O Arquivo Secreto - Chave de Sangue
4 Revelações
“Três chaves revelam o segredo do cofre”. Estava impresso na folha, o que confundiu ainda mais os agentes. Não tinha localização de cofre algum, ou o que seriam as três supostas chaves. Como uma frase tão sem sentido poderia ajudá-los em algo? Se quisessem mesmo continuar com aquilo teriam de pensar um pouco mais.
— O que diabos isso quer dizer? — Perguntou Nymeria.
— E você acha que eu sei? — Respondeu Maggie, continuando: — O Avalon deve saber, ele que descobriu isso tudo das agências. — Pôs-se a fitar o homem, que agora estava com a atenção virada para o código que o arquivo transportava.
— Calem a boca e me deixem pensar. — Ordenou Avalon, fazendo as duas garotas se calarem e porem-se a pensar também.
Aquela frase não fazia sentido algum, seja em metade, ou em toda ela. Não sabiam aonde ir, ou onde começar a procurar, pois não tinham pistas nenhuma. Avalon ficara bastante aborrecido por não saber o que fazer, e com isso se sentia totalmente inútil. Quanto às outras duas, Nymeria estava totalmente confusa, sem palavras ou pensamentos, assim como Maggie que estava ao seu lado.
— Três chaves, um cofre, um segredo. — Dissera Avalon. — Mas como saber se isto é de verdade? Tentaram nos matar uma vez, talvez seja só uma maneira de nos distrair enquanto arrumam um plano B! — A desconfiança predominava em meio aos agentes.
— Mas talvez isto signifique algo! — Respondera Maggie. — Digamos que seja uma armadilha... Do que iria adiantar ficarmos parados neste seu apartamentozinho sem graça, eu prefiro morrer, só pra você ficar informado dos meus sábios pensamentos. — Ao terminar, virou-se diretamente para o homem e deu-lhe um sorriso, que logo retribuira por mostrar o dedo do meio para a moça.
— Gente, vamos parar de criancice os dois! Nossa, que saco ficar aqui trancada com vocês. — Nymeria logo levantou-se. — Vamos pensar juntos, quanto mais nós demorarmos a descobrir o que porra isto significa, menos tempo terei de passar com vocês. — Dissera revirando os olhos.
— Desculpa se eu não te informei, Nymeria, mas você será obrigada a fica conosco até quando eu quiser. Só para refrescar sua memória. — Rebateu o homem, logo sorrindo.
Por mais que a situação fosse complexa, eles fossem de agências inimigas, e tivessem tudo para se odiarem, estavam se dando bem uns com os outros, o que era muito bom. Um dia antes, Avalon não tinha ideia de que o aguardava quando encontrasse a garota ruiva, porém, ela fora mais compreensiva do que todos os outros seriam ao serem arrastados da companhia por um homem esquisito, e Nymeria... Bom, com certeza o problema daquela garota chamava-se Maggie, por terem quase se matado pelo arquivo e Nymeria tê-lo perdido da mesma forma.
...
Torres Schlange, número um...
Tudo corria calmamente nas torres, muito mais calmo do que o normal. Todos os outros agentes saiam para realizar suas missões, e o chefe como sempre, ficava em seu escritório blindado contra qualquer perigo evidente. Ninguém nunca vira a face das pessoas que comandam as torres. Os agentes: apenas a silhueta. O resto das pessoas viam tudo, menos o rosto. O protocolo de segurança tinha como tarefa, também proteger o Manda-Chuva, por isso, todos saiam vestindo uma máscara branca com o símbolo das torres: Uma serpente. E sempre acompanhado por vários seguranças altamente treinados para matar qualquer um que tentasse encostar o dedo nesta pessoa. Com certeza não era muito confortável sair acompanhado de vários brutamontes, mas era isso ou morrer.
O comandante da torre um escondia o nervosismo, mas os secretários não deixavam de notar. Era óbvio que a missão de matar os três agentes ia fracassar, mas aquilo fora apenas a primeira tentativa, ainda teriam muito mais. O homem recebera a notícia de um espião local de que vira Avalon na avenida principal, e por visto, em ótimas condições, isto o deixara mais furioso do que já estava.
— Senhor, conseguimos rastrear os aparelhos. — Dissera umas das secretárias ao invadir o escritório para dar tal notícia. — Elas estão com ele, como o senhor mesmo disse! — Terminou.
— Obrigado! — Agradeceu. — Quero a equipe mais forte e inteligente que me conseguir em torno de dez minutos, e... — O homem suspirou e continuou: — Quero o Avalon morto e mande que tragam as mulheres para mim, eu mesmo me encarrego delas. Fui claro? — Concluiu.
— Entendido! — Respondera a moça, logo retirando-se da sala.
O homem levantou-se e fora caminhando lentamente à janela gigantesca que havia logo atrás de sua cadeira confortável com as mãos depositadas em ambos os bolsos da calça. De lá, tinha-se uma visão ampla de todas aquelas pessoas andando de mãos dadas, discutindo, dançando na rua, ou até trabalhando nela. Era preciso equilíbrio mental, paciência e coragem, assim, tudo mantia-se dentro dos conformes. O homem nunca se sentira feliz em mandar tirar a vida de alguém, porém, naquela área era preciso muito mais que beleza, e coragem com certeza era a única coisa que não iria lhe faltar. Por isto fora escolhido, por isto é o melhor no que faz.
...
Rua foret-nöire...
Uma rua completamente deserta, decadente de policiais, luzes e de qualquer outro tipo de segurança, mesmo que seja superficial. O lixo predominava em todos os cantos dali, desde lixeiros transbordando até as calçadas. Avalon escolhera muito bem seu refúgio, mas agora foram descobertos, e nem se quer desconfiara de nada até agora. Homens encapuzados vestidos com um uniforme preto e todos usando colete à prova de balas cercavam todo o edifício, portando também, armas de grande porte e pequenas facas super afiadas para situações extremas. Homens por todos os lados, na rua, na entrada do prédio ou até escondidos atrás de alguns objetos. Daquela forma, seria muito difícil dos três agentes fugirem sem serem totalmente retaliados ou sem que alguns daqueles brutamontes percebessem, o que levaria eles a serem retaliados também, não tinham escolhas.
Quatro homens subiam as escadas a todo vapor, naquele ritmo chegariam muito rápido ao apartamento. Avalon e as outras duas garotas prosseguiam sentados, uns olhando os outros, sem entender absolutamente nada daquela enigmática frase. Foi então que os quatros homens armados chegaram em frente ao número desejado, cinquenta e quatro... E então todos entraram em posição, prontos para invadir o local e cumprir com as ordens do chefe. Todo o silêncio fora quebrado pelo primeiro homem, que ao dar o último passo para aproximar-se definitivamente da porta, ativara um dispositivo de alarme que por acaso estava instalado embaixo do tapete. Então, ao ouvirem um pequeno barulho de pino, entraram no apartamento com bastante fúria, logo pondo a porta à baixo e também ativando uma pequena cortina de fumaça. No primeiro momento, os homens começaram a atirar para todos os lados, para que as cortinas de fumaça não os encobrissem de fugir para qualquer lugar, se bem que o local estava totalmente cercado.
