O Banimento De Hades

1 O Banimento de Hades


Notas iniciais
Esta é minha primeira fic de gênero a não ser Harry Potter, por tanto quero opiniões e paciência § Qualquer dúvida pode comentar que eu esclareço, porque acho que algumas coisas aqui não basta apenas a leitura de Percy Jackson pra entender... § Isto é uma one-shot, e se é ONE-shot, haverá apenas uma edição, até porque acho que não tem como continuar... §

O Olimpo era uma construção erguida por paredes de mármore claro e pilares gregos, o reluzente e branco palácio dos deuses jazia sobre o pico de uma gigantesca montanha que alcançava as nuvens e era contemplado pelos céus, hoje especialmente estava em pura euforia, tomado por um alvoroço descomunal. Era manhã naquele dia, mesmo com o sol iluminando o local, várias fogueiras crepitavam sobre pratos de bronze, as ruas sinuosas eram tomadas por espíritos da natureza, criaturas e deuses menores, mesmo com tudo aquilo era possível sentir o doce perfume das flores, o delicioso cheiro de várias comidas e a música de liras e flautas de bambu por todo canto.

Pouquíssimo tempo atrás (torno de cinco a dez anos) os Crônidas (Agora nomeado Olimpianos) haviam derrotado os titãs e destronado seu pai, Cronos, e tomado o poder de reinação para eles. No exato momento, no Salão Principal havia seis tronos divididos igualmente entre o centro da sala, ocupava cada sólio; Zeus, Poseidon, Hades, Deméter, Hera e Héstia.

_ Não entendo o motivo desta reunião – ruminou Héstia calmamente.

_ Queria eu não ter de fazê-la – respondeu Zeus, nomeado como Deus dos Deuses, pois graças a ele a vitoria foi alcançada – mas temos problemas.

_ E quando foi que não tivemos, irmão? – indagou Poseidon – estamos erguendo um novo reinado, isso é mais que comum.

_ E se fosse esses tipos de problemas – suspirou Zeus – irmãos e irmãs, o motivo desta reunião, ou melhor chamando, deste tribunal é sobre algo inesperado.

O silêncio tomou o Salão de tal forma que o mínimo barulho tivesse mil vezes a sua altura.

_ Vamos Zeus, diga de uma vez e deixe de enrolação – ordenou Hades, era o mais impaciente na sala.

_ Nosso pai, Cronos – com a palavra, um raio trovejou a fora, um relâmpago iluminou o salão e um estrondoso trovão ressoou sinistramente por todo canto. Zeus pigarreou, ignorando o fato e se ajeitou incomodado no seu trono – ele... Ele tem se comunicado comigo.

Foi à gota d’água, os deuses não queriam demonstrar, mas o terror tomou conta de cada um. Fora impetuoso o ato de seu pai, Cronos, o Senhor dos Titãs, que por via de uma Profecia ter tentado livrar-se de seus filhos vorazmente (não só literalmente) por nela dizer que ele cairia pela mão de um deles.

_ Mas isso é impossível, nós o decapitamos e dilaceramos – trovejou Poseidon – e seus pedaços jogados nos cantos mais profundos do Tártaro!

_ Como isso aconteceu? – quis saber Hera, que mirava Zeus preocupadamente.

_ Enquanto eu dormia – confidenciou Zeus, era o mais corajoso, mas sua voz fraquejava enquanto ele tentava se lembrar – estava sonhando... Tendo um pesadelo, que logo tomou um caminho subitamente diferente e quando menos esperei, lá estava frente a frente com Cr-

_ Com o nosso papai – cortou Héstia, provavelmente não gostaria de escutar outro trovão.

_ Ahm, sim... Hum, com o nosso papai – continuou Zeus, Héstia assentiu, teria sido engraçado se o momento não fosse sério – e ele jurou se reconstituir, e como ele não pode fazer isso sozinho, nossos futuros filhos e filhas, mortais, e algo que ele chamou de semideuses o trarão de volta... Ou...

_ Ou? – insistiu Hades.

_ Ou um de nós – concluiu Zeus em tom solene – disse que seu filho favorito, o mais rebelde e realista se voltaria contra todos e o ajudaria.

Mais uma vez o silencio fora atordoante.

_ Este ainda não é o seu ponto – falou Deméter, e ela estava certa.

_ Sim, não é... Eu estava pensando em soluções para que isso não acontecesse e cheguei a uma conclusão... Uma severa, pois enquanto nossos filhos ou mortais não se rebelam, cuidarei dos meus irmãos.

_ Desculpe-me, ainda não entendo, o que você planeja Zeus? – perguntou Hera inquieta.

_ Um de nós terá de guardar o Tártaro – disse Héstia por Zeus, seu extinto familiar falou mais alto.

Todos se viraram para Zeus, ele mirou o chão de mármore evitando olhares e balançou a cabeça positivamente.

