O Anjo e o Fantasma
11 A Apresentação
Notas iniciais
Finalmente a apresentaçao tao esperada de Don Juan!
As cortinas estavam prestes a abrir. Louise aguardava ao lado do tablado, esperando sua hora de entrar. Rauol estava novamente ocupando o camarote de Erik. E como o Fantasma dissera, havia vários guardas. Finalmente, as cortinas foram abertas, revelando um palco com decorações rubras e detalhes em dourado. Os músicos começaram a tocar, e os atores entraram no palco. Eram na maioria mulheres, usando vestidos vermelhos e um tanto provocantes.
– Aqui o senhor servirá a dama, aqui o patrão pega a carne! Aqui o cordeiro do sacrifício emite um balido desesperado – cantaram as atoras. O público ficou chocado, tanto pelas danças sensuais, quanto pelas palavras proferidas.– Pobre donzela, pela emoção em sua língua de sabores roubados terá que pagar um preço alto, entrelaçada aos lençóis da cama.– sirva a carne e sirva à dama! Sirva ao patrão também! Com mesas, planos e donzelas dispostos, Don Juan triunfa mais uma vez!– Passirino, fiel amigo, mais uma vez recite o plano! – diz Piangi, entrando no palco.– sua jovem convidada crê que eu sou você! Eu, o patrão, você, o criado! Use a minha capa para que ela não veja seu rosto, ela crê que janta comigo na sala do patrão! – diz Passirino.– Comeremos e beberemos, roubando o que, na verdade, é meu, até tarde, tendo a modéstia já misturada ao vinho!– Você volta para casa! Usarei a sua voz e bato a porta!– Digo: “Esconda-se comigo!” “Onde, onde?” “No meu quarto!” – diz Piangi – a pobre não terá chance! Meu chapéu, capa e espada. A conquista é certa, mas não devo esquecer que não posso rir – conclui ele saindo do tablado. Louise entra, descalça, com um vestido bordô e dourado, segurando um feixe de rosas. Ela caminha vagarosamente até o centro do palco.– nenhum outro pensamento na cabeça dela, a não ser os de alegria! – canta Louise – nenhum outro sonho dentro do coração, a não ser o de amor – termina ela. Louise percebe os olhares de admiração vindos do publico. Ela senta-se no palco, e se põe a admirar as rosas que estão em suas mãos.– Patrão? – diz Passirino– Passirino, pode ir que a armadilha esta pronta, e aguarda por sua presa – diz Don Juan – Você veio até aqui, em busca de seu mais profundo anseio, em busca daquele desejo que até agora, continua em silêncio... Silêncio – diz ele, levando um dedo à boca, fazendo o típico sinal de silêncio, e andando até Louise. Louise reconheceria aquela voz em qualquer lugar. Era Erik! Ele havia tomado o lugar de Piangi para atuar em sua própria ópera! – eu a trouxe aqui, para poder fundir e incorporar as nossas paixões, em sua mente, você já se rendeu a mim, baixou todas as defesas, rendeu-se completamente a mim. Agora você esta aqui comigo, não há mais nada em que pensar você já decidiu... Decidiu... – falou Erik – a partir de agora, não tem mais volta, não deve mais olhar para trás, as nossas brincadeiras de faz-de-conta, agora terminaram, não existe mais “se” nem “quando”, é inútil resistir! Abandone todos os pensamentos, e deixe o sonho entrar! Que o fogo furioso pode fazer transbordar a alma? – nesse momento Erik foi até Louise, e a abraçou por trás, as mãos dele a passear pelo corpo dela – que o farto desejo pode destrancar essa porta? Que doce sedução nos aguarda? A partir de agora não tem mais volta, é o ponto final! Que segredos ardentes e ocultados iremos aprender? Agora que não tem mais volta?– você me trouxe aqui, aquele momento em que as palavras se esgotam, aquele momento em que a fala desaparece ao silêncio... Silêncio... eu vim até aqui, sem saber ao certo o motivo, na minha mente, já havia imaginado, os nossos corpos se entrelaçando, sem defesa e em silêncio. Agora eu estou aqui com você, não há mais nada em que pensar. Eu já decidi... Decidi... – cantou Louise, olhando nos olhos verdes de Erik — a partir de agora não tem mai volta, não há como voltar atrás. A nossa peça sobre paixão, finalmente começou. Superando todo o pensamento de certo ou errado, uma pergunta final – continuou Louise, subindo na escada em espiral que estava no palco – Quanto tempo nos ainda temos que esperar para nos tornarmos um só? Quando o sangue começará a correr? E o botão adormecido florescerá? Quando as chamas finalmente nos consumirão? Erik tirou a capa, e andou na direção de Louise. Eles se puseram a cantar juntos.– a partir de agora, não tem mais volta, não há como voltar atrás – Erik abraça Louise novamente – a ponte foi atravessada, fique e observe-a queimar. A partir de agora, nós não temos mais volta! O publico os olha espantados. Todos percebem que não é Piangi, e sim o próprio Fantasma. Como alguém que cometeu tantas atrocidades e assusta a todos, pode ser sedutor? E como uma menina não tem medo de se render à ele? São essas as perguntas que passaram pela cabeça de quem estava assistindo a peça. Há guardas por todo lugar. E Erik continua a abraçar Louise, e acaricia o ombro dela. Louise estava corada, pois nos ensaios, a peça não envolvia tanto contato físico. Mas ela estava feliz em estar ali com Erik.– Diga que compartilhara comigo, um amor, uma vida – Erik começou a cantar no ouvido de Louise – Guie-me, salve-me desta solidão. Diga que me quer ao seu lado, aqui, junto de você! Aonde quer que você vá, deixe-me ir também! Louise é só o que eu peço a você!
O publico olhava abismado com tal declaração. Louise não resistiu, e beijou Erik, com paixão e desejo. Alguns “oh” de espanto se fizeram ouvir no publico. Mas Erik e Louise estavam distraídos, e não perceberam os guardas se aproximar.– nós temos um mandado de prisão para o senhor, por matar Joseph e tentar matar Christine! – gritou um dos guardas. Eles estavam na frente do palco, perto da orquestra, e não ousaram se aproximar mais que isso. Louise viu o ódio nos olhos de Erik ao olhar para os guardas e para Rauol. – não se preocupe Louise. Vamos sair daqui e eles não vão nos machucar – falou Erik com raiva. Ele tirou uma adaga, e com ela cortou uma corda. Louise viu o lustre chacoalhar. Ela percebeu que a intenção de Erik era derrubar o lustre em cima dos guardas. O lustre despencou, arrancando gritos da platéia. Os guardas tentaram correr, mas mesmo assim foram atingidos. As muitas velas fizeram o local se incendiar. Mas antes mesmo de Louise falar algo, um alçapão se abriu aos pés deles, e eles foram caindo juntos, direto para a escuridão.
Notas finais
comentem, favoritem, recomendem e etc
Fale com o autor