Com bastante cuidado e atenção, finalmente jogaram-se totalmente para dentro da sala, onde surpreenderam-se todos. Ninguém estava ali, ninguém. Impossível explicar como teriam fugido tão rápido, em tão pouco tempo e com o prédio cercado. Examinavam o local com bastante atenção e então o barulho do rádio de um deles os interrompera brutalmente.
— Senhor me desculpe, mas... Não tem ninguém neste apartamento. — Dissera ao chefe.
— Como disse? — Surpreendera-se o homem do outro lado da linha. — Claro que tem, seu idiota! — Novamente, estava começando a ficar nervoso, queria que tudo isso fosse resolvido da maneira mais simples possível.
— Sim, senhor. Iremos vasculhar todo o local! — Completou.
— Faça isso! — Respondera, logo dando fim à transmissão.
Cada passo poderia ser muito perigoso, eles não estavam mais lidando com um perigo normal, eram três agentes especiais. Cada um daqueles homens que estavam ali, sabiam que qualquer descuido causaria sua própria morte, então, olhavam atentamente para cada detalhe estranho o suficiente e para qualquer outro objeto. A cada segundo que passava-se, os soldados que estavam no saguão do apartamento iam cansando-se e ficavam ainda mais dispersos, isso era tudo que Maggie e Nymeria queriam pois Avalon concordara que em sair pela porta da frente seria loucura demais, acabariam em três caixões. Cada um estava vasculhando um cômodo do lugar.
— Quem compra um apartamento luxuoso desses sabendo que vai morrer? — Com nenhum movimento suspeito dentro daquele apartamento, e vasculhando as coisas, optaram por baixar a guarda. Eles fizeram tudo errado.
Ao abaixar de todas as armas, o último da fila, o que vasculhava toda a sala, o mais próximo da porta de entrada, ficara totalmente desprotegido. Avalon se aproveitara da situação e surgira de trás da porta, logo batendo a mesma contra o corpo do soldado, que logo ficara atordoado, porém, com tanto treinamento de combate corpo a corpo, não demorou para jogar-se contra Avalon, que caíra no chão com o peso de equipamento do outro esmagando-lhe, fazendo com que Nymeria deixasse seu esconderijo.
— Não preciso disso com você, eu vou te esmagar com minhas próprias mãos! — Dissera o soldado, jogando a arma para longe.
— Fez... A pior merda de sua vida... Soldado. — Com todo aquele peso em cima de Avalon, era impossível respirar. E ao terminar de falar, apontara para trás, fazendo com que o mesmo automaticamente olhasse.
Lá atrás, Nymeria já estava com a posse da arma que o mesmo jogara para trás. Ela caminhava em direção aos dois e deixara escapar um sorriso de canto, que não demorou muito em ser desmanchado, ficando totalmente séria.
— Isso mesmo! Todos que vieram aqui hoje fizeram a maior merda. — Adicionou, apontando a arma para o soldado, logo disparando contra o mesmo, que caíra no instante.
Todo aquele apartamento era revestido com uma camada a prova de som, mas com a porta aberta aqueles disparos soariam como um alarme, estariam ferrados em questão de alguns minutos. Sem mais demora, Nymeria ajudara Avalon a recompor-se.
— Vamos! Maggie ainda não apareceu, precisamos achá-la. — Disse Avalon, correndo para um dos cômodos.
— Não poderíamos a deixar morrer? — Perguntou, e ao se dar conta de que estava sendo ignorada pelo homem, suspirou. — Tudo bem. — Falara por fim com desanimo, seguindo-o.
Maggie estava debruçada embaixo da cama que dormira na noite anterior. Foi o primeiro local que encontrou para esconder-se. O que aqueles soldados acham que são para interromper o raciocínio dos três de tal maneira? Continuava imóvel, até que percebera que estava sem o arquivo, levantando a hipótese de que os outros dois haviam enganado-a... E pior: Deixando-a sozinha, junto a todos aqueles caras armados, sem nada para se defender ou revidar.
— Não é possível. — Resmungava baixo. — Eles não são loucos de terem me deixado para trás. Não mesmo!
A raiva de Maggie só aumentou, deixando-a com vontade de fazer algo além de ficar escondida e esperando que algo caísse do céu. Arrancou uma das madeiras que sustentavam a cama, fazendo um grande estalo, assim seria uma boa forma de chamar atenção de quem estivesse próximo ao cômodo. Todavia, a garota não iria dar tempo para que percebessem. Sorrateiramente deixou seu esconderijo, já partindo para outro: Perto da porta. Deu sorte de não ter ninguém espalhado pelo quarto, e ficou atenta ao ver a maçaneta ser girada. Não demorou muito para quebrar o pedaço de madeira na cabeça da silhueta que aparecera, e espantou-se ao ver que se tratava de Avalon. Soltou o resto de madeira que estava carregando para tampar a boca e arregalar os olhos. Nymeria rompeu na mesma hora que viu o corpo do homem ao chão.
— Quanta violência... — Murmurou Nymeria, soltando um risinho abafado.
— Meu Deus! Foi sem querer! Ele vai me matar quando acordar.
— Se ele já não estiver morto...
— Cala a boca ou quem morre é você!
— E se eu não me calar? Vai utilizar a madeira em mim também?
— Que indecência. — Disse Maggie. — Vem, vamos ajudar o Avalon. — Concluiu.
Nymeria guardou a arma que ainda portava, trancou a porta que ainda estava aberta. Ela e Avalon haviam matado muitos dos homens com total facilidade antes de chegarem ao quarto, os dois juntos eram muito mais ágeis e discretos que todos os soldados juntos, mas não iria deixar Avalon descansar enquanto haviam vários homens prontos para os matarem. Direcionou-se para o banheiro entre passos rápidos, abrindo a torneira da pia e enchendo, com água, a mão em concha. Voltou para junto dos outros o mais rápido que conseguira, logo despejando o conteúdo sobre o rosto do homem, fazendo-o despertar.
— Aprecie como é bom ser acordado com água, bonitão! — Murmurou Nymeria, observando Avalon acordar assustado.
— Ai meu Deus, e se ele sofreu perca de memória?! — Murmurou Maggie, ignorando o fato de Avalon ter acordado.
— Garota, você que vai sofrer perca de memória quando eu acabar com você! — Disse Avalon, levantando-se da cama. — Onde estão todos aqueles soldados?
— Por aí... — Respondeu Nymeria.
