O Assassinato à Meia-Noite
1 A Morte Misteriosa
Era por volta da meia-noite no pacato vilarejo de Lorien. A lua cheia ostentava-se alto no escuro céu, envolta por nuvens esverdeadas e em tons de roxo. Tudo estava calma, exceto por passos apressados em direção à igreja, era Maria di Fiore. A mulher estava em um trote descompassado, quase como se estivesse correndo de alguém, ou melhor, fugindo. Ao chegar à igreja, silêncio absoluto. Por incrível que pareça a capela ainda estava aberta e a mulher entrou. Chegando lá deparou-se com um vulto escuro correndo em sua direção, ela tentou gritar, mas foi inútil. E, ao virar-se para trás, viu um sorriso maléfico como que levitando em meio a escuridão vindo de uma segunda pessoa que estava chegando à igreja. E lá se ia Maria di Fiore.
(. . .)
Na manhã seguinte, ao levantar-se e ir celebrar a missa o padre Joaquim não levaria susto maior: Havia uma mulher morta, dentro de um pentagrama desenhado com sangue. O grito de horror emitido pelo pároco foi alto, agudo e estridente, e acabou por acordar as irmãs e os seminaristas que moravam na igreja que, ao chegaram ao local onde estavam o vigário, não tiveram reação muito diferente. Aos poucos, os fiéis que iriam a acompanhar a missa foram chegando e ficaram extramamente chocados com a cena que viram, pouco tempo depois, praticamente todo o vilarejo encontrava-se dentro da igreja procurando ver o corpo dentro do pentagrama. Afinal, isso não se via todo dia!
Algum tempo depois, a polícia chegou e mandou todos para suas casas, a igreja ficou isolada e somente o padre, coroinhas e freiras ficaram lá para prestarem depoimento, apesar de não saberem muita coisa. O oficial que ficara encarregado do caso era o policial Jacobs, um homem de meia idade, já grisalho, alto e bastante altivo. Ele reuniu todos os "habitantes" da igreja e chamou um por um, em particular, perguntando o que haviam visto. No geral as respostas eram: "Senhor policial, quando levantamos para arrumar a igreja para a celebração nos deparamos com o cádaver aí, sem mais nem menos. Ontem havíamos deixado a igreja aberta, porque é costume e no nosso vilarejo não há ladrões nem marginais, como o senhor bem sabe. À noite não ouvimos nada de lá de casa, principalmente daí vem o nosso espanto".
O caso estava ficando cada vez mais estranho frente aos olhos do policial Jacobs, e a perícia também não havia feito muitos progressos. Nâo haviam digitais, nem nada que pudesse indicar uma direção a ser tomada no caso. A única coisa que ficou-se sabendo era que a mulher, à primeira vista, chamava-se Maria di Fiore, pois alguém a havia visto no dia anterior, e segundo dizia-se, ela estava hospedada no pensionato do vilarejo. Também não haviam muitas marcas no corpo, apenas um pequeno furo no lado esquerdo do pescoço, o que intrigava ainda mais a saber de onde havia vindo todo aquele sangue. É... A coisa toda estava apenas só começando.
(. . .)
Richard estava em casa, dormindo, quando de repente ouviu barulhos de pedrinhas em sua janela. O homem levantou-se e a abriu, dando de cara com um jovenzinho que o manda descer, e depressa. Richard vestiu-se, e desceu. Era um homem jovem, por volta dos seus 25 anos. Tinha longos cabelos pretos, olhos verdes faiscantes e era alto. Trajava um sobretudo negro, com uma blusa azul de manga longa por dentro e calças e sapatos pretos. Quando avistou o rapaz, perguntou:
- O que faz aqui, a essa hora da manhã, Pepe?
- O senhor ainda não sabe o que aconteceu, Sr. Black?
- Ora! Mas é claro que não. Bradou Richard.
- Uma mulher foi encontrada morta, na igreja...
O olhar de Richard iluminou-se e seu semblante mudou de cansado, para alerta.
- Foi mesmo? E o que sabemos sobre o caso, meu jovem?
- Bem, muito pouco senhor. A mulher era nova na cidade, chegou anteontem, acho.
- Hum... Então acho que tenho alguma coisa para fazer então nessa merda de vilarejo. Pois bem, vamos à igreja então!
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