_ Não... Não, você tem ideia do que está propondo? – vociferou Hades – estamos falando do Tártaro, a personificação do mundo inferior, nele as grutas e cavernas profundas estão nos cantos mais obscuros do Reino dos Mortos!

_ Eu sei, e você conhece os mortos mais do que qualquer um aqui... Mas, eu temo o que tudo isso se repita, quase fomos aniquilados e massacrados pelo papai – Zeus mirou Héstia, e ela novamente assentiu – e para as coisas não saírem de controle novamente, precisamos dividir as tarefas do novo mundo.

_ E com dividir tarefas você quer dizer?... – indagou Poseidon.

_ Definir quais serão nossas responsabilidades a partir de hoje – respondeu Zeus serenamente.

Fora uma noticia dada de surpresa, afinal cada um deles já tomava conta de algo, nada muito oficial, mas depois da queda dos Titãs quem comandava as coisas eram eles.

_ Eu, Zeus – falou o Deus, ele se ergueu de seu trono e começou a andar de um lado ao outro – ficarei responsável pelo Olimpo, me proclamo Deus dos Deuses por liderar a nossa guerra e ter alcançado a vitória, serei o comandante dos raios, relâmpagos e trovões, consequentemente dominarei os céus. Todos de acordo?

Se estavam ou não, ninguém interpôs. Apenas assentiram.

_ Certo... Héstia, irmã – disse Zeus encaminhando-se a sua irmã mais velha – farei de você a deusa dos laços familiares, serás representada pela lareira de casa e sua benção será a união entre parentes.

A nomeação fora recebida de bom grado, Héstia assentiu e fez uma curta reverência.

_ Hera – falou Zeus, agora caminhando em sua direção – você será a deusa do casamento e da maternidade, sua benção beneficiará aos apaixonados e eternizará os relacionamentos que a agradar.

Ela sorriu e pareceu corar, Zeus parecia estar ficando avermelhado também. Ela o reverenciou da mesma forma que Héstia, e o Deus seguiram suas nomeações.

_ Deméter – disse ele – será a deusa da fertilidade, agricultura e natureza, sua benção trará calma, serenidade e a busca da felicidade em pequenas coisas.

Ela agradeceu da mesma forma que as outras duas. Agora Zeus andava na direção de Poseidon, que demonstrava tranquilidade, porém estava tão ansioso quanto qualquer um.

_ Poseidon, meu irmão, será o deus da água, tendo comando sobre os mares, rios, furacões, terremotos e tempestades – decretou Zeus, Poseidon ficara boquiaberto de tão surpreso – como meu conselheiro de guerra o torno um dos Três Grandes, além disso, sua benção trará a coragem, controle da situação e facilidade de viver em harmonia.

Fora uma honra, Poseidon se levantou e curvou-se diante do irmão, agradecido.

_ Por ultimo, não menos importante, Hades – falou Zeus, sua voz vacilava e seus sentimentos eram claros, algo misturado com angustia o definia.

_ Opa, espere ai – cortou Hades, ele demonstrava desconfiança enquanto contava as nomeações de cada um.

_ Hades, você já é Deus que tomava conta da Vida – continuou Zeus.

_ Zeus, o que você... – começou Hades.

_ Consequentemente dos mortos, você tem o direito de dar o fim à vida dos mortais. Sua benção servirá para quem quer um novo começo, fortuna, reflexão, inspiração e determinação, o abençoado se tornará focado, mas completamente isolado...

_ Irmão... – continuou Hades.

_ Darás o julgamento final à vida deles de seu reino.

_ Por que irmão?... Por quê?... – questionava Hades sem parar.

_ Zeus – interpor Poseidon, agora entendendo tudo ao lado dos outros.

O Deus dos Deuses fez um gesto pedindo silêncio.

_ Poderá ter o ouro e luxo que quiser – continuou Zeus, fazendo desta oferta um pouco mais gentil – será o Deus das Riquezas. Além do mais o torno o terceiro dos Três Grandes, junto de mim e Poseidon.

Hades se levantou de seu trono e uma aura negra tomou o Salão do Olimpo.

_ Dou a você a missão de guardar e proteger o Tártaro, pois você sempre fora o mais desequilibrado, injusto e realista de todos nós... E caso pense em libertar Cronos – mais trovões estrondaram a fora – a fúria de nosso pai cairá primeiramente sob você, que esteja ciente disso.

Hades rugiu de raiva, nenhum dos deuses se manifestou, pelo contrário, calaram-se e evitaram trocar olhares com o novo Soberano da Morte.

_ Como pode Zeus? – indagou Hades furiosamente – como sempre me deixando o ultimo em tudo, se eu sou o realista, te julgo como injusto por isso!

_ Convenhamos, você tem a habilidade certa para isso, irmão.

Hades chutou seu trono que rolou do chão e bateu em um pilar fazendo-o despencar.