— Ai meu Deus! Nós vamos todos morrer! — Dizia Maggie, que ao mesmo tempo deixava Avalon com a maior dor de cabeça.
— CALA ESSA BOCA! — Gritou o homem ao ouvido da ruiva. — Não vai demorar muito até virem revistar este cômodo, não sei como não te acharam! — Olhou de lado para Maggie. Só então deu uma pausa, ficara algum tempo pensativo e então continuou: — Ao meu sinal, as duas correm para o segundo banheiro do corredor... Exatamente o que tem uma varanda, de lá será muito mais fácil de fugir.
— O prédio está completamente cercado, mesmo que conseguimos sair, haverá mais deles esperando-nos lá fora. — Falou a ruiva.
— Não. A varanda é virada para um beco que existe atrás do prédio, eles com certeza não têm noção disso. — Respondeu.
— Quanto a você, Avalon? — Questionou Nymeria.
— É! E você? — Imitou a ruiva.
— Eu vou cuidar pra que vocês fujam primeiro. É a mim que eles querem, no momento.
As duas simplesmente concordaram com a cabeça. Nymeria mostrou a Maggie que estava com o arquivo no bolso de dentro de sua jaqueta, seria melhor alternar de pessoa, assim não correriam somente atrás da ruiva e caso a pegassem, não estaria com a mesma.
Avalon andava sorrateiramente para fora do quarto, onde batera de propósito em um quadro grande que havia pendurado pelo extenso corredor, logo, Fez o gesto para que as duas saíssem do quarto e corressem para o banheiro, o que não demorou muito para acontecer. Assim que as duas resolveram sair pelo lado oposto em que Avalon estava parado, dois homens surgiram em cada um dos dois lados do corredor, bloqueando a saída de ambos. Era incrível como em tão pouco tempo de conversa a situação poderia piorar tanto.
Já era na faixa das quatro horas da tarde, não demoraria para escurecer, então Avalon tratara de agir. No momento em que ambas as passagens foram bloqueadas, o homem puxou o quadro que estava à sua esquerda e jogara contra o homem que estava em sua frente, que logo tombou para trás, posicionando a arma contra Avalon, que sem ações que protegessem a si mesmo, jogou-se contra o soldado. As moças ficaram estáticas no primeiro segundo, porém, aos movimentos do homem careca, Maggie pegara um jarro de cristal que estava numa mesinha de canto ao seu lado e jogara contra a face do outro soldado, que atordoado tentara puxar uma das duas quando correram em direção ao segundo banheiro do corredor, mas não conseguira por estar com todo o rosto comprometido por cortes. Aquele era exatamente o que Avalon havia dito para entrar.
— O que a gente faz agora? — Maggie estava totalmente trêmula e pálida, com certeza estava encrencada e o que mais queria era tocar fogo naquele maldito papel. — Se eu ao menos tivesse uma arma... — Sussurrou a ruiva, com saudades de suas pistolas e as armas de grande porte, até do canivete que guardava no sapato.
— EU NÃO SEI! Eu... Não sei. — Nymeria depositou ás mãos na cabeça em sinal de desespero. — O AVALON! Maggie, a gente tem que ajudar ele!
— Mas... Ele falou para irmos embora.
— Mas será possível que você só faz o que ele manda? — Desafiou Nymeria.
A loira finalmente conseguira finalmente calar Maggie, que com um gesto de cabeça afirmou que estava concordando em ajudar Avalon.
— Precisamos de um plano. — Finalmente dissera a ruiva, rodeando todo o banheiro, procurando algo em todos os lugares possíveis e impossíveis.
— O que está fazendo? — Quis saber Nymeria.
— Eu não acredito que o Avalon não esconde nenhuma arma nessa maldita casa. — Respondera e escutou um pequeno estalo ao pisar num quadrado de cerâmica específico.
Maggie rapidamente se ajoelhou fazendo Nymeria se juntar a ela, e ao retirar a cerâmica já solta, sorriu ao se deparar com um grande conjunto de armas. O buraco apresentava-se grande o suficiente para umas 5 armas diferentes com suas respectivas munições. Maggie retirou-as o mais rápido que pode e as guardou juntamente a Nymeria.
Nymeria saiu primeiro, posta com duas armas, uma delas era a que havia pegado do soldado ao salvar Avalon, atirando em todos os soldados que apareciam em sua frente, sem visão alguma de Avalon, começou a achar que as duas haviam demorado demais. Maggie saiu logo atrás, ajudando Nymeria a eliminar os que se postavam ali. Eram muitos, saindo de todos os lugares possíveis, eles só aumentavam cada vez mais. Maggie deixou a loira tomar conta dos que tinham na sala para ver se Avalon estava em um dos cômodos, atirando nos que apareciam a sua frente.
Após alguns minutos, Maggie fez da metade dos cômodos uma verdadeira bagunça. Onde estaria Avalon? Perguntava-se, a ruiva já estava ficando muito nervosa por não acha-lo.
— Avalon! Apareça seu filho da puta! — Maggie procurava em todos os buracos possíveis. — Estou falando sério, seu idiota careca!
Nymeria continha os soldados que passavam um a um pela porta principal, dava graças a Deus por aquele apartamento ter muito espaço, pois assim poderia defender-se dos disparos que vinham especialmente para ela. Não sabia por mais quanto tempo aguentaria até Avalon aparecer, poderia conter alguns, mas não todos eles. A loira pensava em como tinha tido sorte por ter sido muito bem treinada, mas estava muito mais preocupada com a quantidade de homens que subiam ali para eliminar ela e os novos colegas. O apartamento estava completamente destruído, ao menos a parte da sala.
...
O clima estava muito mais quente, tenso e complicado. Àquela altura, Maggie não sabia mais o que fazer. Talvez ele já tivesse ido embora, ou talvez tivesse sido pego por aqueles selvagens.
— AV...
A moça não teve tempo de completar o nome do homem. Avalon caíra do céu! Ou melhor, do teto, mas precisamente de um túnel de ventilação diretamente em cima de Maggie. Ao cair, a camiseta ficara presa na saída do tubo, rasgando-se, deixando-o despido desta. O homem mais parecia ter saído de uma guerra sem fim, sem camiseta e com sua calça jeans bastante suja. Alguns cortes pequenos e grandes enfeitavam sua pele, inclusive no rosto e espalhado pelo peitoral do homem. Os olhos de Avalon expressavam-se como um tipo de gato assustado.
— O QUE É ISSO?! — Em um momento estava diva como sempre em sua posição de tartaruga ninja, e agora, estava sendo esmagada com o peso do corpo do homem.
— Oi! — A saudou, abrindo um sorriso desajeitado.
— CAVALON! — Quando finalmente a ficha caiu, Maggie abraçara Avalon ali mesmo, sem se importar em estar sendo completamente esmagada. — Pensei que você tinha morrido, seu careca imundo!
