Uma semana após sua chegada a Gyönyöru Zion já estava construindo sua primeira estação de pesquisa auxiliar, uma moradia para passar a noite em outras áreas longe do módulo, uma maneira de expandir seu conhecimento sobre o território. Na manhã em que começara a juntar madeira para a construção da estação, Zion armou uma grande armadilha para pegar animais grandes e estuda-los, com uma técnica muito primitiva que aprendeu em seu planeta. Depois de algum tempo, enquanto erguia a construção ouviu o barulho da armadilha disparando:

—Não aguentava mais esperar! — disse Zion eufórico.

Era um protomamífero conhecido hoje pelo nome de Inostrancevia. Este animal possuía aproximadamente 3 metros e meio, para a felicidade de Zion, que estava em busca de animas grandes. Ele ficou observando como o animal era feroz, sua anatomia, sua cor, e como estava com medo preso naquela espécie de jaula. O vitulano nomeou a fera de Vadállat.

Zion o deixou preso e voltou para terminar a estação antes do anoitecer, não queria passar a noite sombria em uma floresta como aquela, cheia de perigos e animais ferozes, por isso, se apressou e terminou sua base enquanto observava o grandioso por do sol de Gyönyöru.

Logo após terminar a construção Zion tirou um longo cochilo de quatorze horas, tempo de descanso comum de sua espécie.

Ao amanhecer, Zion partiu em busca de ervas e plantas para pesquisas medicinais, no caminho avistou dois pequenos animais às margem de um rio, ele caminhou devagar para que não percebessem sua presença e apanhou um deles para utilizar como cobaia. Enquanto andava pela floresta, mantinha seus olhos apontados para o chão, buscando ervas que chamassem sua atenção, e por duas longas horas ele procurou as que mais divergissem das ervas com semelhanças das espécimes da sua terra:

— Esperava que fosse achar mais que quatro! -disse Zion já cansado de procurar, então fez-se satisfeito com as que encontrou.

Voltando para a base, já com algumas ervas e sua cobaia ele começou a testa-las. A primeira erva aplicada a pele do animal lhe causou irritação e aplicada em ferimentos leves que Zion lhe causou, a reação foi de dor. A segunda espécime não teve efeito em nenhum dos casos. A terceira causou adormecimento das partes em que foi aplicada. A quarta ajudou a estancar os ferimentos, seu liquido pastoso secou sobre os cortes formando uma película que impedia que o ferimento sangrasse. Após os testes, Zion devolveu o animal à floresta e nomeou as três ervas úteis de fullánk, alva e bör respectivamente.

Quatro dias após a construção da base, Zion voltou ao local da armadilha onde havia capturado Vadállat. O animal estava fraco, faminto, e então Zion o soltou e apanhou sua espada esperando que a fera fosse ataca-lo, e para sua alegria, Vadállat deu o seu primeiro ataque feroz, mas Zion esquivou rapidamente e arranhou levemente o tronco do animal com sua espada, mas a fera não se fez por vencida, sangrando partiu para o segundo ataque, que lhe custou outro ferimento, parecia que suas presas enormes e suas garras não estavam o ajudando de nada enfraquecido daquele jeito, Zion então aplicou o terceiro ataque, fazendo com que o animal se deitasse no chão. Com a fera sem possibilidades de lutar, Zion jogou um animal semelhante a um rato morto para que Vadállat se alimentasse e passou a erva bör sobre seus ferimentos. O olhar de Vadállat estava direcionado ao rosto de Zion, um olhar de fúria, um olhar odioso e amedrontador que fazia seu inimigo teme-lo até mesmo derrotado ao chão, porém, Zion sabia que não deveria demonstrar medo, se não nunca domaria a fera, e sendo assim, esforçou-se para não demonstrar fraqueza alguma. Após estancar seus ferimentos, Zion acorrentou-o numa arvore e o abandonou pelo resto do dia.

No dia seguinte, o vitulano voltou ao local que havia o deixado e viu Vadállat em pé, comendo um lagarto que passou próximo a ele. Lentamente, caminhou em direção da fera desarmado, com a expectativa que pudesse toca-lo, mas quando chegara a menos de dois metros o animal mostrara as presas para o Vitulano, que como reação, apertava cada vez mais a corrente em seu pescoço até que pudesse toca-lo, e com muito esforço ele conseguiu, afrouxou novamente as correntes e lhe deu outra refeição como recompensa.

Durante vários e vários dias Zion treinou o animal, não só fisicamente como também mentalmente. Toda vez que Vadállat tentava ataca-lo ele ligava um aparelho que emitia um som tão agudo que deixava o animal indefeso e desorientado, depois de alguns minutos ele o desligava, mas se tentasse ataca-lo novamente Zion repetia o processo. Quando Vadállat o acertava, Zion apertava suas correntes para sufoca-lo e passava a erva fullánk sobre os ferimentos do animal como castigo.

