O Apocalipse

4 Capítulo 4 - O socorro


Notas iniciais
me ajudem nos comentários....

O Sol raiou em Washington, os feixes luminosos de luz invadiam o quarto de Simon, onde o relógio marcava 07h00min, Simon dormia como um bebê, estava em um sono profundo, provavelmente sonhando ou tendo uma visão, afinal ele era um profeta.

Seus 35 anos deixavam bem aparentes seus cabelos grisalhos no alto da cabeça. Ele não tinha família, não tinha irmãos, seus pais haviam morrido em um acidente de avião quando ele tinha 20 anos, estava na faculdade, aquilo foi o fim do mundo pra ele, perder quem ele mais amava, foi um impacto brutal para a cabeça de um jovem de 20 anos, então ele tentou cortar os pulsos, pensava que não havia mais razão para viver, ele se trancou no quarto da república, sozinho, a faca na mão, pronto para se matar, quando uma luz invadiu o quarto, um enorme Arcanjo portando uma espada reluzente, era uma forma de pura energia, Simon não conseguia olhar direto para a face dele, foi quando o anjo se apresentou, dizia ser Gabriel, braço direito de Deus, estava ali porque ele não podia deixar Simon se matar, nem que pra isso fosse necessário utilizar força bruta.

Gabriel explicou a Simon, seu verdadeiro propósito, o porquê de ele ter nascido, o porquê de ele ter algumas visões estranhas durante os sonhos. Ele era um profeta, alguém enviado por Deus com um propósito. Gabriel explicou que Simon foi enviado para a terra para combater o apocalipse, combater o anticristo, e que Deus o ajudaria, fornecendo o que fosse preciso para vencer. Simon mal pode acreditar, largou a faca e pôs-se a chorar, não era possível aquilo estar acontecendo, Simon questionava o porquê de Deus ter tirado sua família, o porque dele estar sofrendo tanto, se ele era escolhido, se dele era enviado por Deus, Gabriel apenas sorriu e abraçou Simon, que sentiu uma força incrível encher seu peito naquele abraço, sentiu suas forças renovadas, sentiu-se forte, capaz, Gabriel então sussurrou em seu ouvido algo eu ele jamais pôde esquecer: “O senhor não escolhe os capacitados, ele capacita os escolhidos, o que aconteceu foi pela vontade de Deus, ele te conforta, e te faz a partir de hoje, merecedor do reino de deus, seja forte, o Senhor está contigo”. Gabriel então se virou de costas e disse que caso Simon precisasse de algo, era somente orar, que deus o ouviria. Aquele dia mudou a vida de Simon, que agora começava a acordar, seu despertador havia tocado, já eram 07h15min, ele esticou o braço e desligou o despertador, olhou para o relógio, o tempo havia voado, ele se sentou na cama, foi para o banheiro, escovou os dentes, jogou uma água no rosto, foi até seu guarda roupa e separou um terno com risca de giz, ele parecia gostar daquele terno, deixou o terno em cima da cama, e foi até a cozinha, ligou a cafeteira e pegou uma massa pronta para panquecas que estava na geladeira, jogou a massa na frigideira e fez rápidas panquecas, ao comer lembrou-se de seu amigo Mark, que pediu como favor panquecas, Simon riu, Terminou de comer e foi ao seu quarto, ligou a televisão pra assistir enquanto se trocava, estava no noticiário.

— “Mulher de 27 anos morre misteriosamente na praça central, ela foi encontrada morta com as roupas rasgadas e a carne dilacerada, parecia ser uma ataque animal, afirmou o chefe da polícia Laurence Oldbern.”

— Claro que era uma besta! – Afirmou Simon para a televisão enquanto se trocava – esses idiotas teimam em dar desculpas, e não encaram o que realmente está acontecendo.

Simon terminou de arrumar a gravata, pegou seu telefone e ligou para Mark.

— Alô?

— Mark, sou eu Simon, quando estiver descendo passe aqui no meu apartamento para me chamar, não demore.

— Pode deixar Simon, já estou descendo.

— Ok – Simon desligou o telefone.

Mais um difícil dia de trabalho os esperava.

