Sarah acorda zonza, está difícil entender o que está acontecendo. Sua visão está embaçada e seus braços e pernas doem enquanto é arrastada por um corredor que parece ser interminável. Ela não se lembra nem do que aconteceu e muito menos de como foi parar lá, só sabia que estava sendo arrastada por um corredor branco, de piso liso e gélido. A prisioneira observa tudo durante o caminho tentando reconhecer alguma coisa, mas todas as formas que vê são diferentes de tudo o que já havia visto. Estaria para algo mais contemporâneo ou futurista? A verdade é que ela não estava dando a mínima para conceituar, só sabia que nada se encaixava. De volta a sua realidade e cansada de tentar decifrar tudo o que lhe cercava, Sarah começa a fazer movimentos suaves na tentativa de se soltar e iniciar uma fuga pois sabia que qualquer movimento brusco era correspondido por uma descarga elétrica, que embora não tão forte para matá-la, tinha força o suficiente para lhe causar muita dor.
— AAAAAAH! Mas que MERDA! – É a única palavra que ela consegue pronunciar enquanto a corrente torturante dança sobre seu corpo numa dor insuportável que queima e formiga ao mesmo tempo e aos poucos, como numa sessão de tortura, vai mudando para uma mistura de dor e ardência até que começa a parar de sentir as sensações pois seu corpo começa a entrar num estado de torpor. Quando finalmente a descarga para, seus músculos enrijecem, deixando-os doloridos. Seu tronco, que era segurado por uma espécie de pinça, ardia por conta do atrito prolongado. Sarah se concentra em sua dor, no intuito de reduzi-la — uma habilidade que aperfeiçoou com o tempo – e depois tenta olhar para o que a está segurando, mas não consegue ver a figura. Para sua sorte, ou azar, a essa altura já não sabe ao certo; a criatura a coloca a sua frente, observando-a. O que ela vê adiante é algo parecido com um robô: alto, com uma armadura — ou será que era uma carapaça? — toda metalizada; os braços fortes e o corpo largo; a criatura não tinha pés e sua cabeça, bem, não sei se poderia ser chamado assim, pois era só um volume entre os braços com um corte que emitia um feixe de luz verde, mas que ao mirá-la ficou com um vermelho intenso, como se tivesse apontando para Sarah. Era incomodo ver o robô (vamos chamá-lo assim) olhando-a da cabeça aos pés; isso fazia com que ela se sentisse nua, impossibilitada de qualquer reação. Sarah chegou a conclusão de que aquele suposto robô, ou aquilo seja lá o que fosse, era um tipo de scanner, porque depois de a ter analisado toda, o robô carcereiro emite um ruído e começa a caminhar pelos corredores, se bem que ele não caminhava, e sim flutuava. Sua visão embaça um pouco durante alguns segundos, mas ela percebe que ainda está nos corredores. Embora os corredores sejam aparentemente idênticos, ela resolve tentar memorizar o caminho, por mais difícil que seja; direita, esquerda, direita, direita e esquerda mais uma vez. Ela fica nessa contagem durante um tempo, até que chega em frente de uma porta de metal escura, na qual tinha gravado algo parecido com "H-13". Sarah não tem muito tempo para observar mais o local, pois a porta desliza para o lado de forma rápida, e com a mesma velocidade em que a porta desliza ela é jogada para dentro doa que se parece com uma cela. A porta se fecha bruscamente.
Sarah demora a se acostumar com o lugar; ele era escuro, tinha o espaço de uma sala de apartamento, o que era grande para uma cela comum. Quando suas vistas começam a se acostumar com o ambiente, percebe a presença de algumas criaturas estranhas (para ser mais exato, eram sete criaturas). Nesse momento, sua mente entra em colapso. Fica confusa e sem saber se estava sonhando ou se isso tudo não passava de uma pegadinha de mau gosto, porque isso não era normal, não podia ser. Essas criaturas eram algo que até então, ela só vira em filmes de ficção, mas que dessa vez pareciam muito reais. A textura da pele, o cheiro, a respiração, era tudo muito real. Beleza, ela acordou sendo levada por um robô escroto, num local onde ela não faz a mínima ideia de onde seja, até aí tudo bem, mas essas criaturas, definitivamente isso devia ser um sonho. Antes mesmo que se desse conta, escapa um angustiado grito de susto, que ela logo abafa, colocando suas mãos para tapar a boca e pensando: "contenha-se, e se eles forem hostis? Melhor não arriscar." Seu pensamento só é interrompido por outro grito, um grito muito forte, mas que soa peculiar. O grito vinha de outra mulher: uma mulher magra, de cabelos escuros e com roupas em farrapos, e que assim como em seus pulsos, viam-se as feridas expostas; e que em seu rosto percebe-se o alivio por ver outra figura humana. Ela sorria de forma estranha enquanto olhava para Sarah. Bom, a situação dela não era nada melhor, afinal, ela estava acorrentada por algo que parecia tão doloroso quanto as correntes que Sarah já havia visto.
— Meu Deus! Você está bem? — Pergunta Sarah que atravessa a sala correndo na direção da outra mulher, que se mostrava desconfortável por conta de uma camada de sangue seco que cobria seus pulsos.
— Na verdade não, sempre que me movo um pouco, essa algemas me eletrocutam — responde a outra mulher. Sarah fecha a cara num ar de tristeza pois entende perfeitamente como é doloroso.
— Bem, se não posso tocar nas algemas, posso ao menos cuidar dos seus pulsos- diz Sarah que imediatamente rasga uma tira da sua roupa e olha em volta e procura algum recipiente com água, repara que as criaturas a olham com algum interesse e até mesmo curiosidade, mas ela os ignora por completo, dirigindo-se a parede próxima, onde tinha algo que parecia uma "pia". Ela encharca as tiras na água, torce para tirar o excesso de água e corre de volta para a mulher que a olha com curiosidade enquanto Sarah limpa e enfaixa suas feridas. O efeito é imediato, fazia um bom tempo que a mulher não se sentia aliviada assim.
— Obrigada! — Diz a mulher acorrentada
Sarah então se senta próximo a mulher e então pergunta:
— Você está aqui a muito tempo?- ajeitando- se para que ficasse ao menos um pouco mais confortável.
— Faz uns cinco meses — a garota sorri ao dizer a última frase — Meu nome é Emily, e o seu seria?
Sarah dá um sorriso, por um momento esquecendo a situação. — Meu nome é Sarah, prazer!
Notas finais
Bem... essa é nossa primeira Estória... espero que gostem. Deixem um comentãrio sobre o ue achou, o que poderia melhorar ou o que espera sobre a estória. E o melhor de tudo, tenham uma ótima leitura.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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