— Ah! Me solta... — A respiração do homem estava ofegante naquele momento. — Você... Oh meu Deus! Eu não consigo respirar! — A garota caíra em si e enfim soltara Avalon, que logo levantou-se, oferecendo-lhe a mão para a mesma levantar.
— Desculpa, a emoção foi demais. — A ruiva sorriu e ficou fitando-o.
— Sabe... Tudo bem! — O homem retribuiu o abraço, apertando-a muito mais do que ela mesma o fez. — Eu pensei que iria morrer e deixar vocês, as malucas sozinhas! — Ele logo assumira uma expressão séria. — Vocês querem morrer, é? Eu mandei irem embora, deixar o lugar! Por acaso são suicidas, ou só surdas?
— Ai... Que agressividade! Deixa de ser cavalo! — Maggie lançou um olhar fulminante para ele e logo deu-lhe uma tapa na cabeça.
— Calma! — Avalon segurou as mãos da mulher. — Onde está a Nymeria?
— AI MEU DEUS, ESQUECI DA NYMERIA! — Maggie jogara um arma para o homem, logo saindo em disparada porta à fora.
No mesmo instante que Maggie saíra, Avalon a seguiu, correndo o máximo que podia. O homem, por mais que tentava ser correto, só conseguia atrapalhar-se ainda mais com tudo aquilo acontecendo, ainda mais com duas malucas prestes a matarem uma a outra. Os dois agentes não sabiam que Nymeria também havia saído de onde estava, e que também vinha às pressas em direção ao corredor, fazendo com que os três colidissem de uma vez só.
— VOCÊ TÁ CEGA? — Nymeria gritava, mais precisamente para Maggie. — Presta atenç... — Ficou surpresa ao ver Avalon inteiro, também caído ao chão. — CARECA!
— Nymeria, fica quieta ou te mato agora. — Ameaçou o homem.
— Tá sabendo que ele voltou ao normal, não está? — Respondera Maggie.
— Por Deus! Quem mandou você bater na cabeça dele de novo? — Entristeceu-se Nymeria, pelo fato de o homem voltar a ameaça-la.
— CALEM-SE! — Gritou Avalon. — Vamos embora!
O homem não esperou nenhuma reação das mulheres, logo, puxou as duas para dentro do segundo banheiro, onde ele mesmo ordenara que as duas entrassem, pois lá seria muito mais fácil de escapar.
— Esqueci de falar que consegui fechar a porta, mas pelo barulho que está vindo de lá... Não vão demorar à descobrir onde estamos. — Avisou Nymeria.
— Fiquem calmas. — Respondera Avalon, em seguida indo em direção às portas que davam acesso a varanda, logo abrindo-as e observando as possibilidades de fuga.
— Calma? Avalon, temos pouca munição e eles vão entrar aqui a qualquer momento. — Dizia Maggie em um tom desesperador.
As ideias sumiam, o tempo se passava... Avalon estava esforçando-se ao máximo, assim como as mulheres que ali estavam. Um bipe interrompera seus pensamentos, era o aparelho que usavam para comunicar-se com seus respectivos chefes. Após um longo suspiro, Avalon deixou que o scanner fizesse seu trabalho e logo a chamada fora automaticamente atendida, mas antes disto, o homem fizera um gesto com umas das mãos, para que as garotas aproximassem um pouco mais.
— Avalon? Entregue-se, será mais fácil se fizer isto. — Dissera a voz no outro lado da linha.
— Prefiro morrer com alguma dignidade, sabe muito bem disso.
— Tudo bem, mas sabe que nada mais restará a você se continuar fugindo. As garotas morrerão e você será julgado como merece, punido por matar duas inocentes. É isso que quer?
— Eu não tenho nada, o que mais vai me tirar? O apartamento? Vá em frente, estarei habitando na sua casa em menos de vinte e quatro horas.
— Você não sabe onde vivo, não sabe quem sou...
— Não duvide de minha capacidade. E da próxima vez que mandar me matar, manda fazer o serviço direito! — Terminou, logo encerrando a chamada. — Garotas, está na nossa hora!
— Tudo bem! — Respondera as duas ao mesmo tempo.
Quando tudo parecia não ter saída, Avalon enxergara ao lado da varanda um cano que percorria desde o alto do edifício mal acabado até seu térreo, não parecia-lhe seguro descer por ali até os soldados começarem a esmurrar e tentar derrubar a porta de onde estavam protegidos, mas não por muito tempo. Fez um gesto para as mulheres para que viessem ao seu lado.
— Vocês, agarrem-se firme e desçam por este cano. Ao final do beco tem a porta dos fundos de um bar, entrem e escondam-se. — Dissera o homem da forma mais convincente.
— E você? — Questionara Nymeria.
— Não vamos deixar você aqui novamente! — Maggie não iria deixar que se separassem novamente, principalmente se fosse para que um deles ficassem sobre a mira daqueles homens. — Principalmente se for pra cair na minha cabeça de novo. — Brincou.
— Parem com isso! Garanto que desta vez que apareço muito mais rápido, não vão nem notar que foram na minha frente. — Avalon deixou que um pequeno sorriso se delineasse em seus lábios. — Não vou cair na cabeça de ninguém, é uma promessa.
— Então tá... — Respondera Nymeria. — Vamos Maggie!
— Vamos. — Dissera a ruiva. — Cuidado, Avalon.
Estavam juntos nessa, por mais que ainda não confiassem totalmente um nos outros, estavam unidos naquele momento. Nymeria desceu primeiro, e Maggie fora logo atrás, dando uma última olhada para Avalon, que ficara sobre o parapeito da varanda. Observou as duas mulheres descerem pelo cano e irem correndo rumo ao local que ele mesmo dissera para ir. O homem esperava que tudo isso logo acabasse, mas não do jeito que o chefe dele queria. Ele via no reflexo dos olhos daquelas duas, ainda tinham muito o que fazer da vida, ao contrário dele. Avalon agachou-se perto de um dos balcões que tinham ali, logo retirando uma maleta de seu interior e fixando os olhos na porta.
