O Assassino de Düsseldorf
5 #05 Uma noite quente
Notas iniciais
05
Ontem particularmente havia sido um dia muito corrido para Kurt. Era dia de seminários no curso de Psicologia e o castanho precisava estar presente desde o turno matutino. As presenças em seminários geravam notas extras, e Kurt dependia muito delas.
Acontece que desde que Dani morrera, o castanho havia faltado à faculdade muitos dias e perdido algumas provas. Nada que não pudesse recuperar com um pouco de esforço, mas mesmo assim.
Além do mais, Kurt não mantinha contato com Blaine desde a briga semanas atrás naquele café. Desde então nenhum assassinato havia sido reportado pelo jornal, e o detetive não procurara mais o Hummel.
Estranhamente, Kurt sentia falta daquela pitada de ação no seu dia, mas agradecia por não estarem ocorrendo mais mortes naquela cidade.
As pequenas coisas que saíam sobre os assassinatos Kurt podia acompanhar pelos jornais. Foi quando o jornal de terça-feira surpreendeu o castanho.
Kurt estava na cafeteria da faculdade tomando café da manhã com Rachel quando viu um homem na mesa de trás ler o jornal. A notícia da capa era um pouco esclarecedora por si só. “TESTEMUNHAS DO ASSASSINO IRÃO DEPOR NESSA SEXTA-FEIRA”.
– Testemunhas...? – Kurt murmurou baixinho como quem falasse para si mesmo.
– Testemunhas do quê? – Rachel tirou seus olhos do smartphone e seguiu onde os olhos de Kurt estavam vidrados. A judia agora encarava o jornal um pouco espantada. – É o Jesse.
– Onde?
– Na capa do jornal. É a foto de Jesse.
Jesse era uma testemunha do assassino? Kurt engoliu seco. Blaine talvez pudesse ter razão. O castanho observava Rachel um pouco impaciente depois da descoberta, mexia em seu smartphone com um pouco de receio.
Mas não podia ser verdade. Kurt não poderia acreditar que estava tomando café com o assassino de quatro pessoas.
Rachel continuava tomando seu café, mas um pouco distante. As conversas cessaram rapidamente e logo a judia dava alguma desculpa de ter que ir para a biblioteca e saiu pelas portas do café um pouco apressada.
O castanho pegou seu celular em mãos e digitou o número de Blaine, porém hesitou de apertar o botão de ligar. Mesmo que Rachel fosse a assassina, ela devia ter motivos, certo? Bom, ela pode ter assassinado o contador da família e a melhor amiga por motivos pessoais, certo?
– Não, Kurt. – Sussurrou balançando a cabeça. Não podia achar motivos plausíveis para uma pessoa simplesmente assassinar outra.
[...]
Era quarta-feira à noite quando Kurt ouviu batidas na porta de seu apartamento. Deixou seu laptop sobre o sofá vermelho e caminhou lentamente até a porta. Sem analisar o olho-mágico, Kurt a abriu e viu uma figura baixa do outro lado.
– O que você faz aqui? – Perguntou o Hummel um pouco indiferente.
– Trouxe janta. – Blaine deu um sorriso forçado ao mostrar duas embalagens de comida chinesa em mãos.
Kurt assentiu e deu passagem para o detetive entrar. Blaine continuou:
– Você sumiu. – Colocou as embalagens sob o balcão da cozinha.
– Minha vida não se resume à caçar assassinos. Eu tenho faculdade, trabalhos, família, amigos... – Kurt falava enquanto montava uma pequena mesa para a refeição dos dois homens. – Como você sabia onde eu moro, aliás?
– Invadi o computador da delegacia e vi na sua ficha. — Kurt arregalou os olhos e encarou o detetive que tinha em seu rosto a feição mais tranquila do mundo.
– Isso não é invasão de privacidade?
