O Bailar de Asas Douradas
27 Vida, e seus pesares
Notas iniciais
— Eu não te julgarei — Reimar começou, arrefecido, depois de descerem as encostas, em silêncio, até a praia. — Tampouco ficarei surpreso. Wenna avisou-me que era possível.
— Encontraste com minha irmã? — Yaha interrompeu, olhando-o. Ele assentiu. — Quando?
— Depois da Batalha de Berken. Três luas vermelhas após a carta que ela enviou-te. — Ele olhou distante, espreitando o mar. Suspirou. — Yaha, peço que não minta para mim. Tens sentimentos pelo ajudante?
— Eu — Yaha começou, o lábio tremeu. Olhou para as mãos. — tenho.
— Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? — ele perguntou. Sorriu secamente. — Afinal, seis anos são um longo tempo. Houve momentos que eu mesmo perguntei-me se algum diria voltaria para casa.
— Ainda assim, aqui estás.
— Para teu desalento.
— Desalento? — Yaha falou, as bochechas coradas. — Eu esperei por anos, sem sequer ter notícias tuas.
— A vida e seus pesares. — Ele disse, taciturno. — Perdoa-me. Tens razão, meu amor. — As últimas palavras saíram doces, atemporais. Uma memória vulgar, perdida no tempo. Yaha desviou o olhar, Reimar suspirou.
— Que queres que eu faça?
— Que escolhas. Não podes ter-nos ambos.
Reimar pressionou-lhe o ombro e caminhou de volta à casa, deixando-a sozinha. Yaha andou até às grutas. Sentou-se nas pedras, olhando o nada.
Levantou-se com uma resposta.
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