Já se passavam dois meses e o processo de domesticação avançava lentamente para a insatisfação do adestrador, até que em uma manhã escura, com nuvens negras e uma intensa neblina, Zion desamarrou o animal e ficou com a mão em sua espada atento, esperando por um ataque, mas foi surpreendido, Vadállat não tentara mais atacar Zion, a fera fora domesticada, e foi neste dia que Zion tentou monta-lo. Ele se aproximou tirando a mão da espada e Vadállat se afastou lentamente. Zion sentiu que devia lhe passar confiança, e então ele se curvou á fera e a fera abaixou a cabeça para Zion, e foi quando ele o tocou levemente as orelhas, Vadállat ergueu-as e ficou atento, o vitulano trouxe um rato à sua boca lentamente como agrado e quase que em dois segundo ele já tinha o devorado. Zion continuou acariciando o animal e cuidadosamente se posicionou para subir em cima dele. Rapidamente, Zion pulou em cima de seu tronco e o animal assustado começou a correr, também assustado, ele puxava firmemente a cabeça de Vadállat dizendo para que parasse, mas Vadállat continuava correndo pela floresta até que bateu suas patas dianteiras em um tronco e foi ao chão junto de Zion. O animal parecia ter quebrado uma de suas patas, Zion furioso, ordenava que ele se levantasse, porém Vadállat não obedecia, e então Zion o levantou e deixou-o em pé, esperou até que pudesse se sustentar sozinho e novamente o montou. Vadállat mal conseguia ficar em pé com seu próprio peso, mas Zion tinha que puni-lo, e então começou a dar leves chutes no animal até que ele andasse. Mancando, ele o carregou por quinhentos metros, sem correr, e quando estava prestes a cair desequilibrado, Zion pulou ao solo e o segurou antes que caísse, ele o levantou colocando-o sobre os ombros e partiu a caminho de sua base. Ao chegar, Vadállat estava adormecido, Zion cuidou de seus cortes e arranhões com suas ervas e fez algo semelhante à um engessamento em sua pata quebrada para que ele não a movesse.

Com a forte chuva, Zion deixou Vadállat dentro de sua base e voltou à floresta para caçar. Estava difícil encontrar algo para comer, os mamíferos estavam todos escondidos com a tempestade, então Zion desceu à beira do lago para encontrar algo. Pouco dava para se ver, os trovões estrondosos e as pedras de gelo chocando com o solo eram as únicas coisas que se podiam ouvir e de repente, quando menos esperava, Zion foi derrubado dentro do lago por um crocodilo que mordera sua perna. O Vitulano chutava furiosamente a boca do animal que tentava arrancar sua perna, se Zion saísse sem sua armadura naquele dia, provavelmente teria perdido a perna, mas após cinco ou seis chutes o crocodilo soltou sua perna e depois de se levantar agilmente, Zion apanhou sua espada e a cravou no crânio do animal, atravessando-o de cima a baixo. Ele segurou o crocodilo morto pela calda e o arrastou para a base de onde veio, quando chegou, deixou seu alimento do lado de fora e entrou na base, Vadállat ainda estava dormindo e então Zion retirou sua armadura para repara-la. A parte que havia sido mordida não estava tão danificada, o material da armadura é muito resistente e maleável, ele permitia que o guerreiro se movesse rapidamente e se protegesse sem perder agilidade nos movimentos, nem mesmo a mordida de um crocodilo de quase seis metros pode atravessá-la. Zion decidiu substituir a peça avariada por uma nova, mas ele só poderia fazer isso quando voltasse ao módulo que usou para aterrissar na Terra, pois lá estava guardada a armadura secundaria.

Já cansado ele se deita em sua rede e adormece com o barulho da chuva o fazendo lembrar dos invernos de seu planeta natal. Os invernos de Tokë eram pouco rigorosos, a temperatura mínima chegava no máximo a vinte graus Celsius negativos no extremo sul (onde Zion vivia) e a quinze graus negativos no extremo norte, mas apesar da temperatura não muito baixa, havia chuvas constantes que podiam durar toda a estação. Podia parecer bom porque a chuva amenizava a sensação ruim que a atmosfera seca trazia, porem, por outro lado, essas longas chuvas varriam todo o solo e carregavam com elas quase todos os nutrientes, fazendo com que a maioria das árvores morressem e que novas árvores não crescessem, contudo, havia uma espécie de árvore forte o suficiente que sobrevivia em meio a todas essas dificuldades e os vitulanos a veneravam muito, principalmente Zion, por ser a salvação em épocas de dificuldades e fome, que ocorriam repetidamente em sua infancia.

A chuva cessa, um belo dia nasce e Zion desperta cheio de energia, ele se levanta e encontra Vadállat também acordado mas ainda deitado. Zion veste sua armadura, acaricia seu animal e sai para pegar um pouco de lenha e em pouco tempo ele acende a fogueira e põe o crocodilo para assar enquanto trás Vadállat para fora e cuida de seus ferimentos.

Depois de uma hora esperando assar, os dois devoram quase todo o crocodilo de uma só vez, o grande apetite da fera Vadállat parecia se igualar ao de Zion, um simples vitulano de porte médio. Depois de estarem satisfeitos, Zion retira a proteção da pata de Vadállat e por mais incrível que pareça, a pata do animal já estava curada graças a um produto pastoso que Zion mesmo inventou em Tokë, a pasta ajudava o organismo e acelerava a reconstituição óssea, e assim Vadállat já poderia andar novamente e os dois partiram rumo a leste em direção ao módulo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.