A noite das meninas com Eleonora foi divertidíssima. Ela me contou detalhadamente sobre seu novo ficante e só o que eu pude fazer foi torcer para que desse certo. Pela manhã a encaracolada se despediu de mim e eu fui cuidar dos preparativos para o tal jantar com Olavo.

Escolhi como local meu apartamento porque a julgar pelo estado civil dele a última coisa que precisamos é um flagra de algum fotógrafo inconveniente.

Liguei para um chef de cozinha e marquei o horário e pedi para entregarem as bebidas em casa. Um vinho combinaria com a ocasião, torci para que ele apreciasse um bom vinho.

Às 18:00 horas o chef chegou e foi e organizar a cozinha. Às 18:30 minhas garrafas de vinho chegaram. Às 19:00 comecei a me arrumar, não podia me atrasar quando o jantar era na minha própria casa.

Tomei um banho, sequei meu cabelo e fiz uma maquiagem leve e iluminada. Escolhi um macacão da Zara que eu comprei na minha última viagem à Espanha e nos pés uma rasteirinha delicada, afinal de contas eu estava em casa. Finalizei com acessórios dourados minimalistas. Olhei no espelho e gostei do que vi. Olhei no relógio e já eram 20:45.

‘’ Estou ficando boa em não me atrasar’’ pensei.

Passei na cozinha para conferir se tudo estava ok e reforcei que todos os contratados estavam proibidos de registrar em foto ou vídeo o que se passava dentro da minha casa. Depois de repassar os recados me sentei no sofá e fiquei mexendo no celular.

Às 21:01 o interfone tocou e eu confesso que corri para atender.

— Pode mandar subir sim, obrigada- Falei para o porteiro.

Contei mentalmente o tempo que o elevador demoraria para chegar ao meu andar e abri a porta. Lá estava ele sorridente. Que sorriso!

— Seja Bem vindo à minha casa! Entre e fique à vontade! — Falei tentando ser uma boa anfitriã.

— Boa noite- Ele disse me dando um beijo no rosto- Você está linda Ursula!

— Muito obrigada! Adoro homens que sabem elogiar! — respondi- Pode se sentar aqui no sofá, daqui a pouco o jantar vai ficar pronto. Aceita uma taça de vinho? — Perguntei servindo duas taças depois que ele fez sinal positivo com a cabeça. Me sentei ao lado dele no sofá.

— Eu não acredito que você contratou um chef de cozinha para fazer um jantar! – ele comentou.

— Eu não sei cozinhar muita coisa, não queria servir lasanha ou macarrão a bolonhesa hoje! À propósito, espero que você não seja vegetariano porque hoje teremos entrecot — Falei.

— Eu adoro carne, pode ficar tranquila. – ele respondeu- Então é aqui onde a herdeira dos Sáfira se esconde?

— Não só me escondo como curo todas as minhas ressacas! — Respondi rindo- E você, como é não poder se esconder nunca porque tem que dividir o teto com outra pessoa?

— Achei que não te agradaria falar da minha esposa! — Ele respondeu com cara de interrogação.

— Relaxa, eu não sou ciumenta! — respondi

Ele riu e respondeu: — Quando você se casa com uma pessoa sabe que sua privacidade fica limitada. Porém minha esposa viaja bastante pra casa dos pais, então passo boa parte do tempo sozinho.

— Não vou mentir pra você, essa informação me agradou muito! — comentei

Fomos interrompidos pelo chef avisando que o jantar estava servido.

Conversamos sobre como ele estava se adaptando na empresa do meu pai e os tempos de faculdade durante o jantar.

Ao terminarmos a sobremesa pedi licença e fui até a cozinha e dispensei o chef com seus cozinheiros. Passei pela adega e peguei mais uma garrafa de vinho e servi nossas taças.

— Eu acho que eu não consigo te acompanhar no vinho! – Ele falou brincando.

— Com certeza não! Mas eu te ajudo, com o tempo você se acostuma, é um dom necessário para viver na alta sociedade.- Respondi

— E quem disse que eu sou da alta sociedade? — Olavo me perguntou

— Você me parece ser o queridinho do meu pai, a tendência é só crescer e mais dia menos dia as festas chatas de empresa serão rotina na sua vida- dei um gole no meu vinho- a vantagem é que mesmo não gostando, eu sempre estou presente nessas ocasiões pra passar uma imagem de herdeira preocupada com o futuro da empresa.

— Você é muito sincera, eu não sei se me acostumaria com isso- ele me disse sem jeito

— Você se acostuma sabe porque? Minha sinceridade vem acompanhada de muitas outras qualidades- Respondi me aproximando cada vez mais dele- E eu nunca vou me fazer de difícil quando o que eu mais quero é te beijar — Me aproximei mais um pouco esperando que ele percorresse o resto do caminho, e ele o fez. Nossos lábios se encontraram num beijo quente e urgente.

Segurei seu cabelo e sem me separar dele e encaixei minhas pernas em seu quadril. Ele não hesitou e começou a passar a mão pelas minhas coxas. Os beijos estavam se tornando cada vez mais quentes e quando estava começando a desabotoar sua camisa ele me levantou e me colocou sentada no sofá. Só o que eu fiz foi olhar para ele com cara de indignação!

— Eu acho que bebi vinho demais, melhor eu ir- Disse ele abotoando os botões que eu tinha conseguido desabotoar.

— Claro!- Falei me levantando e ajeitando minha roupa- Espero que você tenha gostado do jantar.

— Estava ótimo.- ele respondeu desviando o olhar.

— Uma pena que você se arrependeu não foi? – falei para ele tomando um gole do meu vinho.- Eu vou te acompanhar até a porta.

— Você vai ficar bem? – ele perguntou preocupado.

— E quando foi que eu não fiquei? — respondi com um sorriso e abri a porta do apartamento- Até mais- dei um beijo em seu rosto.

— Até mais- Ele respondeu e ficou me olhando por alguns segundos. Depois entrou no elevador e foi embora.

Bati a porta. Quem ele achava que era para me dispensar dessa forma? Se ele ia se arrepender porque veio? Para ver se valia a pena? Não é obvio que valia a pena?!

Eu não podia ficar remoendo o acontecido. Peguei meu celular e liguei para Eleonora. Do outro lado da linha ela atendeu:

— O jantar foi tão entediante que você já esta me ligando antes da meia noite?

— Nem me lembre desse jantar amiga. O que rola hoje? — Perguntei tentando me livrar do assunto jantar fracassado.

— Estamos em um barzinho hoje, vem pra cá! Nosso amigo Bruno trouxe o primo dele diretamente da Europa pra abrilhantar nossa mesa! — Ela respondeu rindo

— Daqui uns 20 minutos eu tô aí, preciso conferir de perto!- respondi, desliguei o celular, troquei de calçado e acessórios, peguei uma clutch e saí porta afora.