O Anjo e a Espada
9 Capítulo 9 - Lágrimas e Sangue
Orihime acabou adormecendo nos braços de Ulquiorra. No frio que fazia, os dois se enrolaram nas mantas, sentindo o calor um do outro. E eles não perceberam... Que a noite acabara e já era dia. A primeira luz pálida da manha adentrou pela pequena janela.
E então, como que acordando de um sonho, a porta foi escancarada. Ulquiorra e Orihime acordaram imediatamente.
_Inoue!_Kurosaki estava sério e visivelmente decepcionado. Ele entrava seguido pelos guardas.
_Se o prender vai ter que me prender também!_ela desafiou.
Mas Ulquiorra pos a mão no ombro dela.
_Por favor, vá com ele.
_Mas...
_Eu vou ficar bem. _ele tentou sorriu.
Leda veio correndo, puxando Orihime pelo ombro, que olhava para trás insegura. A muito contra gosto, ela se arrumou para voltar pro castelo. Ah mas isso não ia ficar assim, o pai dela não permitiria! Ele entenderia o amor da filha e soltaria Ulquiorra. Tinha certeza. Então ela se acalmou. Ela e Leda foram escoltadas numa carruagem, enquanto Ulquiorra ia preso na carroça junto com os mantimentos, e ambos cercados por cavaleiros e Kurosaki na frente.
Levaram quase um dia na estrada, estava bem frio e Orihime cochilou. Sonhou com a noite anterior, em que se entregara para Ulquiorra. Foi tão apaixonante... Ela nunca teve certeza do amor como tinha naquele momento. Ela o amava, o amava com todo o coração.
Na carroça, Ulquiorra olhava a estrada, mas não prestava atenção, pois sua mente estava naqueles olhos cinzentos, naquele rosto macio, naqueles lábios, naqueles cabelos, enfim, naquela mulher. Ela o enfeitiçara como mulher nenhuma fez. Nunca se sentiu assim antes, nunca amou uma mulher como ela, nunca desejou nada como desejava ela. Isso era uma maldição, ele riu.
Já era manhã. Orihime olhou pela janela e avistou as torres do castelo. Ela sorriu, parecia que nunca tinha saído de lá e que tudo não passara de um sonho! Mas o sonho fora real e a prova disso estava na carroça logo atrás.
Seu coração deu um pulo quando passaram dos portões principais. Que saudade estava de seu pai! Olhando pela janela, notou algo incomum, seu pai não estava lá, e os soldados estavam visivelmente abalados. Nenhuma criança brincava nas ruas, nenhuma barraca do mercado estava aberta. Estava tudo tão deserto como ela nunca viu antes.
_O que ta havendo?_Orihime saiu apressada passando a frente de Kurosaki.
_Princesa! É tão bom vê-la... _disse o guarda. Mas ele não parecia tão feliz assim.
_O que houve?
O guarda olhou para a capela.
_Inoue..._Kurosaki começou, mas a menina já saiu correndo.
A Capela era do jeito que ela lembrava, vitoriana, nas suas tendências góticas. Entrando a passos rápidos ela estacou, desabando.
No altar, em frente à imagem de Jesus Cristo, jazia o corpo velado do rei.
_Não... Não! Pa-papai... _entre lágrimas, ela avançou para junto do corpo frio do pai. Ele parecia tão infeliz, melancólico, frio... As lágrimas da filha escorriam pelo rosto imóvel do antigo rei.
Enquanto ela sofria o momento de pesar, não notou que havia alguém a mais lá.
_Realmente foi uma fatalidade..._murmurou uma voz.
Orihime levantou os olhos, marejados de dor e raiva.
_Você... O que você fez com ele?!
_Eu?_indignou-se Aizen, num tom cínico._ Eu não matei seu pai, se é isso que você pensa. Eu apenas lhe contei nossa historia... Coitado, ele enfartou! Quem diria...
_Seu maldito! MALDITO!
Ela avançou até ele, mas ele a imobilizou.
_O que pensa que vai fazer contra o seu rei?
Orihime então cuspiu na face dele. E entre os dentes disse:
_Você. Nunca. Será. O meu. Rei.
Num baque, Aizen deu-lhe um tapa que a fez derrubar os bancos.
_Não toque nela!_gritou Kurosaki, entrando acompanhado dos outros guardas.
_Ela é minha e eu faço o que quiser. E olha o respeito que eu sou rei!
_Você ainda não é rei! O antigo rei acabou de falecer, ou você acha que as coisas são assim? Temos uma inteira corte para julgar você!
_Bobagem! Ela _puxou o braço de Inoue. _ é minha esposa!
_E cadê os proclamas reais?_retorquiu Kurosaki.
Será que funcionaria? Confundiria Aizen?
Parece que sim, a calma de Aizen não estava presente em seu rosto, nem seu sorriso. Ele parecia nervoso, confuso. Será que faltava algum detalhe?
_Agora, largue a Inoue.
Os guardas vinham se aproximando, mas Aizen foi mais rápido, sacou sua faca posicionando-a na garganta de Orihime.
_Se afastem, saiam daqui! Agora. _ordenou Aizen.
Kurosaki hesitou, mas não teve escolha, precisava de um plano para enfrentar esse maluco. Afastou-se com os guardas, saindo pro pátio.
_Onde ela está??_indagou Leda, exasperada.
_Ele esta com ela...
De dentro da carroça, Ulquiorra ouviu tudo. Aizen aquele maldito... já estava na hora de acertarem as contas!
_Ai meu bom Deus... Ele pode ser rei?_perguntou Leda.
_Eu não sei! Droga, não podemos arriscar a vida da prin... da rainha. Mas ele se condenou, ele esta mantendo a rainha de refém! Só precisamos pensar num plano de tirar Inoue de lá...
A carroça de Ulquiorra não estava sendo vigiada, e ele conseguiu escapar com facilidade. A mulher que ele ama estava em perigo, não tinha tempo para pensar... E o tempo era curto. Ele estava já na porta da capela quando ouviu um grito.
_Orihime!
Ulquiorra entrou na capela. Kurosaki e os guardas viram e iam atras dele, porém uma flecha parou na frente de Kurosaki, por pouco não o acertando. Desnorteado ele olhou para o lugar de onde ela viera. Uns seis homens armados vieram dos portões, rendendo os guardas no caminho, fazendo cerco a ele e mais três dos seus guardas.
_Merda...
O atirador sorriu e avançaram para cima deles, que brandiram espadas e começaram a luta. O tempo corria.
Na capela, Ulquiorra avistou Orihime ensanguentada, com o vestido levantado e Aizen em cima dela, que estava imóvel com uma faca encravada em seu ombro direito. Estaria desacordada ou... ?
_Ori...hime...
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