Ansiedade. Essa com certeza era a palavra que definia meus dias até a chegada da tão esperada quarta feira!

Tentei não pensar nisso ligando pra Eleonora, porém quando me dei conta já estava contando todos os detalhes que tinham acontecido nos últimos dias. Eu estava me tornando monotemática, eu só falava sobre o Olavo e eu sempre tive pavor de me tornar uma pessoa assim!

Eu não podia me apaixonar por ele, primeiro porque ele era casado, segundo porque ele era empregado da empresa do meu pai e terceiro porque eu prometi para mim mesma que não cairia nessa cilada. Porém, quando eu me deparava com aquele sorriso vindo em minha direção eu esquecia de tudo isso e só pensava em me aproximar ainda mais de Olavo.

Em um impulso peguei meu celular e escrevi uma mensagem

‘’Será que eu fui uma péssima companheira de festa pra você sumir dessa forma?’’ Apertei enviar para Augusto. Talvez fosse melhor assim.

Alguns minutos depois eu recebi sua resposta:

‘’Claro que não minha linda! Eu amei sua companhia e ainda mais nosso beijo no final da noite! Desculpa não dar sinal de vida, eu estou super ocupado com alguns detalhes do meu trabalho, mas estou correndo para organizar tudo e nos encontrarmos logo!’’

Respondi ele com um emoji de sorriso e coração. Eu não poderia perder o contato com Augusto, ele me ajudaria a me envolver menos com Olavo.

Na hora certa comecei a me arrumar para o tão esperado jantar. Coloquei um short soltinho estampado, regata branca e blazer também branco e finalizei com uma sandália de tiras pretas nos pés. Às 20:00 em ponto Olavo já estava na porta do meu prédio para me buscar.

Quando entrei no seu carro não sabia como cumprimenta-lo, mas para minha sorte ele já sabia e não hesitou em me beijar. Quando nossos lábios se desgrudaram ele disse:

— Talvez você já saiba, mas preciso dizer que você está linda!

— Muito obrigada lindo! Mas eu realmente já sei! – Respondi rindo em tom de brincadeira. – Mas pra onde nós vamos, eu estou muito curiosa!

— Você vai ver e tenho certeza que vai gostar! – Ele respondeu me dando um sorriso e virando para prestar atenção na direção.

Continuamos o percurso em silêncio. Chegamos em um prédio bem alto e entramos pela garagem onde Olavo estacionou, saiu do carro e abriu a porta para que eu saísse. Eu sorri em agradecimento.

Entramos no elevador e o Olavo apertou o último andar. Quando chegamos ele pegou minhas mãos e me guiou até uma escada onde subimos mais dois lances até chegarmos no terraço onde podia se ver a cidade toda e uma mesa estava posta estrategicamente. Próximo dali um garçom e uma cozinha improvisada completavam o que eu chamaria de jantar romântico super privado.

— Olavo, que incrível! – Falei sorrindo.

— Eu sabia que você ia gostar! – Ele disse puxando a cadeira para que eu sentasse.

— Onde você aprendeu a ser tão convencido? – Eu disse me sentando.

— Eu aprendi com a mestre! – Ele respondeu rindo. Repito: que sorriso.

Enquanto isso o garçom servia nossas taças com vinho tinto.

— Eu estou muito feliz de você ter aceitado meu convite pra vir jantar! Por mim eu faria esse tipo de surpresa pra você todos os dias. – Olavo disse segurando minha mão por cima da mesa.

— Mas aí eu ficaria mal acostumada e mais mimada ainda. – Eu disse dando um gole em minha taça. – Tenho que te agradecer por ter preparado tudo isso pra mim, eu realmente amei!

— Tudo pra ver esse brilho nos seus olhos. Talvez eu esteja sendo precipitado em te dizer isso, mas nos últimos dias só o que eu penso é em você. Na sua risada, seu sarcasmo, ironia e no seu beijo. – Olavo me disse olhando nos meus olhos. Essa foi uma das poucas vezes que eu não sabia o que falar.

