O Azar dos Heróis

5 A grande intrometida


Notas iniciais
Obrigada por clicarem! Espero que gostem! Logo postarei mais. Então boa leitura.

Podemos dizer que a ideia de Noah não era nada de especial, mas ajudou bastante, quero dizer, aposto que meus pais pensaram nisso, porém eu estava decidido que a encontraríamos, teria que fazer isso, algo me fazia sentir que era a minha obrigação, podia sentir como seria encontra-la, sorrisos brotaram em meu rosto quando pensava nela.

Fomos à delegacia, Noah estava dando passos apressados, praticamente corria, e eu, ia atrás, não sabia o que encontraria pela frente, porém Noah estava completamente confiante no que estava fazendo. Realmente tê-lo ao meu lado ajudou bastante, ele sempre me ajudou.

Abrimos a porta com tanta vontade que poderia dizer que a maioria das pessoas que estavam lá presente olhou para nós. Como odiava ser percebido, ser invisível era um dos meus dons que eu mais gostava, as pessoas me viam, mas assim como eu fazia com elas, elas fingiam que eu não existia. Lembro-me de quando alguns meninos estavam batendo no Noah dentro do banheiro masculino e eu fiquei lá parado por um tempo sem saber exatamente o que fazer, tentei bater neles o que foi uma tentativa fracassada de luta e acabamos todos na diretoria, menos o Noah, ele estava na enfermaria. Meus pensamentos do passado foram interrompidos pela voz rouca de um homem.

De repente Noah começou a falar com ele, nada saia pela minha boca, fiquei sentado enquanto ouvia a conversa, era como se eu estivesse presente em corpo, porém meus pensamentos não se prendessem aquele lugar.

No fim tudo acabou como imaginávamos, eles simplesmente falaram o que iriam fazer o que pudessem e depois falou que entraria em contado. Fiquei com tanta raiva que fui andando batendo o pé até a casa de Noah, quando chegamos eu não aguentei de raiva.

–Eles não vão fazer nada! –disse enquanto piscava na tentativa de conter as lágrimas. Estava completamente furioso.

–Vão entrar em contato. –ele falou tentando me acalmar.

–Não quero entrar em contato com ele quero encontrar minha irmã.

Simplesmente aquela conversa terminou daquele jeito, Noah não quis falar nada, ele olhou para meus olhos por poucos segundos, sabia o que ele pensava, no fundo de todas aquelas palavras, Noah sabia que aquilo, os policiais e coisa e tal, não adiantaria muita coisa. Ele apenas se despediu pedindo desculpas e saiu, fiquei parado naquela mesma posição sem saber o que pensar.

Dias se passaram. Não atendi ao telefone. Não mandei mensagens. Não joguei no computador. Apenas ficava deitado na minha cama jogando uma bolinha para cima e a pegando no ar. Minha mãe entrara no meu quarto com uma cara triste misturada com sono. Olho para o relógio que marca seis horas em ponto. Levanto carregando minha cama comigo, e a levando para o banheiro onde tomo meu banho. Agora me lembro de que é o dia de tudo voltar ao normal. As aulas me perseguem desde o primeiro dia de férias.

Passo pelo quarto de Anne, ela dorme profundamente, por um segundo tenho a enorme vontade de acorda-la, mas sei que se eu fizesse isso acabaria ficando de castigo, pego a minha mochila que está pendurada na cadeira, abro a porta com sutileza e saio.

Nunca vi tantos grupos diferentes em minha vida. Realmente aquela escola era dividida. Tinha todos os tipos de pessoas, apenas eu estava fora de um desses grupos. Quero dizer, não era nerd, popular, pegador, não era nada, era apenas mais um sentado no fundo da classe que raramente se opõe a uma decisão ou responde alguma pergunta.

Fico parado em frente ao meu armário, Noah está com o grupo de física que ele participa. Espero que ele venha até o meu armário para irmos para a aula de biologia juntos, ele pega seus livros que fica a alguns armários depois do meu, passa ao meu lado e para. Olha para mim, porém não falamos absolutamente nada apenas caminhamos em direção a salda do meu professor que em minha opinião, é a cara do Snape. Noah absolutamente era apaixonado por Harry Potter, mas o seu real fascínio era Star Wars.

Sentei ao lado de Noah, porém o professor não me deixou ficar lá por muito tempo, ele já me conhecia, sentei então ao lado de uma garota que estava com a cara enfiada nos livros, não a reconheci de imediato. Depois vi que era Emily, não a achava feia, porém ela não era linda aos meus olhos, por mais que o Noah falasse que ela era incrível, não conseguia enxergar isso.

–Você continua apaixonado pela minha irmã? –uma voz feminina sussurra perto de mim. Tento distinguir de quem é, sem olhar, e imaginando se era comigo que estavam falando.

Era Emily, e sim, ela estava falando comigo, fiquei corado de tanta vergonha. Isabelle já havia falado de mim? Não consegui falar nada. Ela continuou a olhar para mim, disse algo que de fato me interessei, ela disse que me ajudaria. Ela me olhava com um sorriso bobo, como se fosse maluca, talvez fosse, sei lá, ela simplesmente era diferente de como eu sou. Começando pelo fato dela adorar ler, eu realmente não suporto, ela tira boas notas e eu... bem, prefiro não comentar. Ela sussurrou novamente, dessa vez ela me fala que eu poderei conversar com ela depois, ela disse que queria ler agora e que eu demorava muito para responder suas perguntas.

Os minutos foram se passando e Snape, como eu gosto de chama-lo, não parava de falar, me senti sufocado por palavras, Emily, no final da aula, pegou seus cadernos e me fuzilou com os olhos, iria falar com ela no final da aula, gostava de Isabelle. Tinha que agir de uma vez.

A aula passou tão divagar que parecia que se tinha passado três anos da minha vida, por fim acabou, encontrei com Emily perto do seu armário, ela olhou para mim e disse que não queria falar comigo aqui, fiquei com raiva porque achei que ela estava com vergonha de alguém vê-la falando comigo, porém ela falou que me encontrava perto da sorveteria ao lado da lanchonete que eu trabalhava às quatro horas da tarde.

Para falar a verdade eu estava ansioso e nervoso, no fim depois que eu almocei, as horas se passaram mais rápidas e assim que eu pisquei já era três e meia da tarde. Decidi que ia mais cedo. Caminhando em direção à sorveteria, uma ideia ridícula passou pela minha cabeça. Por um momento pensei em Emily como minha irmã perdida. Impossível! Tirei essa ideia da minha cabeça, mais deixei que um pedacinho ficasse.

–Oi. –ela disse se aproximando, ela estava com uma calça e uma blusa vermelha. –Antes que comecemos a falar da minha irmã, te chamei aqui realmente para falar da sua irmã, não a Anne, a outra. –olhei para ela com uma cara de espanto enquanto olhava naqueles olhos azuis.

–Como você sabe?

–Você fala as coisas enquanto você está pensando. –ela falou enquanto eu a encarei sem saber direito o que estava acontecendo. –Eu simplesmente ouvi você falando dela. E vou ajudar a procura-la.

–Como você sabe que eu estou procurando por ela?

Ela deu um sorriso de satisfação enquanto olhava diretamente nos meus olhos, senti alguma coisa diferente, não diria que estou gostando dela. Porque sei que eu senti, não foi amor, apenas não sei explicar, fico de boca aberta, não sei como me livrar dela, não quero a sua ajuda.

–Afinal sei mais sobre você do que você imagina, Travis Walker.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Até o próximo capitulo. Beijos May Singer