O Arco Perdido

11 Kathleen - Minha conversa com o senhor dos mares


Notas iniciais
A Adri disse que ficou um cú, mas eu gamei *----*

11 – Minha conversa com o senhor dos mares.


Assim que termino minha discussão com a garota de Hermes corro.Não sei bem pra onde,mas acabo parando nos chalés.Os chalés – que Travis me explicou que corresponde a cada deus olimpiano — eram as construções mais estranhas que eu já tinha visto.Mas vou direto aquele em que fiquei no dia anterior — no 3;Chalé de Poseidon.Quando entro,vejo que ele está do jeito que eu o deixei.As camas do beliche arrumadas.A caixa,o presente de Poseidon que Tritão havia me entregado,em cima da cama mais alta do beliche.Eu ainda não havia a aberto,então não sabia o que havia dentro.O Tritão dissera?Que era...”uma arma poderosa”?Bufo.Como uma arma poderosa pode caber em uma caixa daquele tamanho?

Enfio a caixa debaixo do braço e corro em direção ao estreito de Long Island.Sinto,que eu não voltaria a ver aquele chalé por um bom tempo,depois que partisse no dia seguinte com Ártemis e as caçadoras.

Assim que chego perto da água,jogo a caixa em direção ao mar com todas as minhas forças.Dane-se Poseidon.E seus presentes.E seu outro filho meio-sangue(o qual ninguém comentava nada,nem mesmo seu nome).Eu iria fugir.Ir para o lugar mais longe possível do Acampamento Meio – Sangue.Eu sabia para aonde eu deveria ir.E tento expulsar a idéia da minha cabeça.Meu lugar não é no Acampamento Grego.Meu pai não é Poseidon.Lembro-me disso a todo instante desde que Ártemis mexeu com minha memória e eu a recuperei.

Me viro e estou pronta para correr de novo.Dessa vez para sempre.Para longe.Quando me deparo com um homem.Pulo para trás.

–Olá Kathleen – diz ele apenas.Os olhos são profundos e verdes.No rosto marcas de riso,como se ele risse muito,mas agora sua expressão era serena.A barba e o cabelo eram pretos feito piche.E eu sei quem ele é.De alguma forma sei.Apesar de nunca o ter visto.Não naquela forma.

Gaguejo algo,mas por fim,me ajoelho.E abaixo a cabeça.

–Pai – digo num sussurro.

Passa-se muitos minutos até ele falar:

–Levante-se Kathleen. – e eu o faço.Não consigo encara-lo nos olhos.Não depois do que acabei de fazer. – Sabe... – diz ele e eu me obrigo a erguer os olhos. – No dia em que você nasceu...Foi um dos dias mais felizes de...minha...imortalidade.

Ele olha no fundo de meus olhos azuis.

–Me lembro até hoje de você,quando pequena.Sei de sua história.Do herói que amou e que se sacrificou por você.Da sua estádia com as caçadoras.De quando fugiu de casa.De...quando...sua irmã nasceu.Eu me lembro.Sempre estive perto.Sempre cuidei de você.

Baixo a cabeça,envergonhada.

–Meu lugar não é aqui,pai. – digo – O senhor deve saber disso. – Quando o olho,sua forma treme,e ele não é mais Poseidon.Ele é Netuno.Meu pai. Então sua forma tremula novamente,e ele volta a ser o pescador.

–Sei disso – ele fala olhando para o mar. – Mas acho que sua casa é com os Gregos.

–Eu sou romana – protelo. – Meu lugar não é aqui.Gregos e romanos não se misturam.Meu lugar é no Acampamento Júpiter.

–Não Mais – fala Poseidon – Sua casa é aonde seu coração se encontra.

– Mas... – eu encaro a areia. – E se seu coração estiver divido entre dois lares?

Nós nos encaramos.

–Acho que só tenho a lamentar por você,minha filha.Espero,sinceramente,que fique no Acampamento Grego.Não é...uma boa hora para voltar ao Júpiter.

–Seu outro filho – digo,entendendo – O outro meio-sangue filho do deus dos mares...Ele está lá,não está?

Poseidon assente uma vez.Uma única e imperceptível vez.

Meu coração dá dois pulos.

–Mas...- começo.Poseidon ergue uma mão,me interrompendo.Ele tira algo do bolso da bermuda de pescador.Um...mini garfo?

Ele me entrega.Eu fecho a palma do delicado mini garfo.Ele tem apenas três pontas,e percebo que é um...

–Tridente – murmuro – É uma miniatura de um Tridente. – Ele tem algo gravado em sua haste,mas está tão pequeno que é impossível ler.Principalmente com a dislexia.

Poseidon ri.

–Não é uma miniatura. – ele pega o pequeno Tridente nas mãos surradas pelo tempo e gira a haste 360 graus em seu eixo.Ouço um clique e em segundos vejo Poseidon segurando um tridente enorme.De verdade.

O sol bate em sua haste e um verde perola reluz.Consigo ler as inscrições agora,com clareza.Katára,em grego,e a tradução seria...Maldição.

Olho para meu pai.

–Todo Herói que a usou teve um destino cruel – explica ele.

–Ótima escolha para um presente – sussurro.

Poseidon sorri e olha para o mar.

–Use com sabedoria,sim? – pede ele e pisca para mim – Desculpe,Kath.Tenho que ir.Prolonguei demais nossa conversa. – logo depois ele some.O tridente fincado na areia se equilibra, sozinho.Eu o pego.Não é pesado.Giro a haste novamente,no sentido contrário e ele reduz de tamanho se transformando novamente em um mini garfo.

Logo depois,as ondas batem com mais força na praia.Quando me viro para olhar,vejo algo.Um envelope.Ando até a beira das ondas e o pego.Está seco.Quando o seguro,sinto como se uma pequena parte do oceano tivesse se dobrado a vontade do deus e se transformado em um envelope azul marinho.Quando viro vejo que a carta não é para mim.É para Marina De Luca.


Notas finais
O que acharam???