Maggie e Nymeria corriam como se não houvesse um amanhã, talvez não houvesse mesmo, principalmente se fossem pegas no meio do caminho. Os cabelos de ambas estavam levemente bagunçados, mas isso não as deixavam menos bonitas do que eram. Maggie, ainda com a camisa de Avalon, completamente imunda e Nymeria, com as roupas que conseguira no esconderijo, também imundas juntamente a seu curativo, que deixava o sinal de que deveria ser trocado o mais rápido possível. Ao chegar no final do beco imundo, Nymeria identificara a porta que o homem sugerira que elas entrassem, sem mais demoras, começou a procurar com a ruiva alguma coisa forte o suficiente que pudesse quebrar as correntes que laçavam a trava da porta, juntamente com seu enorme cadeado de aço. Quando finalmente acharam uma enorme barra de ferro recostada em um latão de lixo, Maggie sentira-se aliviada, pois finalmente estaria mais segura naquele local. Nymeria esforçava-se para quebrar o cadeado, enquanto Maggie empurrava a porta em esperanças de derruba-la quando foram pegas de surpresa, uma explosão veio da varanda onde elas tinham acabado de descer, onde Avalon permanecia. Mesmo assustada com a explosão, Nymeria enfim conseguira quebrar as correntes, que logo caíram ao chão e fazendo barulho, o suficiente para acorda-la do que tinham acabado de ver, fazendo-a abrir a porta e colocando apenas um pé para dentro do estabelecimento. Maggie entraria junto à loira e trancaria a porta, se não fosse Avalon correndo como um desesperado em direção às duas.
— CORRAM! ENTREM... — Gritava ele ao longe.
Ao perceber o aviso, Nymeria entrara correndo e com ela, Maggie, que agora estaria aliviada por vê-lo inteiro. Com a porta entreaberta, as mulheres esperavam que Avalon chegasse o mais rápido possível, e assim ele o fez, entrara correndo tão depressa que ao atravessar a porta escorregou. E assim Nymeria trancara a porta por dentro, estavam seguros... Por hora.
— AH! SE FODEU! — Murmurou Nymeria, logo em seguida juntando-se as gargalhadas de Maggie.
Avalon desajeitadamente apoiava sua mão no chão, impulsionando-a ali, afim de levantar-se.
— HA HA HA! Estou morto de rir, Nymeria. — Falou Avalon, deixando que um sorriso forçado invadisse os seus lábios. Maggie também ria da queda do homem, mas ao receber um olhar furioso de Avalon, tentou cessar as gargalhadas.
— Tá bom, Maggie. Dá pra ouvir o seu riso escandaloso do outro lado da rua. — Continuou Nymeria, direcionando seu olhar para a ruiva.
— Como se você também não estivesse rindo... — Olhou de modo desafiador para Nymeria, que logo se desmanchou. — Foi tudo maravilhoso, o Avalon não queimou seu corpinho lindo e sua brilhante careca, e aqueles soldados não nos pegaram... — Disse Maggie.
O comentário da garota fez com que Nymeria soltasse um suspiro.
— Garota... Você não tem nada melhor pra falar, não? — Sem esperar por sua resposta, afastou-se dos outros, e começou a caminhar pelo local.
Já que Maggie estava ocupada demais admirando o corpo de Avalon, ela iria utilizar daquele tempo para pensar em algum plano para eles. Começou a andar em passos silenciosos pelos cantos do lugar, procurando por algum objeto que lhes fosse útil. Encontrara apenas uma pequena faca de ponta, que talvez fosse precisar. Guardou-a rapidamente, e em seguida, rumou até o balcão de bebidas. Sem nem pensar, pegou uma garrafa de vodca, e tirou-lhe a tampa de forma rápida. A levou em direção aos lábios, dando um grande gole. Que mal tinha em se divertir?
Os olhos de Maggie estavam fixos em Avalon. Nunca havia reparado o quão musculoso ele era. Calmamente, levou sua mão direita peito do homem, e passou-a por ali por algum tempo. Mordiscou o lábio inferior e deu um passo à frente, desta vez subindo a mão em direção ao pescoço dele. Se aproximou um pouco mais, e isto fora o suficiente para sentir sua respiração calma, tocando-lhe a pele. Aproximou seus lábios de seu ouvido direito, e sussurrou:
— É bom vê-lo inteiro. — Suspirou. — Obrigado por salvar minha vida.
Em seguida, afastou seu rosto dali, e ficou fitando-o por um breve tempo. Finalmente aproximou seus lábios rosados dos dele, depositando ali, um beijo como gratidão. Sem demora, deu um passo para trás, e ficou esperando por alguma reação do mesmo. Abaixou a cabeça, desta vez, fitando o chão. Avalon observava tudo em silêncio. Só esperou que Maggie abaixasse a cabeça, para logo em seguida direcionar sua mão as madeixas vermelhas da mulher. Delicadamente, levantou sua cabeça, e fitou-a por algum tempo. Trouxe a cabeça de Maggie para mais perto da sua, e logo em seguida completou o percurso ele mesmo. Retribuiu-lhe o beijo, que começou lento e fora se tornando mais agitado, em seguida, puxou o corpo dela contra o seu. Sua mão que ainda encontrava-se nos cabelos da moça, escorregava pelo pescoço, rumando até a cintura da mesma. Apertou o local, e desceu-a desta vez em direção as nádegas. Apalpou-a, e desceu seus lábios em direção ao pescoço dela, dando-lhe uma mordida pouco dolorosa. Seus atos seguintes foram interrompidos com um barulho atrás deles.
— Estou interrompendo alguma coisa? — Perguntou Nymeria com uma garrafa de vodka na mão, e um sorriso idiota dentre os lábios.
Diferente do que Nymeria esperava que eles fizessem, simplesmente continuaram a fazer o que estavam fazendo. Avalon simplesmente jogou em sua direção uma garrafa de bebida qualquer que achara com apenas o tato, por pouco não batera em Nymeria, pois com suas habilidades conseguira desviar, a fazendo se espatifar atrás de si.
— Grosso! — Falou, e saiu andando com a garrafa ainda em sua mão em direção a uma porta que havia ali.
Suas línguas se entrelaçavam de maneira agitada, até que Maggie afastou-se para respirar. Mal dera tempo, pois logo Avalon suspendera o corpo da mesma contra o seu, fazendo-a laçar suas pernas em sua cintura. Retomou a beijar-lhe, enquanto andava em direção à porta mais próxima dali, que por acaso era um banheiro. Um odor terrível invadiu as narinas dos dois, mas aquilo não estava importando naquele momento. Avalon, com sua mão esquerda afastou os itens que estavam espalhados por ali, e logo repousara o corpo de Maggie contra o chão, que continuou com as pernas entrelaçadas à cintura do homem. Rasgou a blusa que a mesma havia pegado de seu guarda-roupa, e logo em seguida escorregou seus lábios em direção ao seu pescoço, depositando mais um beijo ali. Em seguida, os desceu mais ainda, roçando seus lábios no corpo da mulher até chegar acima do umbigo da garota. Seu corpo agora se encontrava apenas coberto por peças de roupas íntimas, o que fizera Avalon dar um meio-sorriso malicioso. Passou sua mão pelas cochas da mulher, subindo-a até a altura de sua calçinha onde se pôs a acariciar, fazendo Maggie revirar os olhos e mordiscar o lábio inferior. A mulher encontrava-se praticamente despida, e nada em Avalon mudara. Soltara um suspiro, retirando as pernas da cintura do homem para em seguida direcionar suas mãos em direção as calças do mesmo, as passando por ali, mas logo em seguida puxando-a, afim de tirá-la com mais facilidade. O resultado não fora bem o que ela desejava, pois a peça de roupa do companheiro havia rasgado. “Foda-se”. Pensou, ignorando aquele fato. Jogou a peça de roupa para longe, voltando a beijá-lo. Logo, tomou a peça de roupa íntima do homem em suas mãos. O que não demorara muito, já que Avalon a interrompera. O mesmo levou suas mãos em direção ao sutiã da mesma, o desatando. Tirou-o, e a mesma coisa que fizera com a blusa, repetira neste. Seus lábios agora voltavam em direção aos da mesma, depositando ali um longo e agitado beijo. Desceu suas mãos em direção aos seios de Maggie, os acariciando por um breve tempo até os deixarem rígidos. Direcionou sua mão à ultima peça de roupa da mulher, tirando-a com rapidez.