Blaine deu de ombros e tirou a comida da embalagem. Ambos se sentaram e começaram a jantar em silêncio. Era possível ouvir a respiração dos homens no cômodo, então Blaine quebrou o silêncio.
– Senti sua falta. – Kurt tirou os olhos da sua comida. – Com as investigações, sabe?
– Hm. – Gemeu com a boca cheia. – Li nos jornais que Jesse apareceu.
– Sim! – Blaine disse animado. – Aparentemente ele viajou para Las Vegas para uma despedida de solteiros de um amigo, mas já voltou para Lima.
– Ele disse algo sobre Rachel?
– Não. Ele não disse nada, na verdade. Apenas quando depor, acompanhando do advogado. Ricos, sabe como é, querem ter certeza que manterão o nome da família. – Blaine deu de ombros e continuou a comer.
Kurt não sabia se devia informar o detetive sobre a atitude estranha de Rachel no café, apenas assentiu e voltou a comer seu macarrão. Mais alguns segundos de silêncio e Kurt que pôs-se a falar agora.
– Seria legal, pelo menos uma vez, nos encontrarmos para falar de outra coisa que não fosse mortes, ou assassinatos... – Suspirou.
O estudante de psicologia não podia negar que o detetive era um colírio para seus olhos, e passar um tempo a mais com Blaine não seria incômodo nenhum. Na verdade, a única coisa que incomodava Kurt era o fato do detetive ser muito reservado e centrado.
– Esse foi o motivo de eu vir aqui hoje. – Deixou sua embalagem de lado após terminar toda sua comida. – Apenas um jantar casual. Foi você quem tocou no assunto de mortes, Kurt. – Sorriu.
– Oh.
Kurt se levantou a fim de levar as embalagens para o lixo da cozinha.
– Você precisa de ajuda?
– Não, não, mas obrigado. Eu já volto.
Kurt saiu do cômodo rapidamente. Jogou as embalagens no lixo e aproveitou o pequeno espelho que ficava na parede do cômodo para ajeitar seu cabelo e ver se estava “apresentável” para o convidado.
Após alguns minutos voltou para a sala com dois copos de margarita e se deparou com um Blaine Anderson entretido nas fotos que pousavam na prateleira principal do cômodo.
– Você fazia parte do coral? – Perguntou Blaine ao sentir a presença do castanho.
– Sim... – Suspirou entregando a bebida para Blaine. – Como se não fosse suficiente ser gay e ter um nome complicado, eu precisava de mais motivos para os neandertais cometer bullying comigo. – Disse irônico e fez sinal para Blaine o acompanhar até a varanda.
– É bonito daqui de cima. – Blaine virou um gole e depositou sua taça no parapeito da sacada. Estavam no décimo sexto andar e Blaine ficou encarando as luzes de Lima. – Esse apartamento é seu?
– Sim, meu pai me deu quando comecei a faculdade. Era muito complicado vir todos os dias ao centro de carro, então ele e Carole acharam melhor comprar um apartamento pra mim por aqui. Falaram que estava mais do que na hora de eu morar sozinho.
– Estranho você chamar sua mãe de Carole.
– Ela é minha madrasta. Minha mãe morreu quando eu tinha 15 anos.
– Oh, me desculpe. – Blaine encarou os olhos azuis de Kurt iluminados pela lua, que os deixava ainda mais fantástico do que nos outros dias.
– Tudo bem. Faz muito tempo. – Deu de ombros. – Podemos entrar? Está um pouco frio aqui fora.
Blaine assentiu e abriu a porta de vidro para Kurt. O resto da noite aconteceu vagamente. Taças de margaritas eram cheias e logo Blaine bebia no gargalo da jarra. Riam de algo quando os olhos de Blaine passaram rapidamente pelo relógio de parede que Kurt tinha em cima mesa de centro.
– É tarde, eu preciso ir. – Pigarreou.
