O Arco Perdido
8 MARINA - Quando Ártemis me oferece algo além
Notas iniciais
Nós ganhamos. E não me sinto feliz. Só... Vazia.
Os efeitos da flor de lótus passaram e meus dedos voltaram a tremer.
Sou uma semideusa morta e estou morrendo de frio.
Estou sentada no punho de Zeus, chorando e me rebatendo como uma criança pequena.
Engasgo em minhas próprias lágrimas e sei que meu rosto já deve estar cheio de arranhões.
Ninguém se atreve a me consolar, todos sabem que eu sairia correndo antes que dissessem qualquer coisa.
Estou prestes a gritar quando sinto uma mão repousar no meu ombro.
— Marina. — diz Artemis, sua voz soa com o tilintar de sinos em uma noite de verão.
— O que foi?!— reclamo
— Não se preocupe. Não acho que deva virar caçadora. Só quero conversar.
— Sobre o que?! Sobre como vou morrer de forma extremamente dolorosa e traumatizante?!
— Sobre você. — ela responde, delicadamente, ignorando meu comportamento impulsivo. — Shiu, shiu. Não reclame. Apenas escute-me, jovem semideusa... Sei que agora tudo parece errado e fora de hora. Mas você mais do que ninguém deveria saber que o destino é difícil de entender até que realmente se concretize. Você é capaz de seguir com o queixo erguido? Pensar no aqui, no agora?
— Acho que sim... mas...
— Mas nada, mocinha.
— você precisa de nós para que exatamente, lady Artemis?
— Forças antigas estão se agitando e precisamos mais do que nunca de ajuda.
Ela se levanta e toca meu rosto...
Acordo no chalé, com o sol passando por entre as persianas. Apolo está de bom humor.
Levanto-me e vou direto para o banheiro, lavar o rosto e escovar os dentes, mas quando me olho no espelho me deparo com uma garota diferente.
Não é uma benção de Afrodite, nem nada que já vi antes.
Meu rosto pálido cintila, a tintura ruiva parece ter sido refeita, pois apenas parte da cor leitosa aparece por entre as mechas avermelhadas, os fios lisos se tornaram cacheados e ao lado da minha mecha azul uma nova surgiu: uma prateada.
É aí que percebo: agora carrego a benção de Artemis.
Deusa da lua e da caça.
Uma tatuagem prateada com inscrições gregas contorna meu pulso delicadamente.
Ela diz:
Filha de Hermes, deus da fertilidade, dos rebanhos, da magia, da divinação, das estradas e viagens, patrono da ginástica, dos ladrões, dos diplomatas, dos comerciantes e da astronomia, abençoada por Ártemis, deusa da caça, da lua e da vida selvagem, faça durar.
— Mari?!
Puxo a manga do casaco e me viro rapidamente.
Travis me encara travessamente.
— O que você fez no cabelo? Está... Natural. E qual é a dessa mecha nova?
Preciso contar pra ele!
— Eu... Bem... Ér...— não consigo formar palavras.
Por isso apenas puxo a manga.
Ele apenas sorri.
— Vamos tomar café. Temos um longo dia pela frente, baixinha.
Vamos até o refeitório sem falar. Will conversa com Quíron nervosamente, por isso resolvo mostrar tudo pra ele depois.
— A senhorita De Luca já está aqui, Will. — ouço Quíron dizer, erguendo o tom de voz, como se me chamasse para a conversa.
E pelo jeito que ele me olha, já posso dizer que não é boa coisa.
Não mesmo.
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