ALICE

Prólogo

"Você não deve viver a vida como outras pessoas esperam que você viva; tem que ser sua escolha, pois quando estiver lutando, você estará sozinho."
(Alice no país das maravilhas)


Respiro fundo e tento me concentrar e acalmar. Preciso organizar a minha mente e tentar entender o que deu errado. Em que momento minha vida desmoronou sem que eu percebesse e o que fiz para que ela tenha culminado no dia de hoje. O pior dia da minha vida, certamente.

Respire Alice

É só respirar


Mas o ar parece não conseguir entrar nos meus pulmões e tenho a sensação de que esqueci como se respira. Minhas pernas queimam enquanto estou correndo e não sei o porquê de eu estar correndo desse jeito, mas sinto como se estivesse sendo perseguida por pesadelos que não me deixam parar e descansar. Certamente os saltos que estou usando não são apropriados para o que estou fazendo, mas nem a possibilidade de torcer meu pé, faz meu cérebro perceber que preciso parar de correr. Somente quando olho para os lados e vejo que estou perdida que paro e tento buscar fôlego.
Onde estou?
Olho para os lados, mas essa parte da cidade é desconhecida para mim. Olho novamente ao redor e vejo uma pequena lanchonete do outro lado da rua. Começo a andar para lá com a esperança de ter alguém que me ajude a voltar para casa. O céu começa a relampejar e uma chuva torrencial cai e me deixa encharcada.
Graças a Deus encontrei uma lanchonete!
Corro para ela desesperadamente, mas quando abro a porta e o sino toca avisando que cheguei, meu estado já está desastroso. Deixo então as lágrimas que estava segurando caírem e elas se misturam à água da chuva que escorre pelo meu rosto. Tento torcer meu vestido e parecer um pouco apresentável, mas ele ainda está encharcado colando no meu corpo. Ando até o balcão e vejo uma senhora com cabelos grisalhos limpando copos.
—Olá minha querida, está caindo o mundo lá fora não é mesmo? Sente-se que eu vou lhe trazer uma xícara de café. Já fechamos, mas você pode esperar a chuva passar antes de ir.
Antes que eu tenha tempo de piscar, ela volta com um bule e enche a xícara que está na minha frente. O cheiro do café faz meu estômago roncar alto e percebo que não comi nada o dia todo.
—Muito obrigada — digo à senhora. -Eu estou um pouco perdida. Pode me dizer em qual rua estamos?
—Estamos na cinco de julho. Reconhece o nome? — Nego com a cabeça, certamente devo ter vindo parar no outro lado da cidade.

A senhora volta para o balcão e me entrega dois bolinhos. Como sem pestanejar, a fome é grande.
—O que aconteceu com você, querida? Parece que andou chorando
Como ela adivinhou?
—A minha vida não está saindo como planejei
—Ah querida, ninguém consegue ter a vida do jeito que sonha. Não se pode planejar nada, pois o acaso é quem manda. Nada que planejamos em nossa cabeça se torna realidade
—Agora eu infelizmente sei disso
—Você é tão nova... O que aconteceu de tão ruim?
Nesse momento começo a repensar minha vida, desde o momento em que tudo pareceu mudar. Foi como num passe de mágica, um dia estava tudo perfeitamente bem, eu tinha um noivo, pais que me amavam e uma carreira que estava próspera. No outro, tudo desmoronou e foi tão repentino e tudo de uma vez, que eu senti como se puxassem meu tapete em um solavanco só, ou que todo o meu sangue fosse drenando do meu corpo em apenas um segundo. Tento relembrar e juntar todos os fatos que aconteceram, para tentar entender e assimilar tudo de uma vez. Lembro dos últimos dias que dormi bem, sem essa preocupação constante que perturba meus sonos, foi há quatro meses .... Tão pouco tempo, mas quem podia imaginar não é mesmo? Nem nos meus sonhos mais loucos imaginaria que do nada minha vida mudaria tanto e eu começaria a ser chamada de assassina.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.