— Quem esses ridículos acham que são pra fazer isso comigo? — Reclamou Nymeria, cambaleando dentre os cantos do cômodo. A sua bebida havia acabado, a fazendo resmungar. — Pois eles vão ver! POIS VÃO VER O QUE É BOM! – Aumentou o tom de voz, enquanto caminhava novamente de encontro a Avalon e Maggie. Deparou-se desta vez com o lugar vazio. Havia uma porta ali, então rumou até a mesma, à procura dos dois. — VOCÊS ACHAM QUE SÃO QUEM PRA ME TRATAR DESSA FORMA? – Gritou, batendo desenfreadamente na porta.
...
Apartamento 54...
Ao ver dos soldados que aguardavam no térreo, pela quantidade de homens que havia subido, todos os três agentes já estariam mortos, mas após a explosão ouvida ao longe viram que estavam totalmente enganados. Os homens que batiam na porta do segundo cômodo do corredor, ou seja, um banheiro amplo, não contavam que Avalon armaria uma bomba surpresa, pronta para detonar quando o primeiro deles cruzassem a porta, assim, ferindo gravemente todos que estavam ali e até matando os que estavam mais próximos. O chefe de organização da operação fora forçado à subir depois da explosão, constatando vários corpos caídos ao chão da sala e bastante sangue, para todo o lado.
— Santo Deus...
O homem ficara boquiaberto com aquela cena, nunca em todos seus anos como chefe de operação tantos homens vieram a ser mortos daquela maneira. Ele andava vagarosamente vasculhando todos os cômodos possíveis, sempre identificando o nome de todos os cadáveres. O homem assustara-se ao escutar o bipe do rádio, então logo apertara um botão para atende-lo.
— Como está indo a operação? Já tem a Cabeça do agente cinquenta e quatro? — Perguntava a voz ansiosa ao outro lado da transmissão.
— Fracassamos!
— Como disse? — Mais uma vez estava sendo decepcionado pelo desempenho de tantos homens treinados para guerra, que ali, não conseguiam matar três pequenas ratazanas.
— Fracassamos, senhor! — Respondera. — Eles mataram a maioria dos meu homens, bons homens...
— Não estou nem aí para seus “bons homens”. Eu quero os três! — Ordenou a voz do outro lado, agora com um pouco mais de ódio. — Mas agora... Quero que tragam os três vivos para mim. Não machuquem eles, deixem que eu mesmo o faço!
— Sim senhor! — O homem ficara com bastante raiva pelo chefe não dar a mínima para seus soldados, o que fazer? O louco estava obcecado com a história de pegar o mais rápido possível aqueles três. Logo, encerrou-se a transmissão.
...
Nymeria batia cada vez mais forte na porta, mas do jeito que estava bêbada não iria conseguir abri-la usando a força. Sentou-se do lado da mesma, e finalmente resolvera deixar os dois terminarem para que eles pudessem bolar um plano para fugir dos que queriam os ver mortos. Demorou um pouco para Maggie sair, vestida com a blusa de Avalon, que por acaso estava rasgada. Esperou o homem sair atrás dela, o que não aconteceu. Avalon fora atrás de sua calça, e ao achá-la se deparou com a mesma rasgada. Direcionou um olhar furioso à Maggie, e jogou os farrapos de calça no chão novamente.
— O quê? Só retribuí o favor de ter rasgado minha blusa. — Disse a ruiva, com tom de desdém.
— Aquela era minha blusa, Maggie!
— Tanto faz. — Direcionou o olhar para Nymeria, que estava jogada ao chão da porta. — Você só sabe atrapalhar, menina. — Terminou, saindo de perto dos outros e indo em direção ao bar.
Avalon estava escondido atrás da porta, constrangido por estar vestido apenas por uma cueca.
— Nymeria! — Gritou o homem.
— Estou bem aqui. O que você quer? — Respondera a loira, levantando-se de onde estava.
— Pode ver se consegue algo para que eu me vista?
— Não, não posso.
— Ah! Então quer que eu saia nu? — Provocou.
— Deus que me livre! Não existe pior visão.
— Engraçadinha, estou saindo.
— NÃO, ESPERA!
Nymeria saiu a procura do armário onde guardavam as roupas dos funcionários, deveria ter em algum lugar ali. Quando achou, pegou um uniforme que achou ser do tamanho do homem, e levou para o mesmo, que vestiu apressadamente as calças, deixando a camisa de lado.
— Cadê o resto da sua roupa? — Perguntou Nymeria, olhando-o.
— A camisa ficou pequena demais.
— Mentiroso!
— Cala a boca!
...
Ainda havia muitos homens atrás dos três agentes, apesar de uma grande parte deles terem sido eliminados. Alguns em especial estavam disfarçados em lugares diferentes, inclusive Pierre. O soldado estava consideravelmente próximo aos outros agentes, que nem sequer o perceberam ali, estava apenas esperando para que se separassem, o que não demorou para acontecer. Avistou a garota ruiva, completamente sozinha, e foi de encontro com a mesma. Ao se aproximar por trás, acariciou seus cabelos por um momento e pôs a puxá-lo, fazendo-a levantar a cabeça para que pudesse vê-la bem. O homem abriu um sorriso de canto.
— Olá, Maggie. — Disse, acariciando seu corpo.
— Quem você acha que é seu idiota? Me larga! — Sacudira-se a garota, fazendo o homem segurar seu pescoço para imobilizá-la.
— É melhor ficar quieta, vagabunda. — Preveniu-a.
— Você não me diz o que fazer. — Disse a ruiva, praguejando baixo por ter esquecido suas armas no banheiro.
Foi o suficiente para o homem bater a cabeça da moça contra o balcão, deixando-a sem ações e desmaiada.
— Ah, digo. E digo que você vai ter que vir comigo. — Murmurou para o corpo caído da mulher, logo colocando-a nos ombros e saindo do lugar.
...