Enquanto isso, em Veneza, Nollan estava aturdido, devido a noite inteira de interrogatórios, ele estava amarrado a uma cadeira, com uma mordaça na boca, não podia se mexer, não podia fazer nada, apenas chorar, era horrível a sua situação, estava preso em um quarto escuro, parecia ser um porão, não conseguia enxergar nada, nem mesmo seu próprio corpo.

A porta de abriu, um homem loiro, aparentava boa aparência, entrava no quarto, assoviando, e cantarolando, expressava alegria, sorria. O homem acendeu a luz que ficava bem encima de Nollan, que fechou os olhos até se acostumar com a claridade.

O homem veio andando em direção de Nollan, que olhava com medo para seu mal- feitor, o homem tirou a mordaça da boca do garoto.

-Ora se não é o meu jovenzinho preferido – o homem disse se ajoelhando, ficando cara- a- cara com Nollan.

— O que vocês querem comigo? Eu já disse que não sei de nada. – O garoto berrava, chorando.

— Você sabe muito bem meu jovem, nós queremos saber o que você leu na pasta que você nos roubou outro dia, vamos dizer que o conteúdo dela é bastante importante.

— Eu já disse foi uma aposta com meus amigos, nós devolvemos a pasta e não lemos nada, eu juro.

— jurar é algo muito sério pirralho, vou deixar de ser bonzinho, se não me falar logo, vou ter que enfiar uma bala nessa sua cabeça, ou melhor, vou invocar uma besta pra dilacerar sua carne inteirinha antes de você morrer .

O garoto chorava, e insistia – Eu não sei de nada! Eu já disse, por favor não faça nada comigo!

— Você tem até amanhã pra resolver abrir essa sua boca, caso contrário, pense bem nas suas ultimas palavras – o homem disse, dando uma risada macabra, como se estivesse doido pra acabar com a vida do garoto.

O homem caminhou até a porta apagou a luz, antes de fechar a porta verificou se havia amordaçado o garoto novamente, saiu do quarto e bateu a porta. Enquanto isso Nollan em meio a prantos, implorava por ajuda.

Enquanto isso, no Texas, a Família Lowell esperava notícias do menino, o delegado havia ligado, e disse que passaria na casa deles mais tarde, disse que a notícia era urgente.

A família não dormia direito desde o dia do incidente, já havia passado dois dias, e eles não tinham nem notícias do garoto.

Todos se sentaram na sala, assistindo televisão enquanto aguardavam o detetive que finalmente havia chegado, a campainha tocou, Eliza caminhou até a porta, cumprimentou Martin e seu parceiro, convidou eles a entrarem, o delegado tirou o chapéu, entrou e cumprimentou Jeremy e as crianças.

— Bom dia Jeremy! Bom dia crianças.

Jeremy assentiu com a cabeça, enquanto as crianças permaneceram caladas. Eliza convidou Martin e Adam a se sentarem, eles preferiram ficar de pé.

— O que foi que o senhor tinha de tão importante pra nos falar delegado:

— Bem, eu sinto lhes informar, mas após investigar a visita daquele homem, Jhonny Castiglioni, descobrimos que a última visita dele na cidade foi no dia que Nollan foi sequestrado, recebemos informações de que ele deixou o país, e infelizmente, não temos jurisdição sobre os territórios da União Governamental Europeia, infelizmente, não podemos fazer mais nada quanto à Jhonny, já enquanto a Nollan, não conseguimos nenhuma pista sobre ele, infelizmente, se tínhamos alguma chance de descobrir o que aconteceu com ele, ela foi perdida assim que Jhonny deixou a América, sinto muito.

A família começou a chorar, Eliza agarrou no braço do marido e murmurava, enquanto as crianças choravam, sentindo falta do irmão. Mas Jeremy mandou todos se acalmarem, ele já sabia o que fazer.

Eram 10h20min em Washington, Simon e Mark estavam em seus escritórios, Mark atendia um cliente, querendo investigar sua esposa, caso típico, enquanto Simon arrumava os arquivos de seu escritório, quando o telefone tocou.

— Agência de detetives Folk, bom dia, Detetive Simon na linha – Simon repetiu como de costume.

