Notas iniciais
Finalmente a apresentaçao tao esperada de Don Juan!

As cortinas estavam prestes a abrir. Louise aguardava ao lado do tablado, esperando sua hora de entrar. Rauol estava novamente ocupando o camarote de Erik. E como o Fantasma dissera, havia vários guardas. Finalmente, as cortinas foram abertas, revelando um palco com decorações rubras e detalhes em dourado. Os músicos começaram a tocar, e os atores entraram no palco. Eram na maioria mulheres, usando vestidos vermelhos e um tanto provocantes.

– Aqui o senhor servirá a dama, aqui o patrão pega a carne! Aqui o cordeiro do sacrifício emite um balido desesperado – cantaram as atoras. O público ficou chocado, tanto pelas danças sensuais, quanto pelas palavras proferidas.

– Pobre donzela, pela emoção em sua língua de sabores roubados terá que pagar um preço alto, entrelaçada aos lençóis da cama.

– sirva a carne e sirva à dama! Sirva ao patrão também! Com mesas, planos e donzelas dispostos, Don Juan triunfa mais uma vez!

– Passirino, fiel amigo, mais uma vez recite o plano! – diz Piangi, entrando no palco.

– sua jovem convidada crê que eu sou você! Eu, o patrão, você, o criado! Use a minha capa para que ela não veja seu rosto, ela crê que janta comigo na sala do patrão! – diz Passirino.

– Comeremos e beberemos, roubando o que, na verdade, é meu, até tarde, tendo a modéstia já misturada ao vinho!

– Você volta para casa! Usarei a sua voz e bato a porta!

– Digo: “Esconda-se comigo!” “Onde, onde?” “No meu quarto!” – diz Piangi – a pobre não terá chance! Meu chapéu, capa e espada. A conquista é certa, mas não devo esquecer que não posso rir – conclui ele saindo do tablado. Louise entra, descalça, com um vestido bordô e dourado, segurando um feixe de rosas. Ela caminha vagarosamente até o centro do palco.

– nenhum outro pensamento na cabeça dela, a não ser os de alegria! – canta Louise – nenhum outro sonho dentro do coração, a não ser o de amor – termina ela. Louise percebe os olhares de admiração vindos do publico. Ela senta-se no palco, e se põe a admirar as rosas que estão em suas mãos.

– Patrão? – diz Passirino

– Passirino, pode ir que a armadilha esta pronta, e aguarda por sua presa – diz Don Juan – Você veio até aqui, em busca de seu mais profundo anseio, em busca daquele desejo que até agora, continua em silêncio... Silêncio – diz ele, levando um dedo à boca, fazendo o típico sinal de silêncio, e andando até Louise.

Louise reconheceria aquela voz em qualquer lugar. Era Erik! Ele havia tomado o lugar de Piangi para atuar em sua própria ópera!

– eu a trouxe aqui, para poder fundir e incorporar as nossas paixões, em sua mente, você já se rendeu a mim, baixou todas as defesas, rendeu-se completamente a mim. Agora você esta aqui comigo, não há mais nada em que pensar você já decidiu... Decidiu... – falou Erik – a partir de agora, não tem mais volta, não deve mais olhar para trás, as nossas brincadeiras de faz-de-conta, agora terminaram, não existe mais “se” nem “quando”, é inútil resistir! Abandone todos os pensamentos, e deixe o sonho entrar! Que o fogo furioso pode fazer transbordar a alma? – nesse momento Erik foi até Louise, e a abraçou por trás, as mãos dele a passear pelo corpo dela – que o farto desejo pode destrancar essa porta? Que doce sedução nos aguarda? A partir de agora não tem mais volta, é o ponto final! Que segredos ardentes e ocultados iremos aprender? Agora que não tem mais volta?

– você me trouxe aqui, aquele momento em que as palavras se esgotam, aquele momento em que a fala desaparece ao silêncio... Silêncio... eu vim até aqui, sem saber ao certo o motivo, na minha mente, já havia imaginado, os nossos corpos se entrelaçando, sem defesa e em silêncio. Agora eu estou aqui com você, não há mais nada em que pensar. Eu já decidi... Decidi... – cantou Louise, olhando nos olhos verdes de Erik — a partir de agora não tem mai volta, não há como voltar atrás. A nossa peça sobre paixão, finalmente começou. Superando todo o pensamento de certo ou errado, uma pergunta final – continuou Louise, subindo na escada em espiral que estava no palco – Quanto tempo nos ainda temos que esperar para nos tornarmos um só? Quando o sangue começará a correr? E o botão adormecido florescerá? Quando as chamas finalmente nos consumirão?

Erik tirou a capa, e andou na direção de Louise. Eles se puseram a cantar juntos.

– a partir de agora, não tem mais volta, não há como voltar atrás – Erik abraça Louise novamente – a ponte foi atravessada, fique e observe-a queimar. A partir de agora, nós não temos mais volta!

O publico os olha espantados. Todos percebem que não é Piangi, e sim o próprio Fantasma. Como alguém que cometeu tantas atrocidades e assusta a todos, pode ser sedutor? E como uma menina não tem medo de se render à ele? São essas as perguntas que passaram pela cabeça de quem estava assistindo a peça.

Há guardas por todo lugar. E Erik continua a abraçar Louise, e acaricia o ombro dela. Louise estava corada, pois nos ensaios, a peça não envolvia tanto contato físico. Mas ela estava feliz em estar ali com Erik.

– Diga que compartilhara comigo, um amor, uma vida – Erik começou a cantar no ouvido de Louise – Guie-me, salve-me desta solidão. Diga que me quer ao seu lado, aqui, junto de você! Aonde quer que você vá, deixe-me ir também! Louise é só o que eu peço a você!

O publico olhava abismado com tal declaração. Louise não resistiu, e beijou Erik, com paixão e desejo. Alguns “oh” de espanto se fizeram ouvir no publico. Mas Erik e Louise estavam distraídos, e não perceberam os guardas se aproximar.

– nós temos um mandado de prisão para o senhor, por matar Joseph e tentar matar Christine! – gritou um dos guardas. Eles estavam na frente do palco, perto da orquestra, e não ousaram se aproximar mais que isso. Louise viu o ódio nos olhos de Erik ao olhar para os guardas e para Rauol.

– não se preocupe Louise. Vamos sair daqui e eles não vão nos machucar – falou Erik com raiva. Ele tirou uma adaga, e com ela cortou uma corda. Louise viu o lustre chacoalhar. Ela percebeu que a intenção de Erik era derrubar o lustre em cima dos guardas. O lustre despencou, arrancando gritos da platéia. Os guardas tentaram correr, mas mesmo assim foram atingidos. As muitas velas fizeram o local se incendiar. Mas antes mesmo de Louise falar algo, um alçapão se abriu aos pés deles, e eles foram caindo juntos, direto para a escuridão.

Notas finais
comentem, favoritem, recomendem e etc