— Eu não sei nem o que falar! – Eu disse sem graça.

— Não precisa falar nada agora, só te peço que não brinque comigo e me permita fazer parte da sua vida porque eu faria de tudo pra te fazer feliz. – E dizendo isso Olavo me puxou para um beijo terno e lento enquanto meu coração acelerava.

E assim passamos o jantar. Tendo conversas amenas, nos beijando entre um gole e outro de vinho e rindo sobre coisas aleatórias. Eu estava muito feliz porque por algumas horas eu esqueci de qualquer empecilho que podia nos atrapalhar.

Quando Olavo estacionou o carro na porta do meu prédio perguntei se ele queria subir e ele disse que sim. Estávamos passando pelo hall a caminho do elevador quando o porteiro me chamou:

— Senhorita Úrsula, deixaram essa encomenda pra você aqui hoje! – Ele disse vindo em minha direção e me entregando um buquê de flores e uma caixinha de um azul que eu conhecia muito bem: Tiffany.

Agradeci o porteiro e continuei meu caminho até o elevador torcendo para o presente ser do Olavo. Quando entramos no meu apartamento ainda em silêncio descobri que eu estava errada.

‘’Um presente de desculpas por não ter te dado atenção nesses últimos dias. Adorei sua mensagem hoje mais cedo, me surpreenda sempre! Beijos! Augusto.’’

Olavo estava atrás de mim e nessa altura provavelmente já tinha lido o bilhete, eu no lugar dele faria o mesmo. Me virei para ele sem graça e disse:

— Me desculpa te fazer passar por essa situação Olavo! Eu não estava esperando por isso!

— Tudo bem Úrsula, nós não temos nada sério e você já deixou isso bem claro naquela discussão. – Ele disse em tom calmo e eu podia sentir a decepção em suas palavras.

Passei a mão pelos cabelos e me sentei no sofá. Eu não acredito que uma mensagem tinha sido capaz de estragar uma noite tão maravilhosa como a que nós estávamos tendo.

— Mesmo que não tenhamos nada eu entendo que essa é uma situação muito chata e eu estou me sentindo péssima de fazer você passar por isso. – Disse com toda sinceridade.

— Foi uma decisão sua contata-lo hoje e você tem todo direito de fazer isso, mas eu me decepcionei porque depois desse jantar de hoje achei que a gente poderia dar certo! – Ele disse olhando para baixo.

— Dar certo? Olavo, você é casado e mesmo que não mantenha esse tipo de relacionamento com sua mulher é errado! Nós podemos no máximo ter um caso! Ou você realmente acha que vou ocupar o cargo de amante? Ficar sempre em segundo plano? – Respondi Olavo e senti que minhas palavras tinham o atingido. Depois de uns segundos calado, ele disse:

— O meu casamento é a única coisa que impede você de se permitir ter algum sentimento por mim?

— Sim! Na realidade eu não sei Olavo! Talvez seja só isso, mas talvez eu não esteja preparada para algo mais sério agora! Eu realmente não sei te dizer. – Respondi com o coração na mão, tudo que eu queria agora era pular nos braços dele e selar nossos lábios.

— Tudo bem então. Eu tenho que ir! – Olavo disse me dando um beijo na testa. – Não precisa se levantar, eu sei o caminho até a porta.

Então eu fiquei lá sentada e imóvel olhando ele se afastar de mim e depois bater a porta indo embora. Tentei me levantar e ir atrás dele, porém meu orgulho não deixou e eu julguei ser melhor assim. Fiquei ali sentada no sofá olhando para a porta que já tinha se fechado há alguns minutos e fiz algo que eu não fazia há muitos anos, chorei por alguém e mais que isso chorei por não saber o que fazer e por ter deixado meu medo de me envolver me paralisar.