda consumindo muita energia para que pudessem continuar por muito tempo. Determinada, Seira avançou com tudo, novamente usando seu escudo como aríete. Arya tentou desviar para um corte lateral, mas surpreendentemente, Seira segurou a lâmina da adaga com a mão, sangrando, mas atingindo Arya no estômago com seu escudo, usando toda sua força, tirando o ar de seus pulmões.

Arya voou para trás, caindo no chão, tentando recuperar o fôlego e se levantar, mas com claras dificuldades, enquanto Seira avançava rapidamente para dar o golpe final. Antes que Arya fosse atingida, um raio de luz voou contra Seira, que parou de avançar para poder se defender do golpe. As duas garotas desviaram o olhar na direção no ataque, confusas e surpresas, ao perceber quem havia atacado.

“Sai de perto dela!” Eli grita, completamente transformada em um uniforme de garota mágica, uma espécie de pequeno espelho flutuando ao lado dela, brilhando e carregando outro raio de luz. “Você não vai mais machucar a Arya!”