— Bom dia detetive Simon, quem fala é o Joseph.

Simon paralizou, a ORC finalmente havia ligado.

— Olá Joseph, me parece que você recebeu meu recado.

— Maneira diferente de enviar recados não? – Joseph ironizou – Enfim, estou reunido agora com os demais lideres da ORC, pelo decorrer do caso, infelizmente não vamos precisar mais dos seus serviços, mas como retribuição pelas informações e pelo esforço, vamos pagar suas despesas com esses caso e estamos enviando metade do dinheiro combinado para sua conta.

— Obrigado Joseph, e realmente me desculpe pelo incidente, eu queria poder continuar com esse caso, mas infelizmente, não vou poder obrigado mesmo.

— Até mais Simon, caso precisarmos novamente dos seus serviços nós iremos te ligar.

— Ok, até mais. – Simon disse isso e colocou o telefone no gancho.

Ele não podia acreditar que não estaria mais naquele caso, afinal, era papel dele, acabar com o anti-cristo, o que será que Deus havia reservado para ele.

Quase no mesmo instante, A sala começou a esquentar, as luzes piscaram, Gabriel, o Arcanjo havia pousado no meio da sala. Deus o havia enviado para falar com Simon.

— Olá meu amigo Simon. – O arcanjo disse com sua famosa voz de multidão.

— Olá Gabriel, faz tempo que não converso com você, o que você tem pra mim hoje?

— o Senhor me mandou para te avisar sobre um caso que você deve pegar, um homem chamado Jeremy irá te ligar, você deve aceitar o caso, pois o caso deles irá envolver Jhonny.

— Ok Gabriel, considere o caso pego, e quanto eu devo cobrar deles?

— Nada. Deus irá fornecer tudo que você precisa para esse caso.

— Certo.

— E antes que eu me esqueça – O arcanjo continuou o discursso – Nesse caso você irá resgatar um garoto, seu nome é Nollan, Deus tem um propósito pra vida dele, você logo vai perceber, você deve levar esse garoto para o seu apartamento, maiores detalhes o pai dele te dará por telefone.

— Entendido. Obrigado Gabriel.

— Você não tem o que agradecer, não vim aqui por você, vim por que Deus me enviou – O arcanjo disse se preparando para ir embora, era possível ver um sorriso no seu rosto, afinal Gabriel gostava de Simon, ele era um bom amigo.

Simon acentiu com a cabeça, e continou a revirar seus arquivos, Gabriel como um raio, saiu da sala, deichando somente um rastro de fogo, que sumiu no ar.

Enquanto isso, no Texas, Jeremy explicava a família sobre o anúncio que havia visto, e que havia sentido no coração a vontade de ligar, ele pegou o telefone e disse que depois do almoço ele ligaria, eles concordaram, que gastariam até o último centavo para encontrar Nollan, mal eles sabiam, que Simon já estava ciente de tudo, e não cobraria nada.

Eles almoçaram, o lugar vago na mesa deixava claro a falta que o jovem fazia, depois do almoço, todos ajudaram a arrumar a cozinha, depois disso, todos se reuniram e o pai da família discou o número, começou a chamar.

No mesmo instante, o telefone de Simon começou a tocar, ele parou o que estava fazendo e atendeu.

— Agência de Detetives Folk, boa tarde, detetive Simon.

— Boa tarde detetive, o meu nome é Jeremy, te liguei pois quero contratar os seus serviços.

— Estou feliz por ter me ligado Jeremy, eu estava esperando sua ligação, você deve ser o pai do garoto Nollan, o arcanjo Gabriel me avisou que você ligaria.

Jeremy se assustou quando soube que Simon já sabia sobre Nollan, e se perguntou quem seria esse Arcanjo Gabriel, que aberração Simon era?

— Err... Desculpe-me... Mas com todo respeito, quem é o senhor, e como sabe sobre Nollan?

— Ah, Sim, esqueci de me apresentar, como já disse, meu nome é Simon, eu sou detetive particular, mas também sou profeta, o Senhor mais cedo me enviou um anjo, ele me contou sobre sua situação, mandou eu te ajudar, mas infelizmente os detalhes que ele me deu foram muito superficiais para prosseguir, então ele disse que você ligaria.