Kurt desfez seu sorriso. Não haviam tomado tanto para estarem bêbados, mas estavam mais alegres do que o normal. Talvez Blaine estivesse bêbado. Não saberia diferenciar naquele momento. O castanho encarou o relógio que marcava meia-noite.
– Tudo bem. – Disse forçado. Caminhou com Blaine até a porta do apartamento. – Foi legal passar um tempo assim com você, uma pena que você precise ir agora. Eu estava me divertindo tanto... – Sussurrou na última parte enquanto abria a porta.
– É que está tarde, sabe? – Blaine também não queria ir embora, ainda mais agora que estava conhecendo a parte divertida de Kurt. Se aproximou involuntariamente do castanho.
– Talvez você pudesse ficar um pouco mais. – Kurt se aproximou também, não entendendo a necessidade de seu corpo de ficar perto do de Blaine. Aquilo deveria ser efeito das margaritas.
Blaine encarou os lábios de Kurt, e o castanho fez o mesmo com os do detetive. Em um impulso, o estudante de psicologia capturava os lábios do Anderson para si enquanto tinha a mão em sua nuca. Blaine correspondeu o beijo assim que ele começara.
O beijo acabou com a mesma urgência que havia começado, porém os dois homens já estavam respirando ofegantes e com as bochechas rosadas.
– Talvez eu possa ficar mais um pouco.
– Seria ótimo. – Então Kurt voltou a atacar aqueles lábios divinos que poderia jurar que eram os melhores que já havia provado. Fechou a porta com os pés e caminhou com o moreno até o sofá.
Kurt e Blaine estavam dedicados naquilo que estavam fazendo. Deitados no sofá se beijando com vontade. A camisa de Blaine havia sido jogada em algum canto da casa, assim como a de Kurt. Os beijos eram quentes e Blaine podia jurar que aquela era a mão do mais novo em sua bunda.
Os beijos foram ficando mais quentes assim que Blaine sentiu algo duro pressionar sua coxa. A ereção de Kurt parecia que ia explodir. Blaine sorriu durante os beijos e moveu as mãos até a calça do castanho, quando... O telefone começa a tocar. Especificamente, o celular do detetive.
– Seu celular... – Kurt falou durante os beijos.
– Deixa tocar. – Blaine respondeu alcançando o botão da calça de Kurt.
– Pode ser importante. – Relutou o estudante.
– Droga. – Blaine continuava os beijos. – É bom ser alguma morte, ou então eu mesmo mato a pessoa que está fazendo essa ligação. – Resmungou enquanto quebrava os beijos com o castanho.
Kurt gargalhou baixo e se ajeitou no sofá. Enquanto Blaine procurava sua jaqueta pela casa (que Kurt havia tirado em algum momento e arremessado longe), o castanho parou para ver os vermelhos por sua pele branca dos chupões que Blaine havia dado.
De longe, Blaine era o cara mais sexy que Kurt já havia ficado. Com beijos ardentes, e uma sede de Kurt incontrolável. É claro que é um pouco estranho lembrar que segundos atrás estava beijando o cara com quem fala sobre mortes e assassinatos, mas o que isso tinha a ver com seu desejo pelo tanquinho maravilhoso do detetive? Isso, exatamente nada.
– Alô? – Pode ouvir Blaine vir do outro cômodo com o celular no ouvido. Parecia não estar muito empolgado com a ligação.
Kurt aproveitou para ir à cozinha pegar mais alguma bebida. Sua garganta estava seca devido aos incontáveis minutos que ficou em baixo de Blaine. Foi Kurt voltar da cozinha segurando uma garrafa de uísque que o moreno o secou dos pés à cabeça.
Kurt estava sem camisa, cabelo bagunçado e cheio de hematomas de chupões pelo corpo. Suas bochechas um pouco rosadas e os lábios roxos devidos à intensidade dos beijos do detetive. Ao telefone, Blaine soltou um sorriso maravilhoso.
– É morte? – Perguntou em um sussurro. Blaine negou com a cabeça.