Avalon voltara ao banheiro para pegar as armas que havia deixado, e ao sair do mesmo percebera Nymeria quase pulando de alegria.
— O que aconteceu dessa vez? — Perguntou à loira.
— Acho que levaram a Maggie. — Respondeu, abrindo um sorriso incrivelmente grande.
— Para de falar merda! — O homem deu uma tapa na cabeça da outra.
— Eu não tenho culpa. Quando eu cheguei aqui, a porta estava aberta e ela já tinha sumido. — O bipe do celular de Nymeria interrompeu-os.
— Você não se livrou disso? VOCÊ NÃO SE LIVROU DISSO?
— Deixa de estresse, Careca. Ai que saco! — Disse, fazendo todo o processo do scanner.
Seu rosto se formou em uma carranca quando foi redirecionada ao chefe.
— Que é, cão?
— Venham até a Torre dois.
— E se nós não fomos?
— Se vocês não estiverem aqui dentre de 24 horas, eu vou fazer seu lindo namoradinho médico tratar dos ferimentos da ruivinha. — Ameaçou, logo desligando.
A loira arremessara o aparelho que estava segurando o mais forte que podia, fazendo-o quebrar-se ao atingir a parede, o que deixou Avalon curioso para saber o que a tinham dito.
— O que eles disseram? — Perguntou o homem.
— Querem que a gente vá até a torre dois.
— Vão ficar querendo.
— Mas... Se não fomos, eles vão matar o Logan!
— Quem é Logan? Eles não estão com a Maggie?
— Estão, mas isso não tem importância. Temos que salvar o Logan!
— QUEM É LOGAN? Espera!
Avalon foi ao banheiro recolher a camisa que tinha recebido de Nymeria antes, e ao vesti-la, ordenou que a garota pegasse qualquer outra roupa que achasse. Saiu do bar junto a mulher, indo em direção à seu apartamento, que em algumas horas antes estava cercado por soldados da mais alta qualidade, mas ficou feliz ao de longe ver que agora só haviam policiais incompetentes. Ao chegar em um lugar bem próximo de onde estava, encontrara sua moto escondida em alguma moita que tinha por perto, montou-a e esperou Nymeria fazer o mesmo para irem de encontro à torre 2.
...
Andando de um lado para o outro na sala principal do último andar, estava o chefe, mas desta vez, sem telas em meio ao escritório, ele e os agentes poderiam conversar cara a cara, apenas sem reconhecer sua face, pois como sempre estaria com sua máscara.
— Senhor, é muito perigoso que se exponha para essas pessoas. — Dissera-lhe a pessoa em qual ele mais tinha confiança, sua secretária.
— Eu sei, Lisa. Mas é preciso que isto aconteça, para que eu possa resolver tudo de uma vez por todas.
— Não sei, ainda acho esse plano muito arriscado. — Questionou, logo, indo em direção ao homem para endireitar a gravata torta. — Já viu aquele homem? Este tal de Avalon, ele não tem cara de ser confiável. Ainda mais com gente querendo matá-lo, e com aquela ladra nas costas, ela é perigosa. — Alertou.
— Fique calma, em breve estaremos de férias. — O homem tentara reconfortar a mulher, mas sabia que nada iria adiantar, o problema era que ele não estava dando a mínima para ela. — Agora quero que saia de perto das torres schlange, vá para casa. — Ordenou-lhe.
— Tudo bem. — A mulher concordara facilmente, logo, retirou-se da sala.
Assim que certificou-se de que a secretária estaria longe o suficiente da sala, pediu para que trouxessem Maggie, obviamente, amarrada. Um homem alto e forte adentrou a sala trazendo-a, logo colocando a mesma sentada em uma cadeira confortável de frente para seu chefe.
— Olá, agente três um cinco! — Saudou-a em um tom irônico, rapidamente retirando a mordaça que tinha em sua boca.
— Seu porco imundo. — Sussurrou, apenas olhando para o chão.
— O que disse?
— SEU PORCO IMUNDO! — Gritara a mulher, logo reunindo saliva o suficiente para cuspir na face do homem.
Um dos dois soldados que estavam ali fizeram um pequeno movimento para impedir, mas foram parados por um gesto que o homem mascarado fez rapidamente.
— Porco? — Disse, rapidamente tirando um lenço branco do bolso e limpando o rosto. — Seus amigos sabem que você é uma traidora, Maggie? — Um sorriso sádico formou-se nos lábios do homem, que apoiou as mãos nos braços da cadeira onde a ruiva estava presa, ficando cara a cara com a mesma.
— Eu não me igualo a você!
Foi o bastante para o homem se irritar e segurar o pescoço da garota com total força, aproximando-se um pouco mais.
— Mais cuidado com essa língua se não quiser perdê-la. —Alertou, soltando-a. Virou-se para o homem que a havia prendido, e com total simpatia proferiu: — Qual o seu nome, rapaz?
— Pierre, Senhor. — Respondeu-o com indiferença.
— Já que conseguiu pegá-la, fique à vontade para brincar com ela. — Terminou o chefe com um sorriso de canto delineado em seus lábios, logo deixando a sala.
— Com todo prazer... — Concluiu o soldado, certificando-se de que realmente estaria a sós com a mulher. Quando teve certeza disto, apenas girou a chave, trancando a porta da sala, Maggie contorcia-se como se alguma hora fosse conseguir soltar-se daquelas amarras. Os próximos passos do homem foram os piores para a ruiva, que ao aproximar-se puxara mais para cima a camisa branca que pertencia ao agente cinquenta e quatro, logo, passando a mão entre suas coxas macias. Ela sabia que estava ferrada, mas também sabia que aquilo não iria ficar barato.
...
Avalon e Nymeria espreitavam através de becos imundos, onde a presença de pessoas eram praticamente zero, chances nulas de dar de cara com algum soldado louco matador. O homem, agora já estava um pouco mais bem vestido, por encontrar ainda uma pequena bolsa com pertences, incluindo uma camisa formal, branca e uma calça jeans na cor preta, além de um par de botas, velhas, mas que ainda lhe serviam naquele momento precário. Nymeria, agora já tivera arrumado as madeixas e tentado disfarçar algumas pequenas manchas em sua roupa, tanto de sangue quanto de poeira. Ao chegarem o mais próximo possível da segunda torre, a mulher estava bastante trêmula, então Avalon a olhara nos olhos.
— Fica calma, tenho certeza de que já participou de coisas mais loucas que isso. — Ele sorriu. — Tem cara de maluca, alguém já te disse? Mas acho que tem coragem o suficiente.
Nymeria desviara olhar do homem, estava com medo, mas aquelas palavras eram a mais pura verdade. Já teria participado de coisas muito mais loucas, muito mais perigosas, muito mais suicida, então ela deixou vir a tona um sorriso de canto, pequeno, mas um belo sorriso.
