O Auror - O Conto da Lua e das Trevas
6 Capítulo 6: A Bruxa que Falava outra Língua
A dificuldade talvez fosse maior para tirar da mente a imagem que agora ele tinha, provavelmente tivesse haver com o fato de que aquilo fosse o sonho dele.
— Você precisa voltar ao normal. — disse o companheiro.
O pássaro tombou a cabeça de lado olhando para ele com os pequenos olhos brilhantes.
— Seus olhos não mudaram. — comentou displicentemente o garoto. — Ah! Por Merlin, você não está conseguindo voltar?
Naquele momento a legilimência veio a calhar afinal seria muito complicado se comunicar com um pássaro.
— Escuta preciso que pense no pergaminho… isso… pense no pergaminho para que eu possa ver as coisas que ele descreve sobre o processo de animago, assim podemos trazer essas orientações para o seu consciente.
Seguindo as orientações do amigo ele trouxe a imagem do pergaminho para frente de seus pensamentos.
— Isso… isso… agora vejamos…
Ele visualizou as partes do pergaminho, como se estivesse com o mesmo diante de si.
— Aqui! Aqui! — ele se empolgou — Eu sabia que estava tudo aqui dentro. — disse dando toquinhos amigáveis na cabeça do pássaro dourado.
Ele se levantou.
— Você precisa mentalizar a sua forma humana. Somente assim vai conseguir sair da forma animago.
Sim ele se lembrava daquilo no pergaminho. O companheiro tinha razão.
Nesse momento ele começou a formar uma imagem de si mesmo em sua mente.
— Imagine… imagine você…
A pele num tom de bronze. Os cabelos presos na parte de cima num rabo atrás da cabeça, soltos na parte de baixo. Os traços do rosto simples. O corpo de estatura mediana, não muito magro e nem gordo.
— Isso você está no caminho certo. — incentivou Khalil.
Aos poucos o pássaro foi retomando a forma humana. As asas maiores convertendo-se em braços. O bico regredindo em seu rosto. Seu tamanho voltando ao normal.
— Uau! Isso é simplesmente incrível!
A respiração dele estava entrecortada, o pulso ainda acelerado; e agora eram duas batidas em seu peito, nítidas, vivas e pareadas.
— Você está bem?
— Sim… — ele respondeu entre um suspiro e outro — Eu… eu estou bem…
— Precisamos voltar para aula! A professora não pode dar falta de nós dois.
— Eu… — a fala dele ainda não havia voltado completamente — Eu não sei se consigo aparatar.
— E o que devemos fazer?
— Você já fez isso alguma vez?
— Uma única vez eu aparatei. Mas eu estava sozinho, depois daquela vez nunca mias tentei novamente.
— Então você consegue.
— Não! Impossível, podemos terminar os dois estrunchados!
— Você… tem que tentar… eu… confio em você…
— Mas…
— Tente, eu prometo estar melhor quando chegarmos na sala.
Ele se concentrou, lembrou do que seu irmão havia lhe falado sobre aparatar.
“ Você deve focar no seu destino, deve ver, sentir o lugar para aonde está indo. Determine isso na sua mente. Não se esqueça: deve se movimentar com leveza, mas deliberadamente. ”
Com essas palavras em mente ele tirou a varinha da manga, pois teve receio de não conseguir realizar o feitiço de forma correta apenas com gestos.
Respirou fundo e mentalizou a porta da sala.
O zumbido leve irrompeu; a caverna se tornou um borrão; Julian teve todas as sensações de quando se aparatou para ali, porém de forma ainda mais intensa, talvez aquilo fosse devido ao fato de ele ser “o carona” dessa vez;
Quando ele abriu os olhos estavam na porta de frente para um corredor.
— Onde os senhores pensam que vão?! — perguntou a professora com um tom claro de desaprovação.
— Professora… ahm… professora, o Julian parece não estar muito bem. Veja. — pensou rápido Khalil.
— Pelos magos antigos! Senhor Diadmoon, o senhor deve estar sofrendo dos males da adaptação; venha, venha, depressa senhor Khalfani.
Eles foram, acompanhados da professora, até a enfermaria.
Vindo do outro corredor ela viu quando eles atravessaram o corredor. A professora e os dois, o intercambista apoiado nos ombros do esquisito.
Por sua intuição ela disse para si mesma que deveria ver o que estava acontecendo. Ela continuou seguindo o grupo devagarzinho, como se pisasse em ovos.
Viu quando deram entrada na enfermaria e logo em seguida quando a professora saiu acompanhada do esquisito.
Foi então que ela se debruçou por sobre o balcão num momento de distração da enfermeira.
— Accio…— ela sussurrou o feitiço para não ser percebida.
Leu com atenção as informações do papel.
— “Não adaptação climática”? Isso não é possível…
Ela colocou o prontuário no lugar. E saiu da enfermaria.
A noite caiu e Julian prosseguiu internado, seu corpo estava débil e ele se deixou repousar.
A sombra soturna se aproximou pela janela ocultando a luz da lua. Suas vestes pareciam drapear como se estivessem submersas. Os dedos longilíneos finos e ossudos se aproximaram do rosto do garoto adormecido.
— Quem diria que você estaria por aqui? Deveria ser diferente… você resolveu mudar seu destino, não é mesmo?
Talvez não haja uma outra oportunidade tão fascinante como esta…, mas como sempre não posso deixar rastro…- pensou a figura oculta pela penumbra. — Serpensortia…
Conjurou uma, duas, três… ao final havia uma dezena de cobras no quarto.
— Quero que me diga agora! — ela irrompeu pela porta do quarto dos dois.
— Hei! O que você está fazendo no dormitório masculino?! — ele perguntou de volta.
— Seu amigo, o intercambista ele foi internado com “falta de adaptação climática”, mas obviamente não tem nada a ver com isso. Os climas daqui e do Brasil nem são tão diferentes assim.
— Eu não sei de nada disso que você está falando.
— Não tente me enganar Khalil!
— Mas eu…
— Espere! — ele fez um silêncio súbito. — Por todos os caldeirões! Seu amigo está em perigo! Venha…
— Mas…
— Venha logo! — ela o puxou pelo braço.
Eles correram rapidamente. Passaram com delicadeza pelas portas da enfermaria. E posteriormente chegaram a ala dos leitos, nesse instante se depararam com a visão dantesca das cobras subindo pela cama.
— O que é aquilo?!
— São cobras, ora!
Ela deu dois passos adiante na direção da cama. Os passos hesitantes e lentos, quase temerosos. Quando ela abriu a boca o som veio como uma quebra do silêncio.
Era como o sibilar das próprias serpentes; um chiado que de certa forma era harmônico.
As serpentes a encararam desceram da cama e se alinharam diante dela.
— Vipera Evanesca!
As cobras desapareceram uma a uma. Quando ela olhou para cama, lá estava ele sentado olhando para ela. A varinha em punho.
— Você fala a língua das cobras!
— E você sabe um feitiço avançado da área de transfiguração.
— O que são vocês dois?!
— Falou o Legilimen…
— Ele é um Legilimen?!
— Pelo visto temos um grupo bem peculiar aqui…
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