O Bailar de Asas Douradas
29 Adeus
Notas iniciais
— Pegaste todas as tuas coisas? — Yaha perguntou, miúda. Lázaro assentiu, engolindo em seco. — Teu pagamento.
Lázaro pegou a bolsa de couro, sem preocupar-se em contar as moedas de cobre. Os olhares eram tensos, retraídos e demorados. As almas gritando as paixões em seus peitos, enquanto a língua travava, pesada como chumbo.
— Obrigada — ele disse, meio morto. Engoliu em seco, mordeu os lábios. Deu um passo à frente, Yaha outro. Terminaram abraçados, os dedos dele enroscando no cabelo escuro da mulher, as respirações exalantes, as pequenas e silentes lágrimas escorrendo pelos rostos. Afastaram-se. — Sentirei tua falta.
— Lázaro! — Geanna gritou, correndo pelo pátio. Pendurou-se em seus braços. — Meu pai disse que tens que ir embora. Mas não entendo.
Ele ajoelhou-se.
— Eu estava cuidando da fazenda, de ti, da tua mãe, de Max. Como o senhor Lehman voltou, meus serviços não são mais necessários.
— Então ele podia bem ir embora. — Geanna cruzou os braços.
— Ge, ele é teu pai. — Lázaro bagunçou o cabelo escuro da menina. — Prometa-me que será uma boa garota e o respeitará.
— Prometo. — Semicerrou os olhos. — Mas meu amor ele terá de pleitear.
Max chegou em seguida, abraçou Lázaro, que subiu no cavalo manso, esporeou e sumiu-se na vista.
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