— É, já me disseram. — Respondeu, mas antes do homem levantar completou: — Obrigado, careca.
— Por nada. — Disse o homem. — Vamos lá!
Aquele momento requeria cuidado total, para eles, aquele papinho de sequestrar a ruiva poderia ser apenas papo furado só para conseguir reunir todos eles e pegá-los de uma vez só, ou não. Mas talvez Maggie tivesse realmente ido embora por conta própria, talvez ela só quisesse ferrar com tudo, fazer uma confusão, deixar o arquivo para que apenas os outros dois fossem mortos e em seguida, sumir. Então uma pergunta ecoou no ouvido de Avalon.
— O que faremos agora? Vamos simplesmente entrar, numa boa? — Perguntava Nymeria.
— Eu acho que é isso mesmo. — Ao ouvir o homem dizer tais palavras, Nymeria arqueou uma das sobrancelhas e pensou, “ele é completamente maluco”, então sorriu “gosto de loucuras”.
Os atos seguintes eram loucura total, Nymeria seguia na frente de Avalon com a maior classe que tinha em todo seu corpo esbelto, cachos dourados e lábios rosados. Avalon simplesmente roubara um óculos escuro de um senhor de idade que repousara de boca aberta sobre um banco e vinha logo em seguida, bem atrás da moça loira, e assim entraram na torre dois sem chamar tanta atenção quanto chamariam se estivessem vestidos com aqueles farrapos que haviam achado no bar abandonado. A única atenção que fora voltada para eles foi de uma senhora que parecia ter adorado o porte forte e alto de Avalon, logo dando um pequeno aceno de mão para o homem junto a uma pequena risadinha, o homem ficara envergonhado.
— Uh, Avalon! Acho que ela pagaria por uma noite. — Brincou Nymeria, sussurrando para o homem e dando um risinho discreto.
— Fica. Quieta. — Respondeu, constrangido.
Até aquele segundo, ninguém havia notado nos dois. De modo que rapidamente chegaram ao elevador de vidro, e ao apertar o botão para o último andar, dois soldados trocaram olhares meios desconfiados ao longe e começavam a caminhar em direção aos dois. Avalon logo abaixara a cabeça para disfarçar sua aparência, não iria adiantar, mas por uma pequena ponta de sorte, a atenção dos homens fora direcionada para um mendigo que acabara de entrar no edifício causando a maior sujeira, dando-lhes tempo de escapulir até o andar desejado.
Não demorou muito para o elevador chegar ao ponto de Avalon e Nymeria, que logo saíram.
— Qual será a sala que ele está? — Perguntou Nymeria.
— Que tal se ele estivesse... Na sala dele? — Respondera o homem.
Seguiram caminho para a sala do Chefe, as torres não eram muito diferentes e com certeza a sala que estavam procurando era a maior dali, o que facilitaria o acesso dos dois que, sem demora a acharam.
— E essa droga de Scanner?
— A gente quebra. — Respondera novamente Avalon, com um sorriso mafioso se formando em seus lábios.
O homem fechou a mão em punho e o enfiou no “cérebro da máquina”, que ao ser quebrado, desativara tudo.
— Sempre quis fazer isso. —Sorriu para Nymeria.
O homem chutou o que os separavam do lado inferior, quebrando fechadura e porta. Adentrou a sala primeiro, e enfureceu-se ao dar de cara com Maggie em estado deplorável com um homem ainda em cima da mesma batendo-a. A camisa que a mesma vestia, agora, estava completamente desabotoada, de modo que a ruiva ficara nua. Sua fúria foi tanta, que a única coisa que conseguira focar era o homem, que em poucos minutos já estava ao chão com a pancada que recebera de Avalon.
— FILHO DA PUTA! — Gritou para o loiro caído, levantando sua cabeça e logo a batendo de novo ao chão com toda força que lhe era permitida.
Nymeria, que estava completamente extasiada pelo tamanho da fúria de Avalon, finalmente deixara de focar nos dois e passou a tentar desamarrar Maggie que ainda se contorcia de dor na cadeira. Quando finalmente conseguira soltar-se, alguns outros soldados romperam a sala, alguns deles seguraram as meninas e os outros separaram Avalon do soldado caído. O careca ainda se contorcia nos braços do homem que o segurou, mas depois de um tempo, cansou-se e resolveu ficar quieto. Os três agentes, juntamente ao soldado que espancara Maggie foram encontrar-se com o Chefe, que os esperavam em outra sala ainda mais segura, o homem ainda usava a mesma máscara e estava sentado em uma grande poltrona, logo atrás de uma mesa completamente cheia de papéis e várias outras porcarias. Nymeria foi a primeira a falar.
— Onde está o Logan? — Perguntou, deixando transparecer o tom de preocupação em sua voz.
— Posso garantir... Em algum lugar bem protegido. Mas isso não vem ao ca...
— Ah! Isso vem ao caso sim. Eu só estou aqui por ele, e até agora... NADA. — Interrompeu Nymeria.
— Continuando... Isso não vem ao caso. — Engrossou a voz, dessa vez quase ordenando que não fosse interrompido novamente. — Vocês estão me dando trabalho demais, preciso de suas cabeças na minha parede.
— Duvido você conseguir pegá-las, idiota. — Provocou Maggie, ainda totalmente sem forças, coberta de sangue e com os seios nus.
— Querida, você não está em condições de desafiar ninguém. Já mandei ter cuidado com a língua... — Lembrou-lhe o homem, a fazendo ficar calada.
— O que você quer, afinal? — Perguntou Avalon para o Chefe, mas ainda encarando o soldado que por acaso estava de pé ao lado da porta.
— Vocês são uma ameaça... E vejo que pegou simpatia pelo meu soldado preferido, Avalon. Acredita que foi ele quem conseguiu pegar seu brinquedinho? — Provocou o chefe, fazendo o soldado soltar um risinho.
— Acredita que eu vou enfiar uma bala na sua cabeça e na dele? — Respondera, desgostoso.
— Vocês ao menos sabem por que estamos caçando-os? — Perguntou.
— Por quê? — Quis saber Nymeria.
— Até ontem eu estava querendo vocês mortos. — Deu uma pausa e continuou. — Mas, hoje percebi que vocês são úteis ainda vivos. E eu decidi que vocês irão ter a honra de se juntarem a mim.
— A troco de que? — Perguntou Nymeria.
— A troco de suas vidas. Eu descobri que preciso do que tem dentro do cofre, e vocês irão me dar. — Deu uma longa pausa. — Darei a vocês um minuto para pensar, antes de eu mandar os fuzilarem. — Terminou, virando-se já pronto para sair da sala.
— Revele-se! E então ajudaremos. — Manifestou-se Avalon.
A silhueta girou-se novamente para a frente dos três. O homem desconhecido retirou a máscara que usava, revelando-se.
— Olá, eu me chamo Fergus!
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