O Azar dos Heróis

1 Silêncio ensurdecedor


Notas iniciais
Espero que gostem!!

Se um dia me mandassem fazer uma lista do que mais odeio em todo o mundo, eu diria que é acordar cedo. Minha mãe sempre me dizia que com o tempo você se acostumaria, mas essa foi a maior mentira que ela já me contou, que eu saiba. Era a minha ultima semana antes de tudo voltar ao normal, quero dizer, as aulas, acordar cedo, deveres de casa, passar raspando como eu fiz nos últimos três anos de minha vida. Estava sentado em frente ao computador, não saia de lá mais de três vezes por dia, se eu tenho um mundo aqui dentro, porque raios de motivo eu teria para querer viver o mundo aqui fora. Meus pais não param de trabalhar, e minha irmã de cinco anos não para de encher a porra do meu saco.

–Travis, mamãe disse para você me levar ao parque.

–Sai daqui, pirralha insuportável, não vê que estou ocupado.

Era sempre assim, sempre depois de nossas brigas ela corria até o escritório do meu pai e bem provavelmente eu ficaria de castigo por dois meses se eles tivessem tempo para mim. Porém, no fim das contas teria que levar Anne ao parque.

Fiquei sentado em um banco mexendo no celular enquanto ela brincava com Jennifer, sei que ela era minha sobrinha, mas só a sua voz já me irritava, ela tinha dois anos, era filha do meu irmão mais velho, Taylor, tínhamos três anos de diferença, ele tinha vinte anos. Aproximou-se e sentou ao meu lado, enquanto eu jogava no celular.

–Como vai o menino mais antissocial que eu conheço?

–Não enche.

–Então ta. –ele disse com a cabeça baixa e logo olhou em direção a sua esposa, Kate.

–Posso te fazer uma pergunta? –perguntei tentando mudar de assunto.

–Claro, diga, é sobre a adolescência não é? Você está afim de uma garota? Por acaso você já teve “aquela” conversa com nossos pais?

–Não, não é nada disso, e não eu não tive “aquela” conversa com nossos pais. – disse um pouco envergonhado. –É que desde pequeno eu sinto que nossos pais tentam esconder alguma coisa de mim, não sei exatamente o que, eu só sinto que preciso saber, é alguma coisa relacionada a mim? Você sabe alguma coisa?

–Não sei de absolutamente nada.

Era óbvio que ele sabia, apenas não queria me contar, ficava maluco em não saber algo relacionado a mim, tinha que saber, fiquei irritado por Taylor não me contar, peguei o braço de Anne, puxando-a para irmos embora, não queria mais ficar lá.

–Travis, me leva no colo? -ela me olhou com aquele olhar que ela fazia sempre que queria alguma coisa.

–Não. –disse em um tom frio, e ela ficou me olhando triste.

Voltamos a andar, ela ficava me olhando a cada minuto, sabia que queria dizer alguma coisa, mas juntava coragem para dizer.

–Por que você não gosta de mim?

Isso é o que todo irmão casula levemente maltratado diz, ela começara a me encarar e eu simplesmente não fazia a menor ideia do que dizer, em um momento desses a verdade não era a melhor solução.

–Não é que eu não goste, é só que isso é uma regra de família, assim como o Taylor me maltratava eu maltrato você, é apenas uma tradição.

–E quem eu vou maltratar?

–A Jennifer, eu deixo.

Fomos andando direto para casa, até eu encontrar a menina que eu não via há meses, Isabelle, ela era simplesmente incrível, tinha cabelos ruivos e incríveis olhos verdes, Isabelle era um ano mais velha que eu e nunca falara com ela, eu tinha apenas um amigo e ela era uma das meninas mais populares, tinha um namorado, capitão do time, Ethan Campbell, porém por informações do garoto mais estranho e meu único amigo Noah Meyer, eles tinham terminado.

–Você conhece aquela garota?

–Não atrapalha, Anne.

–Nossa, desculpa. Mas você gosta dela?

–Cala boca, pirralha.

–Ela não te quis, foi isso?

Fiquei um pouco irritado, mas era a pura verdade.

–Sim. –disse com um sorriso estranho em meu rosto.

Então voltamos a andar, aquele foi um dos poucos momentos nos últimos cinco anos que eu gostei da companhia de Anne. Eu não sabia ser um irmão mais velho, fiquei doze anos sendo casula e de repente tenho a grande responsabilidade em minhas mãos, não basta ter que lidar com as horríveis coisas que acontecem na minha vida e com as incríveis coisas que não acontecem, sou um dos únicos garotos de dezessete anos que não tem e que nunca teve uma namorada, já fui rejeitado por cinco meninas em menos de um ano, minha mãe dizia que eu não era feio o que me deixava com a impressão de que eu era mais horrível ainda, além do fato de eu ser disléxico, uma coisa me atrapalhava com as garotas e a outra me atrapalhava na escola.

O fato de todas as pessoas quererem ser famosas ou importantes um dia, não passava de uma enorme verdade, eu estava nesse enorme grupo predominante do mundo, não sabia fazer nada, não lia, não era bom escritor, não era um gênio, estava longe disso, passava raspando em matemática, física, química, e na maioria das outras matérias.

Fiquei sentado na cadeira da minha escrivaninha onde ficava meu computador, pela primeira vez, sentei naquela cadeira e não liguei o computador. Fiquei apenas lá, sentado, rodando com a minha cadeira, pensando. Tinha um pequeno fascínio por tirar fotos, não minhas, mas de paisagens, com o por do sol, ou o céu azul, aquilo era a única coisa que eu tinha, era o meu único talento.

Estava em um pleno domingo prestes a acabar e no dia seguinte teria que voltar para o meu emprego das férias, não era o dos melhores, morava em Los Angeles e trabalhava em uma lanchonete, mas não queria pensar em mais nada em quanto ouvia Fall Out Boy.

Eram 23:00 horas de um domingo ao fim, dia 22, só pensava em uma coisa, Isabelle, como eu queria viver no universo alternativo Isabella Black, ela era tão incrível só que como tudo na vida, tinha os seus defeitos e o dela era, Isabelle era mais rodada que... bom, não tinha com o que comparar, mas ela era muito, com todo aquele armamento, tanto na parte da frente como atrás, os peitos dela eram extremamente gigantes, e isso era uma qualidade extremamente importante para os meninos, não no meu caso, bom só um pouco.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Criticas, sugestões, opiniões. Beijos May Singer!