— Entendo, fico feliz em saber que Deus ouviu nossas orações, estamos muito preocupados, queremos encontrar nosso filho, e o que você, digo, o senhor precisar, eu e minha família estamos dispostos a pagar, por favor, nos ajude. – Jeremy dizia isso se aproximando do telefone, se ajoelhando perto do mesmo, que estava em viva-voz para toda a família ouvir.

— Olhe Jeremy, ficarei feliz em ajudar, e quanto ao pagamento, não se preocupe, mais tarde falaremos sobre isso, mas escute com atenção.

Toda a família fez o máximo de silêncio, a fim de prestar mais atenção ao que o detetive diria.
— Essa linha infelizmente não é segura, e receio que somente poderei dar entrada formal no caso, com a sua presença aqui, então peço que o senhor pegue o próximo avião para Washington, pois devemos agir o mais rápido possível, para garantir a segurança do garoto, maiores detalhes eu irei dar ao senhor no meu escritório, em Washington.

— Ok detetive, por favor mande-me um fax com o endereço de sua agência, pra que ao chegar eu possa procurá-lo.

— Sem problemas Jeremy, também irei anexar meu celular, caso eu não esteja em meu escritório no momento de sua chegada.

— Obrigado detetive, não sei como agradecer.

— Não se preocupe com isso, apenas seja o mais rápido possível. Até mais.

— Até mais – Jeremy disse, desligando o aparelho.

— vocês ouviram, eu irei pra Washington, vocês fiquem aqui, Eliza, venha comigo me ajudar com as malas, irei partir o mais breve possível.

Jeremy e Eliza subiram, enquanto as crianças ficaram na sala, olhando um para o outro, como se quisessem dizer alguma coisa, mas nenhum assunto surgia.

Já no quarto, com a mala antiga posicionada em ciam da cama, Jeremy e Eliza iam colocando roupas, objetos pessoais. O silêncio era massacrante, a casa parecia morta após o ocorrido.

Durante a tarefa, o casal se virou na mesma hora em direção a mala, ficando um de frente para o outro, ambos se entreolharam nos olhos, a emoção era intensa, eles se abraçaram.

— Traga nosso filho de volta com você – Eliza dizia, com sua voz chorosa, melancólica.

— Farei o possível e o impossível para trazê-lo. – Jeremy disse enquanto abraçava mais forte sua esposa.

Eles terminaram de arrumar a mala, Jeremy vestiu um casaco, desceu as escadas segurando a mala numa mão, e a outra mão dada com Eliza. Ele caminhou até a porta e chamou as crianças, abraçou-os e disse a eles para serem fortes, ajudarem sua mãe enquanto ele estivesse fora. Tirou as chaves do carro do bolso, e estendeu-as para Eliza.

— sei que faz um bom tempo que não dirige, mas preciso que me leve ao aeroporto.

Eliza pegou as chaves, determinada, faria de tudo para ajudar sua família.

-mamãe já volta, cuidem um do outro, vou levar seu pai ao aeroporto de Suncity, irei demorar umas duas horas, se comportem até lá. – Eliza disse abrindo um enorme sorriso aos filhos , um sorriso que assustou Jeremy, que não a via sorrir desde o acontecido.

Eliza virou-se e saiu pela porta, Jeremy olhou para as crianças, sorriu e saiu pela porta.

As crianças ficaram lá, paradas, olhando a porta se fechar, o barulho dos passos, o som das portas do carro se fecharem, o barulho do motor, até tudo voltar ao silêncio normal. Elas se entreolharam, Emily, a mais velha dos dois abraçou o irmão, os dois se sentaram na sala ligaram a televisão, Sam começou a chorar.

-Calma Sam, Vai ficar tudo bem, tudo será como antes, tudo... – A garota repetia enquanto passava as mão nos cabelos de Sam, a fim de confortá-lo.

Tudo havia acontecido tão rápido, eles não tiveram tempo o suficiente para se acostumar e encarar de frente essa situação, afinal, eles eram só crianças, inocentes crianças.