Kurt achou estranho estar tratando uma morte com tão pouca “importância”, mas percebeu que se fosse ajudar Blaine com o assassino, não deveria tratar isso com todo o drama de sempre.
Blaine apenas encarava Kurt. O castanho agora estava deitado relaxado no sofá bebendo uísque direto do gargalo, fazendo algumas caretas ao sentir o gosto forte da bebida.
– Tudo bem, amanhã passarei aí. – Blaine desligou o celular e foi direto atacar os lábios de Kurt, que se assustou.
– W–woa. – Gargalhou baixinho com o susto.
– Você fica lindo cheio de hematomas. – Blaine sussurrou no ouvido do castanho antes de dar outro chupão no pescoço do mais novo. Kurt apenas gemeu e passou a garrafa para Blaine tomar também.
Era seis horas da manhã quando o despertador do celular de Kurt tocou. O castanho mal conseguia abrir os olhos de tanta dor de cabeça. Era como se a luz do sol que entrava da janela da sala o cegasse. Seu corpo doía, mas Kurt não conseguia decifrar se era efeito da ressaca ou se era efeito dos chupões que havia recebido.
Lembrava-se de uma garrafa de uísque, de algumas taças e de alguns beijos. Mas tudo era como um vulto em sua mente. Quando fora a última vez que o castanho tivera uma ressaca tão grande quanto essa?
– Desliga essa merda. – Blaine bufou, piscando os olhos lentamente.
Ele e Kurt estavam deitados no chão da sala, aparentemente não haviam feito sexo já que estavam ainda de calças, mas os lábios de ambos estava vermelho e com algumas feridas. Blaine repousava sobre Kurt, que tinha um pequeno sorriso no rosto.
– Bom dia. – Se espreguiçou sem remover o detetive.
– Bom dia, Kurtie. – Podia sentir o hálito de uísque vindo de Blaine, que depositou rápido em seus lábios e se levantou um pouco preguiçoso.
Blaine havia ido tomar um banho enquanto Kurt fazia alguns ovos para o café da manhã. Havia descoberto que fritura era o ingrediente perfeito para a cura de ressacas. Seus olhos saíram da frigideira para encarar um Blaine Anderson andar de cueca pela casa, catando suas roupas pelo chão da sala.
– Sabe, se você quiser tomar café assim, eu não me incomodaria. – Soltou.
Blaine gargalhou gostoso e caminhou até o mais novo. Na cozinha, Kurt preparava agora o suco de laranja e algumas frutas.
– Você usou todo gel que havia no banheiro, não usou? – Kurt sorriu.
– Talvez. – Blaine caminhou até onde o estudante estava para pegar uma maça. – Apesar da ressaca, acordei estranhamente bem essa manhã.
– Eu também.
Sorriram e se aproximaram para um beijo, porém o celular do detetive tocou no mesmo instante. Blaine respirou fundo e revirou os olhos. Deu um breve selinho no Hummel e voltou para a sala para procurar o aparelho.
– Alô? – Disse enquanto dava uma mordida na maçã que havia pego da cesta de frutas. Kurt encarava o detetive que tinha em sua sala de estar.
Blaine estava com apenas de cueca e seus cabelos cobertos em gel. Tinha pequenas bolsas nos olhos e era extremamente lindo pela manhã. Sorriu involuntariamente e voltou a prestar atenção na ligação.
– Como assim, onde? – Blaine havia ficado pasmo. Kurt desconfiava do que se tratava a ligação. – Tudo bem, Anna. Estou indo pra lá. Ok, tchau. – Blaine desligou o celular com um pouco de pressa e começou a se vestir rapidamente.
– Deixe-me adivinhar: outro assassinato? – Disse enquanto tomava um gole do suco de laranja com acerola que havia feito.
– Outro assassinato. – Blaine se afobava ao vestir as peças. – E você não vai acreditar quem.
– Quem? Eu conheço?
– Jesse St. James.
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