O Arco Perdido

2 MARINA - Quando tudo começa a mudar


Abro os olhos, confusa, quando vim parar na cama?

A última coisa que lembro é Quiron nos mandando dormir, mas...

Will e eu não fomos para nossos chalés. Fomos até o Punho conversar e eu devo ter dormido. Will me trouxe até aqui. Oh, deuses.

Alguém está batendo na porta. Porque os outros não atendem? URK. Folgados.

Pulo do beliche e vejo que Bel dorme profundamente na parte de baixo.

Atendo porta e me deparo com o Sr. D, me encarando carrancudo.

— Que bom que algum dos membros arrogantes do chalé 11 criou vergonha na cara, senhorita Marie. Acorde seus irmãos e os leve até o anfiteatro.

Eu bocejo e concordo de leve com a cabeça. Marie. Semana passada foi Marine.

— Vá logo!

— Já vou! E é Mari, m-a-r-i — digo.

— Claro, claro.

Fecho a porta e grito:

— ACORDA AÊ, CAMBADA, QUIRON QUER FALAR COM A GENTE!

Eles vão acordando um a um e me xingam um pouco.

Vamos até o pavilhão, sonolentos, normalmente somos os mais barulhentos, mas também somos os últimos a acordar.

Sinto-me aliviada ao notar que os outros chalés estão aqui também. Pelo menos, isso significa que não estamos encrencados. Ou se estamos, os outros chalés também estão.

Vejo Will ao lado de Quiron, ele parece exausto. Suor escorre por sua testa e ele parece concentrado em alguma coisa, é quando noto uma garota em cima de uma maca.

Ela tem longos cabelos negros; uma pontada de ciúme me invade e toco quase involuntariamente meus fios curtos, lisos e de cor leitosa, como café com leite, com uma mexa azul turquesa atrás da orelha e algumas luzes ruivas e desbotadas nas pontas. Sempre gostei deles assim, mas sempre invejei quem tivesse paciência de pentear o cabelo por horas.

A garota respira com dificuldade e um filete de sangue escorre de uma ferida aberta na testa.

Will costura a ferida com cuidado e quando termina, suspira esgotado.

— Silêncio!— Quiron pede— Uma nova meio-sangue se uniu a nós, mas... Temo que ela possa ser... Diferente de todos vocês.

Há um burburinho geral. Como assim diferente?!

Eu olho para ela: bronzeado de alguém que vive na praia, unhas sujas, joelhos e cotovelos ralados.

Não parece diferente. É desse jeito que todos nós chegamos ao acampamento.

Ela abre os olhos subitamente. São da mesma cor do mar e, pela primeira vez, percebo que ela se parece com o Percy.

Mas, isso é impossível. Poseidon não pode ter filhas. Eu acho.

Ela tenta se levantar, sem sucesso, e Will a auxilia com delicadeza.

Delicadeza demais para alguém que está supostamente exausto.

— O nome dela é Kathleen, mas só sabemos disso por causa do colar. Ela perdeu toda a memória recente. — continua Quiron— E ela chegou aqui sem seu sátiro. Não sabemos como, nem por que.

— Resumindo, mais uma fedelha no acampamento— o Sr. D resmunga

Olho para o Will, amparando Kathleen, e percebo uma luz turquesa em seu rosto, mas ela não vem dele.

Vem do tridente que cintila em cima da cabeça dela.