_ O tribunal está encerrado – declarou Zeus.

Neste momento cada Deus tomou de um brilho divino, cada habilidade designada por Zeus manifestou-se nos Olimpianos; Héstia tomou uma postura mais casual, responsável e madura; o vestido de Hera alongou-se e tornou-se branco como um de casamento, ela parecia uma mãe, uma mãe jovem e digna de ser chamada de rainha; Deméter ganhou flores e desenhos de frutas em seu vestido e acessórios; Poseidon ganhou traços marítimos, como um verdadeiro imperador dos mares; Zeus ficou diferente, parecia mais poderoso ainda, corajoso, bravo e triunfante.

Hades, no entanto lutava contra sua nomeação, ainda sim um manto negro e transparente caiu sobre seus ombros indo até o chão (notando bem, parecia ser formado por várias almas), peças luxuosas como anéis, braceletes e colares surgiram por toda parte.

_ Hades, meu irmão, como anfitrião dos mortos, você terá de residir no Submundo pelo resto de sua vida, terá direito apenas de subir ao Olimpo em reuniões importantes como esta, que decidirá o futuro do nosso mundo.

O Deus dos Mortos praguejou em grego antigo e começou a marchar pesadamente as grandes portas do Salão. Os outros Deuses ficaram perplexo com a escolha de Zeus, visivelmente ninguém gostaria de estar em seu lugar, talvez por este motivo ninguém disse nada.

_ Desejo toda a desgraça o Olimpo! – continuou a praguejar – me vingarei de todos vocês, mesmo que não seja agora, mesmo que não seja com Cronos – mais raios – vocês sofrerão da fúria do Deus dos Mortos! – em seguida transformou-se em uma fumaça densa e negra, que voou para fora do Salão.

De inicio ninguém fez nada, todos pareciam surpresos e abalados. Até mesmo Zeus preferia o silencio.

_ Papai, papai! – uma garota adolescente, de aparência jovial e beleza infinita rompeu a sala com os olhos marejados de lágrimas, nem mesmo isso a fazia feia.

_ Afrodite, minha filha, este não é um bom momento – interpôs Zeus, pensativo.

_ Mas papai! – replicou Afrodite – A... A Core foi raptada pelo tio Hades! – guinchou ela soluçando.

_ Minha filha? – cogitou Deméter assustada – como isso aconteceu? – perguntou ela, lágrimas rolavam por seu rosto.

Afrodite respirou fundo e tentou explicar:

_ Estávamos colhendo narcisos nos campos aqui próximo quando Hades chegou e ofereceu uma... Uma Romã para nós – prosseguiu Afrodite – na mesma hora eu percebi que algo estava de errado com ele, então eu recusei, mas Core foi imprudente e aceitou, mordeu a fruta e... E ela ficou diferente, aconteceu algo com ela que eu não sei explicar... Simplesmente desmaiou e Hades gargalhou triunfante, pôs ela nos braços e a carregou... Além do mais a chamou de... De Perséfone, de Rainha Perséfone, isso...

_ O que? – arquejou Zeus de sobrancelha erguida, sua expressão era uma mescla de fúria e desentendimento.

_ E mais, falou que a simbologia desta união põe em comunicação duas das principais forças e recursos naturais – continuou ela, Afrodite nunca se dera bem com Perséfone, mas ainda parecia profundamente amargurada – a riqueza do subsolo que fornece os minerais e faz brotar de seu âmago as sementes, fazendo de sua relação... A vida e a morte.

Algumas exclamações de surpresa foram ouvidas, Deméter levou à mão a boca e impediu o choro, Hera a consolou, mas não parecia causar efeito.

_ Zeus! – chamou Deméter – é nossa herdeira, faça alguma coisa!

Os olhares e atenções se voltaram a Zeus, ele, no entanto não fez nada, tampouco respondeu, ele apenas deu as costas e mirou abaixo da montanha onde se erguia o Olimpo, para além do solo como se pudesse ver o submundo, ainda cogitou em silêncio:

_ Desculpe, meu irmão.


Notas finais
PS.
1) Zeus teve a Perséfone com Deméter antes de se casar com Hera.
2) Por mais nojento que seja, sim, são todos irmãos e o incesto rolava...
3) Antes de se casar com Hades, Perséfone se chamava Core/Koré.
5) Zeus não impediu Hades de levar Perséfone como um ato de punição por banir o próprio irmão.
4) Os filhos deles ainda não faziam parte dos Olimpianos e não tinham sua definição e benção, eles desenvolveram com o passar do tempo, após as atividades ficarem muito tumultuada aos Deuses (Não que necessariamente tenha sido assim)
5) Novamente dizendo, não sei se o banimento de Hades foi assim, mas fiquei interessado em escrever.
Por fim acho que é só, espero que tenham gostado e por favor não deixem de comentar, isso é um presente dos Deuses aos escritores! *-* ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!